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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O Nascimento da Grã-Duquesa Maria - Margaret Eager

Olga Nikolaevna com a tia Olga Alexandrovna em 1899

Um dia, na altura da Páscoa, fomos dar um passeio pela avenida de Nevski e a pequena grã-duquesa Olga não se estava a portar bem. Eu tentava falar com ela, tentando fazer com que se sentasse quieta quando, inesperadamente, ela me obedeceu, colocando as mãos muito educadamente no colo. Alguns segundos depois perguntou-me: “Viu aquele polícia?”. Respondi-lhe que isso não era nada de extraordinário e que o polícia não lhe ia fazer nada. Ela respondeu: “mas este estava a escrever alguma coisa, tive medo que estivesse a escrever que tinha visto a Olga e que ela se estava a portar muito mal.” Expliquei-lhe que isso era muito improvável e ela relembrou-me, de forma bastante indignada, que um dia, algum tempo antes, tinha visto uma mulher bêbada a ser presa na rua e que me tinha pedido para ir dizer ao polícia para não a magoar, e eu tinha-me “recusado a interferir e dito que a mulher se tinha portado muito mal e que o polícia tinha toda a razão por a estar a levar” . Nesta altura expliquei-lhe que uma pessoa tinha de ser bastante crescida e portar-se muito mal antes de a polícia levar alguém para a prisão. Quando voltamos a casa, ela perguntou a toda a gente se algum polícia tinha passado pelo palácio e perguntado por ela enquanto estivemos fora. Quando foi visitar os pais nessa tarde, contou tudo o que tinha acontecido ao pai, dizendo-lhe que eu lhe tinha dito que era bastante provável viver uma vida inteira sem ir para a prisão. Depois perguntou ao pai se ele alguma vez tinha estado preso e o imperador respondeu que nunca se tinha portado mal o suficiente para ir para a prisão, ao que ela respondeu: “Ah, então também te deves ter portado muito bem”. 

Olga em 1899
Ficamos cerca de dois dias em São Petersburgo e depois regressamos a Czarskoe Selo. A primavera chega tão rapidamente na Rússia que quando regressamos, as paisagens já estavam verdes e magníficas, os pássaros já estavam a cantar e tudo estava lindo com a chegada da primavera.

A esposa do czar Alexandre II adorava primaveras. Importava-as da Alemanha e plantava-as no parque de Czarskoe Selo. Deram-se muito bem e agora qualquer as encontra até em Peterhoff, que fica cerca de cinquenta quilómetros de São Petersburgo.

Maria Alexandrovna
Ficamos em Czarskoe Selo até ao início de Maio, quando nos mudamos para Peterhoff, a residência de verão no Golfo da Finlândia. Lá existem várias residências imperiais e o grande palácio é usado para cerimónias de estado. O parque é limitado pelo calmo Báltico de um lado. No horizonte vê-se a cidade de Kronstadt, rodeada pelos seus fortes. Há uma pequena igreja inglesa onde vive um capelão durante o verão que trabalha com os marinheiros. Kronstadt é o segundo lugar mais seguro do mundo e, até muito recentemente, era considerado impenetrável por causa do gelo. Contudo, a quebra do gelo mudou tudo. O lugar mais seguro do mundo é, claro, Gilbraltar.

As pequenas grã-duquesas começaram a ir regularmente à igreja desde bebés. Foi durante este ano que a grã-duquesa Olga começou a compreender o que lá se dizia. Chegou a casa um dia e disse-me: “o padre rezou pela mamã e pelo papá, pela Tatiana e por mim, pelos soldados, pelos marinheiros, os pobres doentes, as maçãs e as pêras e por Madame G.” Contestei quando falou desta última e ela respondeu-me: “Mas eu ouvi-o dizer ‘Maria Feodorovna’!” Então disse-lhe que se calhar se estava a referir à avó dela, mas ela protestou: “Não! A avó chama-se Amama [avó em dinamarquês], ou Sua Majestade, mas não se chama Maria Feodorovna.” Disse-lhe: “Também se chama Maria Feodorovna”, mas ela não aceitou: “ninguém tem mais de dois nomes e tenho a certeza que a Madame G. ia ficar muito contente se soubesse que os padres rezam sempre por ela na igreja.”

Olga Nikolaevna com a avó Maria Feodorovna
Foi em Peterhoff, durante o quente mês de Junho, que nasceu a pequena grã-duquesa Maria. Penso muitas vezes que ela já nasceu boa, com o mínimo sinal do pecado original. O grão-duque Vladimir costumava chamar-lhe “o bebé amigável”, por ela ser tão boa e estar sempre a sorrir e alegre. É uma criança muito bonita e amorosa, com grandes olhos azuis-escuros e as sobrancelhas negras da família Romanov. Há pouco tempo, um cavalheiro ao falar dela disse que tinha o rosto de um anjo de Botticelli. Mas por muito boa e gentil que seja, também é muito humana, como as seguintes histórias vão mostrar. Um dia, quando ela ainda era muito pequena, estava no boudoir da imperatriz onde o imperador e a imperatriz estavam a tomar chá. A imperatriz tinha umas wafers pequenas com sabor a baunilha que se chamavam Biblichen, das quais as crianças gostavam muito, mas não tinham permissão para pedir nada enquanto estivessem na mesa. A imperatriz mandou-me chamar e quando cheguei a pequena Maria estava de pé, no meio da sala, com os olhos lavados em lágrimas e a engolir alguma coisa apressadamente. “Pronto! Comi tudo!”, disse ela, “Agora já não as podem comer!” Fiquei muito admirada e sugeri logo que se mandasse a criança para cama de castigo. A imperatriz disse: “Muito bem, leve-a”, mas o imperador interrompeu-a e pediu que a deixássemos ficar, dizendo: “Já estava com medo que lhe começassem a crescer as asas, ainda bem que ela é só uma criança humana.” Servia muitas vezes de exemplo para as suas irmãs mais velhas que declararam que ela era uma meia-irmã. Disse-lhes em vão que, nos contos de fadas, eram as irmãs mais velhas que eram as meias-irmãs e que a terceira é que era a irmã verdadeira. Elas não me ouviam e excluíam-na de todas as suas brincadeiras. Disse-lhes que ela não ia aguentar aquele comportamento para sempre e que, um dia, elas seriam castigadas. Um dia, as duas mais velhas fizeram uma casa com cadeiras numa ponta do berçário e não deixaram entrar a pobre Maria, dizendo-lhe que ela podia fazer de mordomo, mas que, para isso, tinha de ficar do lado de fora. Fiz outra casa do outro lado e ela brincou lá. De repente, a Maria correu para o outro lado do quarto, foi até à casa das irmãs, deu um estalo na cara a cada uma delas e foi para o quarto ao lado, voltando vestida com o manto de uma boneca e um chapéu e as mãos cheias de brinquedos pequenos. “Não vou ser o mordomo, vou ser a tia boa e gentil que dá brinquedos!”, disse ela. Depois distribuiu os brinquedos, beijou as suas “sobrinhas” e sentou-se. As irmãs dela olharam uma para a outra envergonhadas e depois a Tatiana disse: “Fomos tão más para a pobre Maria e ela não resistiu a bater-nos.” Aprenderam a lição e a partir daí passaram a dar-lhe os direitos de família que ela merecia.

Maria Nikolaevna
Desde muito cedo que o amor pelo pai era muito visível. Quando ainda mal conseguia andar, a Maria tentava sempre fugir do berçário para ir ter com o papá e sempre que o via no jardim ou no parque, chamava-o. Se ele a ouvisse ou visse, esperava sempre por ela para a poder levar um pouco ao colo.

Quando ele esteve doente na Crimeia, sofreu muito por não o poder ver. Tinha de trancar a porta do berçário, senão ela fugia para o corredor e incomodava-o com os seus esforços para chegar até ele. Todas as noites, depois do chá, sentava-se no chão, mesmo encostada à porta do berçário, a ouvir os sons que podiam vir do quarto. Se ouvisse a voz dele por acaso, esticava os braços e começava a chamar pelo pai e a sua alegria quando o pôde ver foi enorme. Quando a imperatriz foi visitar as crianças na primeira noite depois de ter sido diagnosticada a febre tifóide, estava a usar um broche que tinha um retracto em miniatura do imperador. No meio de lágrimas e soluços, a pequena Maria reparou nele. Subiu para o colo da mãe e cobriu a fotografia de beijos, recusando-se a ir para a cama durante todas as noites em que a doença durou sem beijar esta miniatura.

Maria Nikolaevna com a mãe Alexandra
Texto retirado do livro "Six Years at the Russian Court" de Margaret Eager


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Viagem à Dinamarca e à Alemanha (1899) - Margaret Eager

Famílias reais russa e dinamarquesa em 1899
No outono desse ano (1899), fomos ao estrangeiro. Em Peterhoff entramos a bordo de um pequeno iate chamado Alexandra que nos levou até Kronstadt onde nos mudamos para o Standard. O Padre João de Kronstadt veio a bordo e abençoou o imperador, a imperatriz e as crianças; também me abençoou a mim.

Começamos a nossa viagem em Kronstadt no belo iate Standard que é tão grande como a linha costeira e leva quinhentos homens a bordo. Fomos sempre seguidos por outro iate, o Polar Star, para protecção. Foi nesse barco que o imperador fez a sua viagem educativa pelo mundo inteiro quando era czarevich.


Nicolau e Tatiana com Miss Eager a bordo do iate Standard
Tinham sido dadas ordens para o navio andar a meio gás em caso de nevoeiro que é muito comum no Báltico. O nevoeiro chegou e o Standard reduziu a velocidade, mas o Polar Star não, por isso acabou por nos ultrapassar e já estava a alguns nós de distância quando se percebeu o que tinha acontecido. Houve grande confusão a bordo de ambos os barcos e mudaram ambos um pouco a sua direcção. O Polar Star passou tão perto de nós que quase podemos apertar as mãos de quem estava a bordo dele. O resto da nossa viagem seguiu sem incidentes.

Quando chegamos a Copenhaga fomos recebidos pelo velho rei da Dinamarca, pelo príncipe de Gales (futuro rei Eduardo VII), pela princesa Vitória (do Reino Unido), pelo rei da Grécia e por muitos outros membros da realeza, e fomos de carro até ao Castelo de Bernstorff que ficava perto de Copenhaga. É uma residência muito pequena e havia tanta gente que chegava a ser desconfortável. Tem um pequeno parque e um jardim de rosas que a falecida rainha plantou.

Nicolau II  na companhia dos seus irmãos Miguel e Olga, do cunhado Alexandre, da prima Vitória do Reino Unido e dos primos Aage, Axel, Eric, Viggo e Cecília, filhos do príncipe Valdemar da Dinamarca
A princesa Vitória gostou muito das suas pequenas primas e elas, por seu lado, também mostraram muito afecto pela “Tia Toria”, como lhe chamavam. De facto, as três meninas foram o centro das atenções da família. A princesa de Gales ficou instalada num quarto ao lado do meu.

Ficamos cerca de dezasseis dias na Dinamarca, depois fomos para Kiel para visitar a irmã da imperatriz, a princesa Irene de Hesse-Darmstadt. Naquela altura ela tinha dois filhos. Kiel é uma cidade bastante suja e muito movimentada, com um porto próspero; apesar de tudo tem lojas muito boas. Se alguém perguntar a um habitante de Kiel o que se pode comprar de recordação, ele sugere sempre peixe fumado. O peixe é muito valorizado por toda a Alemanha.

A princesa Vitória do Reino Unido com a princesa Cecília da Dinamarca
Ficamos dois dias em Kiel e depois fomos de comboio para Darmstadt, ou melhor, para Wolfsgarten. (…) Fomos recebidos na estação pelo grão-duque e grã-duquesa de Hesse e pela filha deles, a pequena princesa Ella, bem como pela irmã da grã-duquesa, a princesa-herdeira da Roménia que é uma mulher muito bonita. A princesa Ella tinha quatro anos na altura e era uma criança doce e bonita com grandes olhos cinza-esverdeados e uma grande quantidade de cabelo negro. Era muito parecida com a mãe, não só no rosto, mas também na forma como se movimentava. Gostava muito das suas primas e colocou alguns dos seus brinquedos na sala para que elas pudessem brincar e não demorou para que ficassem grandes amigas. A princesa queria muito ter um irmão e implorou com muita veemência para que a deixassem adoptar a grã-duquesa Tatiana. Disse que não íamos sentir tanta falta dela como da Olga ou da bebé (Maria) e chegou à conclusão de que Miss W. (a ama de Isabel) podia muito facilmente cuidar de mais uma criança. Nesse dia seguiu com muita atenção e olhos bem abertos a forma como eu tratava da bebé e perguntou à tia se não se importava de a deixar em Darmstadt e, claro, a imperatriz disse que não podia fazer isso. Depois tentou a via diplomática, assegurando a toda a gente que a Maria era uma bebé muito feia e que ficaríamos melhor sem aquela menina pateta. Quando pensou que tinha conseguido cumprir o seu objectivo, disse-me que a bebé era tão horrível que eu até a devia deitar fora!

A princesa Isabel de Hesse com a prima Olga, o pai Ernesto Luís, o tio Nicolau II e o príncipe Nicolau da Grécia e Dinamarca
Passamos seis ou sete semanas muito felizes em Wolfgarten onde podemos usufruir de prazeres muito simples como chás ciganos. Fomos duas vezes a Darmstadt, tomamos chá no palácio e fomos às compras com as crianças. Darmstadt é uma cidade bem construída, com ruas largas e limpas e boas lojas. Levamos as crianças a uma loja de brinquedos e dissemos que elas podiam escolher o que quisessem para si e um presente para os seus familiares. A Olga escolheu o brinquedo mais pequeno que encontrou e agradeceu educadamente. Os funcionários da loja tentaram em vão mostrar-lhe brinquedos melhores, mas ela respondia sempre: “Não, obrigada, não quero isso.” Levei-a para um canto e perguntei-lhe porque é que ela não queria levar mais nada. Disse-lhe que as pessoas iam ficar tristes se ela não levasse mais nada e que não podia sair da loja sem escolher outras coisas. Então respondeu-me: “Mas de certeza que os brinquedos mais bonitos já são de outras meninas e ia ser muito mau se elas chegassem a casa e vissem que nós os tínhamos levado enquanto elas estavam a passear.” Expliquei-lhe como funcionava a loja e tanto ela como a Tatiana levaram um grande monte de brinquedos para casa.

Olga e Tatiana em Darmstadt em 1899
Foi com muita pena que deixamos Darmstadt. A caminho da Polónia, fizemos uma paragem em Potsdam para visitar o imperador e a imperatriz da Alemanha. Quando chegamos, havia tropas alinhadas na estação e foi o próprio imperador que nos veio receber. Uma banda tocou o hino nacional russo e os dois imperadores caminharam lado a lado enquanto inspeccionavam os regimentos que estavam presentes. O czar deu apertos de mão e felicitou os oficiais. O imperador e a imperatriz foram até ao palácio para almoçar, mas eu fiquei com as crianças no comboio até chegar uma carruagem que nos levou para lá já depois da refeição.

Nicolau com o kaiser Guilherme II em 1899
O imperador da Alemanha é exactamente igual ao que vemos nas fotografias e a esposa é uma mulher bonita e saudável. Nesta ocasião estava vestida de forma simples, com um vestido verde. Ambos adoraram as grã-duquesas e repararam principalmente nas roupas delas que tinham sido compradas em Londres de propósito para a visita. As meninas tinham vestido casacos creme de seda com chapéus a condizer. Debaixo tinham vestidos creme com faixas de seda cor-de-rosa.  A pequena princesa, única menina nascida do casal, levou-nos para o andar de cima e pareceu-me uma criança muito doce e bem-educada. Os quartos das crianças tinham todos papel de parede verde marinho e prateado e eram todos muito bonitos. Foi lá que tomamos chá com a princesa e o príncipe mais novo. Não havia criados na sala e foi próprio príncipe que distribuiu o pão e a manteiga por todos. Quando terminamos o chá, eles levaram a Olga para andar numa pequena carruagem puxada por um pónei vigiada pela ama inglesa que também levou consigo a Tatiana e andaram todos pelos conhecidos jardins de Sans Souci. Depois voltamos ao comboio e pusemos as crianças na cama. Cerca das dez da noite chegaram o imperador e a imperatriz. A banda tocou e começamos a viagem para a Polónia.

Vitória Luísa, filha do kaiser Guilherme II

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Um Dia Na Vida da Família Imperial - Lili Dehn

Às nove da manhã a imperatriz tomava o pequeno-almoço com o imperador; era uma refeição simples à inglesa e depois do pequeno-almoço subia ao andar superior para ver as crianças. Depois chegava a Anna Vyrubova e, se havia reuniões extremamente importantes, normalmente aconteciam de manhã, mas, se a imperatriz estivesse “livre” ia inspeccionar o seu colégio de enfermeiras domésticas que se regia inteiramente por linhas inglesas. Acreditava piamente na qualidade das enfermeiras que recebiam um treino inglês, especialmente para crianças e empenhava-se extensivamente no trabalho e organização desta instituição.

Alexandra com um bebé, provavelmente Alexei

O almoço era à uma hora à semana e ao meio dia e meia aos Domingos, mas quando a imperatriz se sentia indisposta, o que acontecia com frequência, comia no seu boudoir ou apenas na companhia do czarevich. Depois do almoço a imperatriz ia dar uma volta a pé ou passeava numa carruagem aberta. O chá era tomado às cinco da tarde, mas por vezes recebia pessoas entre o almoço e o chá.

Nicolau, Alexandra, Olga e Anastásia com Vitória Melita

A família encontrava-se à hora do chá que era uma ocasião bastante familiar, e o jantar que era servido às oito, era uma ocasião bastante móvel no sentido literal da palavra. O imperador não gostava de comer só numa sala em específico, por isso a mesa era sempre levada para a sala que ele preferisse nessa noite. Depois de jantar (e esta era sempre uma refeição muito simples), a família passava o resto do serão junta e as grã-duquesas, que gostavam muito de puzzles, passavam quase sempre esta altura a trabalhar neles. Por vezes o imperador lia em voz alta para as filhas e para a esposa. Era a vida familiar de uma família unida, mas uma vida que o resto do mundo não estava disposto a aceitar. De facto, um escritor russo não hesitou em afirmar abertamente que “teria sido melhor para a Rússia se a imperatriz tivesse sucumbido a todas as fragilidades atribuídas a Catarina II.” É irónico pensar nesta opinião quando uma pessoa se lembra como os jornais e o publico em geral criticaram a sua associação com Rasputine. Mas se ela tivesse sido como Catarina II, é possível que essa “fragilidade” pudesse ter sido considerada “melhor para a Rússia!”
Nicolau II com os filhos e um oficial


domingo, 17 de julho de 2011

A Morte dos Romanov - 17 de Julho de 1918


Na noite de 16 de Julho, entre as sete e as oito da noite, quando o meu turno tinha acabado de começar, o comandante Yurovsky (chefe do esquadrão de execução) ordenou-me que fosse buscar os revolveres Nagan aos guardas e que os levasse até ele. Recolhi doze revolveres dos sentinelas e de outros guardas e levei-os ao escritório do comandante.

O Yurovsky disse-me, "Temos de os matar hoje à noite, por isso avisa os guardas para não se assustarem se ouvirem tiros". Percebi então que o Yurovsky tinha todas as intenções de matar a família inteira do czar, bem como o médico e os criados que estavam com eles, mas não lhe perguntei onde nem quem tinha tomado essa decisão. Cerca das dez da noite, seguindo a ordem de Yurovsky, informei os guardas para não se assustarem caso ouvissem disparos.

Cerca da meia-noite, o Yurovsky acordou a família do czar. Não sei se lhes disse a razão pela qual tinham sido acordados ou para onde seriam levados, mas tenho a certeza que foi o Yurovsky que entrou no quarto ocupado pela família do czar. Cerca de uma hora depois, a família inteira, o médico, a criada da czarina e os criados do czar levantaram-se, lavaram-se e vestiram-se.

Pouco antes de o Yurovsky ir acordar a família, dois membros da Comissão Extraordinária (do Soviete de Ekaterinburg) chegaram à Casa Ipatiev. Pouco depois da uma da manhã, o czar, a czarina, as suas quatro filhas, a criada, o médico, o cozinheiro e os criados saíram dos seus quartos. O czar levava o filho nos braços. O imperador e o herdeira estavam vestidos de uniforme e levavam capas. A imperatriz, as suas filhas e os outros siguiam-nos. O Yurovsky, o seu assistente e os outros dois que mencionei em cima, membros da Comissão Extraordinária acompanharam-nos. Eu também estava presente.

Enquanto estive presente, nenhum membro da família do czar fez perguntas. Não choraram nem se lamentaram. Depois de descer as escadas da Casa Ipatiev para o primeiro andar, fomos para o quintal e, daí, entramos na segunda porta (do lado do portão), chegando à cave da casa. Quando chegamos à sala, adjunta à dispensa e com uma porta fechada atrás, o Yurovsky ordenou que se trouxessem cadeiras e o seu assistente trouxe três cadeiras. Uma delas foi dada ao imperador, uma à imperatriz e a terceira ao herdeiro.

A imperatriz sentou-se perto da parede, junto à janela, perto do pilar negro do arco. Atrás delas estavam três das suas filhas. Conhecia bem as caras delas porque as via todos os dias quando elas iam passear pelo jardim, mas não sabia como se chamavam. O herdeiro e o imperador sentaram-se lado a lado, quase a meio da sala. O doutor Botkin estava atrás do herdeiro. A criada, uma mulher muito alta, estava à esquerda da porta que dava para a dispensa, ao seu lado estava a filha mais nova do czar (Anastásia). Os outros dois estavam encostados à parede, à esquerda da porta de entrada para a sala.

A criada levava uma almofada. As filhas do czar também tinham almofadas pequenas com elas. Uma delas foi colocada na cadeira da imperatriz e outra na do herdeiro. Parecia que adivinhavam o seu destino, mas nenhum deles falou. Neste momento entraram onze homens na sala: O Yurovsky, o assistente, dois membros da Comissão Extraordinária e quatro operativos da Cheka (polícia secreta).

O Yurovsky ordenou-me que saísse, dizendo: "Vai até à rua, vê se está lá alguém e espera para ver se se conseguem ouvir os tiros." Saí para o quintal, que era protegido por uma vedação, mas antes de chegar à rua ouvi disparos. Regressei imediatamente à casa, só tinham passado dois ou três minutos, e quando entrei na sala onde a execução tinha acontecido vi que todos os membros da família do czar estavam deitados no chão, gravemente feridos ou mortos. O sangue corria como um riacho. O médico, a criada e os dois serventes também tinham sido atingidos. Quando entrei o herdeiro ainda estava vivo e gemia um pouco. O Yurovsky foi até ele e disparou mais dois ou três tiros contra ele. Depois o herdeiro ficou quieto.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Notícias - Exposição com os Brinquedos das Crianças Romanov no Palácio de Alexandre (São Petersburgo)


Quase cem anos depois de os Romanov deixarem o Palácio de Alexandre, os seus antigos quartos estão abertos ao público desde o dia 2 de Junho para uma exposição única sobre a infância dos filhos de Alexandre II e Nicolau II, os principais habitantes deste palácio em Czarskoe Selo. Quem a visita pode ver brinquedos, fotografias, roupa e outros objectos.

Tenda, canoa, cão e outros brinquedos do czarevich Aleksei Nikolaevich
Brinquedos das quatro grã-duquesas
Vestidos e fotografias das grã-duquesas
Para mais informações e horários de visita clique aqui.

quarta-feira, 16 de março de 2011

A Abdicação de Nicolau II - Anna Vyrubova (2ª parte)

Anna Vyrubova quando tinha sarampo
Naquela hora de agonia suprema não se disse uma única palavra sobre a perda do trono. O coração de Alexandra Feodorovna estava com o marido, os seus únicos medos eram que ele pudesse estar em perigo ou que o seu filho lhes fosse retirado. Começou imediatamente a enviar telegramas frenéticos ao imperador, implorando-lhe que voltasse para casa o mais depressa possível. Com a crueldade refinada que lhe era característica, o governo provisório devolveu os telegramas à imperatriz, escrevendo a lápis azul: "Morada da pessoa mencionada desconhecida." 

Nem esta insolênsia nem os seus medos quebraram a coragem sublime da imperatriz. Quando na manhã seguinte ela entrou no meu quarto e viu a minha cara lavada em lágrimas por já saber o que tinha acontecido, a única emoção que lhe li no rosto foi uma certa irritação por terem sido outros lábios a darem-me a notícia. "Eles deviam saber que preferia ser eu a dar a notícia," disse. Só quando deixou as suas rondas pelos quartos e ficou sozinha é que deixou a angustia surgir. "A mamã chorou muito," contou-me a pequena Maria. "Eu também chorei, mas só o que não consegui aguentar, para bem da mamã." Nunca na minha vida, de certeza, vou contemplar tanta força de espírito como a que foi mostrada naqueles dias de tragédia e desastre pela imperatriz e pelos seus filhos. Nem uma palavra de amargura ou ressentimento saiu dos seus lábios. "Sabes, Anna," disse-me a imperatriz gentilmente, "está tudo acabado para a nossa Rússia. Mas não devemos culpar o povo ou os soldados pelo que aconteceu." Sabíamos bem que ombros carregavam o peso dessa responsabilidade.

Maria Nikolaevna
Nesta altura, a Olga e o Alexei já estavam muito melhores, mas a Tatiana e a Anastásia ainda estavam muito doentes e a Maria estava a entrar na fase mais grave da doença. A imperatriz com o seu uniforme do hospital movia-se incansavelmente de quarto para quarto. Estávamos praticamente sozinhos no palácio. Nem os meus pais me podiam visitar por estarem presos em São Petersburgo.
Os dias passavam e continuávamos sem saber nada do imperador. A paciência da imperatriz estava quase a esgotar-se quando uma jovem, esposa de um oficial obscuro, que se atirou aos pés da imperatriz e implorou para ter a permissão de cumprir a dificil tarefa de levar uma até ao imperador.  A imperatriz aceitou a oferta muito agradecida e uma hora depois a corajosa mulher estava a caminho de Mogilov.  Como conseguiu chegar ao quartel-general, como passou o cordão de segurança de soldados e finalmente conseguiu entregar a carta ao imperador prisioneiro, nunca soubemos, mas demos-lhe todo o mérito por o ter conseguido.

Olga, Tatiana e Alexandra durante a Primeira Guerra Mundial
O palácio estava agora cheio de soldados revolucionários, bastante bêbados com a sua nova liberdade. As suas botas pesadas faziam barulho pelos quartos e corredores e grupos de homens sujos e de barbas por fazer estavam sempre a tentar entrar nos quartos das crianças, gritavam com vozes roucas: "Mostrem-nos o Alexei!" Pois era o herdeiro que lhes interessava acima de tudo e despertava a curiosidade da multidão. Entretanto, por detrás das portas fechadas e esperando ansiosamente a chegada do imperador, a imperatriz e os poucos que ainda lhe eram leais estavam a preparar-se para uma possível visita de Kerensky queimando cartas e diários, registos pessoais íntimos, demasiado preciosos para caírem nas mãos do inimigo.

Alexei Nikolaevich

terça-feira, 15 de março de 2011

A Abdicação de Nicolau II - Anna Vyrubova (1ª parte)

Nicolau II em 1900
Na manhã seguinte, fui para a porta e vi o carro do imperador desaparecer dos terrenos do palácio, a imperatriz e os filhos foram com ele até à estação. Como era normal nestas ocasiões, houve uma mostra de bandeiras dos guardas que se posicionavam para o saudar e o dobrar dos sinos das igrejas a despedirem-se. Tudo parecia igual, no entanto, as bandeiras, os soldados e o dobrar dos sinos estavam a acelerar o czar de todas as Rússias para a sua ruína. 

Senti-me doente nessa manhã, doente mental e fisicamente, contudo cumpri o meu dever e fui para o meu hospital onde um soldado por quem me interessei especialmente, ia ser operado e, temendo-a, implorou-me que estivesse presente. Enquanto lhe estavam a administrar a anestesia, fiquei ao lado do pobre homem, segurando-lhe a mão, mas ao mesmo tempo percebi que estava a ficar com febre e que a minha dor de cabeça estava a aumentar insuportavelmente. Quando regressei ao palácio deitei-me no meu quarto, depois de ter escrito uma nota à imperatriz onde dizia que não estaria presente para tomar chá. Uma hora depois chegou a Tatiana, complacente como sempre, mas preocupada porque tanto a Olga como o Alexei estavam de cama com temperaturas altas e os médicos achavam que eles podiam ter sarampo.

Uma semana ou duas antes, alguns cadetes da escola militar tinham passado a tarde a brincar com o Alexei e um destes rapazes tinha tosse e o rosto tão corado que a imperatriz tinha chamado a atenção de M. Gilliard para a criança, temendo que esta estivesse doente. No dia seguinte soubemos que ele tinha sarampo, mas como as nossas cabeças estavam tão preocupadas com outras coisas, nenhum de nós pensou muito no perigo de contaminação. Quanto a mim, mesmo depois da Tatiana me dizer que a Olga e o Alexei poderiam estar a sofrer a doença, não me ocorreu nem uma vez que iria ficar doente. A minha temperatura continuou a subir e a minha dor de cabeça a aumentar. Fiquei de cama durante o dia seguinte, até à hora de jantar quando a Mme. Dehn veio ter comigo e fiz um esforço inútil para me levantar e vestir. A Mme. Dehn obrigou-me a deitar outra vez e, olhando para mim cuidadosamente, disse: "Está com muito mau aspecto. Acho que vai ter de ser vista pelo médico." No instante seguinte, assim me pareceu, o médico estava no meu quarto e ouvi-o dizer: "Sarampo. Um caso grave." Depois adormeci ou desmaiei.

Anna Vyrubova com a imperatriz Alexandra
Nesse mesmo dia a Tatiana ficou doente e agora a imperatriz tinha quatro pessoas nas mãos. Vestiu o seu uniforme de enfermeira e passou todos os dias seguintes entre os quartos das crianças e o meu. Quase inconsciente, sentia-a, agradecida, as suas mãos hábeis a arranjar-me as almofadas, a acariciar-me a testa a ferver e a colocar-me medicamentos e bebidas frescas nos lábios. Ouvi vagamente que a Maria a Anastásia tinham começado a tossir, mas esta notícia preocupou-me apenas como um sonho passageiro. Estava consciente da presença da minha mãe, do meu pai e da minha irmã mais nova e, ainda dentro de uma espécie de pesadelo, percebi que eles e a imperatriz falavam em murmúrios agitados de revoltas e desordem em São Petersburgo. Mas não sei nada sobre os primeiros dias da Revolução, das greves em São Petersburgo e Moscovo, das revoltas e das manifestações e da hesitação das milícias meio-disciplinadas em restaurar a ordem, excepto sobre o que depois me aconteceu a mim. Contudo sei que a imperatriz da Rússia estava completamente calma e corajosa e que a minha irmã, depois de testemunhar as cenas selvagens de São Petersburgo, tinha dito à imperatriz que o fim estava próximo. A imperatriz acalmou-a com palavras de confiança.


Alexandra e Anna Vyrubova
Foi o devoto grão-duque Paulo, como a imperatriz depois me contou, quem lhe deu as primeiras impressões oficiais sobre o que se estava a passar e fê-la compreender que a maior das calamidades entre todas as tragédias, uma revolução política a meio de uma guerra mundial, estava a acontecer. Até nessa altura, ela não perdeu nenhuma da sua maravilhosa coragem. Não queria chamar os ministros ou os embaixadores da Aliança para a proteger a ela ou aos filhos. Com dignidade, sem vacilar, assistiu a cada dia à covarde fuga de homens que tinham vivido na Corte durante vários anos e que tinham desfrutado da confiança e amizade da família imperial. Um a um, eles foram desaparecendo, o General Racine, o conde Apraxin, oficiais e homens do corpo de segurança, criados dos mais antigos e confiáveis, sempre com desculpas suaves de quem apenas se queria salvar a si mesmo. 

Alexandra em 1916
 Uma noite chegou o barulho de revoltas e de metralhadoras que pareciam estar cada vez mais próximas do palácio. Eram cerca das onze da noite e a imperatriz estava a descansar na ponta da minha cama. Levantando-se rapido e colocando um xaile em volta dos ombros, ela foi buscar a Maria, a única dos seus filhos que estava saudável, e saiu do palácio para o ar frio para enfrentar o que a ameaçava. A guarda naval e os cossacos Konvoi ainda estavam em dever apesar de até eles se estarem a preparar para desertar. É bem possível que eles tivessem ido embora naquela noite se não fosse pela aparição da imperatriz e da sua filha. Elas foram de guarda em guarda, a imperatriz com o seu ar imperial e a Maria com coragem, e deram palavras de encorajamento, fé pura e simples e confiança, enfrentando a fúria mortal deles. Não foi preciso mais nada para que os homens permanecessem nos seus postos durante aquela noite horrível e impediu que os manifestantes atacassem o palácio. No dia seguinte os guardas desapareceram. Os guardas navais, liderados pelo grão-duque Cyril Vladimirovich, marcharam com bandeiras vermelhas para a Duma e apresentaram-se a Rodzianko como alegres revolucionários. Os mesmos homens que na noite anterior tinham louvado a imperatriz com as saudações tradicionais de "Saúde e vida longa a Vossa Majestade!"

Maria Nikolaevna
Agora não havia praticamente ninguém dentro ou fora do palácio para defender a família imperial no caso de a multidão decidir atacar. Mesmo assim a imperatriz permaneceu calma, dizendo apenas que esperava que nenhum sangue tivesse de ser derramado para a proteger. Um telegrama do imperador revelou que ele já sabia da crise e por isso implorava que a imperatriz e os filhos se juntassem a ele no quartel-geral. No mesmo momento chegou uma mensagem espantosa de Rodzianko, agora chefe do Governo Provisório, a avisar a imperatriz de que ela e a sua família tinham de deixar o palácio de uma vez. A sua resposta para ambas as mensagens foi a de que não podia sair porque todos os seus filhos estavam gravemente doentes. A resposta de Rodzianko a este apelo desesperado de uma mãe foi: "Quando a casa estiver a arder, é altura de deitar tudo fora." A imperatriz consultou médicos e enfermeiras desesperadamente. As crianças podiam ir para outro sitio? E a Anna? O que poderia fazer se o governo se revelasse impiedoso?

Anastásia, Tatiana e Maria durante a Primeira Guerra Mundial
A este dilema da mãe, acrescentou-se a terrível notícia da abdicação. Não pude estar com ela nesta hora de dor, nem sequer a vi até á manhã seguinte. Foram os meus pais que me deram a notícia, mas estava demasiado doente para a compreender. A Mme. Dehn, que estava com a imperatriz na noite em que o grão-duque Paulo chegou com a fatal notícia, descreveu a cena quando a imperatriz, de coração partido, deixou o grão-duque e regressou ao seu quarto. 

"A cara dela estava distorcida com a agonia, os seus olhos estavam cheios de lágrimas. Mancava em vez de andar e eu suportei-a até ela conseguir chegar à secretária que ficava entre as janelas. Encostou-se fortemente contra ela e, segurando as minhas mãos nas suas, disse tristemente: 'Abdique'. 

Mal podia acreditar nos meus ouvidos. Esperei pelas suas próximas palavras. Mal as consegui ouvir. Finalmente [ainda a falar francês porque a Mme. Dehn não falava inglês] disse: 'Pobrezinho - sozinho ali e a sofrer - Meu Deus! O que ele deve ter sofrido!'

Fotografia de noivado de Nicolau e Alexandra

segunda-feira, 14 de março de 2011

Notícias - Restos Mortais de Maria e Alexei Podem Ficar em Moscovo

Maria e Alexei no lago do Palácio de Alexandre
Os restos mortais da grã-duquesa Maria e do czarevich Alexei chegaram a Moscovo esta segunda-feira de manhã (21 de Fevereiro). 

Maria e Alexei eram dois dos filhos de Nicolau II, o último czar da Rússia, e a identidade dos corpos só foi confirmada em 2007

O último lugar de repouso dos corpos imperiais depende de uma ordem do Kremlin, depois da chefe da Família Romanov ter escrito ao Presidente Medvedev, da Suíça, pedindo que uma comissão do governo determinasse o seu destino final, disse o Moskovsky Komsomolets.

Maria Nikolaevna
Os últimos a aparecer 

A família imperial foi canonizada em 2000, após a sua execução pelos bolcheviques na noite de 17 de Julho de 1918.
Os corpos do czar Nicolau II, da czarina Alexandra e das grã-duquesas Olga, Tatiana e Anastásia foram descobertos numa cova na floresta que rodeia Ekaterinburgo. Foram sepultados em São Petersburgo em 1998.

Os corpos de Alexei e Maria foram separados do resto da família pelos carrascos que tentaram queimá-los, mas não conseguiram. Os dois corpos foram recuperados em 2007. 

Alexei com um dos seus tutores


No limbo

O pedido dos Romanov foi apresentado em Maio de 2008, citando os testes genéticos que confirmavam a identidade das crianças mortas. Os restos mortais ficaram guardados na morgue de Ekaterinburgo durante três anos à espera de uma resposta.

Contudo, enquanto estes restos mortais podem vir a ter um funeral de estado e ser enterrados junto da restante família no mausoléu dos Romanov em São Petersburgo, existe também a possibilidade de que venham a ter outro destino.

Sem um decreto presidencial que permita que os corpos sejam enterrados na Catedral de Pedro e Paulo ou outro lugar prestigioso, não haverá outra alternativa senão depositá-los num cemitério público algures em Moscovo. 

Alexei e Maria (ao centro e 2.ª da direita) com os irmãos em Livadia, 1912

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Filme - Rasputin And The Empress (1932)


Em 1913, enquanto os Romanov festejam os seus 300 anos de reinado na Rússia, o Grão-Duque Sergei é assassinado nas ruas de São Petersburgo. A sua filha, a única sobrinha do Czar Nicolau II, passa a viver com a família que, apenas 3 meses depois da celebração tem de lidar com uma nova crise de Hemofilia. Natasha, a sobrinha, sugere então que a Imperatriz consulte um "homem santo" que, com a ajuda de Deus, ajudará a curar o seu único filho da doença mortal. No entanto as intenções de Rasputine são tudo menos santas quando ele começa a conspirar contra a família e a seduzir a filha e a sobrinha do Imperador.


Este filme foi um dos primeiros a ser produzido sobre os Romanov e estreou menos de 20 anos depois da sua morte, o que fez com que muita da informação hoje conhecida ainda estivesse escondida nos arquivos soviéticos. O filme em si é tipicamente "hollywoodesco" com morte, traição, amor e lutas e não é, definitivamente, algo que se recomende a alguém que procure rigor histórico.

O Grão-Duque Sergei foi assassinado em 1905, não em 1913 e, casado com a Grã-Duquesa Isabel Feodorovna, não deixou filhos, logo a personagem de Natasha é pura ficção. Mesmo assim, a verdadeira sobrinha do Czar, Irina Alexandrovna, casada com Felix Yussupov (um dos assassinos de Rasputine) processou a MGM por ter fabricado o seu romance com o monge. O processo foi ganho e a quantia daí recebida foi suficiente para o casal e a única filha viverem uma vida abastada até à sua morte.

No filme Rasputine também seduz a terceira filha do Czar, Maria, mas na verdade não existem registos que provem que ele fosse mais do que um amigo para as filhas do Czar, para além de Nicolau II e mesmo Alexandra, nunca permitirem que o monge fosse deixado sozinho com elas.

Imagens:






















Com:

Lionel Barrymore - Rasputine
Ralph Morgan - Nicolau II
Ethal Barrymore - Czarina Alexandra
John Barrymore - Príncipe Paulo
Tad Alexander - Alexis
Diana Wynyard - Natasha
Jean Parker - Maria
Dawn O'Day - Anastasia
C. Henry Gordon - Grão-Duque Igor
Edward Arnold - Doutor Remezov