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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Helena Pavlovna: Um Sacrifício Inútil? - Primeira Parte

Helena Pavlovna, nascida princesa Carlota de Wuttemberg
Um dia, nos primeiros anos do século XIX, estava uma jovem sentada à janela no Palácio de Inverno. Entre lágrimas, olhava as águas cinzentas e agitadas do rio Neva e o que mais queria era não sentir nada. A grã-duquesa Helena Pavlovna tinha dezassete anos, estava presa num casamento com um homem que não mostrava qualquer sinal de afecto ou até interesse nela, e os anos pareciam infinitos, sem esperança e vazios. O czar entrou na divisão onde ela estava, mas a grã-duquesa desviou o olhar. Alexandre I não precisou de perguntar o que se passava; sentou-se ao lado de Helena e começou a contar-lhe um pouco da história da sua vida, dos seus próprios problemas, esperanças e medos. "Não somos donos de nós mesmos", disse ele, "não passamos de ferramentas nas mãos de Deus, destinados a cumprir a vontade Dele; somos o meio que Ele escolheu. A nossa felicidade resume-se a seguir o Seu chamamento, só assim podemos praticar o bem". Foi um conselho pouco reconfortante, mas Helena ficou comovida com a bondade dele e iria recordar este episódio como o ponto de viragem na sua vida. Na verdade, as coisas iriam piorar muito mais antes de ela conseguir sentir alguma melhora.

Helena Pavlovna
Para casar com um membro da família Romanov, Helena tinha deixado tudo para trás, incluindo o seu nome. Dois anos antes desta conversa com o czar, era simplesmente a princesa Carlota de Wuttemberg, e vivia com o pai e a irmã em Paris. As duas princesas viviam de forma muito modesta, sendo responsáveis por costurar as suas próprias roupas, e estudavam num instituto. Foi lá que conheceram Miss Walter, uma parente do conhecido paleontologista e anatomista Georges Cuvier. Carlota e a irmã passaram muitos serões em casa de Cuvier, na companhia do seu pai, o príncipe Paulo, e estudaram sob a orientação deste grande homem, ao mesmo tempo que ouviam as conversas intelectuais que se trocavam à mesa dele. Foi para conseguir este tipo de vida intelectual que Paulo tinha deixado a sua cidade natal de Estugarda em 1815, tendo-se mudado para Paris com as suas filhas mais novas porque achava que a vida na capital francesa era mais apelativa.

Paulo de Wuttemberg, pai de Helena
Em casa, em Wuttemberg, tinha deixado a sua esposa e dois filhos, além de um legado amargo. A família Wuttemberg não apoiava a sua decisão de se mudar para Paris. Deram-lhe ordens para regressar a casa para que as suas filhas pudessem ser educadas de forma mais adequada às suas posições, mas o príncipe desafiou-os. Os Romanov estavam convencidos de que a infância e adolescência de Helena tinham sido infelizes. Os únicos pormenores sobre estes anos da sua vida vêm das histórias que ela contou mais tarde às suas criadas, mas, aí, não há sinais de infelicidade. É possível que só se lembrasse daquilo que queria. Helena contou-lhes histórias da sua vida em Paris e sobre os seus estudos com Cuvier, falou-lhes também do seu pai, que recordava com carinho, mas nunca mencionou a sua mãe nem Estugarda. A princesa Isabel Kurakin, cuja mãe era uma das damas-de-companhia da grã-duquesa, achava até que Helena tinha perdido a mãe muito nova quando, na verdade, a sua mãe só morreu quando ela tinha mais de quarenta anos. É provável que o grande casamento de Helena com um grão-duque russo tenha sido a forma que a família real de Wuttemberg encontrou para recuperar a sua autoridade.

Carlota de Saxe-Hildburghausen, mãe de Helena Pavlovna
Helena conheceu o marido no verão de 1822, mas o noivado já tinha sido arranjado vários meses antes do encontro. O noivo era o grão-duque Miguel Pavlovich, o irmão mais novo do czar Alexandre I, e o seu único interesse era o exército. Os homens comuns no exército viam-no como um disciplinário exigente, até brutal, mas as pessoas que o conheciam verdadeiramente gostavam dele pela sua boa-disposição e generosidade e toda a família o adorava. Pouco antes deste encontro, Miguel nunca tinha mostrado grande interesse em casar-se, e a única preocupação da sua mãe tinha sido a falta de princesas adequadas para o filho. Aparentemente, nunca se lembrou de Carlota, o que era estranho, uma vez que ela era também uma princesa de Wuttemberg e o príncipe Paulo era seu sobrinho e, além de ter nascido em São Petersburgo, tinha recebido o nome em homenagem ao seu marido, o czar Paulo I.

O grão-duque Miguel Pavlovich
No entanto, depois de o noivado ser confirmado, começaram a chegar relatos encorajadores sobre a noiva a São Petersburgo. Diziam que Carlota era excepcional, muito madura para os seus quinze anos de idade, e, embora não fosse propriamente bonita, tinha um rosto doce e expressivo. A princesa viajou para norte em Agosto de 1823 e Miguel foi ter com ela à fronteira de cavalo. Ficou impressionado com a postura e aparente confiança dela e impressionado quando a ouviu cumprimentar os oficiais em russo. Na festa de recepção que foi dada em sua honra, Carlota encantou os duzentos convidados quando falou com cada um deles pessoalmente. Disse ao historiador Nikolai Karamzin que tinha lido o seu volume mais recente em russo e, quando foi apresentada aos generais, o seu tema de conversa mudou para batalhas e estratégia. Os ensinamentos de Cuvier tinham-lhe dado um nível de cultura e inteligência que ninguém estava à espera de encontrar numa jovem de dezasseis anos. Uma princesa a entrar na casa do seu novo marido devia ser doce, infantil e inocente, branda o suficiente para se poder adaptar aos hábitos da família e do país. Esta princesa já tinha uma personalidade própria muito forte.

Retratos do grão-duque Miguel Pavlovich, da sua mãe, a czarina Maria Feodorovna e da sua esposa, a grã-duquesa Helena Pavlovna
À medida que as semanas foram passando, foram aumentando os elogios às qualidades invulgares de Carlota. Sabia conduzir bem as cerimónias da corte, dançava de forma muito bonita, o seu feitio era adequadamente reservado. Era tudo uma fachada: em privado, os seus períodos estavam atrasados e sofria fortes dores de estômago; quando participou pela primeira vez numa missa ortodoxa, ficou pálida, a suar e quase desmaiou, mas esforçou-se por aguentar até ao fim. Os sinais de perigo já existiam: Maria Feodorovna reparou que o filho não dava atenção nem era carinhoso com a esposa, mas tentou ignorar o problema o mais possível, por acreditar que ninguém poderia ser infeliz com o seu Miguel. Houve apenas uma pessoa na família que viu a situação com clareza. O grão-duque Constantino Pavlovich conhecia bem o irmão e o resumo que deu da situação era assustador: "O casamento", escreveu ele, "é um acessório que ele podia ter dispensado sem grande problema".

Constantino Pavlovich
Antes de Carlota viajar até São Petersburgo, Constantino tinha tentado convencer Miguel a romper o noivado. Também tinha falado com a mãe e com uma das irmãs, mas ninguém lhe quis dar ouvidos. O assunto começou a avançar demasiado. Carlota converteu-se à Igreja Ortodoxa a 17 de Dezembro de 1823 e adoptou o nome de Helena Pavlovna: o seu nome de baptismo nunca mais voltaria a ser utilizado. O seu noivado foi celebrado oficialmente no dia seguinte e a princesa usou um vestido de veludo azul com uma cauda comprida, bordada com rosas e folhas prateadas, e um diadema de esmeraldas. Estava magnifica. A 20 de Fevereiro de 1824, Helena e Miguel casaram-se numa capela temporária que tinha sido erguida na sala de recepção do czar. Alexandre estava com dores na perna, mas a família nunca considerou sequer a hipótese de realizar o casamento sem ele.

Helena Pavlovna
Quinze dias depois, já havia problemas no casamento. Miguel dizia estar feliz, mas não fazia ideia do que era preciso fazer para manter um casamento. "Apesar do facto de até poder amar a esposa", escreveu Constantino à sua irmã Ana, "continua a tratá-la com frieza e indiferença. Não consigo perceber se o faz por ser uma situação nova, por timidez ou por qualquer outro motivo". Constantino gostava de Helena. Via que, atrás das suas conversas inteligentes e divertidas, ela era uma pessoa muito sensível, e tentou mudar a atitude do irmão, mas sem sucesso. Em Abril, o grão-duque Nicolau (futuro czar Nicolau I) escreveu que Miguel se estava "a esforçar muito para ter filhos, mas parece que não tem conseguido". Mais optimista do que o irmão mais velho, Nicolau nunca viu a tempestade que se escondia por baixo da superfície.

Miguel Pavlovich
Helena deu à luz a primeira filha, a grã-duquesa Maria Mikhailovna, em Março do ano seguinte. Poucos meses depois, já estava grávida novamente. A czarina-viúva, que ainda queria acreditar que tudo correria pelo melhor, elogiou a disciplina da sua nora: "ela organiza o tempo que tem muito bem. Passa as manhãs inteiras a estudar, apesar de ter náuseas e vómitos". As mortes de Alexandre I e da sua esposa nesse inverno fizeram com que Helena perdesse os seus amigos mais chegados na família imperial. Com a chegada da primavera, foi enviada para Moscovo, para dar à luz mais uma menina a quem chamou Isabel, em honra do czarina que tinha morrido alguns meses antes. Juntou-se uma multidão no Kremlin para celebrar a ocasião e todos cantaram um Te Deum, mas, afastada das comemorações, Helena sofreu de febre do leite e de dores pós-parto durante várias semanas. Na mesma altura, havia relatos de que, na mesma altura, Miguel estava muito bem disposto e cheio de trabalho.

Helena Pavlovna
No início do ano seguinte, Helena estava grávida novamente e, mais uma vez, a sofrer. A sua primeira filha começava a mostrar os primeiros sintomas de tuberculose e os médicos davam-lhe poucas hipóteses de sobreviver. A sua terceira filha, Catarina, nasceu em São Petersburgo no verão de 1827, e, desta vez, Helena não conseguiu recuperar dos efeitos do parto. Física e psicologicamente, já não tinha mais forças. O seu comportamento começou a ser cada vez mais criticado e, finalmente, a grã-duquesa atingiu o seu limite. Decidiu que o seu casamento já não tinha salvação, mas, quando pediu ajuda à sua família paterna, eles fecharam-lhe as portas. A mãe, o tio (o rei de Wuttemberg), a avó, até o pai em Paris, recusaram-se a ajudá-la. O casamento, apesar de horrível, continuava a ser um casamento. A família imperial permitiu apenas uma separação temporária. Enquanto Miguel partiu com o exército para lutar numa das guerras intermináveis da Rússia contra a Turquia, Helena viajou para sul, para um spa em Ems, deixando as suas filhas com a czarina-viúva.

Isabel, Maria e Catarina Mikhailovna, filhas de Miguel Pavlovich e Helena Pavlovna
A caminho do spa, Helena fez uma paragem no palácio de Constantino Pavlovich em Varsóvia e o grão-duque ficou chocado com o estado dela e zangado por ninguém ter prestado atenção aos seus avisos. Escreveu numa carta à irmã que "temos de concordar que esta jovem e encantadora mulher foi sacrificada de forma gratuita e inútil. A sua posição é assustadora (...) e o pior de tudo é que ninguém se quer colocar no lugar dela para a poderem compreender. A minha esposa e eu fizemos os possíveis para a tentar animar, que estava muito baixa". A grã-duquesa Ana Pavlovna concordou: "Também sinto que ela é uma pessoa nobre - completamente sacrificada - que, na minha opinião, só padece destes pequenos defeitos de que é acusada porque foi provocada ou está magoada por causa desta sucessão de dificuldades sem fim que não consegue aceitar porque é demasiado alegre e demasiado nova para isso." Ambos os irmãos esperavam que, agora que Helena tinha deixado a sua posição mais clara, que Miguel a respeitasse mais e que começasse a dar valor à sua vida como casal. Esta parecia ser a sua única oportunidade.

Ana Pavlovna da Rússia, rainha dos Países Baixos
Helena ficou afastada da Rússia durante pelo menos um ano. A czarina-viúva morreu e, no seu testamento, deixou uma ajuda para que a sua nora pudesse adaptar-se melhor à vida na corte russa, tendo-lhe deixado a administração de duas instituições caritativas. Havia alguma preocupação com a forma como Miguel Pavlovich iria gerir as suas finanças, por isso a sua mãe decidiu proteger o dinheiro, colocando uma boa parte dele num banco, ao qual Miguel não tinha acesso. O casal tinha trocado cartas durante o seu período de separação, e tinham conseguido chegar a uma espécie de acordo de paz: Helena regressou à Rússia e, no início de 1830, sofreu um aborto. Teve mais duas filhas, Alexandra e Ana, mas ambas morreram muito novas. Na primavera de 1835, Miguel e Helena levaram as filhas para um spa na Boémia, mas o casal não estavam habituados a estar juntos. Depois disso, Miguel começou a passar cada vez mais tempo em viagens pela Europa, enquanto que Helena começou a construir a sua própria vida em São Petersburgo, uma vida na qual não havia espaço para Miguel.

Miguel Pavlovich

Texto retirado do livro "Romanov Autumn" de Charlotte Zeepvat

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

O outro Nicolau e a outra Alexandra - Nicolau I e Alexandra Feodorovna (Carlota da Prússia) - Primeira Parte


"Quando olhamos para trás, é assustador ver como o tempo passa depressa...". A Rússia estava no auge do seu poder quando Nicolau I escreveu estas palavras à sua irmã, ao recordar o dia em que, mais de trinta anos antes, quando tinha partido para a guerra com o irmão, o czar Alexandre I. Na altura, tinha apenas dezassete anos de idade e não fazia ideia que um dia iria suceder ao trono. Era feliz e, embora não o soubesse, estava prestes a conhecer a jovem com quem se viria a casar. Em Berlim, foi a filha do rei da Prússia, Carlota, que recebeu os visitantes. Tinha quinze anos, era alta, bonita e um tanto inocente. Nicolau também era bonito. Tinham os dois terminado a sua educação há pouco tempo e apaixonaram-se loucamente um pelo outro, apesar de as suas famílias insistirem que tinham de esperar um ano antes de sequer ficarem noivos. A derrota de Napoleão e a reorganização da Europa era muito mais importante do que as esperanças de dois adolescentes românticos - apesar de as suas famílias verem que o casamento iria reforçar a aliança política entre os dois países. Passaram três anos até Carlota se converter à Igreja Ortodoxa com o nome de Alexandra Feodorovna, que passaria a utilizar para o resto da vida. No dia em que completou dezanove anos, casou-se com Nicolau na capela do Palácio de Inverno. Corria o ano de 1817, cem anos antes do colapso da dinastia.

Alexandra Feodorovna (Carlota da Prússia)
Nicolau nasceu para ser soldado, e era essa a única vida que queria. Demasiado novo para sentir as tensões que levaram ao assassinato do seu pai, o czar Paulo I, era o produto de uma infância segura numa família extremamente unida. Quando nasceu, no Palácio de Catarina, em Czarskoe Selo, no verão de 1796, os seus irmãos Alexandre e Constantino eram quase adultos. Era mais chegado à sua irmã Ana, que era apenas um ano mais velha do que ele, e ao seu irmão mais novo, Miguel; mais tarde, os três decidiram apelidar-se de a "Triopatia" e passaram a usar anéis especiais gravados com o lema "Firmeza e Esperança". Ofereceram um anel semelhante à sua mãe, a czarina Maria Feodorovna, tornando-a assim um membro do seu circulo.

Ana Pavlovna (futura rainha dos Países Baixos), Nicolau Pavlovich (futuro czar Nicolau I) e Miguel Pavlovich por F. Ferriere em 1806
Maria Feodorovna era mulher forte e foi a sua vontade de ferro que tornou a sua grande família tão unida, sobrepondo-se às suas diferenças de idade e educações distintas. A czarina tinha sido obrigada a entregar os seus filhos mais velhos à sua sogra, a imperatriz Catarina, a Grande, o que serviu para reforçar ainda mais a sua vontade de educar os restantes filhos à sua maneira. Nicolau aprendeu a falar quatro línguas, e estudou os clássicos, economia, direito e ciência política. Tocava flauta e as suas pinturas podiam facilmente ser confundidas com o trabalho de um artista profissional, mas, por muito que a sua mãe o tentasse convencer, nunca o conseguiu tornar tão encantador e educado como queria. Tanto Nicolau como Miguel gostavam mais de paradas militares do que de salões de festas: "os teus irmãos parecem inválidos", queixou-se Maria Feodorovna numa carta à sua filha Ana, "e nunca dançam um passo que seja, escondem-se nos cantos e parecem estar sempre aborrecidos".

A czarina Maria Feodorovna, nascida princesa Sofia Doroteia de Wuttenberg
Alexandra Feodorovna recordava-se da falta de jeito do marido com humor num livro de memórias que escreveu sobre os seus primeiros anos de casamento com Nicolau. Dizia que, em privado, ele era uma pessoa completamente diferente e "tanto ele como eu só estávamos realmente felizes e satisfeitos quando ficávamos sozinhos nos nossos aposentos, comigo sentada no colo dele enquanto ele me cobria de amor e afecto".  A czarina-viúva adorava vê-los juntos: "O Nicky é um marido muito afectuoso. É impossível ser mais cuidadoso, mais atencioso do que ele é com a esposa (...) a esposa dele é encantadora e vive só para ele, adivinhando todos os seus desejos, todos os seus pensamentos; a fazer tudo o que pode para o agradar". Poucas semanas depois do casamento, Alexandra já estava grávida. Desmaiou durante a missa e, depois de a levar para o quarto, Nicolau foi a correr até um jovem pajem e anunciou que ia ser pai. O bebé, um menino, nasceu no Kremlin, o coração histórico da Rússia, rodeado de bons presságios: "na Semana Santa, num lindo dia de primavera, enquanto os sinos ainda tocavam em celebração pela grande festa da Ressurreição. (...) O Nicky beijou-se e desfez-se em lágrimas, e ambos agradecemos a Deus juntos."

Alexandra Feodorovna com os seus dois filhos mais velhos: Maria e Alexandre
Na verdade, o cenário do nascimento do pequeno Alexandre Nikolevich não teve nada de acidental. Tinha sido planeado pela czarina-viúva para chamar a atenção para a importância nacional da jovem família. Todos sabiam que, um dia, o trono iria passar para Nicolau e o nascimento de um filho confirmou a sua importância. Ele e Alexandra eram os únicos que se recusavam a lidar com o inevitável. O casamento de Alexandre I era vazio e as suas duas filhas tinham morrido ainda bebés. Constantino era divorciado. Em 1820, casou-se morganaticamente e disse à mãe que não queria nada a impedir a sucessão de Nicolau ao trono. Ainda assim, Nicolau não queria discutir a sucessão. Alexandre tentou falar sobre o assunto uma noite, depois de um jantar de família, mas Nicolau e Alexandra ficaram tão perturbados que o czar desistiu da ideia. Quando Constantino renunciou formalmente aos seus direitos em 1822, Alexandre manteve o documento em segredo.

Alexandre I
A felicidade do casal era um problema. Tudo o que queriam era estar juntos e aproveitar a sua vida familiar com os filhos. O segundo bebé foi uma menina a quem chamaram Maria; Nicolau rapidamente ultrapassou a sua desilusão inicial e as suas cartas começaram a encher-se de descrições de quanto adorava os seus filhos. A sua mãe concordava. "Fui abraçar os meus queridos netos, que são encantadores," escreveu a czarina-viúva em 1820, sete meses após o nascimento de Maria. "A menina está a ficar muito mais bonita e vai ser tão bonita como a mãe (...) já gosta muito do pai que lhe dá muita atenção e que se diverte muito com ela. Adora-a verdadeiramente. Quanto ao menino, é um anjo e a melhor criança que se possa imaginar".

Maria Nikolaevna
Alguns meses depois de estas palavras serem escritas, Alexandra deu à luz uma bebé que nasceu morta. Foi a sua terceira gravidez em três anos de casamento e a perda da bebé deixou-a profundamente deprimida. Nicolau dedicou toda a sua atenção e carinho à esposa, tendo tratado dela com as suas próprias mãos, embora a sua mãe tenha reparado que ele "distrai-se e esquecesse de manter a abstinência que devia estar a cumprir". Os médicos aconselharam umas férias e Nicolau levou a esposa para a sua terra natal: Berlim. Os dois gostaram tanto das férias que acabaram por regressar à Alemanha no ano seguinte e em 1824, numa altura em que já tinham três filhos para deixar com a czarina-viúva, e memórias dolorosas da perda de mais um bebé. Será que sonhavam em deixar a Rússia para sempre? Alexandre I temia que isso pudesse vir a acontecer, por isso, na primavera de 1825, mandou chamar o irmão e a cunhada, dizendo que precisava da companhia deles. Ofereceu terrenos a Alexandra em Peterhof, a propriedade imperial da qual ela tinha gostado mais quando tinha chegado à Rússia. Algumas semanas depois de receber este presente, teve mais uma filha, a grã-duquesa Alexandra.

A grã-duquesa Alexandra Nikolaevna
Quando Alexandre I pediu ao seu irmão para regressar à Rússia em 1825, estava a perder rapidamente o interesse pela vida. O czar estava cansado, e, por conselho médico, viajou com a esposa, que estava doente, para sul nesse outono, tendo nomeado Nicolau para regente. Ninguém estava à espera de receber a notícia de que Alexandre tinha morrido na distante cidade de Taganrog; foi um choque para toda a família. Nicolau ordenou a guarda imperial a jurar lealdade a Constantino, recusando-se a aceitar a renuncia do irmão ao trono porque nunca ninguém o tinha informado da mesma, nem mostrado os documentos. Em Varsóvia, onde vivia, Constantino jurou lealdade a Nicolau e este impasse durou quase três semanas, durante as quais cada um dos irmãos declarava lealdade ao outro e o grão-duque Miguel tinha de viajar de um lado para o outro entre eles. A situação até poderia ter sido divertida, se não fosse tão perigosa. Quando Nicolau soube que havia uma conspiração no exército, aceitou o inevitável e assumiu o trono a 13 de Dezembro de 1825.

Nicolau I
O ar na cidade estava tenso. Havia grupos de soldados nas ruas a gritar por Constantino. Os seus líderes eram, na sua maioria, jovens de famílias nobres que tinham visto como os seus pares viviam noutros países da Europa e tinham regressado à Rússia convencidos de que era necessária uma reforma liberal. Alguns eram republicanos, mas outros não; não tinham uma liderança coerente e Constantino não tinha qualquer interesse neles, mas, durante algumas horas, o perigo foi intenso. No pátio coberto de neve do Palácio de Inverno, à luz das tochas, Nicolau entregou o seu filho Alexandre à protecção dos Guardas Finlandeses, que lhe eram leais. Quando nasceu o dia, os rebeldes juntaram-se na Praça do Senado. Regimentos inteiros recusaram-se a jurar lealdade ao novo czar: quando o governador de São Petersburgo tentou explicar que Constantino tinha renunciado ao trono, foi morto a tiro. Antes do meio-dia, Nicolau foi até à praça de cavalo e as tropas que lhe eram leais acompanharam-no. Falou aos rebeldes e ofereceu um armistício, mas não conseguiu quaisquer avanços e, à medida que anoitecia, os seus generais pediram-lhe que disparasse sobre a multidão. Nicolau cedeu e a Revolta Dezembrista foi esmagada à força.

A Revolta Dezembrista - soldados reunidos na Praça do Senado em São Petersburgo
Ninguém duvidava da coragem que Nicolau mostrou naquele dia, mas muitos questionaram a sua humanidade. Os soldados comuns que se juntaram à revolta foram perdoados, mas cinco dos seus líderes foram condenados à morte, e quase trezentos foram exilados para a Sibéria. O novo czar tomou medidas firmes para o império, impondo restrições severas ao movimento e pensamento individual. Precisava de assumir o controlo rapidamente e de voltar a restaurar a ordem, mas o fardo pessoal era demasiado. Nicolau era completamente dedicado ao dever, e a sua mãe via com preocupação a saúde do filho, que se foi deteriorando perante o peso das suas novas responsabilidades. "Diz que o reinado só lhe trouxe problemas," escreveu ela, "está sobrecarregado com assuntos do estado, com trabalho. Nunca vai para a cama antes das duas ou três da manhã. Nem sequer tem tempo para jantar descansado. (...) Está mais magro, mais pálido, de uma forma assustadora."

Constantino Pavlovich, irmão mais velho de Nicolau que renunciou ao trono
Texto retirado do livro "Romanov Autumn" de Charlotte Zeepvat

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Casamentos Morganáticos - Grão-duque Constantino Pavlovich e Joanna Grudzińska


Um casamento morganático acontece quando um nobre, príncipe ou rei contrai matrimónio com alguém abaixo da sua posição social, seja o conjugue plebeu ou da baixa nobreza. A família imperial russa teve, na sua história, vários exemplos deste tipo de união, mesmo quando ela era ainda vista quase como um crime. De facto, não foi até ao casamento de Pedro III com a futura czarina Catarina II que a noção de união dinástica foi introduzida na Rússia. Até então, o czar podia escolher livremente a sua esposa entre as famílias nobres do Império. A lei que proibiu definitivamente os casamentos entre a realeza e nobres menores surgiu apenas com as leis paulinas de 1796, mas, quando começou a ser aplicada, foi rigorosa.

Grão-duque Constantino Pavlovich

Constantino Pavlovich, segundo filho do czar Paulo I da Rússia, tinha apenas 17 anos quando a sua avó Catarina o forçou a casar com a Princesa Juliana de Saxe-Coburgo-Saalfeld, uma tia da Rainha Vitória. O casamento foi extremamente infeliz, principalmente para ela. A principal razão para a antipatia entre o casal, terá sido a personalidade violenta de Constantino que chocou a sua jovem esposa de apenas 14 anos. Três anos depois, em 1799, o casal separou-se e Juliana voltou para Coburgo. Ainda houve uma tentativa de reconciliação em 1801, mas também não resultou. O divórcio oficial chegou em 1820, mais de vinte anos depois da separação.

Juliana de Saxe-Coburgo-Saafeld (Ana Feodorovna), primeira esposa de Constantino

Entretanto, em 1815, Constantino foi nomeado pelo seu irmão mais velho para o cargo de vice-rei da Polónia, algo aceitou de bom grado por lhe dar a oportunidade de exercer o poder pelo qual esperava ansiosamente. Nesta altura toda a corte tinha a certeza que seria ele o próximo czar, visto que Alexandre I e a sua esposa Luísa não tinham filhos e estavam já a caminhar para a meia-idade. No entanto, isso nunca viria a acontecer. No mesmo ano em que chegou a Varsóvia, Constantino conheceu Joanna Grudzińska, uma nobre polaca filha de um dos últimos grandes senhorios do país.

Joanna

Ao contrário do seu casamento com Juliana, a relação com Joanna sempre foi relativamente calma, embora tivesse também os seus momentos conturbados devido à natureza excessivamente romântica dela, à qual Constantino não conseguia corresponder. Ao fim de quatro anos, o Grão-duque decidiu-se a pedir o divórcio oficial de Juliana e autorização para contrair um matrimónio legal com a sua amante polaca ao seu irmão Alexandre. O czar ficou dividido entre o seu dever em defender as regras da família e a empatia que sentia pelo irmão. No final os dois chegaram a um acordo secreto: Constantino abdicaria dos seus direitos ao trono e, assim, poderia casar-se com Joanna. O acordo foi feito de uma forma tão discreta que, anos mais tarde, quando Alexandre I morreu e Constantino ofereceu o trono directamente ao seu irmão Nicolau, nem este sabia que ele tinha abdicado do trono anos antes.

Joanna e Constantino casaram-se no dia 27 de Março de 1820, na Polónia. Durante vários anos, o casal desfrutou de uma harmonia quase perfeita. Numa carta à sua irmã gémea Maria, Joanna escreveu: “O dia de hoje foi igual ao de ontem e o de ontem igual ao anterior. Deus queira que nada se intrometa entre nós e a nossa doce monotonia.”

Constantino

Contudo, os seus desejos não foram cumpridos. Constantino tinha herdado o carácter violento do pai em tudo o que dissesse respeito à governação e o seu reinado na Polónia foi tão desastroso que resultou na Revolta de Novembro de 1830. O casal foi forçado a fugir do seu palácio em Varsóvia depois de uma multidão enraivecida o tentar invadir. Os meses seguintes foram extremamente conturbados. Os dois viveram durante alguns meses nas zonas russas que ainda não tinham sido afectadas pela revolução, mas eventualmente chegaram à conclusão de que a Polónia não resistiria por muito mais tempo.

Joanna

Em Junho de 1831, quando o casal tinha já planos para se mudar para São Petersburgo, Constantino adoeceu subitamente de cólera e acabou por morrer poucos meses depois. Joanna ficou destroçada. Teve ainda forças para entregar o corpo do marido na capital do Império, mas recusou todos os convites por parte do czar Nicolau I para passar a viver na cidade. Em Novembro do mesmo ano, quando se preparava para regressar à Polónia, numa altura em que a revolta começava a ser controlada, morreu daquilo a que muitos chamaram de desgosto.

Joanna nos seus últimos anos

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Czares da Rússia - Paulo I e família


Nome: Paulo Petrovich Romanov (Paulo I da Rússia)
Pais: Pedro III da Rússia e Catarina, a Grande (Sofia Frederica de Anhalt-Zerbst-Dornburg).
Nascimento: 1 de Outubro de 1754
Reinado: 6 de Novembro de 1796 - 23 de Março de 1801


Reformas:

O curto reinado de Paulo I resumiu-se a dois pontos: alteração da lei de sucessão e inversão das políticas instauradas pela sua mãe.

  1. Leis Paulinas: Temendo que no testamento da sua mãe, ela o tivesse excluído do trono para o entregar directamente ao sei filho Alexandre, Paulo modificou profundamente as leis de sucessão. As principais mudanças foram a exclusão de mulheres do trono excepto no caso de a linha masculina ser completamente extinta. Além disso era obrigatório que o sucessor fosse o filho primogénito, sendo impossível exclui-lo em favor do mais novo. Os casamentos também foram alterados. Os membros da família imperial passaram a ser obrigados a casar com outro membro de uma casa reinante ou a enfrentar o exílio e abdicação de títulos.
  2. Inversão de Políticas: Quando Paulo chegou ao trono, iniciou uma autentica inquisição contra tudo o que era francês, sendo esse um país e cultura que a sua mãe amava incondicionalmente. Pessoas foram exiladas apenas por usarem roupas de estilo parisiense ou ler livros franceses. Também mandou o exercito russo estacionado na Prússia segundo o desejo de Catarina, a Grande, regressar a casa e voltou a enterrar o seu pai, o czar Pedro III como se Catarina não tivesse sido uma governante legítima.

Família

Consortes:

Natália Alexeievna (Guilhermina Luísa de Hesse-Darmstadt)


Guilhermina visitou a Rússia pela primeira vez em 1773 a convite da imperatriz Catarina, a Grande que andava à procura de uma esposa para o seu filho. Guilhermina foi acompanhada das suas duas irmãs e da mãe, uma vez que a czarina não conhecia nenhuma e não sabia quem haveria de escolher.

Paulo reparou imediatamente em Guilhermina e os dois ficaram noivos, casando-se em Outubro do mesmo ano.

Ela era vivaz, alegre e desinibida, agitando a corte russa. Inicialmente, a imperatriz gostava dela, mas esse sentimento alterou-se rapidamente quando Guilhermina começou a ir contra todas as suas decisões. Paulo gostava muito dela, mas ela não era perdida de amores pelo marido. Poucos meses depois iniciou um romance com o melhor amigo dele, o general Andrey Razumovsky.

Guilhermina acabaria por morrer ao dar à luz um filho que nunca se soube ser de Paulo ou Andrei.

Maria Feodorovna (Sofia Doroteia de Württemberg)



A união entre Paulo e Maria foi arranjada novamente pela mãe dele. Maria teve uma educação excelente, mas era de raciocínio lento e não muito inteligente. Mesmo assim Paulo ficou encantado com ela e os dois eram extremamente apaixonados e dedicados, principalmente durante os primeiros anos de casamento.

Paulo tinha uma personalidade difícil, mas Maria compreendia-a e equilibrava-a, ajudando o marido a lidar com ocasiões públicas. Juntos teriam 10 filhos, assegurando assim a linha de sucessão russa até à Revolução em 1917.

Eventualmente Paulo, tal como todos os homens da época, arranjou uma amante. Maria ficou extremamente desiludida com o marido e os dois afastaram-se até aos últimos anos da vida dele.

Após o assassinato de Paulo, Maria tentou reclamar o título de Imperatriz, tal como a sua sogra tinha feito, mas foi rapidamente impedida pelo filho.

Paulo, Maria e os seus dois filhos mais velhos: Alexandre e Constantino


Filhos

Alexandre I da Rússia


Constantino Pavlovich Romanov


Nascido em 1779, Constantino, tal como o seu irmão mais velho, foi enviado ainda em bebé para o palácio da avó para ser criado por ela. Catarina II preparou-o para ser o Imperador daquilo que ela pretendia ser o Império Bizantino restaurado, no entanto Constantino nunca chegaria ao trono, tendo-o recusado em favor do irmão Nicolau após a morte de Alexandre.

Em 1796, com apenas 16 anos, casou-se com a princesa Juliana de Saxe-Coburgo-Saalfield, uma tia da Rainha Vitória. O casamento foi profundamente infeliz, maioritariamente devido à personalidade imatura do Grão-duque e à mente liberal da Princesa. Os dois passaram a maioria da vida separados, vindo a divorciar-se oficialmente em 1820. Casou-se depois com a polaca Joanna Grudzińska, mas nunca teve filhos.

Politicamente o papel mais influente de Constantino foi como Governador da Polónia. Reinando-a com punho de ferro, perseguiu ferozmente os revolucionários que procuravam a independência do reino e ganhou uma impopularidade sem precedentes, acabando por ser expulso pelo próprio irmão.

Alexandra Pavlovna Romanova


Nasceu em 1783 e era considerada a mais bonita e inteligente das princesas europeias da sua época. Casou-se em 1799 com o Arquiduque José da Áustria, seguindo o plano do seu pai para melhorar as relações entre os dois países. Infelizmente a união durou pouco. Em 1801, quando Alexandra tinha 17 anos, o parto do seu primeiro filho correu mal e nem ela, nem a criança resistiram, acabando por morrer mais tarde nesse dia.

Helena Pavlovna Romanova


Nascida em 1784, Elena recebeu a alcunha de "Helena de Tróia" da sua avó devido à sua beleza. Casou-se a três meses de completar 15 anos com o grão-duque Luís Frederico de Mecklenburg-Schwerin de quem teve dois filhos. Acabaria por morrer subitamente em 1803, depois de ficar gravemente doente dias antes. Tinha 18 anos.

Maria Pavlovna Romanova


Nascida em 1786, Maria era considerada a menos bonita das suas irmãs. Mesmo assim os seus talentos eram compensados noutras áreas. Era uma grande entusiasta pelas artes, sendo uma grande pianista e pintora. Em 1804 casou-se com o grão-duque Carlos Frederico de Saxe-Weimar-Eisenach e tornou-se uma figura extremamente popular no seu Grão-ducado alemão, sendo a primeira a estimular a sua capital, Weimar, a tornar-se num centro artístico. Teve dois filhos e duas filhas. Um delas, Augusta, tornar-se-ia na primeira Imperatriz da Alemanha após o seu casamento com o kaiser Guilherme I.

Catarina Pavlovna Romanova

Nasceu em 1788 e foi desde sempre muito próxima do seu irmão mais velho, o futuro Ccar Alexandre I, ao ponto de alguns questionarem se os dois não estariam envolvidos num caso de incesto que nunca foi confirmado. Durante as Invasões Francesas, Napoleão pediu a mão dela em casamento ao irmão com o objectivo de unir os reinos francês e russo, mas foi recusado. Catarina acabaria por se casar primeiro em 1809 com o duque Pedro de Oldenburgo de quem teve dois filhos e, após a morte dele, casou-se novamente em 1816 com o rei Guilherme I de Württemberg de quem teve duas filhas. Uma delas, Sofia, tornar-se-ia rainha Consorte da Holanda após o seu casamento com o rei Guilherme III.

Ana Pavlovna Romanova


Nascida em 1795, tornar-se-ia rainha-consorte da Holanda após o seu casamento com o rei Guilherme II. Juntos teriam cinco filhos.

Nicolau I da Rússia


Miguel Pavlovich Romanov


O filho mais novo nasceu em 1798. Era pouco sensível e obcecado com a vida militar, herdando muitas características da personalidade neurótica do pai. Casou-se em 1824 com a sua prima em segundo grau, a princesa Carlota de Württemberg, que mudou o nome para Helena Pavlovna ao juntar-se à Igreja Ortodoxa. O casamento foi intensamente infeliz, principalmente para ela, mas mesmo assim o casal teve cinco filhas. Apenas duas chegado à idade adulta.

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Curiosidade: Existe a possibilidade de que o pai biológico de Paulo I não fosse o czar Pedro III, mas sim o amante da sua mãe, Serge Saltykov. Embora muitos defendam esta possibilidade, existem factores de que isto não passa de um rumor, uma vez que Paulo era bastante parecido fisicamente com Pedro III. Os rumores podem ter surgido devido ao facto de Catarina, a Grande, odiar o seu filho e preferir excluí-lo do trono em favor do seu neto Alexandre.

Causa de Morte: Paulo foi violentamente assassinado a pontapé no seu quarto do Castelo de São Miguel por um grupo de nobres. A razão para o seu assassinato podem prender-se com o facto de ele ter descoberto e parado vários esquemas de corrupção no tesouro russo por parte destes nobres, mas o mais provável é que tudo tenha acontecido para que o seu filho subisse directamente para o trono. Há quem acredite que Alexandre I esteve envolvido directamente no assassinato, mas outros defendem que ele queria apenas pressionar o pai para abdicar.

Czares da Rússia - Alexandre I e Família

Nome: Alexandre Pavlovich Romanov (Alexandre I da Rússia)
Pais: Paulo I da Rússia e Maria Feodorovna (Sofia Doroteia de Württemberg).
Nascimento: 23 de Dezembro de 1777
Reinado: 23 de Março de 1801 - 1 de Dezembro de 1825


Principais Reformas:

  • É principalmente conhecido pelo papel desempenhado durante as Guerras Napoleónicas na Rússia onde ofereceu uma derrota pesada às tropas francesas que determinou o inicio da queda do Imperador francês;
  • Aboliu a censura e a tortura no inicio do seu reinado e começou a organizar projectos para o fim da escravatura e a instauração de uma Monarquia Constitucional. Foi escrita uma Constituição que foi aprovada pelo Czar, mas as pressões de conservadores e a ideia geral de que seria impossível controlar uma Rússia liberal, deixaram o documento esquecido e por assinar;
  • Foram criados um Conselho de Estado e um Senado Governativo com o objectivo de balançar o poder do Czar, mas estes rapidamente se tornaram em apenas orgãos de poder figurativo sem qualquer tipo de influência na governação;
  • Na política externa esforçou-se por uma aproximação à Europa, restaurando relações com o Reino Unido e Irlanda e formando novas alianças com a Aústria, Alemanha ou Itália;


Família

Consorte: Isabel Alexeievna (Luísa de Baden)


Luísa tinha apenas 12 anos quando a Imperatriz Catarina, a Grande, avó de Alexandre I, decidiu que deveria ser ela a noiva do seu neto mais velho. A matriarca Romanov convidou-a a ela e à irmã Frederica a visitar a Rússia no Outono de 1792 quando ela foi apresentada pela primeira vez ao Grão-duque Alexandre.

Ambos eram muito tímidos e novos, não fazendo a mínima ideia do que fazer um com o outro. Luísa achou Alexandre bonito e ele gostou da personalidade dela e, com o tempo, acabaram por ficar mais confortáveis um com o outro, o que agradou imensamente a Imperatriz. O noivado foi anunciado em Maio de 1793 e o casamento realizou-se no dia 28 de Setembro do mesmo ano. Alexandre tinha 15 anos e Luísa 14.


Nos primeiros tempos o casamento foi feliz. Isabel sentia-se intimidada pela grandeza da corte russa para a qual não estava preparada. Os escandalos sexuais impressionaram-na particularmente e ela ficou espantada ao saber que o adultério era visto apenas como mais um passatempo. O próprio amante de Catarina, a Grande, Platon Zubov, tentou seduzir a jovem Grã-duquesa.

Numa carta à sua mãe, Isabel disse não se sentir confortável no seu novo mundo e que a única coisa que lhe dava coragem era o apoio e amor do marido. No entanto, após a morte de Catarina I, Alexandre tornou-se Czarevich da Rússia, um cargo que lhe retirava mais tempo (mais pelas conspirações que começava a organizar contra o seu pai) e passou a neglegenciar a esposa. Eventualmente Alexandre começou a arranjar amantes, um facto que chegou aos ouvidos de Isabel.

Sentindo-se sozinha e magoada com o marido, Isabel encontrou também o seu amante no melhor amigo de Alexandre, o Príncipe Polaco Adam Czartoryski. Após cinco anos de casamento sem produzir qualquer filho, a esposa do Czarevich viu-se súbitamente grávida. Alexandre assumiu a criança, como seria de esperar, mas, durante o baptizado da pequna Grã-duquesa Maria Alexandrovna, o próprio Czar Paulo I disse achar curioso a bebé de duas pessoas loiras e de olhos azuis ser morena e ter olhos escuros. A bebé morreu poucos meses depois e o amante de Isabel afastado da corte.


Ao longo dos anos, tanto Alexandre como Isabel manteram outros amantes. O Imperador teve um grande número de filhos ilegitimos com várias das suas amantes, sendo a mais célebre a Princesa Maria Naryshkina com quem manteve uma relação de 15 anos da qual nasceram três crianças.

Isabel manteve o seu romance com Adam Czartoryski após o regresso dele à corte. A relação terminou quando Isabel conheceu o soldado Alexis Okhotnikov com quem partilhou uma relação intensa. Em 1806, quando ela teve a sua segunda e última filha, a Grã-duquesa Isabel Alexeievna, voltaram a erguer-se rumores de que ela era filha do soldado. Ele acabaria por ser assassinado, provavelmente por ordem do Czar Alexandre ou do seu irmão, o Grão-duque Constantino Pavlovich. A bebé apenas viveu por 15 meses, um golpe que deixou Isabel devastada para o resto da vida.


Chegada aos 40 anos, a beleza de Isabel começou a desaparecer rapidamente e ela passou a rejeitar os seus pretendentes, refugiando-se na religião. Alexandre estava a passar por uma fase similar após as esgotantes campanhas contra Napoleão na Rússia. Os dois aproximaram-se novamente, voltando a apaixonar-se novamente após anos de separação.

Os seus últimos anos de vida foram os mais dedicados de todo o casamento.

Sem filhos legítimos, o trono russo passou para o irmão mais novo de Alexandre, o Grão-duque Constantino Pavlovich, mas ele recusou-o, passando-o assim para o irmão de ambos, Nicolau I da Rússia.


Curiosidade: Acredita-se que terá sido Alexandre um dos responsáveis pelo assassinato do seu pai, o Czar Paulo I da Rússia. Há quem defenda que ele queria ver apenas o seu pai afastado do trono e ficou chocado por saber da morte dele, o que pode explicar a sua mudança para uma personalidade extremamente religiosa após as Revoluções Francesas.

Morte Misteriosa


Oficialmente, Alexandre I terá morrido de Febre Tifóide, no sul da Rússia, no dia 1 de Dezembro de 1825. No entanto uma série de teorias rodeiam a verdadeira história.

O facto de um Czar morrer subitamente, longe da capital do Império, sempre levantou dúvidas. Uma das primeiras teorias que é até hoje aceite por muitos, diz que o Czar fingiu a sua morte para abandonar o trono sem o escândalo que traria uma abdicação. O caixão tranportado para São Petersburgo contendo o suposto corpo do Czar estaria vazio ou então com o corpo de um soldado. Depois da troca, Alexandre terá vivido como monge num convento ortodoxo na Sibéria.

Existe mesmo um lenda sobre o heremita Feodor Kuzmich, canonizado como santo pela Igreja Ortodoxa, morto em Tomsk, na Sibéria, em 1864, que diz ter sido ele o Czar Alexandre I. Embora vista como demasiado rebuscada por alguns, existem historiadores que acreditam verdadeiramente no conto e concordam com a teoria de que Feodor e Alexandre eram a mesma pessoa.

Verdade ou mito, existe um facto inegável. Em 1925, em pleno regime comunista, o tumulo do Czar Alexandre I foi aberto. O caixão estava vazio.