Java

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Filme - Rasputin (2013)


Este filme pouco conhecido foi uma produção conjunta entre a França e a Rússia. Falado em russo, é mais uma versão cinematográfica da vida de Rasputine que, como não podia deixar de ser, inclui várias dramatizações da vida da última família imperial russa. O filme destaca-se principalmente por dois grandes nomes do cinema francês que participaram neste projecto: Gérard Depardieu no papel de Rasputine e Fanny Ardant no papel de Alexandra.

É também de destacar o facto de muitas das cenas terem sido filmadas no Palácio de Alexandre e outros locais frequentados pela família imperial que são retratados de forma extremamente fiel.

O filme é falado em russo. 

Imagens do Filme:



O grão-duque Nicolau Nikolaevich


O escritório de Nicolau II no Palácio de Alexandre




Nicolau II e Maria Feodorovna



Anna Vyrubova

Felix Yussupov

Irina Alexandrovna

Dmitri Pavlovich

Yakov Yurovsky


Filme completo:


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Anastásia Nikolaevna por Helen Rappaport

Anastásia Nikolaevna, por volta de 1912
Logo aos quatro anos de idade, Anastásia era "uma macaquinha muito vigorosa, sem medo de nada". De todos os filhos do casal imperial, Nastasya ou Nastya, como lhe chamavam, era a que tinha um aspecto menos russo. Tinha cabelo louro escuro como Olga e tinha herdado os olhos azuis do pai, mas as suas feições assemelhavam-se muito à família da sua mãe, os Hesse-Darmstadt. 


Anastásia com a mãe em 1913

Também não era tímida como as irmãs. Na verdade, era muito frontal, até com os adultos. Podia ser a mais nova das quatro irmãs, mas era sempre a que chamava mais a atenção. Tinha o dom do humor e "sabia como pôr um sorriso na cara de qualquer pessoa". Certo dia, pouco depois do nascimento de Alexei, Margaretta Eager apanhou Anastásia a comer ervilhas com as mãos: "Repreendi-a, dizendo-lhe muito séria que nem o bebé comia ervilhas com as mãos, ao que ela respondeu: 'come sim, até as come com os pés!'". 

Anastásia, por volta de 1906.

Anastásia recusava-se a fazer qualquer coisa à qual fosse obrigada; se lhe dissessem para não subir para cima das coisas, era precisamente isso que fazia. Quando lhe disseram para não comer as maçãs colhidas no pomar e que seriam servidas assadas ao jantar, a grã-duquesa empanturrou-se delas de propósito. Quando foi reprimida, sem mostrar qualquer sinal de arrependimento, disse a Margaretta Eager em forma de provocação: "Não sabe como aquela maçã que comi no jardim me soube bem!". Foi preciso proibi-la de ir ao pomar durante uma semana para que Anastásia prometesse finalmente que não voltaria a roubar maçãs.

Anastásia e Alexei por volta de 1906

Com Anastásia, tudo era uma batalha. Era uma aluna impossível, distraída, negligente, sempre desejosa por sair da cadeira e fazer outra coisa que não a obrigasse a ficar quieta. No entanto, apesar de não ser uma intelectual, tinha um dom instintivo para lidar com pessoas. Quando era castigada por mau-comportamento, dava sempre a volta por cima: "podia sentar-se e avaliar as consequências de qualquer coisa que iria fazer e aceitar o castigo como um soldado", como Margaretta Eager recordou. Mas esse facto nunca a impediu de ser a maior encorajadora de maus comportamentos e conseguia escapar de mais castigos do que qualquer uma das irmãs. Em certas ocasiões, à medida que foi crescendo, chegou mesmo a tornar-se bruta e até vingativa quando brincava com outras crianças. Arranhava-as e puxava-lhes o cabelo, o que levava os seus primos a acusá-la de ser "desagradável, ao ponto de ser má" quando as coisas não corriam à sua maneira.

Anastásia em Darmstadt

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Maria Nikolaevna por Helen Rappaport

Maria com o pai em 1910
A terceira irmã, Maria, era uma criança tímida que, mais tarde, viria a sofrer por estar no meio das suas irmãs mais velhas e dos irmãos mais novos. A sua mãe fez um par com ela e a irmã mais nova, Anastásia, apelidando-as de "o pequeno par", mas, à media que o tempo foi passando, Maria sentia-se por vezes afastada de Anastásia e Alexei - que podem até ser considerados o "pequeno par" mais natural - e que não recebia o amor e afecto que desejava.

Maria em 1910

O seu físico forte fazia com que parecesse bastante deselegante e tinha a reputação de ser desastrada e rude. No entanto, para aqueles que conheciam a família, Maria era de longe a mais bonita com as suas feições rosadas, o seu cabelo castanho volumoso e uma personalidade russa nata que mais nenhuma das irmãs possuía; toda a gente elogiava os seus olhos que brilhavam "como lanternas" e o seu sorriso sincero.

Maria com o irmão, Alexei, e o pai, Nicolau

Maria não era particularmente inteligente, mas tinha muito talento para a pintura e o desenho. Mashka, como as suas irmãs lhe chamavam muitas vezes, era a que menos se deixava afectar pela sua posição. "Apertava a mão a qualquer mordomo ou criado do palácio e trocava beijos com criadas de quarto ou camponesas que conhecia. Se um criado deixasse cair alguma coisa, ela corria logo para a apanhar". 

Maria numa aula de pintura

Uma vez, quando estava a ver um regimento a marchar por baixo da sua janela, no Palácio de Inverno, exclamou: "Oh, como gosto destes soldados tão queridos! Gostava de os beijar a todos!". De todas as irmãs era a mais aberta e sincera e sempre foi muito atenciosa com os pais. Margaretta Eager achava que ela era a filha preferida de Nicolau que se sentia comovido com o seu afecto nato. Em certa ocasião, quando Maria admitiu que tinha roubado um biscoito de um prato à hora do chá, Nicolau ficou aliviado já que "tinha medo das asas que lhe estavam a crescer". Ficou contente por ver que ela "era apenas uma criança humana normal".

Maria, por volta de 1910
Com uma personalidade tão complacente, talvez fosse inevitável que Maria fosse completamente ofuscada pela personalidade dominadora da sua irmã mais nova, Anastásia, já que a grã-duquesa mais nova da família era uma força da natureza cuja presença não deixava ninguém indiferente.

Maria e Anastásia

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Tatiana Nikolaevna por Helen Rappaport

Tatiana em 1905
Aos oito anos de idade, Tatiana tinha pele de marfim, era mais delgada, tinha cabelo mais negro e olhos mais acinzentados do que o tom azul marinho das irmãs. Tinha uma beleza cativante, "era uma cópia viva da sua linda mãe", com um olhar naturalmente imperial, realçado pela sua excelente estrutura óssea e olhos 'orientais'. À primeira vista, parecia ser uma menina muito confiante, mas, na verdade, era muito reservada e cautelosa com as suas emoções, tal como a mãe. 

Tatiana, por volta de 1910

Nunca se deixou dominar pelo seu temperamento, como Olga e, ao contrário da irmã mais velha - que teve uma relação volátil com a mãe à medida que foi crescendo - não havia dúvidas de que Tatiana lhe era completamente dedicada; era sempre em ela que Alexandra confiava e se abria. Era sempre a mais educada e atenciosa à mesa e acabaria por se tornar numa organizadora nata com uma mentalidade metódica e uma conduta humilde que as suas irmãs nunca conseguiram igualar. Não é de admirar que as suas irmãs a apelidassem de "a governanta". 

Tatiana com a mãe

Enquanto Olga tinha um ouvido para a música e tocava muito bem piano, Tatiana tinha grande talento para trabalhos com agulhas, como a mãe. Era também muito altruísta e sensível ao que os outros faziam por ela. Quando descobriu que a sua ama e Margaretta Eagar eram pagas pelos seus serviços porque não tinham  dinheiro próprio e precisavam de ter uma profissão para o ganhar, Tatiana dirigiu-se até à cama de Eager na manhã seguinte, enfiou-se debaixo dos cobertores e abraçou-a, dizendo: "Seja como for, não é paga para fazer isto".

Tatiana, a bordo do Standard com um oficial

Texto retirado do livro "Four Sisters - The Lost Lives of the Romanov Grand Duchesses" de Helen Rappaport

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Sondagem

Hoje gostaríamos de saber um pouco mais sobre os nossos leitores. Criamos uma pequena sondagem para saber qual o período da família Romanov que gostariam de ver mais abordado no blog. Há alguma personagem em particular que gostariam de ver mais explorada? Uma época? Um acontecimento? Livros? Filmes? Digam da vossa justiça!

O questionário destina-se apenas a ter uma ideia geral da época mais desejada, mas, se tiverem um pedido em específico, não hesitem em deixar um comentário ou enviar uma mensagem com as vossas sugestões!

Desde já agradecemos a todos!


Olga Nikolaevna por Helen Rappaport

Olga Nikolaevna, por volta de 1905

Em 1905 e quase a completar dez anos de idade, Olga estava já ciente da sua posição como filha mais velha e adorava dar saudações militares aos soldados que estavam em guarda enquanto ela passava. Até ao nascimento de Alexei, algumas pessoas tinham o hábito de a chamar a sua "pequena imperatriz" e Alexandra acentuou esse facto, pedindo às suas damas-de-companhia que beijassem a mão de Olga em vez de expressarem o seu afecto de formas mais "efusivas". Apesar de, por vezes, ser rude com as irmãs, Olga já mostrava um lado mais sério. Possuía um certo carácter honesto e íntegro que lhe teria sido muito útil se alguma vez tivesse chegado a ser czarina. Desde cedo, Alexandra colocou em Olga um certo nível de responsabilidade que lhe relembrava constantemente em pequenas notas: "A mama dá um beijo muito carinhoso à sua menininha e pede a Deus para que a ajude a ser sempre uma criança cristã bondosa e amorosa. Sê simpática para todos, sê gentil e amorosa e todos vão gostar de ti", escreveu em 1905.

Olga com a mãe, Alexandra.

Margaretta Eagar viu desde cedo que Olga tinha herdado o espírito altruísta da mãe e da avó Alice. Era muito sensível aos problemas dos mais infelizes. Certo dia, quando passeava de carruagem por São Petersburgo, viu um polícia a prender uma mulher por embriaguez e desacatos e implorou a Margaretta que a soltassem. Quando viu os camponeses pobres a cair de joelhos na berma da estrada na Polónia enquanto a família imperial passava, também ficou perturbada e pediu a Margaretta que lhes dissesse para 'não fazer aquilo'. Pouco depois do Natal certo ano, quando estava a passear pela cidade, viu uma menina a chorar na estrada. 'Veja,' exclamou ela, muito exaltada, 'o Pai Natal não devia saber onde ela morava' e atirou imediatamente a sua boneca que tinha consigo pela carruagem fora, gritando: 'Não chores, menina, toma uma boneca'".

Olga, por volta de 1904,1905

Olga era curiosa e tinha muitas perguntas. Uma vez, quando uma ama a repreendeu por estar mal-disposta, dizendo que ela 'tinha saído da cama com o pé errado', na manhã seguinte, Olga perguntou de forma pertinente qual era o pé certo para sair da cama para que 'o pé errado não me faça portar mal hoje'. Conseguia ser irritável, desdenhosa e difícil e os seus ataques de raiva revelavam um lado negro que, por vezes, era difícil de controlar, mas Olga também era uma sonhadora. Em certa ocasião, quando estava a brincar aos espiões com as filhas, Alexandra reparou que 'a Olga lembra-se sempre do sol, das nuvens, no céu, na chuva ou algo relacionado com o paraíso e explica-me que fica muito feliz quando pensa nestas coisas'". Em 1903, com oito anos de idade, confessou-se pela primeira vez e, pouco tempo depois da morte trágica da sua prima [Isabel de Hesse] nesse mesmo ano, começou a fascinar-se com o paraíso e a vida depois da morte. "A prima Ella já sabe, já está no paraíso, sentada a falar com Deus e Ele está a explicar-lhe como e porque fez isto", disse Olga a Margaretta Eager quando as duas conversavam sobre o sofrimento de uma mulher cega.


Olga com a sua prima Isabel, o tio Ernesto Luís de Hesse e o pai, Nicolau II.

Texto retirado do livro "Four Sisters - The Lost Lives of the Romanov Grand Duchesses" de Helen Rappaport

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Off-topic - Excerto de "Queen Victoria's Children" de John Van Der Kiste (Biografia da Rainha Vitória - Parte Dois)

Rainha Vitória no início do seu reinado

As pressões de uma adolescência difícil tinham deixado a sua marca na jovem Rainha Vitória e ensombraram os seus primeiros dois anos de reinado. "Mamã" e filha apareciam juntas em cerimónias de Estado, mas em privado tinham o menor contacto possível. Vitória contava tinha ainda o apoio devoto dos seus confidentes Lehzen e Stockmar, este último tinha-se tornado num emissário regular do rei Leopoldo. Porém, em pouco tempo, a sua relação com o primeiro-ministro, Lord Melbourne, ultrapassou-os em pouco tempo. A vida privada do velho aristocrata cínico, mas charmoso foi trágica e arruinada pelo comportamento selvagem da sua mulher e pela epilepsia do seu único filho. Ambos morreram antes dele. Tanto ele como a jovem rainha tinham falta de afetos e encontraram uma excelente companhia um no outro. Os dois passaram muitas horas felizes a conversar pela noite dentro no Castelo de Windsor. No dia da sua coroação, a 28 de junho de 1838, o seu apoio e encorajamento foram inestimáveis para ela. Esta preocupação foi um sentimento marcadamente oposto ao da duquesa de Kent que insistiu persistentemente que devia seguir antes do primeiro-ministo na procissão da coroação.

Lord Melbourne

Em 1839, a rainha Vitória que ainda não tinha 20 anos, estava a sofrer a uma reação aos seus primeiros dezoito meses de reinado. O seu entusiasmo e dedicação aos seus deveres estavam a ter as suas consequências; e isto, para além da má relação que tinha com asua mãe e com Conroy, fez com que ela cometesse dois erros que iam contra o seu bom senso, um deles com consequências desastrosas.

Melbourne demitiu-se em maio após uma derrota no parlamento e, a rainha, bastante contrariada, chamou o líder dos Conservadores, Sir Robert Peel para formar governo. Ele pediu-lhe educadamente que ela substituísse as damas-de-companhia do seu quarto apoiantes do partido Whig (liberal); furiosa, a rainha recusou-se a fazê-lo. Quando ele respondeu que, infelizmente, nessas condições não poderia assumir o seu cargo, a rainha voltou a chamar Melbourne triunfalmente. A "crise do quarto" foi uma vitória para a rainha, mas acabou por criar a ideia de que a coroa se identificava com um partido.

Sir Robert Peel

Se este tivesse sido o único acidente, a reputação da rainha não teria sido muito danificada. Infelizmente, surgiu ao mesmo tempo que o caso escandaloso de  Lady Flora Hastings. Lady Flora era uma das damas da duquesa de Kent e, como tal, era uma amiga chegada de Conroy e uma grande inimiga de Lezhen. Logo no início do ano, quando regressava a Londres depois de uma viagem à Escócia de comboio com Conroy, ela sentiu-se mal. Começaram a correr rumores de que ela estaria grávida. A rainha e Lezhen estavam prontas para acreditar no pior e Melbourne não fez nada para as desencorajar. Com coragem, Lady Flora submeteu-se a um exame médico feito por médicos reais e que provaram que ela ainda era virgem. Foi-lhe diagnosticado um tumor maligno no estômago e, apesar de a rainha ter feito tudo o que podia pela "pobre Lady Flora", ela morreu em julho. A popularidade da rainha desceu a pico e a carruagem que ela enviou para o funeral foi atingida por pedras atiradas pela multidão em fúria.

Lady Flora Hastings

Depois de um verão carregado de crises, a rainha Vitória ficou exausta por algum tempo. No fim de julho, ela disse a Melbourne de forma petulante que o assunto do seu casamento era detestável para ela e, se pudesse, preferiria não se casar.

Porém, este não era um problema que se podia adiar para sempre. A rainha tinha vinte anos e todos esperavam que ela se casasse e tivesse herdeiros, e ainda mais devido à crise de sucessão da geração anterior. Naquela altura, o seu herdeiro era Ernesto Augusto, o rei de Hanôver. Como duque de Cumberland, ele era o membro menos popular da família. Os rumores de que ele tinha praticado incesto com a sua irmã Sofia e matado o seu criado de quarto eram certamente falsos, já para não dizer injuriosos. Porém, o seu temperamento violento, a sua cara marcada por cicatrizes de batalhas e preferências políticas reacionárias tinham feito os britânicos recear a possibilidade de se submeterem a um reinado de Ernesto Augusto e desconfiavam da sua terra natal.

Ernesto Augusto, rei de Hanôver
Também havia fatores pessoais que tornavam a possibilidade do casamento algo aconselhável. A rainha estava, inevitavelmente, a começar a considerar a companhia de Lord Melbourne aborrecida e a sua falta de compostura, algo ofensiva. Devido à falta companhia de pessoas mais jovens durante a sua infância, como mais tarde a própria viria a admitir, ela "não tinha forma de exteriorizar os meus violentos sentimentos de afeção". A visita de Alexandre, o grão-duque da Rússia a Windsor naquele verão tinha-a encantado e Vitória sentiu bastante a sua falta depois de ele se ir embora. A sua transição repentina do berçário para o trono tinha sido uma alegria ao início, mas a solidão que encontrou na sua nova independência estava a começar a ter efeitos negativos. Todos sairiam a ganhar se a rainha se casasse em breve.

Alexandre II da Rússia

A princesa Vitória tinha vindo ao mundo com o auxílio da parteira Fraulein Charlotte Siebol que abandonou o Palácio de Kensington para viajar para a Alemanha pouco depois do parto da duquesa de Kent. A cunhada da duquesa, Luísa, a duquesa de Saxe-Coburgo Saafeld, estava grávida pela segunda vez. Ela e o duque Ernesto já tinham um filho, também chamado Ernesto, que estava destinado a herdar o ducado do pai. A 26 de agosto de 1819, ela ajudou no parto de um filho, Alberto.

Tal como Vitória, Alberto teve uma infância infeliz. A união dos seus pais estava longe de ser perfeita. Ernesto era dezassete anos mais velho do que a sua mulher e quando se tornou duque em 1826, os dois estavam separados. Ambos encontravam consolo em casos extra-conjugais e divorciaram-se por consentimento mútuo nesse mesmo ano. Luísa ficou bastante perturbada quando se despediu dos filhos que nunca mais voltou a ver e Alberto ainda ficou mais afetado pela situação do que o irmão. Nunca mais esqueceu a sua mãe que se voltou a casar, mas morreu de cancro em 1831. Após a sua morte, o duque Ernesto casou-se com a sua sobrinha, a princesa Maria de Württemberg. Assim, os rapazes ficaram sem mãe durante a maior parte da sua infância e as pessoas que mais os influenciaram enquanto cresciam foram as suas avós e o tutor, Herr Rath Florschutz.

Príncipe Alberto com o seu irmão Ernesto e a mãe, antes da separação

Ernesto e Alberto eram quase inseparáveis. Porém, cresceram com personalidades bastante distintas. Ernesto , mais extrovertido, tinha herdado o comportamento dissoluto e os hábitos perdulários do seu desagradável pai. Alberto, mais sensível, era o completo oposto do irmão, partilhando com ele apenas o gosto por partidas e imitações. Porém, nunca houve nada que destruísse a união fraternal entre eles, apesar de mais tarde Alberto ter ficado chateado com a gratificação e casos extra-conjugais do irmão.

Quase desde o seu nascimento que a família queria que Alberto se casasse com a princesa Vitória de Kent. Quando ele tinha dois anos, a sua avó, a duquesa viúva Augusta de Saxe-Coburgo escreveu uma carta à duquesa de Kent onde dizia que Alberto estava "agarrado à sua prima linda". Não demorou muito até que a duquesa de Kent e o rei Leopoldo se afeiçoassem a este plano, principalmente depois de se tornar evidente que o rei Guilherme e a rainha Adelaide não deixariam herdeiros. O próprio Alberto conhecia o plano desde pequeno e Vitória foi informada antes de se tornar rainha.

Os primos conheceram-se pela primeira vez em maio de 1836 quando o duque Ernesto levou os seus filhos a Inglaterra para uma visita curta. Pareceu logo evidente que Alberto não partilhava o gosto de Vitória pelas horas noturnas tardias. É possível que também tenha sido afetado pelo nervosismo uma vez que ficou doente na véspera do aniversário de Vitória. Alberto conseguiu reunir coragem suficiente para ir a um baile no Palácio de St. James com ela na noite seguinte, mas quase desmaiou e foi enviado para a cama. Apesar de tudo, Alberto causou uma boa impressão a Vitória. Apesar de ela gostar de ambos os irmãos e de achar que ambos eram "tão, tão agradáveis e divertidos e alegres, como os jovens devem ser". A boa aparência de Alberto, o seu talento para a música e para a arte e conversas espirituosas ao pequeno-almoço deram-lhe uma ligeira vantagem em relação ao seu irmão. Quando se foram embora, Vitória escreveu prosaicamente ao rei Leopoldo que Alberto possuía "todas as qualidades que posso desejar para ser perfeitamente feliz".



Retratos de Alberto e Vitória de 1839

O primeiro-ministro Melbourne ficou distintamente pouco entusiasmado com a ideia de um casamento entre Vitória e Alberto e lembrou a rainha da desconfiança dos seus súbditos em relação a estrangeiros. Porém, tinha de concordar que parecia não haver mais ninguém apropriado. Se ela se casasse com um inglês, haveria ciúmes e problemas de precedência. De forma tática, chegaram a acordo de que não haveria necessidade para fazer uma decisão final até dali a pelo menos quatro anos.

Contudo, o rei Leopoldo não estava disposto a adiar o assunto indefinidamente.. Para que o seu plano tivesse alguma réstia de esperança de sobrevivência, teria de ser executado cuidadosamente. Se ele fizesse demasiada pressão, sabia que a antipatia de Vitória em relação ao casamento seria uma barreira impossível de ultrapassar. Se não fizesse nada,  seria bastante injusto para Alberto. O jovem aceitava ser paciente desde que a rainha aceitasse o casamento no final da espera, mas se ela adiasse o assunto por demasiado tempo e o rejeita-se, as suas hipóteses de encontrar uma princesa solteira para casar diminuiriam.

Em julho de 1839,  Vitória confessou ao rei Leopoldo que se sentiria "bastante repugnada" se tivesse de abdicar da sua situação de mulher solteira e acreditava que não havia grande pressão por parte do povo para que ela se casasse. Será que Alberto se tinha apercebido de que não havia qualquer tipo de compromisso entre eles? Apesar das boas opiniões que ela tinha dele, "posso gostar dele como amigo e como primo e como irmão, mas não mais do que isso; e se fosse esse o caso (o que não é provável), quero muito que não me acusem de estar a quebrar uma promessa quando não fiz nenhuma".

Rainha Vitória em jovem

Foi com alguma trepidação que a rainha e o príncipe aguardaram pelo encontro crucial de 10 de outubro de 1839, À medida que a data se aproximava, Vitória ficava cada vez mais nervosa. Quanto a Alberto, este tinha sido avisado da teimosia de Vitória e não gostava de estar na situação de futuro marido à espera de aprovação. Porém, quando se encontraram, Vitória ficou imediatamente abismada com a mudança de Alberto desde o seu último encontro. Ele tinha crescido bastante e estava mais imponente. Apesar de não estar completamente recuperado de uma viagem difícil, radiava com confiança e charme.

"Foi com alguma emoção que observei o Alberto - que está lindo" - escreveu a rainha no seu diário nessa noite. Não falou de Ernesto que o acompanhava. Apesar de o ter mencionado mais tarde quando escreveu "os meus queridos primos", era evidente que só tinha olhos para Alberto. Quando Melbourne elogiou a inteligência de Ernesto, Vitória respondeu que Alberto era muito mais inteligente. Os dois cavalgavam durante o dia e dançavam nos bailes da corte à noite. A 15 de outubro, ela disse timidamente a Alberto que ficaria "demasiado feliz" se ele aceitasse casar com ela. Depois abraçaram-se com afeto. Depois da tensão da semana anterior foi um alívio para ambos quando decidiram o desfecho que as suas famílias desejavam com fervor. Alberto e Ernesto ficaram na Inglaterra durante mais quatro felizes semanas e foram embora no dia 14 de novembro.

Durante os três meses que antecederam o seu casamento, houve bastantes problemas. O rei Leopoldo queria que Alberto recebesse um título inglês, uma vez que pensava que era pouco apropriado que o marido da rainha tivesse um título estrangeiro. Já a rainha, queria que Alberto fosse rei consorte. Graças ao conselho prudente de Melbourne de que não deveriam fazer nada precipitadamente, o assunto foi adiado. A declaração de casamento da rainha, feita a 23 de novembro ao Conselho Privado, quase causou um tumulto. Não se falou da religião do príncipe Alberto e espalhou-se o rumor de que ele era católico. A irritação da rainha com estes dois desentendimentos fastidiosos não se comparou à sua fúria quando o rendimento anual de 50 000 libras normalmente atribuído ao consorte do monarca e proposto pela administração de Melbourne, foi reduzido para 30 000 libras pelo parlamento. Ela sentia que a oposição Tory estava a fazer de Alberto um bode expiatório devido à sua nacionalidade. Se se tivesse casado com o seu primo "odioso", o príncipe Jorge de Cambridge, disse ela friamente, ele talvez tivesse recebido a totalidade do rendimento sem qualquer problema.

Alberto aceitou a sua humilhação com graça. Porém, achou pouco sensato que a sua futura mulher se intrometesse nos seus desejos. Sempre consciente das instruções de Stockmar que diziam que a família real britânica não se devia envolver na política, e ciente dos danos da crise do quarto e do escândalo de Lady Flora Hastings, Alberto queria que o seu pessoal fosse composto por membros de ambos os partidos em igual número e, de forma a atenuar a sua solidão num país novo, pediu que fossem colocados alemães sem afiliações políticas em postos-chave. Instruída por Melbourne e relembrada da "desconfiança para com estrangeiros", a rainha não aceitou esse pedido. Vitória também estava determinada a passar uma lua de mel curta em Windsor e disse a Albert sem rodeios que era a rainha e "podes esquecer o assunto".

Alberto chegou ao Palácio de Buckingham, vindo de Coburgo, a 8 de fevereiro de 1840 e o casamento aconteceu dois dias depois na Capela Real do Palácio de St. James. Durante a cerimónia, os convidados notaram que os olhos da rainha Vitória estavam "bastante inchados devido às lágrimas, mas o seu rosto mostrava felicidade", enquanto que Sua Alteza Real, o Príncipe Alberto parecia estar bastante constrangido, envergonhado e "agitado quando respondia às perguntas".

Vitória e Alberto no dia do casamento
                                                 
Depois da cerimónia e já em Windsor, a rainha reagiu ao seu entusiasmo nervoso e à azafama dos dias anteriores com uma enorme dor de cabeça que a levou a deitar-se no sofá e a impediu de jantar; "mas doente ou não, eu NUNCA NUNCA passei uma noite tão boa!!! O meu QUERIDÍSSIMO QUERIDÍSSIMO QUERIDO Alberto sentou-se num banco para os pés ao meu lado e o seu amor  e afeto excecionais fizeram-me sentir amor e felicidade divinais que jamais pensei que iria sentir!"

Cedo na manhã seguinte, Vitória e Alberto foram dar um passeio no parque e a rainha estava quase sem fôlego enquanto tentava manter o ritmo das passadas longas e energéticas do marido . Ao observá-los, a duquesa de Bedford achou que a rainha estava "bastante apaixonada por ele, mas parece que ele não partilha nem um pouco esses sentimentos". O diarista cínico Charles Greville achou "estranho que uma noite de núpcias seja tão curta" e essa "não é a melhor forma de nos darem um príncipe de Gales".

Rainha Vitória com o seu vestido de noiva

A rainha estava com ideias de esperar bastante tempo por isso, Ela odiava e receava a ideia da gravidez e queria pelo menos um ano de "aproveitamento feliz" com Alberto. Porém, o destino tinha outras ideias. Poucas semanas depois do casamento, Vitória estava enceine. A tragédia da princesa Carlota ainda estava fresca na mente das pessoas e uma visita da rainha Vitória a Claremont pouco tempo depois de ter anunciado a gravidez deu aso a rumores macabros. Rumores esses que diziam que a rainha acreditava que também ia sucumbir ao parto. Dizia-se também que ela estava a mobilar o quarto de Carlota de forma a que estivesse como naquela ocasião melancólica de 1817. Vitória estava consciente do que tinha acontecido à sua prima, mas os seus médicos e Melbourne garantiram-lhe que a princesa falecida tinha sido aconselhada a ter uma dieta demasiado "pobre", feito pouco exercício e submetida a sangramentos desnecessários. A rainha foi informada de que os hanoverianos precisavam de bastante comida e vinho. O seu apetite voraz preservaria com certeza a sua saúde e Alberto ficou ansioso com a vontade exuberante para o exercício e para passeios.

Príncipe Alberto

Tal como os acontecimentos do verão de 1839 tinham tornado a coroa bastante impopular, um episódio em junho de 1840 levou o povo a mudar a opinião da rainha. Ela e Alberto estavam a deixar o Palácio de Buckingham para um passeio de carruagem em Constitution Hill quando se ouviram dois disparos que por pouco não lhes acertaram. O autor dos disparos era um rapaz de dezoito anos com problemas mentais chamado Edward Oxford. O jovem foi detido e internado num asilo. A nação, quase pronta a acreditar que o rei Ernesto Augusto de Hanôver era o eminence grise por detrás desta tentativa de assassinato ignóbil à sua rainha grávida, ficou profundamente grata por ela ter escapado. Porém, naquele dia a rainha aprendeu a lição sombria de que havia perigos maiores do que o parto que podiam levar-lhe a vida. Em julho o parlamento passou uma lei que ditava que Alberto seria regente no caso de a rainha morrer prematuramente.

Tentativa de assassinato da rainha Vitória

Esperava-se que o repouso da rainha viesse em dezembro. Ela estava furiosa com as precauções intermináveis que tinha de ter, ressentia o facto de a sua barriga cada vez maior ser o centro das atenções entre os seus visitantes e queixava-se frequentemente de o seu estado não lhe permitir dançar e cavalgar. Mesmo assim, a atenção que Alberto dava a todas as suas necessidades não merecia censura. Ele estava sempre pronto a levantá-la do sofá e levá-la até à cama, puxar a sua cadeira de rodas de uma divisão para a outra ou escrever as suas cartas e ler-lhe um livro numa sala mais escura quando ela achava que a luz a estava a incomodar.

A 21 de novembro, três semanas antes do previsto, a rainha entrou em trabalho de parto. Alberto, o duque de Kent e os assistentes médicos da rainha estavam todos na mesma sala, enquanto que os conselheiros, incluindo Melbourne, Palmerson e Lord John Rustell estavam numa sala adjacente. A rainha descreveu o parto numa carta a Feodora cerca de três semanas mais tarde: "as últimas dores, que dizem normalmente ser as piores, não me custaram nada, começaram às 12:30 e duraram até ás 13:50 quando a menina apareceu... Não tive dores nem febre".

"Oh, senhora. É uma princesa", anunciou o médico gravemente.
"Não faz mal", respondeu a rainha, "para a próxima é um príncipe". 

Rainha Vitória e príncipe Alberto com 5 dos seus filhos

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Off-topic - Excerto de "Queen Victoria's Children" de John Van Der Kiste (Biografia da Rainha Vitória - Parte Um)

"Os avós da rainha Vitória, o rei Jorge III e a rainha Carlota, tiveram quinze filhos. Destes, doze chegaram à maioridade. As cinco filhas ficaram solteiras ou não tiveram filhos. Dos seus sete irmãos, apenas três tiveram casamentos válidos aos olhos das leis de sucessão, aprovadas pelo rei em 1772, uma salvaguarda contra alianças inadequadas. Entre estes, apenas podiam contar uma neta legítima ou reconhecida oficialmente - a princesa Carlota de Gales, resultado do casamento tumultuoso do príncipe regente (o futuro Jorge IV) com Carolina de Brunsvique.

Jorge III e Carolina de Brunsvique com os 6 filhos mais velhos
Em maio de 1816, Carlota casou-se com o belo e sério Leopoldo de Saxe-Coburgo- Gota Saalfeld. A união foi popular, uma vez que o príncipe Leopoldo representava uma mudança agradável em relação aos tios envelhecidos e devassos da sua esposa. Porém, a sua felicidade estava destinada a ser tragicamente breve. Dezoito meses após o casamento, ela deu à luz um rapaz natimorto e morreu no parto.


Carlota de Gales com o seu marido, Leopoldo
Foram raras as ocasiões que o país se juntou de forma tão unânime na dor por uma morte na realeza. A grande família do rei Jorge III não passava agora de uma sombra cega e demente e parecia que caminhava para a sua extinção. O príncipe regente e a sua esposa não poderiam ter mais filhos e os duques de Iorque (Frederico) e de Cumberland (Ernesto Augusto) tinham casamentos válidos, mas sem filhos. Tentados pela perspetiva de rendimentos parlamentares generosos em troca do cumprimentos dos seus deveres dinásticos, os outros três duques estavam preparados para deixar as suas amantes e procurar esposas adequadas.

Em julho de 1818, Eduardo, o duque de Kent, casou-se com a irmã mais velha de Leopoldo, Vitória, a princesa viúva de Leiningen. Os duques de Clarence (Guilherme) e de Cambridge (Adolfo) também se casaram com princesas alemãs nesse ano e, em 1819, nasceram quatro bebés no seio da família real. Todas as três duquesas e a duquesa de Cumberland deram filhos aos seus maridos nessa primavera. Em março, nasceu a princesa Carlota de Clarence, mas viveu apenas algumas horas. Ao contrário desta, o príncipe Jorge de Cambridge era um bebé saudável que viveu até à idade madura de oitenta e quatro anos. A estes nascimentos, seguiram-se mais dois em maio, O segundo destes nascimentos foi o do príncipe Jorge de Cumberland, uma criança delicada que mais tarde sobreu de cegueira e foi o último rei de Hanôver.

Eduardo, Duque de Kent, o pai da rainha Vitóri
Vitória de Kent, a mãe da rainha Vitória

Três dias antes, a 24 de maio, tinha nascido a princesa Alexandra Vitória de Kent no Palácio de Kensington.

À semelhança da sua prima Carlota, Vitória seria filha única. Os duques de Kent, completamente falidos, passaram o inverno desse ano na vila costeira de Sidmouth em Devon, onde o custo de vida era consideravelmente mais baixo do que em Londres. Com alguma ironia, o duque era cuidadoso em relação à saúde da sua família, mas bastante descuidado com a sua. Uma constipação evoluiu para uma pneumonia pouco depois de ter chegado a Devon. O príncipe, que se vangloriava frequentemente dizendo que viveria mais tempo do que todos os seus irmãos, morreu a 23 de janeiro de 1820 com cinquenta e dois anos. Seis dias depois, o rei Jorge III seguiu-o para a sua morte.

A rainha Vitória em criança
O príncipe regente subiu ao trono como rei Jorge IV. O seu herdeiro era Frederico, o duque de Iorque cuja esposa morreu nesse ano. O segundo na linha de sucessão era Guilherme, o duque de Clarence. Todos pensavam que era apenas uma questão de tempo até que Adelaide, a sua esposa lhe desse um herdeiro, uma vez que ele já era pai de dez filhos saudáveis com a sua amante, a atriz Dorothy Jordan que na altura tinha já falecido. Infelizmente, para os duques de Clarence, nenhum dos seus filhos sobreviveu para além da infância. Assim, em 1825, o Parlamento reconheceu que a princesa Vitória seria certamente a sucessora do duque de Clarence no trono e concedeu um rendimento de 6000 libras anuais à duquesa de Kent para as despesas da filha.

Em 1827, Vitória aproximou-se do trono com a morte do duque de Iorque. Três anos depois, o rei Jorge IV morreu e o duque de Clarence sucedeu-o no trono como rei Guilherme IV.

Guilherme IV, tio de Vitória

A infância de Vitória foi solitária, com poucos companheiros que se aproximassem da sua idade. A sua meia-irmã, a princesa Feodora, doze anos mais velha do que ela, casou-se com o príncipe Ernesto de Holenlohe-Langenburg em 1828 e foi viver para a Alemanha. Depois disso, a única companheira permanente de brincadeira de Vitória era Victoire Conroy, a filha do controlador da duquesa de Kent. Porém, esta amizade foi corrompida pelo comportamento sem escrúpulos de Sir John Conroy. Muitos acreditavam - e a própria princesa Vitória talvez o suspeitasse- que sua lealdade à duquesa era excessivamente familiar. Era pouco provável que os dois fossem amantes, mas o ambicioso Sir John insinuava-se certamente de outras formas. Quando tinha dezasseis anos, Vitória ficou gravemente doente com febre tifóide. Quando ainda convalescia, ele tentou obrigá-la a assinar um documento que o tornaria seu secretário quando ela se tornasse rainha. Horrorizada com esta atitude dele e da sua mãe que se aproveitavam da sua doença para fazer exigências tão autoritárias, ela recusou-se a assinar sem qualquer dúvida. Este episódio causou danos incalculáveis na relação de Vitória com a sua mãe.

Sir John Conroy
A única amiga verdadeira de Vitória enquanto crescia foi Louise Lehzen que se tinha mudado para a Inglaterra para ser governanta de Feodora. Em 1824 foi também nomeada governanta de Vitória e, seis anos mais tarde, tornou-se dama de companhia da Duquesa de Kent. A princesa confiava em Louise e considerava-a uma confidente de confiança, principalmente quando as tentativas de coerção por parte de John Conroy lhe fizeram a vida ainda mais negra. No seu diário de infância - que foi muito provavelmente escrito tendo em consideração que a sua mãe o inspecionava regularmente e, assim, escrito com cuidado - havia mais referências à "querida Lehzen" do que à "querida Mamã".

Louise Lehzen
A única influência masculina permanente na vida de Vitória era a do seu tio Leopoldo. Apesar de se ter casado uma segunda vez (com Luísa, a filha do rei Luís Filipe de França) e de ter sido eleito rei dos belgas em 1831, ele manteve correspondência regular com a sua irmã duas vezes viúva e com a sua jovem sobrinha. Todos os anos escrevia-lhe uma longa carta no seu aniversário, cheia de afeto e de bons conselhos avunculares, ainda que os exprimisse de forma algo afetada. Quando ele visitou a Inglaterra com a rainha Luísa em setembro de 1835, a princesa ficou completamente encantada: "Que felicidade é atirar-me para os braços do meu tio mais querido que sempre foi como um pai para mim e que adoro com tanto carinho".

Leopoldo I da Bélgica, o tio adorado de Vitória
O facto de Vitória não ter conseguido criar uma relação próxima do excêntrico, mas bondoso rei Guilherme e com a rainha Adelaide não era culpa de nenhum deles. A duquesa de Kent e John Conroy evitavam de forma ostentosa a corte o mais que podiam, ao que parece porque não queriam que Vitória se aproximasse de um monarca que tinha tantos filhos ilegítimos. Durante o reinado de Guilherme, John Conroy organizou uma série de viagens não oficiais que tinham como propósito apresentar a princesa aos seus futuros súbditos. Conroy não pediu autorização ao rei Guilherme para fazer isto, o que enfureceu o rei uma vez que parecia que estava a montar uma corte rival. Apesar utilidade que estas viagens tiveram para Vitória, uma vez que a fizeram conhecer o seu país em primeira mão, ela ficou furiosa ao saber o mau estar que tinham causado.

A contenda atingiu o seu auge no verão de 1836. O rei convidou a sua cunhada e a princesa para o aniversário da rainha em Windsor que seria celebrado no dia 13 de agosto e pediu que ficassem como convidadas até ao dia 21 de agosto, o aniversário do rei e para um jantar no dia seguinte. A duquesa ignorou o aniversário da rainha Adelaide e mandou avisar que só chegaria no dia 20 de agosto. O rei ficou furioso com esta descortesia para com a sua esposa e, após um brinde feito à sua saúde durante o seu jantar de aniversário, levantou-se e fez um discurso ressentido onde anunciou que desejava viver mais nove meses para que não houvesse uma regência. Assim, teria a satisfação de "deixar a autoridade real nas mãos daquela jovem (apontando para a sua sobrinha)... e não nas mãos de uma pessoa próxima que está rodeada de conselheiros maldosos e que é ela própria incompetente para agir corretamente no lugar onde seria colocada. Depois de declarar veementemente que a mesma pessoa o tinha insultado de forma contínua e que estava determinado a fazer com que a sua autoridade fosse respeitada no futuro, acabou o discurso num tom mais amigável, porém os estragos estavam feitos. A rainha Adelaide ficou envergonhada, a princesa Vitória alagou-se em lágrimas e a duquesa permaneceu calada e sem expressão. Quando o jantar terminou, a duquesa foi buscar a sua filha e anunciou que as duas iam embora imediatamente.

Vitória aos 17 anos em 1836
Apesar da sua saúde frágil, o desejo do rei foi concedido. Vitória atingiu a maioridade a 24 de maio de 1837 e, assim, pôs-se de parte a hipótese de uma regência. O rei Guilherme ofereceu-lhe um rendimento anual de 10 000 libras e uma residência independente da sua mãe. A duquesa e John Conroy tentaram mais uma vez em desespero criar um período de regência até Vitória fazer 21 anos, alegando que ela era demasiado nova, inexperiente e desequilibrada para reinar. As tentativas para fazer a princesa concordar "voluntariamente" fizeram com que ela deixasse de falar com a sua mãe durante algum tempo. John Conroy e Vitória tentaram, de forma absurda, conseguir o apoio de Leopoldo para os seus planos. Ciente de que estava a ser preparada uma conspiração, ele enviou o seu conselheiro de confiança, o barão Stockmar a Londres. O barão falou com ambas as partes e viu que a princesa estava a ser intimidada. As discussões e conspirações continuaram durante quase um mês e Conroy ainda tentou persuadir alguns membros mais antigos do Parlamento a juntar-se à sua causa. Quase sem exceção, eles aliaram-se a Stockmat e à futura rainha.

A 20 de junho, pouco depois das duas da manhã, o rei Guilherme IV faleceu no Castelo de Windsor. O arcebispo da Cantuária e o lord chamberlein, Lord Conyngham, foram até ao Palácio de Kensignton e exigiram ver "a Rainha". Vitória acordou de sobressalto e vestiu rapidamente uma camisa para receber a notícia.

Vitória recebe a notícia da morte do tio e da sua ascensão ao trono

O livro Queen Victoria's Children de John Van Der Kiste está disponível aqui.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Four Sisters - The Lost Lives of the Grand Duchesses de Helen Rappaport


No dia 27 de Março foi publicado no Reino Unido um novo livro sobre as quatro filhas do czar Nicolau II da Rússia. "Four Sisters" foi escrito por Helen Rappaport, que tinha já escrito sobre este tema no seu livro "Ekaterinburg: The Last Days of the Romanovs".

O livro tem sido bem recebido por críticos e seguidores da família imperial e é o mais vendido na categoria de política russa no site Amazon.co.uk.

Actualmente pode ser adquirido a partir de £9.33 + portes de envio através do seguinte link:http://www.amazon.co.uk/gp/product/0230768172/ref=ox_sc_act_title_1?ie=UTF8&psc=1&smid=A3P5ROKL5A1OLE.

domingo, 16 de março de 2014


"O destino da antiga família imperial foi discutido por volta da mesma altura em que Kerensky os visitou. Um dos primeiros pedidos para a libertação dos Romanov que chegou do estrangeiro foi realizado pelo kaiser Guilherme e da sua esposa, a imperatriz Augusta Vitória. Apesar de a Rússia e a Alemanha serem inimigos, Guilherme ofereceu ao seu primo e à sua família exílio em Berlim. Anos mais tarde, Guilherme disse: ´Ordenei que o meu chanceler tentasse entrar em contacto com o governo de Kerensky através de canais neutros, para o informar de que, se alguém tocasse num cabelo que fosse da família imperial, iria responsabilizá-lo se tivesse essa possibilidade.´

Mas Alexandra nunca conseguiu perdoar os defeitos de Guilherme e nunca conseguiu colocar de lado o ódio que sentia por tudo o que era alemão. Ficou indignada com a proposta, afirmando: ´Depois de tudo o que eles fizeram ao czar, prefiro morrer na Rússia do que ser salva pelos alemães.´ Quando o plano falhou, Guilherme admitiu: ´O sangue do infeliz czar não é da minha responsabilidade. Não está nas minhas mãos.´"

"Imperial Requiem - Four Royal Women, The Fall of the Age of Empires" de Justin C. Vovk