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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Biografia - Pierre Gilliard



Pierre Gilliard (esquerda) com o Czarevich Alexei Nikolaevich

Pierre Gilliard nasceu em 1879 na Suíça. Ficou mais conhecido por ter sido o tutor de francês dos cinco filhos do Czar Nicolau II entre 1905 a 1918. Anos depois do assassinato da Família Imperial pelos bolcheviques, Gilliard escreveu o livro “Thirteen Years at the Russian Court”, relatando as suas memórias do tempo que passou com a família. Neste livro, Gilliard descreve o tormento da Czarina com a Hemofilia do filho e como apenas confiava no monge siberiano Rasputine para o curar.
Nestas memórias, Gilliard conta como chegou à Rússia em 1904 para ser o tutor da família do Duque Jorge de Leuchtenberg, um neto do Czar Nicolau I da Rússia e primo da família Romanov. Ele foi recomendado para tutor de francês para os filhos do Czar e iniciou as suas funções com as duas filhas mais nova, a Grã-duquesa Olga Nikolaevna e a Grã-duquesa Tatiana Nikolaevna, em 1905. Em 1907 iniciou as suas aulas com a Grã-duquesa Maria, em 1909 com a Grã-duquesa Anastásia e, finalmente, em 1912, com o Czarevich Alexei Nikolaevich.

Pierre Gilliard com as Grã-duquesas Olga Nikolaevna e Tatiana Nikolaevna

Gilliard tornou-se muito ligado às crianças e aos seus pais, decidindo acompanhá-los para o exílio de livre vontade após a Revolução Russa de 1917. Acompanhou-os fielmente durante a sua estadia no Palácio de Alexandre e na Casa do Governador em Tobolsk, sendo o principal autor das últimas fotografias da família, tiradas durante os dias de exílio.

Chegados a Ekaterinburgo em Maio de 1918, os bolcheviques impediram-no de se juntar à família devido à sua nacionalidade suíça. Gilliard descreveu a última vez que viu os seus alunos:

“O marinheiro Nagorny, que cuidava do Alexei Nikolaevich, passou pela minha janela carregando o rapaz doente nos braços, atrás dele vinham as Grã-duquesas carregadas com sacos e pequenos pertences. Tentei sair, mas fui brutalmente puxado de volta para a carruagem por uma sentinela. Voltei para a janela. A Tatiana Nikolaevna vinha em último lugar, carregando o seu pequeno cão e esforçando-se por arrastar o seu pesado malão castanho. Estava a chover e eu vi os pés dela enterrarem-se na lama a cada passo. O Nagorny tentou ajudá-la, mas foi brutalmente afastado por um dos comissários."

Pierre Gilliard (ao fundo) com as Grã-duquesas Olga Nikolaevna e Tatiana Nikolaevna e outros empregados em Tobolsk, na Primavera de 1918

Gilliard permaneceu na Sibéria por mais três anos após o assassinato da família, ajudando o investigador do Exército Branco Russo, Nicholas Sokolov, com a investigação. Em 1919, casou-se com Alexandra “Shura” Tegleva, que tinha sido uma das amas da Grã-duquesa Anastásia Nikolevna. Mais tarde tornaria-se professor de Francês na Universidade de Lausenne e foi condecorado com a Honra da Legião Francesa.

Gilliard tornar-se-ia um opositor veemente de Anna Anderson, a mulher que dizia ser a Grã-duquesa Anastásia. A irmã mais nova do Czar Nicolau, a Grã-duquesa Olga Alexandrovna, comentou sobre Gilliard e Anna Anderson:

“É obvio que ela não gosta nada dele e a pequena Anastásia era-lhe devota.”

Uma das últimas fotografias tiradas por Gilliard à família imperial

De acordo com Peter Kurth, um defensor contemporâneo de Anna Anderson, Gilliard não tivera tanta certeza de que ela estava a mentir da primeira vez que a conheceu- Gilliard e a sua esposa Shura foram convidados pela Grã-duquesa Olga Alexandrovna para visitar Anderson no hospital de Berlim em 1925. Peter Kurth alega que Shura terá reparado na mesma deformação nos pés de que sofria a Grã-duquesa Anastásia. O mesmo autor diz que, numa visita posterior, Anderson deitou perfume de um frasco para a mão de Shura e pediu-lhe que ela lhe esfregasse a testa com ele. A antiga ama terá dito que a Grã-duquesa costumava fazer a mesma coisa quando era pequena. Gillard, contudo, ficou céptico quando Anderson não o reconheceu imediatamente e não lhe respondeu às perguntas por ele colocadas.

Gilliard (esquerda) com o Czarevich Alexei Nikolaevich, a Grã-duquesa Olga Nikolaevna e o marinheiro Nagorny em 1913

De acordo com Peter Kurth, a amiga e apoiante de Anna Anderson, Harriet von Rathlef, alegadamente escreveu que tinha visto Gilliard no corredor, agitado e a murmurar em francês, “Meu Deus, que horror! No que se tornou a Grã-duquesa Anastásia? Ela está um caos, um verdadeiro caos! Quero fazer o que puder para ajudar a Grã-duquesa.” Shura chorou quando teve de deixar Anderson, perguntando-se porque gostava tanto da mulher como gostava da Grã-duquesa. De acordo com Peter Kurth, Gilliard disse ao Embaixador Zahle que, “Vamos embora sem conseguir dizer que ela não é a Grã-duquesa Anastásia.”

Gilliard (direita) com o Czarevich Alexei e o Czar Nicolau II na Finlândia

Diz-se que o casal escreveu várias cartas amigáveis a Anna Anderson. Algumas semanas mais tarde, Peter Kurth diz que, depois de conhecer a história da mulher, Gilliard mudou a sua posição.

Gilliard escreveu artigos e um livro intitulado “A Falsa Anastásia” contra ela e chamou-a de “aventureira vulgar” e “actriz de primeiro grau”. Também testemunhou contra ela no julgamento iniciado nos anos 30 para determinar se ela era ou não a Grã-duquesa.

Uma das fotografias mais conhecidas de Gilliard, mostrando as crianças imperiais com a cabeça rapada no Verão de 1917

Gilliard ficou gravemente ferido num acidente de automóvel em 1958 e morreu quatro anos depois devido a complicações derivadas dos mesmos. Está enterrado em Lausanne, na Suíça.

Gilliard com o Czarevich Alexei Nikolaevich durante a Primeira Guerra Mundial

Nome: Alexandre III da Rússia
Pais: Alexandre II da Rússia e Maria Alexandrovna de Hesse-Darmstadt
Nascimento: 10 de Março de 1845
Reinado: 13 de Março de 1881 - 1 de Novembro de 1894


Principais Reformas:

  • Regresso ao sistema autocrático. Rejeitou o projecto do pai de conceder uma constituição à Rússia, afirmando que o Império nunca funcionaria com os princípios liberais da Europa Ocidental.
  • Iniciou um projecto de unificação de todo o Império Russo, acreditando que deveria existir apenas um governo, uma religião, um povo e uma língua. O Russo tornou-se na língua obrigatória do Império, incluindo nas zonas polacas, alemãs, asiáticas, etc... A religião Ortodoxa recebeu o estatuto de religião única.
  • Perseguições às minorias e opositores do regime através das "Leis de Maio". Judeus e revolucionários são as principais vítimas.
  • Construção da linha transiberiana que levou o comboio a todos os cantos do Império.
  • Reformulação das relações internacionais russas. Afastamento da Alemanha (desde sempre uma aliada russa) e reaproximação da França. Inicio da insolação política russa após a afirmação do czar de que a Rússia "não era um país europeu".
  • O seu reinado ficou, no final, conhecido pelo facto de o Czar não se ter envolvido em nenhum conflito armado.

Família:

Consorte: Maria Feodorovna (nascida Princesa Maria da Dinamarca).
Filhos: Nicolau II da Rússia
                Alexandre Alexandrovich Romanov
                Jorge Alexandrovich Romanov
                Xenia Alexandrovna Romanova
                Miguel Alexandrovich Romanov
                Olga Alexandrovna Romanova

Curiosidade: Alexandre III formou uma banda musical com alguns dos seus primos mais novos. Mantinham ensaios regulares quando o Czar não estava ocupado com assuntos de estado, mas eles eram constantemente interrompidos pela personalidade autoritária de Alexandre que mudava constantemente as pautas e o instrumentos que cada um deveria tocar. Costumavam actuar nos bailes da esposa do Czar e as constantes mudanças acabavam por resultar numa actuação muito pouco talentosa que enviava todos os convidados embora.

Causa de Morte: Uma infecção grave nos rins.

Biografia - Miguel Alexandrovich

O Grão-Duque Miguel Alexandrovich Romanov nasceu em São Petersburgo no dia 9 de Dezembro de 1878, sendo o quarto filho do Czarevich Alexandre Alexandrovich e da sua esposa, a antiga Princesa Dinamarquesa, conhecida na Rússia por Maria Feodorovna. Misha, como era conhecido pela sua família e amigos mais próximos, era, sem dúvida, o filho preferido dos seus pais. O seu pai subiria ao trono em 1881, após o assassinato do seu avô, Alexandre II.

Grão-Duque Miguel Alexandrovich durante a sua infância

A infância de Miguel foi passada sobretudo no Palácio de Gatchina, localizado nos arredores de São Petersburgo, antiga residência do seu trisavô Paulo I. Neste palácio vivia-se num ambiente relaxado de casa de campo e simplicidade sem grandes luxos. Enquanto Alexandre III era austero e dominador como Czar e com outros membros da família, com os seus filhos era um pai devoto e relaxado, especialmente com Miguel. Nicolau II era conhecido como uma criança tímida e insegura, mas, pelo contrário, Miguel era amistoso e mostrava bem a confiança interior de filho predilecto.

Miguel com o seu pai Alexandre III

Entre os seus irmãos, Miguel era mais próximo da sua irmã mais nova, Olga Alexandrovna que o tratava por “querido, querido Floppy”. Os dois irmãos viajavam bastante juntos e a primeira paixão de Miguel foi com uma das suas damas-de-companhia chamada Dina. Essa relação não foi considerada própria para um Grão-Duque e terminou graças aos esforços da sua mãe. Misha estava ao lado do seu adorado pai quando este morreu subitamente em 1894.

Miguel era muito mais alto que o seu irmão Nicolau e recebera a beleza da sua família, por isso causava muitas paixões por onde quer que passasse.

Miguel e Olga

Miguel (2º da esquerda) com o pai

Em 1899, quando Miguel tinha 20 anos, o seu irmão mais velho, Jorge morreu de tuberculose. Como Nicolau e Alexandra ainda não tinham um filho, Misha recebeu o título de czarevich até a Agosto de 1904 quando o seu sobrinho Alexis Nikolaevich nasceu. Quando Alexandra estava grávida de Anastasia, Nicolau esteve muito próximo da morte quando sofreu de febre tifóide. Foi só durante essa altura que Alexandra soube das leis paulistas que impediam as suas filhas de subir ao trono. Muitos dizem que foi então que começou a sua obsessão em ter um filho. Felizmente para todos, Nicolau sobreviveu e Miguel pôde regressar à sua rotina normal. O papel de um jovem adulto herdeiro ao trono na família Romanov era muito semelhante ao que hoje faz um Vice-Presidente nos Estados Unidos: participava em muitos casamentos e funerais. Miguel representou Nicolau tanto no funeral da Rainha Vitória em 1901 como no do Rei Eduardo VII do Reino Unido em 1909. A relutância do Czar em abandonar a sua jovem família fazia com que as viagens de Miguel aumentassem, tanto no seu país como no estrangeiro.

Miguel atrás de Alexandra e Nicolau

Como resultado das suas viagens, Miguel tornou-se numa espécie de cavalheiro britânico. Muitos dos seus gostos e preferências reflectiam os da aristocracia inglesa da altura. Era um brilhante cavaleiro, sabia conduzir na perfeição e adorava animais e estar no campo. Durante estes anos, quando estava na Rússia, vivia no seu palácio de infância, Gatchina.

Um dos seus outros deveres levou, indirectamente, ao seu casamento em 1912. Durante muitos anos, Miguel foi o comandante da Guarda Imperial que tinha o seu quartel-general em Gatchina. Foi aí que conheceu a esposa de um dos oficiais, Natalia Wulfert, em 1906. O escândalo causado por esta ligação foi o segundo do tipo na família. Antes o seu tio, o Grão-Duque Paulo, tinha casado com a estranha ex-mulher do adjunto de Vladimir Alexandrovich.

Miguel Alexandrovich e esposa em 1915

Natalia Wulfert era descrita pelos seus contemporâneos como uma bonita jovem de 18 anos e com um espírito independente quando conheceu Miguel em 1906. Filha de um advogado de Moscovo, casou-se pela primeira vez aos 16 anos com o director musical de Bolshoi Mamontv. Enquanto estava casada com Wulfer, conheceu Misha e, segundo relatos, houve uma atracção imediata de ambos os lados. Pouco tempo depois tornaram-se amantes e o Grão-Duque, seguindo a lei, escreveu ao seu irmão Nicolau para lhe pedir permissão para se casar com ela.

A família real britânica tinha o seu desdém por ver os seus membros casar com pessoas divorciadas, mas os princípios dos Romanov eram ainda mais complexos. De acordo com as leis Paulinas, os membros da Família Imperial estavam proibidos de contrair “matrimónios desiguais.” Assim, os membros da família eram obrigados a unir-se com outras famílias reais ou aristocráticas que fossem aprovadas pelo Czar. Durante o reinado de Nicolau II, a grande maioria dos casamentos “escandalosos” envolveram uniões entre membros da família com cidadãos russos fora da aristocracia. Por exemplo, a sua irmã mais nova, Olga Alexandrovna, casou-se com um coronel muito respeitável, mas sem qualquer ligação à aristocracia. Por isso a oposição da família ao casamento de Miguel com Natalia não se deveu tanto à sua falta de origens aristocráticas, mas sim ao facto de esta ser divorciada.

Nataslia e Miguel durante o exilio

Nicolau não aceitou o casamento e deixou-o bem claro quando enviou o seu irmão para um posto de comando afastado em Orel. Natalia foi enviada para umas longas “férias” pela Europa. Os amantes trocaram vários telegramas e cartas e, finalmente, não conseguiram manter-se afastados. Viveram juntos sem se casarem durante vários anos. Em 1910, Natalia deu à luz o único filho do casal, Jorge, que recebeu o nome em honra do irmão mais velho de Miguel. Apenas dois eventos interromperam o silêncio entre Nicolau e Miguel: a grave crise de hemofilia de Alexis na Polónia em 1912 e a Primeira Guerra Mundial.

Natalia e Miguel com o seu filho Jorge

Quando Miguel recebeu a notícia da gravidade do estado de saúde de Alexis na casa de férias da família em Spala, na Polónia, entrou em pânico. Ele e Natalia tinham vivido como vagabundos imperiais, viajando pela Europa com o seu filho bebé. Contudo, se Alexis morresse, Miguel tornar-se-ia novamente herdeiro ao trono e não queria sê-lo sem Natalia a seu lado como esposa legítima. Com a falta de saúde do sobrinho e o fim aparente de gestações de Alexandra, Miguel temia que o facto de ainda não ainda não se ter casado com Natalia fosse utilizado para o atirar para um casamento imperial com outra mulher, por isso, durante a crise, casou-se com a sua companheira em Viena, numa Igreja Ortodoxa Sérvia. Fê-lo para que o seu irmão Nicolau ou a Igreja Ortodoxa Russa não pudessem afastar Natalia que recebera agora o apelido de Romanov.


A atitude de desafio de Miguel em relação à sua família pode ser comparada ao que o seu primo Eduardo VIII faria anos mais tarde com Wallis Simpson, uma divorciada americana que o levaria a abdicar do trono de Inglaterra. Para os românticos o amor que unia Miguel e Natalia pode ser inspirador, mas para Nicolau II, este acto foi visto como traição que deixou o Czar zangado e devastado, principalmente devido ao facto de o irmão ter escolhido uma altura tão complicada como era a possível morte do herdeiro ao trono. A zanga entre os dois irmãos intensificou-se e não seria resolvida até ao rebentar da I Guerra Mundial dois anos mais tarde.

Miguel e Nicolau em 1903

Nicolau não pediu a ajuda de Miguel imediatamente após o rebentar do conflito em Agosto de 1914. Foi o melhor amigo de Miguel, o General Ivan Ivanovich, que se colocou entre os dois irmãos e intercedeu por Miguel, sugerindo que ele deveria ser nomeado comandante da “Divisão Selvagem.”

A “Divisão Selvagem” era uma unidade composta apenas por soldados voluntários, composta por seis regimentos de Muçulmanos provenientes da região do Cáucaso. Miguel era uma escolha popular entre os combatentes desta unidade onde quase todos guardavam uma fotografia do Grão-Duque no uniforme.

Miguel durante a I Guerra Mundial

Natalia fundou vários hospitais por toda a cidade de Petogrado (como era chamada São Petersburgo na altura) e até transformou o Palácio de Gatchina num pólo da Cruz Vermelha Dinamarquesa que também serviu de refúgio após a Revolução. Também durante a sua estadia na Rússia recebeu finalmente o título de Condensa Brassova, juntamente com o seu filho que recebeu o título de Conde Brassov.  Apesar de muitos dos membros da família a receberem, incluindo a mãe e irmãs de Miguel, a Condensa nunca foi convidada por Nicolau e Alexandra. Contudo, de acordo com os relatos da época, ela achava suficiente que a tratassem pela “mulher do Grão-Duque” e aceitava o desdém de outros membros dos Romanov com dignidade. Enquanto Misha estivesse vivo, ela estava feliz. Como anfitriã, entretinha frequentemente membros da Duma Imperial.

Natalia e Miguel durante a I Guerra Mundial

Miguel provou ser um corajoso comandante da sua “Divisão Selvagem”. É interessante que, enquanto grande parte do exército se tenha revoltado e dispersado após a Revolução, esta divisão manteve a sua disciplina e objectivo, sendo que apenas se separou em 1920 depois de ter combatido ao lado do Exercito Branco, altura em que foram evacuados para Constantinopla com o General Wrangel. Alguns dos seus descendentes podem muito bem ser rebeldes combatentes na Chechénia, uma vez que muitos dos membros da unidade provinham dessa região.

Não existem provas de que o Grão-Duque Miguel tenha participado em qualquer conspiração, nomeadamente as dos Grão-Duques entre 1916-1917 e acredita-se que, apesar de tudo, se manteve leal ao seu irmão até ao último momento. Ele foi apanhado de surpresa, tal como o resto do mundo, quando Nicolau abdicou por si e pelo seu filho no dia 3 de Março de 1917. A dinastia Romanov que começara em 1613 com o Czar Miguel, acabaria agora com Miguel Alexandrovich.

Miguel Alexandrovich em Gatchina

Alguns historiadores consideram Miguel o último Czar da Rússia. O que não deixa qualquer dúvida é que ele foi nomeado oficialmente como sucessor de Nicolau e, se as coisas tivessem sido diferentes, poderia mesmo ter chegado a Czar. Contudo, ele herdou uma situação que, a cada hora que passava, se ia descontrolando cada vez mais, fugindo ao seu controlo ou de alguém. Alexandre Kerensky e outros líderes da Duma deixaram bem claro que não poderiam garantir a sua segurança se ele decidisse assumir o poder. Seria um Czar sem corte nem apoiantes.

retrato oficial de Miguel Alexandrovich

O manifesto de Miguel, datado do dia 3 de Março de 1917, é um documento de grande importância devido à importância que teve para a família Romanov que, pela primeira vez, escolheu não usar violência para manter o seu poder. Miguel repudiava o uso da força para assegurar a coroa e esse filosofia mantêm-se até hoje entre os descendentes da família nomeadamente quanto a uma possível restauração da monarquis. O seu manifesto dizia:


 “Um pesado fardo foi-me entregue pela vontade do meu irmão que, numa altura de luta descontrolada e tumulto popular decidiu transferir-me o trono imperial da Rússia. Partilho com o povo a ideia de que o bem do país se deve elevar acima de qualquer outra coisa e decidi firmemente que apenas aceitarei o poder se essa for a vontade do nosso grande povo, que tem, através do sufrágio universal, de eleger os seus representantes para a Assembleia Constituinte, para assim determinar a forma de governo e as novas leis fundamentais da Rússia. Por isso, pedindo a bênção de Deus, peço a todos os cidadãos da Rússia que obedeçam ao Governo Provisório, que subiu ao poder e tem autoridade plena na iniciativa da Duma Imperial até que chegue a altura certa para uma Assembleia Constituinte, convocada o mais cedo possível e eleita de acordo com os princípios do sufrágio universal, directo, igual e secreto, para que se dê voz ao povo para escolher a sua forma de governo.  



Neste documento, Miguel nem aceita, nem rejeita a coroa. Claramente não se trata de uma abdicação, como alguns afirmaram. Em vez disso, Miguel inicia um novo rumo que defendia já antes da queda de Nicolau, para que se formasse um governo representativo. Ele governaria como um monarca constitucional, ou então, se o povo assim o decidisse, nem sequer subiria ao trono. Miguel manteria o contacto com Kerensky até à subida ao poder dos bolcheviques após a Revolução de Outubro de 1917. As eleições que Miguel convocara chegaram a realizar-se, mas a Assembleia Constituinte acabou por ser dissolvida pelos bolcheviques.
Miguel  era uma visita frequente do Palácio de Alexandre depois de regressar à Rússia. A sua última visita ocorreu no dia 31 de Julho de 1917 quando lhe foi dada permissão pelo líder do Governo Provisório, Alexandre Kerensky, para visitar o seu irmão mais velho, Nicolau II, antes de a Família Imperial ser enviada para o exílio em Tobolsk. Essa foi também a última vez que se viram.

Miguel Alexandrovich no Palácio de Alexandre em 1917

Miguel ajudou Kerensky a sair da Rússia após a Revolução de Outubro, obtendo um passaporte dinamarquês através das suas ligações familiares. Os Dinamarqueses ainda ocupavam Gatchina e ofereceram à família e amigos de Miguel uma pequena sensação de segurança. Kerensky conseguiu chegar ao Ocidente e viveu nos Estados Unidos até à sua morte em 1964.

Jorge, o filho de Miguel, também saiu da Rússia graças a um passaporte dinamarquês. Viveu em Paris até à sua morte aos 21 anos devido a um acidente de carro. Não tinha filhos, por isso hoje não existem descendentes directos de Miguel.

Natalia, a sua esposa, foi presa durante algum tempo depois da revolução com o seu marido Miguel. Boris Savinkov, o assassino que planeou o assassinato do Grão-Duque Sergei Alexandrovich em 1905, era o responsável pelo casal. Nicolau e Alexandra souberam da detenção de Miguel e Natalia quando estavam exilados em Tobolsk. Todos os preconceitos sobre o casamento impróprio de Misha tinham já desaparecido e Nicolau ficou terrivelmente preocupado com o seu irmão e cunhada.

Miguel e Natalia Romanov foram preses pelo governo de Lenine após a revolução de Outubro

Miguel, sempre um marido devote, ordenou que a sua mulher abandonasse a Rússia de qualquer forma possível depois de receber a ordem de exílio para os Montes Urais na Primavera de 1918. Assim que foi libertada, Natalia obedeceu ao marido e, tal como o seu filho, abandonou o país com um passaporte dinamarquês que a identificava como enfermeira da Cruz Vermelha. Viveu uma vida tranquila em Londres durante alguns anos. Em 1931 o seu filho Jorge morreu e, apenas em 1932, descobriu o que tinha acontecido ao seu marido em Junho de 1918. Nos seus últimos anos de vida, Natalia tinha perdido grande parte da sua fortuna e recebia ajudas financeiras dos Romanov e outras famílias reais. Curiosamente a única ajuda financeira que realmente a ajudava veio do seu primo por casamento, o Príncipe Felix Yussopov. A filha de Natalia do seu primeiro casamento também conseguiu fugir da Rússia, casou-se, e teve uma filha, Pauline Grey que escreveu o livro “The Grand Duke’s Woman.” Quando morreu, sozinha e esquecida em 1952, era esse o seu título preferido.


Muitos dos Romanov que permaneceram na Rússia, além dos que se refugiavam na Crimeia, foram enviados para os Montes Urais durante a Primavera de 1918. A todos eles foi assegurada segurança e liberdade pelos bolcheviques. Como a história já nos mostrou, os bolcheviques tinham uma ideia bastante curiosa sobre o que representava “segurança”. A Grã-Duquesa Ella foi dada como desaparecida pelo governo quando eles a tentavam enviar para um “local seguro” e disseram que Alexandra, Alexis e irmãs estavam num local seguro após o assassinato de Nicolau. Todos foram exterminados cruelmente.

Miguel gostou da relativa liberdade durante muitas semanas e sentia-se aliviado por Natalia e o filho terem escapado.

Miguel Alexandrovich em 1915

Na noite de 11 de Junho de 1918, um grupo de bolcheviques entrou de rompante no quarto de hotel de Miguel e ordenaram-lhe que se preparasse para ser transferido para um local seguro. Quando ele protestou e tentou telefonar ao líder do Partido Bolchevique local que lhe tinha prometido a sua liberdade as linhas foram cortadas. Ele vestiu-se, foi puxado pelo colarinho e atirado para dentro de um carro juntamente com o seu secretário, o britânico Brian Johnson.

Os dois homens conduziram-no para for a da cidade de Perm, onde tinha permanecido em exilio, até uma área de floresta. Ambos foram mortos a tiro pelo grupo. Um relatório indica que Miguel, depois de estar ferido, correu em direcção ao seu amigo com os braços abertos, apenas para ser morto com um tiro no peito. Um dos assassinos usou o relógio de Johnson durante vários anos como recordação.

Os corpos de Miguel Romanov e de Brian Johnson nunca foram encontrados. As suas mortes foram apenas o princípio de uma série de assassinatos de membros da família Romanov que aconteceu entre Junho de 1918 e Janeiro de 1919. Ao todo, 18 membros da família foram mortos durante este período.

Miguel foi assassinado com 39 anos de idade

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Biografia - Olga Alexandrovna


A Grã-Duquesa Olga Alexandrovna da Rússia nasceu no dia 13 de Junho de 1882 e foi a última Grã-Duquesa da Rússia Imperial durante o reinado do seu irmão mais velho, Nicolau II. O seu pai era o Czar Alexandre III da Rússia e a sua mãe era filha do rei Cristiano IX da Dinamarca, Maria Feodorovna. Criada no Palácio de Gatchina nos arredores de São Petersburgo, a jovem Grã-Duquesa era mais próxima do seu irmão “Misha”, o Grão-Duque Miguel Alexandrovich. Era uma talentosa pintora e criou mais de 2000 quadros.

Olga (no colo da mãe) com os irmãos

Nascida no dia 13 de Junho de 1882 no Palácio de Peterhof, Olga era a filha mais nova de Alexandre III e a única a nascer durante o seu reinado. A sua mãe, seguindo o conselho da sua irmã, a futura rainha Alexandra do Reino Unido, decidiu contratar uma governanta inglesa e então Elizabeth Franklin chegou à Rússia. Sobre ela, Olga disse mais tarde:

“A Nana foi a minha protectora e conselheira durante a infância e a minha leal companheira nos anos que se seguiram. Não faço ideia do que teria feito sem ela. Tudo o que ela fez por mim permitiu-me sobreviver durante o caos dos anos de revolução. Ela era eficaz, corajosa e perspicaz; estava lá para ser a minha ama, mas a sua influência chegou até aos meus irmãos e irmã.”

Olga durante a infância

A Grã-Duquesa foi criada longe do perigo de São Petersburgo, no Palácio de Gatchina e sempre se referiu aos seus tempos de infância como os melhores da sua vida. Contudo, Olga Alexandrovna e os seus irmãos não estavam habituados a um estilo de vida demasiado sumptuoso durante os seus anos de infância e juventude, uma vez que os seus pais, governantes e tutores lhes exigiam disciplina e rigidez.

Olga disse sobre Gatchina:

“Como nos divertimos lá! A Galeria Chinesa era perfeita para jogar às escondidas! Bastava encolher-nos atrás de um vaso chinês enorme qualquer. Havia tantos, alguns que tinham o dobro do nosso tamanho. Suponho que valiam imenso, mas não me lembro de algum de nós alguma vez os estragar.”

A avó paterna das crianças, Maria de Hesse e do Reno, tinha introduzido costumes ingleses na corte russa. Olga comentou:

“Crescemos todos com uma dieta rigorosa. Para o lanche tinhamos geleia no pão e manteiga e bolhachas inglesss – bolo era servido muito raramente. Gostávamos da forma como a nossa papa-de-aveia era cozinhada – a Nana deve-os ter ensinado a fazê-la. O nosso jantar de marca parecia ser bife com ervilhas e batatas assadas, ou então costeletas, mas nem a Nana me conseguiu fazer gostar delas, principalmente quando estavam demasiado assadas!

Havia pequeno-almoço, almoço, lanche, jantar e ceia – todos servidos de acordo com as normas rigorosas do palácio e algumas nem sequer tinham mudado desde os tempos de Catarina, a Grande, como os pequenos bolos de manteiga suecos que eram servidos todas as noites durante a ceia. Eram do mesmo tipo daqueles servidos em 1788."

Olga Alexandrovna

Olga na Galeria Chinesa

O sistema educacional pelo qual a Grã-Duquesa e os seus irmãos foram educados era de grande exigência. Os tutores imperiais ensinavam as disciplinas principais como Russo, Literatura, Matemática, História e Línguas com grande profundidade. Embora todos os irmãos tivessem as suas aulas na mesma sala, a “sala das crianças”, o irmão mais velho de Olga, Nicolau, estava a ser ensinado a um nível superior. Nicolau estava a aprender outras disciplinas e matérias que lhe seriam mais úteis como futuro Czar. As actividades físicas como as equestres também começavam a ser ensinadas cedo, o que, eventualmente, tornou os jovens Romanov em cavaleiros experientes.

A jovem Grã-Duquesa passava as férias em Olgino, uma propriedade na província de Voronezh no Sudoeste da Rússia. Aí ela praticava e exemplificava a sua fé, a Igreja Ortodoxa Russa, criando ícones religiosos e abençoando os habitantes e edifícios da aldeia. Foi aí que ela pintou e desenhou muitos dos seus trabalhos originais que, mais tarde, vendeu aos seus amigos e vizinhos em Ontário no Canadá. Outras das actividades preferidas em Oligno eram cavalgar, montar e nadar. A Grã-Duquesa tinha uma forte relação com os habitantes da aldeia, mas essa relação foi-se tornando mais amarga à medida que aumentavam os descontentamentos que levaram à Revolução Russa.

Olga com os irmãos Jorge e Miguel durante as férias em Olgino

A Grã-Duquesa foi descrita como sendo muito simples e indiferente a pedras preciosas e jóias caras que continuam a ser consideradas uma imagem de marca dos Romanov. Mesmo assim, durante a sua vida, a mais jovem irmã do Czar acumulou uma colecção de pedras preciosas inestimável que foi, na sua maioria confiscada pelos revolucionários russos.

A sua infância foi muito feliz. O seu pai, Alexandre III, apoiava-se muito nela e no seu irmão Miguel que eram os mais novos dos cinco filhos e os que passavam mais tempo em casa devido às suas idades. Eles costumavam dar grandes passeios nas florestas que cercavam o Palácio de Gatchina nos quais Alexandre ensinou Olga e Miguel a fazer fogueiras e a escolher cogumelos. Estas caminhadas davam a Alexandre uma rara pausa nas suas responsabilidades como Imperador da Rússia e criaram uma ligação especial entre os três. Os dois irmãos guardaram boas recordações destes passeios que ambos preservaram durante as suas vidas e Olga sempre se referiu a estes momentos como os mais felizes da sua vida.

“O meu pai era tudo para mim. Mesmo quando estava imerso no seu trabalho, ele tirava sempre meia-hora do dia para estar connosco. Quando cresci, os meus privilégios aumentaram. Lembro-me do primeiro dia em que me deixou colocar o selo imperial num dos muitos envelopes que se espalhavam pela secretária dele. Era um selo pesado de ouro e cristal, mas senti-me muito orgulhosa e feliz nessa manhã. Eu ficava espantada com a quantidade de trabalho que o meu pai tinha todos os dias. Acho que o Czar era o homem que mais trabalhava na Terra. Para além das audiências e funções de estado, todos os dias ele tinha de analisar montanhas de editoriais, decretos de lei e relatórios que, depois, tinha de assinar. Muitas vezes o meu pai escrevia os seus comentários furiosos nas margens dos documentos: “Idiotas! Lerdos! Que besta que este é!…” Uma vez mostrou-me um album velho cheio de projectos de uma cidade imaginária chamada Mopsopolis, habitada por cães. Mostrou-me isto em segredo e eu fiquei encantada por ele ter partilhado o seu segredo de infância comigo.

(…)

O meu pai tinha a força de Hércules, mas nunca a mostrava quando outras pessoas estavam presentes. Costumava dizer-nos que conseguia dobrar ferraduras e pratos com muita facilidade, mas não se atrevia a fazê-lo porque a nossa mãe ficaria furiosa. No entanto, uma vez, quando estávamos no escritório, ele dobrou um limpador de cinzas feito de ferro e depois voltou a endireitá-lo. Lembro-me de que, enquanto o fazia, manteve sempre os olhos presos na porta para o caso de alguém entrar!”

Miguel Alexandrovich e Olga Alexandrovna Romanov


Em finais de 1888, Olga deixou Gatchina pela primeira vez quando toda a família imperial foi visitar o Cáucaso. No dia 29 de Outubro o longo comboio imperial estava a viajar a grande velocidade para Kharkov na Ucrânia. Um dos passageiros recordou o que aconteceu:

“Por volta da uma da tarde o comboio estava a aproximar-se da cidade de Borki. O Imperador, a Imperatriz e quatro dos seus filhos estavam a almoçar no vagão-restaurante. Estavam a trazer o pudim quando o comboio começou a estremecer violentamente e, depois, estremeceu novamente e todos caíram ao chão. Dentro de um segundo ou dois, o vagão-restaurante estava revirado com o pesado tecto de ferro cravado a apenas alguns centímetros das cabeças dos passageiros. (…)

“A explosão tinha separado as rodas e o chão do resto do vagão. O Imperador foi o primeiro a rastejar de debaixo do tecto. Depois disso, segurou-o alto o suficiente para que  a sua mulher, filhos e outros passageiros pudessem sair em segurança. Foi um esforço verdadeiramente herculeano da parte do Alexandre e, apesar de ninguém se ter apercebido disso na altura, custou-lhe a sua saúde."


Olga (entre os pais) com a família

Alexandre III morreu quando Olga tinha apenas 12 anos. Ela ainda era uma criança e sofreu muito com a perda do pai. Assim que recuperou da morte prematura do marido, Maria Feodorovna viu-se num dilema para encontrar uma forma de compensar a falta de um pai durante as adolescências de Olga e Miguel. Naturalmente virou-se para o seu filho mais velho, o novo Imperador, para que fosse ele a assumir esse papel. Afinal agora era ele o “chefe” da família Romanov. Talvez Nicolau tivesse feito o melhor que podia, mas ele tinha as suas próprias preocupações e responsabilidade com o seu novo cargo, mulher e filha. Mesmo que tivesse tempo, não haveria hipótese de que Olga e Miguel tivessem visto o seu irmão mais velho como um substituto para o seu pai. Ele e Nicolau eram completamente diferentes em aspecto, humor e personalidade.

Maria era, até certo ponto, uma mãe fria e distante. Ela sabia-o e isso incomodava-a. A sua falta de afecto não significava que não gostasse dos filhos, muito pelo contrário: era uma questão de prioridades. O mais importante para Maria era cuidar do seu marido, a seguir estava o seu papel como Imperatriz da Rússia e o resto da família  vinha apenas depois disso. Isto devia-se ao facto de Maria se sentir um tanto desconfortável junto dos seus filhos. Ela achava difícil falar com eles e mantinha-os segregados no estilo de cida que tinha escolhido para eles. Maria via os seus filhos todos os dias, mas, ao contrário da sua irmã Alexandra, nunca teve lutas de almofadas com eles. O “habitat natural” dela era o mundo da aristocracia de São Petersburgo onde havia danças, entretenimento e conversas inteligentes. A Imperatriz brilhava na sociedade, movendo-se entre os seus círculos com uma facilidade inigualável. Apesar de ser baixa, ela movia-se de forma a que ninguém duvidasse da sua força e perseverança. Era uma mulher forte e até rígida. Maria estava habituada a ter tudo feito à sua maneira. Depois da morte do marido, isso tornou-se ainda mais evidente, uma vez que ninguém podia (ou se atrevia) a contrariar os seus desejos. Os criados achavam-na dura e difícil de servir.

Olga com a mãe e os irmãos Miguel e Jorge

Maria gostava de ter Olga ao pé de si e tratava-a cada vez mais como uma criada à medida que ela ia crescendo, ao mesmo tempo que esperava dela o amor e devoção de uma filha. Era natural que Olga, uma adolescente a crescer, preferisse a companhia da sua governanta, do cão e dos tutores à da sua mãe. Isto magoava Maria, mas encaixava-se com a sua inclinação de ter outras pessoas a educar a sua filha.

Olga com a sua governanta Elizabeth Franklin

A Grã-Duquesa começou a pintar muito cedo, mas foi apenas durante os seus últimos anos de adolescência que o seu talento começou a prosperar. Ela também tinha um lado benevolente, fundando programas de caridade na aldeia de Olgino que funcionavam junto à propriedade dos pais e ajudou a melhorar as opções básicas de medicina e educação dos habitantes locais. Também contribuía ou era dona de muitas organizações e estabelecimentos de caridade desde muito nova. Contribuía principalmente para orfanatos, casas da misericórdia e escolas de raparigas. Deu uma ajuda considerável aos artistas pobres, mas talentosos e alguns tornaram-se famosos graças a si.

Olga Alexandrovna
Olga durante a adolescência

O seu benefício na aldeia rural de Olgino inspirou muitas fundações que começaram os seus trabalhos de caridade por todo o Império Russo. Chegou mesmo a haver uma ocasião em que Olga substituiu a professora da escola de Olgino com dinheiro do seu próprio bolço, fundou e visitou o Hospital Nacional da aldeia e continuou a dar consideráveis contribuições às famílias mais pobres das regiões que cercavam a sua aldeia de férias. No hospital, ela aprendeu a administrar tratamento médico e a tratar de doentes do médico local. Através do seu treino na medicina mais tarde, ela conseguiu tornar-se numa enfermeira, uma capacidade que lhe seria muito útil mais tarde. A Grã-Duquesa continuou o seu apoio à Igreja Ortodoxa Russa e aos serviços religiosos realizados em Olgino. Mesmo quando estava de férias, Olga queria continuar a ter as suas lições diárias que eram, normalmente, completadas com aulas de desenho e pintura.

“Mesmo durante as minhas lições de geografia e aritmética, o professor deixava-me ficar sentada com o pincel na mão. Conseguia prestar muita mais atenção quando estava a desenhar flores selvagens num canto.”

Olga durante a adolescência (Nicolau II e Alexandra na direita)

Durante a sua vida, Olga criou uma vasta colecção de arte do seu tempo na Rússia, Dinamarca e, mais tarde, Canadá, que, eventualmente, reunia mais de 2000 exemplares. Na Rússia e na Dinamarca preferia desenhar coisas relacionadas com a Natureza como flores e paisagens. A Grã-Duquesa também descobriu que os seus quadros podiam ser uma boa fonte de rendimento e começou a vendê-los em Copenhaga, na Dinamarca. Olga também elogiava a paisagem da sua pequena vila no Canadá numa série de cartas que enviou para a sua amiga dinamarquesa, Alexandra Iskra:
“Tudo era maravilhoso, tudo cheirava muito bem. Na floresta cheirava mesmo como a Rússia com as bétulas e outros tipos de arvores a florescer. Depois, quando estávamos a passear de carro pelas casas e jardins de alguns amigos, vimo-los e depois saímos do carro. Que lindo jardim que temos! Lírios do vale, lilás e todos os tipos de cheiros de plantas no ar. Caminhamos pelos jardins que rodeiam a casa e do outro lado vimos uma ravina funda toda coberta de plantas. Conseguimos ver a paisagem até muito longe



Pinturas de Olga

Olga conhecia os Oldenburg, uma das famílias aristocráticas mais ricas da Rússia, há muitos anos. Eles tinham um filho, Peter que era um atraente oficial. Peter era bonito, sofisticado… e homossexual. Para o espanto de muitas pessoas, um dia ele pediu a Maria Feodorovna a mão da sua filha Olga em casamento. A razão pela qual Maria aceitou é desconhecida. Talvez quisesse manter Olga por perto e era melhor casar com um homossexual do que com um estrangeiro que a levaria para longe. Na carta que escreveu ao filho mais velho, Nicolau, a contar a novidade, Maria escreveu:

“Tenho a certeza que não vais acreditar no que acabou de acontecer. A Olga está noiva do Petya e ambos estão muito felizes. Eu consenti, mas foi tudo feito tão rapidamente e inesperadamente que ainda não consegui acreditar. Mas o Petya é simpático, eu gosto dele e, se Deus quiser, eles serão muito felizes.” Depois assinou a carta com “A tua agitada, Mamã”.

Nicolau respondeu à carta da mãe ainda mais incrédulo:

“Não posso acreditar que a Olga esteja realmente noiva do Petya. Provavelmente estavam os dois bêbados ontem e hoje não se lembram do que disseram um ao outro ontem. O que pensa o Misha disto? E como ficou a governanta? Nós os dois (Nicolau e Alexandra) rimo-nos tanto a ler a tua carta que ainda não conseguimos recuperar. O Petya acabou de entrar de rompante e contou-nos tudo. Agora temos mesmo de acreditar. Mas vamos acreditar que tudo corre bem. Tenho a certeza que vão ser felizes, mas parece-me tudo muito precipitado"

Olga Alexandrovna com o noivo na festa de noivado

Olga era completamente ingénua em relação a assuntos sexuais e provavelmente não fazia ideia do que era um homossexual. Ela não tinha razões para se opor à proposta. Afinal significava que ela finalmente poderia abandonar a casa da mãe e ter a sua própria vida com o marido a seu lado. Então casou-se com o Príncipe Peter Oldenburg numa bonita cerimónia recheada com o brilho Romanov que se realizou no dia 9 de Agosto de 1901, quando Olga tinha 19 anos. As prendas que receberam foram magníficas. O seu novo marido cobriu-a de pedras preciosas e roupas caras e o casal mudou-se para um complexo de palácios em Czarskoe Selo, perto do Palácio de Alexandre onde vivia o irmão mais velho de Olga, Nicolau, com a sua família. Para comemorar o seu casamento, o irmão de Olga deu-lhe o seu próprio regimento de soldados.


O marido de Olga era submisso e atencioso em público, mas reservado e distante em privado. O casamento nunca foi consumado. Estando perto do palácio do seu irmão e sendo muitas vezes ignorada pelo seu marido que passava a maior parte do tempo com os seus amigos, Olga tornou-se numa visita regular no Palácio de Alexandre e desenvolveu uma ligação com Nicolau muito mais próxima do que quando era uma criança. Também se tornou amiga da sua esposa Alexandra de quem gostava muito e vice-versa.


Em 1903 ela conheceu o Coronel Nikolai Alexandrovich Kulikovsky através do seu adorado irmão Miguel, durante uma inspecção militar em Pavlovsk. Pouco tempo depois começou um romance entre o coronel e a Grã-Duquesa. Nesse mesmo ano, com 22 anos, ela enfrentou o seu marido e pediu-lhe o divórcio imediato. O seu irmão, o Czar Nicolau II, acreditou que a relação de Olga com Kulikovsky não passava de um romance passageiro e aceitou ceder o divórcio no prazo de 7 anos. Contudo, Oldenberg contratou o Coronel como seu ajudante e permitiu-lhe viver na mesma casa da Grã-Duquesa. Para aqueles que sabiam, a relação de Olga com Kulikovsky era mantida em segredo, especialmente para os patriarcas da família Romanov. Contudo, muitos membros influentes da família souberam da relação e não fizeram nada para mostrar a sua desaprovação.

Vivendo em Czarskoe Selo, Olga tornou-se também muito próxima das suas sobrinhas e sobrinho, as filhas e filho do seu irmão Nicolau. Ela criou uma ligação especialmente com a sua sobrinha mais nova, Anastásia, a quem chamava “Shvibzik"

Olga Alexandrovna com a sobrinha Anastásia

Olga viu as suas sobrinhas crescer desde bebés até jovens mulheres e, ao observar as suas vidas e rotinas no Palácio de Alexandre, viu muitas das mesmas tendências que a tinham deixado tão pouco preparada para a vida real. Ela preocupava-se com o futuro das grã-duquesas e do efeito que o clima sufocante da ala das crianças. Elas não tinham ninguém que as preparasse para a sociedade, uma vez que fora a mãe que as criara virtualmente sozinha. Como Alexandra se refugiava da sociedade, repelindo festas e bailas, Olga sentiu que era a única que poderia ter essa função. Com o objectivo de alargar o circulo de amigos das Grã-Duquesas e introduzi-las gradualmente no mundo real, Olga costumava levá-las todos os Sábados de Czarskoe Selo até São Petersburgo de comboio. Aí elas iam até ao palácio da avó onde se organizavam festas especiais para elas, com danças e outras pessoas jovens para elas conhecerem. Olga fazia isto com muito cuidado, sem alarmar os seus pais demasiado protectores. Ela era a única pessoa em quem Nicolau e Alexandra confiavam as suas filhas.

Com o rebentar da Primeira Guerra Mundial as festas acabaram.

Olga Alexandrovna com as sobrinhas Maria, Olga e Anastásia

Durante a Guerra, o amante de Olga, Kulikovsky, foi nomeado para comandar o regimento de Akhtyrsky na linha da frente do Sudoeste da Rússia. Com o conhecimento prévio  em medicina aprendido em Olgino, Olga começou a trabalhar como enfermeira no seu próprio regimento em Proskurov. Ao mesmo tempo as tenções internacionais na Rússia começaram a acumular-se à medida que os revolucionários ganhavam força. Durante o primeiro ano da guerra, a Grã-Duquesa esteve num local fortemente bombardeado por austríacos. Era raro as enfermeiras trabalharem tão perto da linha de fogo e, por isso, Olga recebeu a Ordem de São Jorge pelas suas acções heróicas.


Em 1916, o Czar Nicolau II anulou oficialmente o casamento entre Olga e Peter Oldenburg, permitindo-lhe casar-se com o Coronel Nikolai Alexandrovich Kulikovsky no dia 14 de Novembro de 1916 na Igreja de São Nicolau em Kiev. Entre os que participaram no casamento estavam a sua mãe Maria Feodorovna, a sua irmã mais velha Xenia, o cunhado Alexandre, alguns oficiais do regimento de Kulikovsky e colegas enfermeiras do hospital de Kiev fundado pela Grã-Duquesa.

Olga com Nikolai Kulikovsky no dia de casamento


Depois da revolução que depôs o seu irmão Nicolau II no inicio de 1917, muitos dos membros da família Romanov foram presos e mantidos nas suas casas. Isto aconteceu com a família do irmão, primeiro no Palácio de Alexandre em Czarskoe Selo. Maria Feodorovna, a Grã-Duquesa Xenia e a Grã-Duquesa Olga conseguiram fugir para a Crimeia onde viveram durante algum tempo antes de também serem presas numa das suas casas.



Olga em Czarskoe Selo com o sobrinho Alexis e as sobrinhas Maria e Anastásia em 1914
No dia 12 de Agosto de 1917, Olga deu à luz o seu primeiro filho, Tikhon Nikolevich Kulkovsky que nasceu em prisão domiciliária durante o domínio do Governo Provisório na Rússia. Olga deu-lhe o nome do santo padroeiro de Oliginio, Tikhon de Zadonsk. Apesar de ser neto de um Imperador e sobrinho de outro, como o seu pai fazia parte do povo, o bebé não recebeu nenhum título e usou o apelido Kulikovsky com orgulho durante toda a sua vida, assim como o seu irmão mais novo Guri. Devido aos problemas de comunicação que a Rússia começou a sofrer e a censura oficial impelida aos Romanov, sabia-se pouco sobre o destino do destino de Nicolau e da sua família.

Olga com o seu filho Tikhon

Enquanto estavam na Crimeia, a família da Grã-Duquesa tinha sido condenada à morte pelos conselhos revolucionários de Sevastopol e Yalta. Durante a confusão política entre as duas fracções, o Poder Central da Alemanha avançou na Crimeia, mas quando chegaram em Novembro de 1918, os soldados souberam da derrota do seu país na guerra. Pouco depois da breve ocupação alemã, o Exército Branco de soldados leais ao czar, restaurou temporariamente a segurança na área, dando tempo à Grã-Duquesa e à família para fugir para o estrangeiro. O rei Jorge V enviou um navio de guerra britânico para retirar a sua tia, Maria Feodorovna, as suas primas e outros membros da família Romanov da instável Crimeia. Foi feito um acordo entre a antiga imperatriz e o rei Jorge V para permitir a evacuação de um grande número de cidadãos russos nesse navio. O bloqueio de comunicações que a família tinha sofrido na Crimeira levantou-se relativamente pelos marinheiros britânicos a bordo. Foi dada a notícia do assassinato confirmado de Nicolau II e das supostas mortes da restante família. O destino do  irmão e companheiro de infância de Olga, “Misha”, Grão-Duque Miguel Alexandrovich da Rússia, aquele que quase se tornou Imperador da Rússia, também era incerto. Na altura não se sabia que ele tinha sido assassinado pela Checa em Perm, na Rússia no dia 12 de Junho de 1918 para garantir que não sobravam descendentes Romanov para subir ao trono.

Olga e Miguel

A Grã-Duquesa Olga e o marido recusaram-se a abandonar a Rússia ao mesmo tempo que a restante família. Os dois decidiram ir para a região de Kuban, na altura ainda livre de bolcheviques e viveram na cidade de Novominskaya, a cidade natal do guarda-costas de Maria Feodorovna. Na Primavera de 1919, nasceu o Segundo filho do casal, Guri Nikolaevich, numa quinta alugada. O segundo filho do casal recebeu o nome de um grande amigo de Olga durante a Primeira Guerra Mundial, Gury Panayevich, um grande herói de batalha que tinha morrido em 1914 a defender o seu regimento.Pouco depois do nascimento do Segundo filho, os circulos internos do Exercito Branco abordaram a Grã-Duquesa com propostas para se declarar oficialmente como Imperatriz da Rússia. Olga recusou diplomaticamente a oferta. Sendo a última herdeira legitima ao trono russo, Olga tornou-se num alvo para o Exército Vermelho.

Olga Alexandrovna com o marido e os filhos em 1920

A família começou então aquela que seria a sua última viagem pela Rússia. Fugiram para Rostov-on-Don, refugiamdo-se na residência do Cônsul Dinamarquês, Thomas Nikolaevich Schtte, que os informou sobre a chegada segura deMaria Feodorovna à Dinamarca. Depos de uma breve estadia, a família foi para a ilha de Büyükada no estreito dos Dardanelos perto de Istambul, Turquia. Depois foram para Belgrado onde Olga foi visitada pelo regente Alexandre Karageorgevich que mais tarde seria o Rei Alexandre I da Jugoslávia. O regente recomendou que a Grã-Duquesa e a família vivessem permanentemente num dos estados reais do antigo Império Austro-Húngaro, mas a sua mãe pediu-lhe para se juntar a ela na Dinamarca. A Grã-Duquesa aceitou imediatamente e a família mudou-se novamente para a Dinamarca. A Dagmar Imperatriz Maria Feodorovna morreu no seu país natal no dia 13 de Outubro de 1928, 9 anos depois.



Com a morte da sua mãe, a casa de Hvidore foi vendida e Olga conseguiu comprara a quinta Knudsminde, a alguns quilómetros de Copenhaga com a sua parte da herança. A sua quinta tornou-se no centro dos monarquistas russos exilados na Dinamarca e um local de passagem de muitos emigrantes russos. Ela manteve sempre o contacto com soldados e oficiais do seu regimento, com a família imperial e com os seus primos da família real dinamarquesa. Ela começou a vender os seus próprios quadros que estiveram em esposição em Copenhaga, Londres, Paris e Berlim. Uma parte do rendimento que a Grã-Duquesa fazia com a pintura ia para varias instituições de caridade russas.

No dia 9 de Abril de 1940, a Dinamarca neutra foi invadida pela Alemanha Nazi e consequentemente tornou-se num país ocupado durante a Segunda Guerra Mundial. Os armazéns de comida, comunicações, censura e fecho de transportes resultaram num grande grupo de dinamarqueses pobres. Os seus filhos, Tikhon e Guri serviram no Exército Dinamarquês antes de a Dinamarca ser invadida e, por serem dois Romanov, foram presos num campo de concentração mais liberal.


A sorte dos Romanov mudou para melhor quando a Alemanha se rendeu aos Estados Unidos, Reino Unido e União Sovietica no dia 5 de Maio de 1945. Quando as condições económicas da Dinamarca se recusaram a melhorar, o General Pyotr Krasnov escreveu à Grã-Duquesa alertando-a para as baixas condições de vida dos cidadãos na Rússia e dos emigrantes russos que viviam na Dinamarca. Olga escreveu imediatamente ao Principe Alex da Dinamarca a falar-lhe da luta económica da Rússia e ele prometeu ajudar os pobres russos, especialmente os Cuzacos.

Estaline controlava rudemente a Rússia. Ele provou ser um vizinho perigosos para a família Romanov quando enviou uma carta ao governo dinamarquês acusando a Grã-Duquesa e um bispo católico dinamarquês de conspiração contra o governo soviético. Quando as tropas soviéticas se aproximaram das fronteiras dinamarquesas após a II Guerra Mundial, o medo de uma tentativa de rapto ou assassinato contra os Romanov cresceu. Então a Grã-Duquesa decidiu mudar novamente a sua família para o outro lado do oceano, na segurança do Canadá rural.

Olga Alexandrovna nos seus últimos anos

Quando a quinta que compraram no Canadá se tornou cada vez mais num fardo, Olga, o marido e os filhos mudaram-se para uma pequena casa em Cooksville, Ontário, um subúrbio de Toronto. Os vizinhos e visitantes da região ganharam um grande interesse nos rumores sobre “a última Romanov” que vivia no Canadá e visitavam-na frequentemente. Dignitários estrangeiros e membros das famílias reais também visitavam a sua confortável casa com um grande jardim. Esses visitantes incluíram a Princesa Marina, Duquesa de Kent, filha da Grã-Duquesa Elena Vladimirovna da Rússia. Outros convidados notáveis incluíram a Princesa Tatiana Constantinovna e o Príncipe Vassily Alexandrovich. Uma das maiores visitas ocorreu quando a Reinha Isabel II, o Principe Filipe e o Príncipe Carlos foram a Toronto e convidaram a Grã-Duquesa para o almoço a bordo do Iate Real, HMY Britannia. Em 1951, antigos soldados do regimento de Olga reuniram-se em sua casa para celebrar o 300º aniversário da criação do mesmo. Pouco depois ela tornou-se presidente da Associação de Cadetes da Rússia Imperial no Canadá.


Depois da morte do marido em 1958, Olga ficou demasiado doente para tomar conta de si e mudou-se para a casa de amigos russos emigrados no Canadá que ficava em cima de um salão de beleza em Toronto. Aí ela podia ouvir a confortável língua da sua infância e cheirar e provar a comida da sua infância. Ela morreu no dia 24 de Novembro de 1960 com 78 anos de idade. Foi enterrada ao pé do marido no Cemitério York em Toronto, Ontário, Canadá. No funeral da última Grã-Duquesa da Rússia participaram muitos emigrantes bem como muitos amigos que ela tinha feito no seu novo país. Os Cadetes Imperiais Russos fizeram uma vigília e uma guarda de honra que durou dois dias. O “New York Times” fez manchete da sua morte nos obituários, mas, em vez de colocarem a sua fotografia, colocaram a da sua sobrinha Olga Nikolaevna. Muitas pessoas foram ao funeral, mas nenhum Romanov.

Olga é lembrada na cidade pelas instituições de caridade que fundou.