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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Os Ramos da Família Romanov: Os Constantinovich (2ª Geração)



A segunda geração de Constantinovich a viver na Rússia cresceu a partir do segundo filho do Grão-duque Constantino Nikolaevich, o Grão-duque Constantino Constantinovich, o único varão a casar-se oficialmente. A sua noiva, a Princesa Isabel de Saxe-Altenburgo, era sua prima em segundo-grau, visto que o pai dela e a mãe dele eram primos directos. Da sua união nasceram nove crianças cujos descendentes vivem até hoje.

O casal

Em 1882, quando Isabel tinha 16 anos, os dois conheceram-se em São Petersburgo e houve imediatamente conversas de casamento. Contudo, apesar de ela dizer que já estava pronta para casar, Constantino de 24 anos ainda estava hesitante. Quando ela se foi embora, ele prometeu que lhe ia escrever, mas nunca o fez uma vez que era extremamente tímido. Mesmo assim escreveu vários poemas sobre ela. Em 1884 Isabel visitou a Rússia novamente e o casamento foi anunciado. Isabel quis manter a sua fé luterana, algo que deixou Constantino desiludido sendo um grande crente na fé ortodoxa. Pior ainda foi o facto de ela se recusar a beijar a cruz ortodoxa durante a missa.

No dia de casamento, que ocorreu no dia 27 de Abril de 1884, Isabel escreveu ao seu novo marido para o descansar, dizendo: Prometo que nunca vou fazer nada para te enfurecer nem magoar por causa das nossas religiões divididas… só posso dizer-te mais uma vez o quanto te amo.”

O casamento foi um sucesso, embora Constantino tenha mantido vários amantes masculinos durante toda a união. O casal teve nove filhos, seis dos quais viriam a morrer antes de Isabel.

Filhos

João Constantinovich

Gabriel Constantinovich

Gabriel era o mais social dos seus irmãos. Começou a participar em festas bastante novo, mas nunca foi tão mulherengo como os seus primos Romanov devido à sua educação religiosa conservadora. A única mulher que o cativou foi a bailarina Antónia Nesterovskaya que manteve como amante durante longos anos. No entanto nunca se atreveu a casar com ela devido às regras da Casa Romanov que lhe permitiam apenas casar com Princesas de casas reinantes. A única tentativa nesse sentido surgiu quando a sua tia, a rainha Olga da Grécia intercedeu em seu favor junto do czar Nicolau II, mas este recusou a união. Era também um brilhante militar, ingressando na cavalaria do exercito imperial. Combateu durante a Primeira Guerra Mundial até a queda de Nicolau II. Foi só com a queda da monarquia que Gabriel se casou, em segredo, no dia 9 de Abril de 1917. Quando o governo bolchevique convocou os Grão-duques a apresentarem-se na sede da Tcheca, Gabriel conseguiu escapar a principio devido à sua fraca saúde, mas seria mais tarde preso juntamente com o seu tio Dmitri Constantinovich. Apenas conseguiu escapar à execução devido à intervenção da sua esposa que tinha um amigo chegado a Lenine. Gabriel fugiu então para a França em Janeiro de 1919 e lá ficaria exilado o resto da sua vida, escrevendo as suas memórias na tentativa de ganhar dinheiro durante a Grande Depressão.

Tatiana Constantinovna

Tatiana foi uma figura progressista na Rússia Imperial devido ao seu casamento morganatico (aos olhos da lei) com o Príncipe Constantino Bagration-Mukhransky, um descendente dos antigos reis da Georgia. O casamento foi o primeiro a receber permissão do czar Nicolau II com o argumento de que, tal como a Casa de Orléans, os Bagration-Mukhransky eram uma dinastia que tinha já governado. Infelizmente o seu marido foi morto durante a Primeira Guerra Mundial e Tatiana acabou por fugir da Rússia mais tarde, afirmando que os seus dois filhos eram da ama. Na altura Tatiana tinha já um novo homem,  Alexander Korochenzov, e os dois fugiram juntos primeiro para a Roménia e depois para a Suíça onde se casaram em 1921. Quando o seu segundo marido morreu, Tatiana tornou-se freira e morreu em Jerusalém em 1979.

Constantino Constantinovich

Oleg Constantinovich

Considerado o mais inteligente e cultural dos seus irmãos, Oleg é muitas vezes referido como o favorito dos seus pais. Era ele próprio um poeta e estudou nas melhores escolas do Império. Antes da Guerra tinha planeado casar com a sua prima, a Princesa Nádia Petrovna. Contudo todos os seus planos para o futuro foram destruídos com a Primeira Guerra Mundial onde foi morto em combate. As suas últimas palavras foram: “Estou tão feliz. Vou poder encorajar as tropas russas fazendo-as saber que a família imperial não tem medo de perder o seu próprio sangue.”

Igor Constantinovich

Jorge Constantinovich
Por ser ainda muito novo quando rebentou a Revolução Russa, Jorge recebeu autorização juntamente com a sua mãe e irmã mais nova, Vera, para sair da Rússia pacificamente. Daí a família mudou-se para a Suécia onde viveu alguns anos até a vida se tornar demasiado cara. Depois da morte da mãe, Jorge e Vera mudaram-se para a Bélgica a convite do rei Alberto I e depois para a Suíça. Eventualmente Jorge viajou para os Estados Unidos onde passou o resto da sua vida, tornando-se um designer de interiores bastante conhecido.

Vera Constantinovna

Em 2001, Vera era a última sobrevivente do Império Russo que ainda se lembrava dele. Tinha abandonado o seu país natal aos 12 anos de idade, mas os eventos da revolução perseguiram-na até ao fim da sua vida. Quando era apenas uma criança assistiu à morte do pai, devido a um ataque cardíaco, sendo a única pessoa presente para chamar ajuda. Viveu em vários lugares, assentando durante vários anos em Altenburgo, na Alemanha, a terra natal da sua mãe. Saiu de lá quando rebentou a Segunda Guerra Mundial, fugindo a pé das tropas soviéticas. Depois viveu nos Estados Unidos, trabalhando na Fundação Tolstoy. Morreu aos 96 anos de idade.

Notícias - Garrafa de champanhe com 200 anos pode ter sido um presente para o Czar (19/07/10)

A garrafa de champanhe resgatada das profundezas do Mar Báltico tem mais de 200 anos. Os enólogos consideram esta descoberta sensacional.

O aroma da bebida é muito intenso, com cheiro a tabaco, uvas e frutos brancos, carvalho e mel. Trata-se de um vinho verdadeiramente surpreendente, muito açucarado, mas preservando ainda alguma acidez, segundo quem já o provou.

Este sabor explica-se pelo facto de há 200 anos os processos de fermentação serem mal concluídos, o que leva o champanhe a ser muito menos seco do que nos dias de hoje.

Trata-se de um vinho anterior à Revolução Francesa e que pode ser uma das primeiras colheitas da casa Veuve Clicquot. Pensa-se que é uma garrafa deste produtor, porque, tal como hoje, está na rolha a marca de uma ancora.

A garrafa pode ter sido um presente do rei de França Luís XVI para os czares da Rússia, sendo que a prenda não chegou ao destino, porque o navio foi ao fundo no Mar Báltico entre a Suécia e a Finlândia.

Os mergulhadores que descobriram o navio afundado conseguiram recuperar das águas escuras uma garrafa, mas dizem que estão mais frascos no fundo do mar, a 55 metros de profundidade, onde o vinho se conservou perante a ausência de luz e o frio constante.
Cada garrafa deste champanhe com mais de 200 anos está avaliada em 53 mil euros. Mas se se confirmar que o vinho era uma prenda de Luís XVI aos czares do Século XVIII o valor vai aumentar.


Durante todo o reinado de Luís XVI quem governava o Império Russo era uma mulher: Catarina, a Grande.

Os Ramos da Família Romanov: Os Constantinovich (1ª Geração)



O segundo ramo mais antigo da família Romanov surgiu em 1848 aquando do casamento do grão-duque Constantino Nikolaevich, segundo filho do czar Nicolau I, e da princesa Alexandra de Saxe-Altenburgo, uma descendente dos reis da Prússia que, ao converter-se à Igreja Ortodoxa, passou a chamar-se grã-duquesa Alexandra Iosifovna. Na última metade do século XIX e inicio do século XX foi sempre o ramo mais leal e chegado ao czar, com a excepção de Alexandre III que odiava o seu tio Constantino. Os descendentes deste ramo ainda se encontram bem activos nas casas reais europeias através do casamento da grã-duquesa Olga Constantinovna com o rei Jorge I da Grécia. O príncipe Filipe, Duque de Edimburgo (consorte da rainha Isabel II do Reino Unido), a rainha Sofia de Espanha e o rei Constantino II da Grécia são apenas alguns dos seus descendentes.

O Casal

Alexandra conheceu Constantino em 1846 quando ele visitou Altenburgo. Constantino passou alguns dias no castelo do pai de Alexandra. A visita tinha sido arranjada pela tia de ambos, a grã-duquesa Helena Pavlovna, nascida princesa Carlota de Württemberg. Tanto Helena como a mãe de Alexandra eram descendentes do duque Frederico II Eugénio de Württemberg. Helena tinha uma influência forte sobre o seu sobrinho Constantino que admirava a tia pela sua inteligência e pensamentos modernos. Ela tinha interesses literários e musicais, sendo a responsável pela criação do Conservatório de São Petersburgo, e Constantino passava muito tempo em sua casa e no seu salão de festas.

Constantino era intelectual e liberal, enquanto que Alexandra era conservadora e muito alegre. Apesar de terem personalidades diferentes, ambos gostavam de músicas e gostavam de tocar duetos de piano juntos. Constantino sentiu-se atraído pela beleza juvenil de Alexandra, alta, magra e atraente. Rapidamente ficou apaixonado e quis casar com ela:

"Não sei o que me está a acontecer. É como se fosse uma pessoa completamente nova. Há apenas um pensamento que me conduz e uma imagem que me enche os olhos: para sempre e só ela, o meu anjo, o meu universo. Penso que estou realmente apaixonado. Contudo, o que pode isso significar? Só a conheço há algumas horas e já estou cheio de paixão."

Ela tinha apenas dezasseis anos e Constantino dezanove. Ficaram noivos, mas tiveram de esperar mais dois anos antes de se casarem.

Alexandra de Saxe-Altenburgo

Alexandra chegou à Rússia no dia 12 de Outubro de 1847 e foi recebida com muita pompa e celebração popular, tendo multidões alegres a saudá-la nas ruas e varandas. Diz-se que Alexandra se parecia tanto com a sua cunhada, a grã-duquesa Alexandra Nikolaevna, que tinha morrido ao dar à luz, que a sua futura sogra, a imperatriz Alexandra Feodorovna, se desfez em lágrimas quando a viu pela primeira vez.

Em Fevereiro de 1848 Alexandra converteu-se à Igreja Ortodoxa, tomando o nome de grã-duquesa Alexandra Iosifovna, derivado do nome do seu pai, José, ao contrário de outras grã-duquesas da família que tinham preferido um nome em honra de figuras religiosas ou dinásticas.

Alexandra e Constantino casaram-se no Palácio de Inverno em São Petersburgo, no dia 11 de Setembro de 1848. Constantino recebeu o Palácio de Mármore como presente de casamento dos seus pais. Strelna, uma casa no Golfo da Finlândia que Constantino tinha herdado aos quatro anos de idade, passou a ser a casa de campo do casal. A vivaz grã-duquesa gostou muito dos jardins de Strelna e criou uma escola gratuita de jardinagem onde ela própria ensinava. Havia também brinquedos educacionais para crianças, um mastro de madeira e um trampolim para ginástica e uma cabina abandonada de uma das fragatas de Constantino.

Alexandra Iosifovna

Um ano depois do casamento, Constantino herdou o palácio de Pavlovsk do seu tio, o grão-duque Miguel Pavlovich. Os jardins do palácio eram abertos ao público. O casal construiu uma sala de concertos no palácio que se tornou muito popular entre as classes médias e recebeu concertos de figuras como Johann Strauss II, Franz Liszt e Hector Berlioz.

Mais tarde o casal comprou o palácio de Oreanda, na Crimeia, que tinha sido construído pela czarina Alexandra Feodorovna.

Constantino e Alexandra com a fila Olga, futura rainha da Grécia

Em 1867, a filha mais velha de Alexandra, Olga, casou-se com o rei Jorge I da Grécia. Ela tinha apenas dezasseis anos e Constantino foi contra o casamento no principio por a sua filha ser ainda tão nova. Em Julho de 1867 nasceu o primeiro neto do casal e recebeu o nome de Constantino em honra do avô. O inicio do declínio do casamento começou por volta desta altura.

Apesar de ter apenas quarenta anos, as lutas de Constantino e as dificuldades pelas quais tinha passado nessa década (as reformas navais e judiciais, a emancipação dos servos), tinham-no feito envelhecer prematuramente. Quando o seu irmão, o czar Alexandre II, começou a distanciar-se dos anos de reforma do seu reino, a influência de Constantino na corte começou a esmorecer e então ele começou a dedicar-se mais à sua vida privada. Após vinte anos de casamento, ele tinha-se afastado da sua esposa. A grande quantidade de trabalho de Constantino e as visões políticas conflituosas do casal tinham desfeito lentamente a sua relação. Alexandra era tão conservadora como o seu marido era liberal e ela tinha aprendido a preocupar-se mais com o seu círculo e com o misticismo. Não demorou muito até o grão-duque começar a procurar atenção feminina noutro lado.

Constanino Nikolaevich

Constantino morreu subitamente de ataque cardíaco no dia 13 de Janeiro de 1892, quando tinha 64 anos, deixando vários filhos ilegítimos e a sua esposa humilhada. Alexandra, por outro lado, tornou-se numa das figuras mais adoradas da Corte Russa e na Grécia, onde passava longas temporadas junto da filha. Sobreviveu o marido por quase vinte anos, morrendo a 6 de Julho de 1911, aos 80 anos de idade.

Alexandra nos seus últimos anos com a filha Olga e o filho Constantino

Filhos

Grão-duque Nicolau Constantinovich

Nascido no dia 14 de Janeiro de 1850, foi o filho mais velho do casal. Ao contrário da maioria das crianças da época, teve uma infância muito independente, sem amas nem responsabilidades. Eventualmente tornou-se num grande sedutor, mantendo um grande número de casos. Um deles, com uma americana chamada Fanny Lear foi-lhe fatal. Ela conseguiu influenciá-lo a roubar três diamantes de um ícone da sua mãe. Este acto fez com que ele fosse considerado louco e então foi banido para o interior russo, na zona do que é hoje o Uzbequistão. Graças à sua fortuna pessoal desenvolveu grandemente a região chegando até a construir o seu próprio palácio. Morreu em 1918 de Pneumonia deixando um grande número de filhos de várias mulheres.

Rainha Olga da Grécia

Nascida a 3 de Setembro de 1851, Olga tornou-se a mais conhecida dos seus irmãos ao casar-se com o rei Jorge I da Grécia, antigo príncipe da Dinamarca, tornando-se assim rainha. Foi uma rainha popular no seu país, contribuindo principalmente para a caridade e para a religião. Causou controvérsia entre os mais conservadores por querer traduzir a bíblia para grego moderno e foi ainda regente do seu filho Constantino após a morte do seu neto Alexandre I da Grécia.

Grã-duquesa Vera Constantinovna

Nascida a 3 de Fevereiro de 1854, Vera teve uma infância turbulenta. Era dada a ataques de fúria e raiva de tal ordem que os seus pais decidiram enviá-la para a Alemanha para ser criada pela sua tia, a grã-duquesa Olga Nikolaevna, rainha de Wuttenberg. Eventualmente  conseguiu ultrapassá-los e casou-se com um duque do seu país adoptivo. Embora ele tenha morrido cedo, Vera teve três filhos dele: um rapaz que morreu na infância e duas gémeas cujos descendentes vivem até aos dias de hoje.

Grão-duque Constantino Constantinovich


Nascido a 22 de Agosto de 1858, foi um distinto poeta e dramaturgo, assinando todas as suas obras com KR. Casou-se com uma princesa alemã de quem teve nove filhos, mas nunca escondeu as suas tendências homossexuais, eternizadas nos seus famosos diários. Foi o pai da segunda geração dos Constantinovich.

Grão-duque Dmitri Constantinovich


Grão-duque Vyacheslav Constantinovich


O filho mais novo da família teve uma vida curta. Morreu subitamente aos dezasseis anos de idade devido a uma inflamação no cérebro. Na véspera da sua morte, a sua mãe afirmou ter visto um anjo que mais tarde identificou como um presságio da morte do filho.

Os Ramos da Família Romanov: Os Leuchtenberg


Maria Nikolaevna com os filhos
Grã-duquesa Maria Nikolaevna com os seus filhos

Este ramo originou-se em 1839, aquando do casamento da Grã-duquesa Maria Nikolaevna, filha mais velha do czar Nicolau I, com o Príncipe Maximiano, Terceiro Duque de Leuchtenberg. Ao contrário de outros casamentos da época, este realizou-se por amor, mas trouxe consigo uma série de condições devido à posição do noivo ser mais baixa do que a da noiva. A primeira, e mais importante, foi a de que Maximiano se mudaria para São Petersburgo, uma vez que Nicolau I nunca permitiria que a sua filha saísse de perto de si. Maximiliano, dono de um ducado sem importância e, segundo relatos da época, extremamente apaixonado pela sua noiva, cedeu sem dificuldade.

Assim, pela primeira vez desde o casamento de Miguel Pavlovich com a Princesa Carlota de Württemberg, uma família paralela à do Imperador, crescia na Rússia Imperial.

O Casal


Maria conheceu o seu futuro marido quando este se encontrava em São Petersburgo para manobras militares em 1837. Um ano mais tarde, quando regressou, os dois apaixonaram-se. "Tornou-se bastante claro nos últimos quatro dias que o Max e a Maria foram feitos um para o outro!", escreveu a sua irmã Olga.

A união não era de todo desejável. Maximiano era apenas um Duque menor, pertencente à casa da Baviera, um título muito abaixo do de Maria, além disso era também católico e um familiar directo de Napoleão Bonaparte (o seu pai, Eugénio, era filho da Imperatriz Josefina), cujas memórias de guerra ainda estavam bem vivas nas memórias russas. Apesar de tudo a maior indignação veio por parte da mãe de Maximiano, a Princesa Augusta da Baviera, que mais tarde se recusaria a estar presente na união.

Apesar de todas as entraves, a cerimónia realizou-se no dia 2 de Julho de 1839, o mesmo dia em que o pai de Maria a presenteou com o seu próprio palácio: o Mariinsky, construído nas margens do rio Neva.

O Palácio Mariinsky, a casa de Maria e Maximiliano em São Petersburgo

Nos 12 anos que se seguiram, o casal teve sete filhos. Maximiano tornou-se um cientista de renome e Maria uma coleccionadora ávida de arte. O seu prestígio levou a que ele fosse nomeado Presidente da Academia das Artes de São Petersburgo em 1843. Após a morte do marido em 1852, Maria herdou a sua posição.

Grã-duquesa Maria Nikolaevna

Em 1854, Maria casou-se pela segunda vez, desta vez com o Conde Gregório Stroganov, uma união que gerou dois filhos.

Filhos


Princesa Maria von Leuchtenberg


Nascida no dia 16 de Outubro de 1841 em São Petersburgo. Casou-se com o Príncipe Luís Guilherme de Baden, filho de Leopoldo I de Baden e da Princesa Sofia Guilhermina da Suécia, no dia 11 de Fevereiro de 1863 em São Petersburgo. Morreu no dia 16 de Fevereiro de 1914 aos 72 anos. Os seus filhos foram:

  • Princesa Maria de Baden (1865 – 1939)
  • Príncipe Maximiano Alexandre Frederico Guilherme de Baden (1867 – 1929)

Nicolau, 4º Duque de Leuchtenberg
Nascido no dia 4 de Agosto de 1843 em Sergeievskoie. Casou-se com Nadezhda Annenkova em Outubro de 1868. Morreu no dia 6 de Janeiro de 1891, aos 47 anos, em Paris, França. Abdicou do seu título de Duque de Leuchtenberg para se casar com uma plebeia, passando a partir de então a ser um Príncipe Romanovsky. Os seus filhos foram:

  • Nicolau von Leuchtenberg (1868 – 1928)
  • Jorge von Leuchtenberg (1872 – 1929)

Eugénia von Leuchtenberg


Nascida no dia 1 de Abril de 1845 em São Petersburgo. Casou-se com o Duque Alexandre Frederico de Oldenburgo, filho do Duque Constantino de Oldenburgo e da Princesa Teresa de Nassau-Weilburg, no dia 19 de Janeiro de 1868 em São Petersburgo. Morreu no dia 4 de Maio de 1925, aos 80 anos, em Biarritz, na França.

Teve apenas um filho, Pedro de Oldenburgo (1868 – 1924), que se casou com a Grã-duquesa Olga Alexandrovna da Rússia.


Eugénio, 5º Duque de Leuchtenberg


Nascido no dia 8 de Fevereiro de 1847 em São Petersburgo. Casou-se primeiro com Daria Opotchinina, no dia 20 de Janeiro de 1869, perdendo o título de Duque de Leuchtenberg. Casou-se em segundo lugar com Zinaida Skobeleva no dia 14 de Julho de 1878 em Peterhof. Morreu no dia 31 de Agosto de 1901 aos 54 anos. A sua única filha, Daria von Leuchtenburg, nascida em 1870 do seu primeiro casamento, foi executada pelos bolcheviques em 1930, acusa de estar envolvida com um grupo terrorista alemão.

Sergei, 6º Duque de Leuchtenberg


Nascido no dia 20 de Dezembro de 1849 em São Petersburgo. Foi morto no dia 24 de Outubro de 1877 durante a Guerra Russo-Turca. Sem descentes.

Jorge, 6º Duque de Leuchtenberg

Nascido no dia 29 de Fevereiro de 1852 em São Petersburgo. Casou-se com a Duquesa Teresa de Oldenburgo, filha do Duque Constantino de Oldenburgo e da Princesa Teresa de Nassau-Weilburg, no dia 12 de Maio de 1879. Casou-se em segundo lugar com a Princesa Anastásia de Montenegro de quem se divorciou em 1906. Ela acabaria por se casar com o seu primo, o Grão-duque Nicolau Nikolaevich Jr, com quem manteve um caso enquanto estava ainda casada.

Do primeiro casamento teve um filho, Alexandre, 7º Duque de Leuchtenberg (1881 – 1942) e do segundo dois, Sergei (1890 – 1974) e Elena (1892 – 1971).

Grã-duquesa Maria Nikolaevna com o filho Jorge

Outros - A reacção da Rainha Maria da Roménia à Morte de Nicolau II

Ele está morto. O czar Nicolau está morto! Eles mataram-no, deram fim à vida dele, violentamente, vergonhosamente, sem qualquer piedade, porque ele estava no poder deles, porque eles tinham medo que alguém o pudesse salvar – por isso numa manhã cedo eles fuzilaram-no. Ele já não era um símbolo e eles não lhe podiam permitir que fosse um homem. Durante toda a sua vida ele quis ser um homem, mas eles não o deixaram ser um – fuzilaram-no. Ainda não existem pormenores exactos. Rumores conflituosos chegam até nós; de qualquer forma ele está morto. Eles assassinaram-no numa manhã cedo, pois para a morte que o fizeram morrer não existe outro nome. Foi uma morte desnecessária, uma mancha de sangue que nada alguma vez lhes poderá limpar das mãos. O czar Nicolau está morto! O homem cuja voz podia mover cento e quarenta milhões de súbditos para temer ou celebrar a sua morte. Foi assassinado numa manhã cedo, apressadamente, secretamente, como os criminosos que são condenados à morte. A sua alma partiu para ser julgada por Ele que não diferencia entre pedintes e reis. Nunca saberemos qual foi o julgamento do Rei dos Reis, mas tendo sido um místico e crente fervoroso, não penso que o czar Nicolau terá medo do seu encontro com Deus.

Rainha Maria da Roménia


A Rainha Maria da Roménia nasceu em 1875 em Kent, no Reino Unido, a filha mais velha do Príncipe Alfredo de Saxe-Coburgo-Gota, filho da Rainha Vitória, e da Grã-duquesa Maria Alexandrovna da Rússia, filha do czar Alexandre II. Casou-se com o futuro rei Fernando I da Roménia em 1893, passando grande parte da sua restante vida no seu país de acolhimento. Era prima directa tanto de Nicolau II, pelo lado da mãe, como da czarina Alexandra Feodorovna pelo lado do pai.

Livros - "A Filha da Czarina" de Carolly Erickson




1898: Daria Gradov é uma avó idosa, que vive numa zona rural do Canadá. O que os vizinhos e os próprios filhos desconhecem é que ela não é a pessoa que diz ser, a viúva de um modesto emigrante russo. Na realidade, ela nasceu e começou a vida como grãduquesa Tatiana, ou Tânia, como lhe chamavam os seus pais, o czar Nicolau II e a czarina Alexandra.
E é assim que começa o último e cativante romance histórico de Carolly Erickson. A história centra-se na jovem Tânia, que vive uma vida de luxo incomparável na Rússia da pré-revolução, tanto no palácio de Inverno de S. Petersburgo como no enclave particular da família fora da capital. Tânia é uma das quatro filhas e o nascimento do irmão mais novo, Alexei, é simultaneamente uma bênção e uma maldição. Quando lhe é diagnosticada hemofilia e a chave para a sua sobrevivência reside nos misteriosos poderes de Rasputine, o monge analfabeto, isto é apenas o presságio de que tempos negros se aproximam. Em breve rebenta a guerra e a revolução arrasta a família do poder para um encarceramento claustrofóbico na Sibéria. No mundo de Tânia surge um jovem soldado, cuja vida ela ajuda a salvar e que será o seu companheiro na concretização dos arrojados planos para salvar a família imperial da morte certa.

Opiniões

Este livro vem de Carolly Erickson, a malfadada escritora de "A Última Czarina", também disponível em Portugal. Embora ela se tenha conseguido esquivar por pouco da desaprovação geral da comunidade Romanov com a sua biografia floreada de Alexandra Feodorovna, não parece ter tido a mesma sorte com esta sua nova tentativa. A personagem central do romance é Tatiana Nikolaevna, desta vez escolhida para ser a sobrevivente do massacre imperial. Talvez por ser já uma história contada repetidamente neste tipo de livros, talvez devido a uma caracterização demasiado exagerada da segunda filha do czar Nicolau II como uma rebelde que foge do palácio para se encontrar com soldados, o livro foi muito mal recebido. Ainda não tive oportunidade de lê-lo, mas tenho seguido opiniões gerais sobre ele e atrevo-me a dizer que seja bom entertenimento para quem não seguir fervorosamente a história e não se ofender facilmente com alguns factos rebuscados. O preço do livro em livrarias é, como sempre, exagerado. 18 euros, mas pode ser encontrado com 10% de desconto no Wook.

Czares da Rússia - Pedro III da Rússia


Pedro III da Rússia

Nome: Pedro Feodorovich Romanov (Carlos Pedro Ulrich de Holstein-Gottorp)
Pais: Carlos Frederico, Duque de Holstein-Gottorp e Anna Petrovna da Rússia (filha do czar Pedro, o Grande).
Nascimento: 21 de Fevereiro de 1728
Reinado: 5 de Janeiro de 1762 - 9 de Julho de 1762



Reformas:

Apesar de estar pouco tempo no poder, Pedro teve ainda tempo de realizar algumas reformas durante o seu reinado. A primeira foi decretar o regresso de todas as figuras que tinham sido exiladas pela sua tia Isabel Petrovna. Nascido e criado na Prússia, o czar nutria uma grande admiração pelo país e pelo seu rei, Frederico, o Grande. Isto levou a que retirasse a Rússia da Guerra dos Sete Anos sem qualquer benificio para o país pelo simples facto de querer agradar a Frederico, visto que a Rússia tinha causado grandes perdas na frente prussiana. No mesmo sentido de promover a imagem russa em terras germânicas, Pedro começou a planear uma guerra contra a Dinamarca com o objectivo reclamar o ducado de Schleswig para a Prússia.

Internamente, no entanto, as políticas de Pedro tiveram mais sucesso. Foi o primeiro monarca a introduzir noções de capitalismo e mercantilismo no país contra as formas de produção tradicionais que ainda dominavam e proibiu a importação de açucar com o objectivo de promover o consumo interno. No entanto, Pedro era um grande defensor do direito divino da nobreza que floresceu e ganhou mais poder durante estes curtos meses. Primeiro os servos deixaram de ser mercadoria livre e a sua compra passou a ser exlusivamente um previlégio da nobreza, depois extinguiu uma antiga lei introduzida por Pedro, o Grande que obrigava nobres masculinos a participar no exercito, dando-lhes livre arbitrio para o fazerem ou não. Na igreja começou por obrigar os padres ortodoxos a tomar atitudes mais luteranas.

Pedro III da Rússia 
Queda:

Temendo que Pedro se divorciasse dela para se casar com a sua amante, Isabel Vorontsova, Catarina, a Grande planeou um golpe de estado juntamente com o seu amante, Gregório Orlov para depôr o czar. Auxiliados pela guarda Leib para quem Pedro planeava duras reformas, o seu golpe foi bem-sucedido e Pedro forçado a abdicar em favor da sua esposa. Os poucos dias que lhe restaram foram passados na prisão.

Pedro III da Rússia

Família

Carlos Frederico, Duque de Holstein-Gottorp


O pai de Pedro III nasceu em Estocolmo, na Suécia, sendo filho de Hedvig Sofia, uma filha do rei Carlos XI da Suécia. Após a morte do seu avô, Carlos foi apontado como o provável sucessor ao trono sueco, mas a sua tia Ulrika chegou primeiro e baniu o jovem para a Rússia onde ele conheceria a Grã-Duquesa Ana Petrovna.

Ana Petrovna Romanova



Filha mais velha do casamento de Pedro, o Grande com a camponesa Marta Skowronska (mais tarde Catarina I da Rússia), nascida ainda bastarda e depois legitimizada em 1712. Foi sugerida como possível noiva de Louis d'Órleans, um neto de Luís XIV de França e futuro regente de Luís XV, mas acabou por se casar com Carlos Frederico de Holstein-Gottorp para assegurar o apoio russo à conquista do condado de Schleswig pela Alemanha.

Para informação sobre a esposa e os filhos de Pedro clique aqui.


Curiosidade: Pedro não nasceu nem como Ortodoxo nem como russo. Era o filho de um Duque Alemão, descendente de monarcas suecos e por isso Luterano. Foi obrigado a converter-se apenas em 1742, quando tinha 14 anos por ordem da sua tia Isabel I da Rússia que o escolheu como seu sucessor após chegar à conclusão de que não teria filhos legitimos. Se a rainha Ulrika Leonor da Suécia nunca tivesse ascendido ao trono, era provavel que Pedro se tornasse rei da Suécia.

Causa de morte: Pedro foi assassinado na prisão por um grupo de soldados. Até hoje existe a dúvida se a ordem partiu de Catarina II ou do seu amante Orlov. Os seus assassinos nunca foram punidos.

Curiosidades - Nicolau II Soube das Aparições de Fátima (13/05/10)

Aproveitando mais um 13 de Maio, ainda por cima marcado pela visita de Bento XVI a Portugal, vou citar parte de um artigo já de 2008 sobre o conhecimento de Nicolau II das aparições de Fátima quando se encontrava exilado em Tobolsk:

Nicolau II da Rússia

"O fenómeno das aparições de Fátima na Cova de Iria está estreitamente ligado à Rússia, porque os destinos deste país estiveram no centro de um dos seus “três segredos”. Daí também a atenção dedicada no país aos acontecimentos de 13 de Maio de 1917.

Uma das questões que os estudiosos colocam é se chegaram notícias sobre as aparições na Cova de Iria ao último czar russo, Nicolau II, que, em 1917, se encontrava detido na cidade de Tobolsk e, em finais de 1918, foi fuzilado pelos comunistas com toda a família.

Em 1975, em Nova Iorque foi publicado o livro de memórias “Casa Especial” de Charles Gibbs, perceptor do filho e das quatro filhas de Nicolau II e de Alexandra. Este inglês, que esteve com a família real russa entre Outubro de 1917 e Fevereiro de 1918, conseguiu escapar às mãos dos carrascos comunistas, regressou a Inglaterra, onde se converteu do anglicanismo à ortodoxia e dirigiu a comunidade ortodoxa de Oxford até 1963, ano em que faleceu.


Nessa obra, Charles Gibbs escreveu: “Em meados de Outubro chegaram alguns jornais, publicados nos meses de Junho e Julho. Sua Alteza mostrou-me alguns jornais onde, com títulos diferentes, se fazia a descrição do milagre de Fátima... Todos os jornais descreviam pormenorizadamente as aparições extraordinárias na azinheira na Cova da Iria, assinalando que crianças camponesas analfabetas de uma aldeiazita remota portuguesa tinham alguma noção sobre a Rússia. Isso era simplesmente incrível!”.

“No lugar de Vossa Alteza – assinalei com cuidado -, eu não prestaria especial atenção a essas notícias. Sabe como são os jornalistas e a sua eterna inclinação para os exageros. Nos países católicos, semelhantes casos como o milagre de Fátima não são uma raridade”.

No entanto, segundo escreve Gibbs, Nicolau II não concordou com ele: “Nnenhum jornalista português teria a ideia de pôr nos lábios dessa menina profecias sobre a Rússia... Em Portugal não só essa menina analfabeta, mas a maioria dos proprietários sabe tanto da Rússia como nós deles, talvez menos. Quem podia colocar nos lábios da menina, talvez santa no futuro, palavras precisamente sobre a Rússia?”.

Nicolau II com as filhas Olga e Tatiana

No seu diário, o czar Nicolau II regista a presença de Charles Gibbs em Tobolsk entre Outubro de 1917 e Fevereiro de 1918. “Dia frio, claro. Soubemos ontem que chegou o mr. Gibbs, mas ainda não o vimos, talvez porque as coisas e as cartas que trouxe ainda não foram revistadas!” – escreve Nicolau no dia 06 de Outubro de 1917.Mas o último czar da Rússia nada deixou nos seus escritos sobre a conversa com Charles Gibbs acima citada.

Por José Milhazes autor do blog Da Rússia

Fonte: http://port.pravda.ru/sociedade/cultura/22777-1

Notícias - Alexei Sofria de uma Forma Rara de Hemofília (12/10/09)




A “doença real” que afectava os descendentes da Rainha Vitória era uma forma severa de Hemofilia, de acordo com um novo estudo. O veredicto foi alcançado após analises genéticas nos ossos da esposa e filhos do último Czar russo, Nicolau II, que eram descendentes da monarca britânica.

A Czarina Alexandra, neta da Rainha Vitória, e dois dos seus filhos, o Czarevich Alexei e a sua irmã Maria, portavam mutações genéticas associadas com a condição, também conhecida por doença Christmas, o nome do primeiro homem afectado a ser estudado em detalhe em 1952.
Os defeitos genéticos responsáveis pela Hemofilia estão localizados no cromossoma X, o que significa que as mulheres podem ser portadoras, mas muito raramente sofrer da doença. As mulheres têm dois cromossomas X, por isso se houver uma mutação num deles, elas ainda preservam um outro como alternativa. Os homens são XY, por isso se o cromossoma X for afectado, eles irão sofrer garantidamente da doença.
A análise, publicada hoje no jornal “Science”, descobriu que Alexandra portava o gene defeituoso. Dos seus filhos, Alexei sofria da doença e Maria era portadora.


A Hemofilia baixa o nível de químicos que faz com que o sangue coagule após um ferimento. A Hemofilia A, resultante do factor de coagulação VIII, na sua forma mais comum, afectando 5000 em 10,000 homens. A Hemofilia B, causada por uma deficiência do factor IX, ocorre em 20,000 de 34,000 nascimentos masculinos. Para hemofílicos severos, até um arranhão insignificante pode resultar numa perda de sangue que poderá durar dias, semanas ou permanentemente. Esta hemorragia continua pode ser fatal se acontecer no cérebro ou nas artérias. Alexei sofria de uma forma severa de Hemofilia B.

Hoje aos pacientes é dado um substituidor sintético dos agentes de coagulação. Mas em 1905, a Czarina virou-se para Rasputine à procura de ajuda. Durante a Primeira Guerra Mundial ele tornou-se no conselheiro pessoal da Czarina. A sua influência, que incluía escolher pessoalmente candidatos para o governo, contribuiu para a Revolução Russa de 1917.

Os ossos dos irmãos russos foram encontrados nos Urais em 2007. Evgeny Rogaev, da Universidade de Medicina de Massachusetts e autor do estudo foi requerido pelas autoridades russas para examinar os ossos. O ADN estabeleceu que os ossos pertenciam às crianças que faltavam de Nicolau II cuja família foi assassinada em 1918.