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terça-feira, 12 de janeiro de 2016

As paixões de Olga e Tatiana

Olga, Anastásia, Maria e Tatiana com dois soldados imperiais
O dia 23 de Fevereiro de 1913 foi um dia muito especial para a grã-duquesa Olga Nikolaevna de dezoito anos quando, acompanhada pelo pai, pela mãe e pela sua tia Olga, participou no seu primeiro grande baile público em São Petersburgo, na Assembleia dos Nobres. O czar e a czarina já não estavam presentes num baile desde 1903 e Alexandra estava determinada a participar pela sua filha apesar de ter passado grande parte do dia de cama. Havia planos para Tatiana, a irmã mais nova de Olga, também estar presente, mas estava doente e de cama no Palácio de Inverno. Dois dias depois do baile, os médicos viriam a confirmar que a segunda filha do czar sofria de febre tifóide.

Olga e Tatiana em 1913
Olga estava determinada a não deixar esses contratempos estragar-lhe a noite. Estava linda, "vestida com um vestido cor-de-rosa claro simples de chiffon". Tal como tinha acontecido no baile para comemorar o seu décimo-sexto aniversário em Livadia, Olga "dançou todas as danças e divertiu-se de forma simples e completa como qualquer jovem no seu primeiro baile". O relato de Olga foi bastante mais prosaico: "Dancei muito, foi muito divertido. Estavam lá muitas pessoas, foi muito bonito". A grã-duquesa divertiu-se a dançar a quadrilha e a mazurka com muitos dos seus oficiais preferidos e ficou muito contente com a presença do seu querido amigo Nikolay Sablin, um oficial do Shtandart. Meriel Buchanan, filha do embaixador inglês em São Petersburgo, ficou cativada com a grã-duquesa mais velha nessa noite, "vestida com uma simplicidade clássica" e o seu colar era um simples "colar de pérolas de uma única fila", mas, mesmo assim, era completamente impossível resistir ao seu "nariz perfeito". Olga "tinha charme, uma frescura e um encanto exuberante que a tornavam irresistível". Meriel Buchanan lembra-se de a ver "hirta, nos degraus que levavam da galeria até ao salão de baile, a tentar resolver alegremente uma disputa entre três grão-duques que protestavam todos pelo direito de ter a primeira dança". No entanto, a imagem mereceu alguma reflexão: "ao vê-la, pensei no que lhe reservaria o futuro e qual dos muitos pretendentes que eram mencionados ocasionalmente seria o escolhido para se casar com ela."

Olga em 1913
A questão do futuro casamento de Olga tinha, inevitavelmente, ganho importância durante o ano de comemorações do Tricentenário da dinastia Romanov. Até então, as irmãs imperiais tinham sido um assunto tabu para a imprensa russa, mas depois de serem apresentadas oficialmente em público pela primeira vez, houve maior liberdade em falar sobre elas. A discussão do papel de Olga como filha mais velha tinha surgido nos bastidores uma vez mais depois da crise de sucessão que pairou no ar no Inverno de 1912-13. Quando Alexei esteve às portas da morte em Spala, o irmão mais novo de Nicolau, o grão-duque Miguel, tinha fugido para Viena para se casar em segredo com a sua amante, Natalya Wulfert, uma plebeia divorciada. Sabendo que, se Alexei morresse, e ele se tornasse herdeiro da coroa, Nicolau nunca permitiria este casamento morganático, Miguel tinha esperado que, se se casasse sem o seu irmão saber, o seu acto seria aceite como um 'fait accompli', mas Nicolau ficou furioso. A sua resposta não deixou sombra para dúvidas: exigiu que Miguel renunciasse aos seus direitos de sucessão ou que se divorciasse imediatamente de Natalya para impedir um escândalo. Quando Miguel se recusou a fazê-lo, Nicolau congelou os bens do irmão e expulsou-o da Rússia. Em finais de 1912, foi publicado um manifesto nos jornais russos no qual Miguel era retirado do conselho de regência e os seus comandos e honras imperiais eram retirados. Segundo as leis de sucessão, era o filho mais velho do grão-duque Vladimir Alexandrovich, o grão-duque Kirill Vladimirovich, que se tornaria regente caso Nicolau morresse antes de Alexei cumprir vinte-e-um anos de idade. No entanto, tanto ele como os seus dois irmãos, que levavam todos vidas de moral questionável, eram muito pouco populares na Rússia. Por isso, em vez de seguir o procedimento normal, Nicolau contornou as leis existentes e ordenou ao conde Freedericksz que redigisse um manifesto no qual nomeava Olga como sua regente e Alexandra a sua guardiã enquanto Alexei não chegasse à maioridade. Foi publicado em inícios de 1913, sem passar pela Duma, como era obrigatório. O documento, como seria de esperar, enfureceu a grã-duquesa Maria Pavlovna Sénior.

Olga e Alexei                  

Da sua posição privilegiada na Embaixada Britânica, Meriel Buchanan percebeu que a família imperial estava a passar por um período complicado naquele ano:

"O casamento do grão-duque Miguel causou grande agitação e dizem que o querido imperador está com o coração partido. Ninguém sabe ao certo o que se passa com o menino e,  se acontecer o pior, a questão da sucessão irá tornar-se séria.  O Kyrill, claro, é o que está mais próximo, mas muitos duvidam que o clã Vladimir terá permissão para suceder, uma vez que a mãe deles não era ortodoxa quando eles nasceram. Se assim for, o Dmitri será o próximo e teria de se casar com uma das filhas do imperador."
Os Vladimirovich: (da esq. para a dir.) o príncipe Nicolau da Grécia e Dinamarca, o grão-duque Boris, a grã-duquesa Helena, o grão-duque André, a grã-duquesa Maria Pavlovna Sénior e o grão-duque Kyrill.

Corriam claramente rumores sobre uma união entre Olga e Dmitri. Meriel, que tinha um gosto especial por boatos, achava essa ideia um quanto divertida. Ela própria tinha passado bastante tempo com Dmitri na sociedade de São Petersburgo, na qual toda a gente andava a aprender as danças da moda mais recentes. "Tive uma lição muito exigente com o Dmitri um dia destes," escreveu ela a uma prima. "Seria muito 'chic' se um dia o Dmitri se tornasse imperador de todas as Rússias para eu poder dizer que ele me ensinou a dançar o Bunnyhug, não achas?". No entanto, todas as conversas sobre a possível união desapareceram pouco tempo depois quando Dmitri pediu outra prima sua em casamento, a princesa Irina Alexandrovna, a única filha da grã-duquesa Xenia Alexandrovna. No entanto, o seu pedido acabaria por ser rejeitado e Irina preferiu aceitar a proposta do melhor amigo dele, o príncipe Felix Yussupov. À medida que o ano foi avançando, Nicolau e Dmitri começaram a afastar-se gradualmente, mas o grão-duque manteve o seu posto de ajudante-de-campo do imperador.


Dmitri Pavlovich com a sua prima e apaixonada, a princesa Irina Alexandrovna

Quanto a Olga, os seus pensamentos românticos de adolescente estavam na altura firmemente direccionados para pessoas que ocupavam lugares muito mais inferiores na sociedade, mais especificamente para um oficial chamado Alexander Konstantinovich Shvedov, capitão da escolta do czar. No seu diário, a grã-duquesa referia-se a ele pelo acrónimo AKSH e a presença dele nos chás da sua tia Olga ao Domingo era a altura mais importante da sua parca vida social durante grande parte da primeira metade do ano. Estas ocasiões eram pouco mais do que pequenas reuniões divertidas com um grupo de oficiais favoritos escolhidos a dedo. O pequeno grupo dançava ao som do fonógrafo e jogava jogos infantis como o gato-e-o-rato, a sardinha, as escondidas e à apanhada. As quatro irmãs eram vigiadas muito levianamente pela sua tia, mas os jogos acabavam quase sempre em muitos risos e brincadeiras animadas que colocavam as quatro irmãs em contacto físico próximo com homens com quem, noutras circunstâncias, elas nunca teriam permissão de manter tal grau de intimidade.


Olga com um dos marinheiros do Standard
Era um tipo de brincadeira muito estranho e perverso, mas nem a mãe nem a tia delas via nenhum mal nele. Lá estavam as grã-duquesas imperiais da Rússia, prestes a entrar na idade adulta, a comportar-se como crianças, num tipo de comportamento que fez com que a grã-duquesa Olga se apaixonasse por um jovem que, em quaisquer outras circunstâncias, estaria fora dos seus limites. “Sentei-me com o AKSH o tempo todo e apaixonei-me profundamente por ele”, escreveu ela no seu diário a 10 de Fevereiro. “Deus tenha piedade de nós. Estive com ele o dia todo, na liturgia e à noite. Foi muito bom e divertido. Ele é tão querido.” Durante várias semanas depois desta confissão, o novo padrão da sua vida, além das suas lições, passeios com o papá, fazer companhia à mamã e ouvir o Alexei a rezar à hora de dormir, eram os dias em que, ocasionalmente, podia ir visitar a tia Olga em São Petersburgo para jogar jogos infantis e admirar AKSH, o seu belo cossaco de bigode no seu uniforme cherkeska.

Maria, Anastásia e Olga com alguns soldados numa das festas de Domingo organizadas pela sua tia, a grã-duquesa Olga Alexandrovna
Tatiana ficou triste por ter de perder grande parte das comemorações do Tricentenário em São Petersburgo, já para não falar das visitas à tia Olga, nas quais ela tinha também os seus oficiais favoritos. Devido à sua doença (que, pouco tempo depois, também transmitiu ao Dr. Botkin e a Trina Schneider), a família foi obrigada a deixar o Palácio de Inverno a 26 de Fevereiro e regressar a Czarskoe Selo; mas antes de o fazer, Tatiana pediu à sua enfermeira, Shura Tegleva para telefonar a Nikolay Rodionov para lhe dizer que ia adorar se alguns dos oficiais passassem pela sua janela no Palácio de Inverno, para que ela os pudesse ver. Rodionov e Nikolay Vasilevich Sablin tiveram todo o prazer em fazê-lo e recordou o resto da vida o momento em que passou pela janela da pobre jovem doente que lhes fez uma vénia com a cabeça.

Tatiana em 1913, já sem cabelo devido à doença que sofreu nesse ano
Quando regressou ao Palácio de Alexandre, Tatiana ficou imediatamente em quarentena das irmãs e esteve muito doente durante mais de um mês. A 5 de Março, o seu lindo cabelo castanho teve de ser cortado e Tatiana teve de usar uma peruca até Dezembro, altura em que o cabelo voltou ao tamanho original. Presa em casa com a sua mãe, uma a tomar conta da outra, só em Abril é que Tatiana se aventurou a sair para a varanda de Alexandra, mas ainda estava a nevar e demasiado frio para sair de casa durante muito tempo. Quando finalmente o tempo melhorou o suficiente para ela poder sair, sentia-se envergonhada por causa da peruca. Um dia, quando estava a jogar um jogo de saltos no parque com Maria Rasputina e alguns jovens oficiais da academia militar Corps de Pages, o cão de Alexei foi atrás dela a ladrar; Tatiana ficou com o pé preso numa corda, caiu e, de repente, a sua peruca estava no chão", recordou Maria. A pobre Tatiana "revelou-nos a nós e aos oficiais envergonhados a parte de cima da cabeça dela, onde algum cabelo começava a nascer". Ficou completamente envergonhada e "tão depressa como caiu, pôs-se de pé, pegou na peruca e correu para trás de umas árvores. Apenas a vimos corar e zangada e ela não voltou a aparecer naquele dia."


Nicolau a ler para Tatiana durante a sua doença em 1913
Durante o inverno de 1913 no Palácio de Alexandre, o diário de Nicolau mostra como ele era um pai dedicado e activo na vida das suas filhas, ocupando um lugar que a sua esposa, que estava sempre doente, não tinha forças para assumir. Independentemente da quantidade de documentos que tivesse em cima da secretária, do número de reuniões com os seus ministros, audiências públicas e revistas militares que ocupavam os seus dias, nesta altura do ano, quando a família se encontrava em Czarskoe Selo, o czar arranjava sempre tempo para estar com os filhos. A História pode condená-lo por ter sido um czar fraco e reaccionário, mas era também, sem sombra de dúvidas, o pai mais exemplar da realeza. Os meses de Janeiro e Fevereiro eram especiais para ele e para as suas filhas, uma vez que era nessa altura que eles passeavam mais juntos e iam ao ballet. Sendo a filha mais velha, Olga (e, quando não estava doente, Tatiana) teve o privilégio de assistir a óperas como Madame Butterfly, Cidade Invisível de Kitezh e Lohengrin de Wagner, um espectáculo que Olga achou particularmente belo e comovente. 



Apesar de tudo, grande parte do tempo que tinham com o pai era passado no parque do Palácio de Alexandre, independentemente do tempo, em caminhadas, a andar de bicicleta, a ajudá-lo a partir o gelo que se formava nos canais, a fazer ski, a deslizar por montes de neve e a brincar com Alexei que, quando estava bem, juntava-se a eles com as suas botas especiais de biqueira de aço. As irmãs adoravam quando tinham o pai só para si; ele caminhava depressa sem nunca se cansar e todas as suas filhas aprenderam a acompanhar o seu ritmo, principalmente Olga e Tatiana que caminhava sempre ao lado dele, uma de cada lado. Maria e Anastásia corriam de um lado para o outro à volta deles, a deslizar no gelo ou a atirar bolas de neve uma à outra. Qualquer pessoa que se cruzasse com o czar e as suas filhas do parque via perfeitamente que ele tinha muito orgulho nas suas meninas. "Ficava contente quando as pessoas as admiravam. Era como se os seus gentis olhos azuis dissessem: 'Vejam só as filhas maravilhosas que eu tenho.'"

Nicolau II com as suas filhas em 1914
Texto retirado do livro "Four Sisters: The Lost Lives of the Romanov Grand Duchesses" de Helen Rappaport

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Anastásia Nikolaevna por Helen Rappaport

Anastásia Nikolaevna, por volta de 1912
Logo aos quatro anos de idade, Anastásia era "uma macaquinha muito vigorosa, sem medo de nada". De todos os filhos do casal imperial, Nastasya ou Nastya, como lhe chamavam, era a que tinha um aspecto menos russo. Tinha cabelo louro escuro como Olga e tinha herdado os olhos azuis do pai, mas as suas feições assemelhavam-se muito à família da sua mãe, os Hesse-Darmstadt. 


Anastásia com a mãe em 1913

Também não era tímida como as irmãs. Na verdade, era muito frontal, até com os adultos. Podia ser a mais nova das quatro irmãs, mas era sempre a que chamava mais a atenção. Tinha o dom do humor e "sabia como pôr um sorriso na cara de qualquer pessoa". Certo dia, pouco depois do nascimento de Alexei, Margaretta Eager apanhou Anastásia a comer ervilhas com as mãos: "Repreendi-a, dizendo-lhe muito séria que nem o bebé comia ervilhas com as mãos, ao que ela respondeu: 'come sim, até as come com os pés!'". 

Anastásia, por volta de 1906.

Anastásia recusava-se a fazer qualquer coisa à qual fosse obrigada; se lhe dissessem para não subir para cima das coisas, era precisamente isso que fazia. Quando lhe disseram para não comer as maçãs colhidas no pomar e que seriam servidas assadas ao jantar, a grã-duquesa empanturrou-se delas de propósito. Quando foi reprimida, sem mostrar qualquer sinal de arrependimento, disse a Margaretta Eager em forma de provocação: "Não sabe como aquela maçã que comi no jardim me soube bem!". Foi preciso proibi-la de ir ao pomar durante uma semana para que Anastásia prometesse finalmente que não voltaria a roubar maçãs.

Anastásia e Alexei por volta de 1906

Com Anastásia, tudo era uma batalha. Era uma aluna impossível, distraída, negligente, sempre desejosa por sair da cadeira e fazer outra coisa que não a obrigasse a ficar quieta. No entanto, apesar de não ser uma intelectual, tinha um dom instintivo para lidar com pessoas. Quando era castigada por mau-comportamento, dava sempre a volta por cima: "podia sentar-se e avaliar as consequências de qualquer coisa que iria fazer e aceitar o castigo como um soldado", como Margaretta Eager recordou. Mas esse facto nunca a impediu de ser a maior encorajadora de maus comportamentos e conseguia escapar de mais castigos do que qualquer uma das irmãs. Em certas ocasiões, à medida que foi crescendo, chegou mesmo a tornar-se bruta e até vingativa quando brincava com outras crianças. Arranhava-as e puxava-lhes o cabelo, o que levava os seus primos a acusá-la de ser "desagradável, ao ponto de ser má" quando as coisas não corriam à sua maneira.

Anastásia em Darmstadt

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Maria Nikolaevna por Helen Rappaport

Maria com o pai em 1910
A terceira irmã, Maria, era uma criança tímida que, mais tarde, viria a sofrer por estar no meio das suas irmãs mais velhas e dos irmãos mais novos. A sua mãe fez um par com ela e a irmã mais nova, Anastásia, apelidando-as de "o pequeno par", mas, à media que o tempo foi passando, Maria sentia-se por vezes afastada de Anastásia e Alexei - que podem até ser considerados o "pequeno par" mais natural - e que não recebia o amor e afecto que desejava.

Maria em 1910

O seu físico forte fazia com que parecesse bastante deselegante e tinha a reputação de ser desastrada e rude. No entanto, para aqueles que conheciam a família, Maria era de longe a mais bonita com as suas feições rosadas, o seu cabelo castanho volumoso e uma personalidade russa nata que mais nenhuma das irmãs possuía; toda a gente elogiava os seus olhos que brilhavam "como lanternas" e o seu sorriso sincero.

Maria com o irmão, Alexei, e o pai, Nicolau

Maria não era particularmente inteligente, mas tinha muito talento para a pintura e o desenho. Mashka, como as suas irmãs lhe chamavam muitas vezes, era a que menos se deixava afectar pela sua posição. "Apertava a mão a qualquer mordomo ou criado do palácio e trocava beijos com criadas de quarto ou camponesas que conhecia. Se um criado deixasse cair alguma coisa, ela corria logo para a apanhar". 

Maria numa aula de pintura

Uma vez, quando estava a ver um regimento a marchar por baixo da sua janela, no Palácio de Inverno, exclamou: "Oh, como gosto destes soldados tão queridos! Gostava de os beijar a todos!". De todas as irmãs era a mais aberta e sincera e sempre foi muito atenciosa com os pais. Margaretta Eager achava que ela era a filha preferida de Nicolau que se sentia comovido com o seu afecto nato. Em certa ocasião, quando Maria admitiu que tinha roubado um biscoito de um prato à hora do chá, Nicolau ficou aliviado já que "tinha medo das asas que lhe estavam a crescer". Ficou contente por ver que ela "era apenas uma criança humana normal".

Maria, por volta de 1910
Com uma personalidade tão complacente, talvez fosse inevitável que Maria fosse completamente ofuscada pela personalidade dominadora da sua irmã mais nova, Anastásia, já que a grã-duquesa mais nova da família era uma força da natureza cuja presença não deixava ninguém indiferente.

Maria e Anastásia

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Tatiana Nikolaevna por Helen Rappaport

Tatiana em 1905
Aos oito anos de idade, Tatiana tinha pele de marfim, era mais delgada, tinha cabelo mais negro e olhos mais acinzentados do que o tom azul marinho das irmãs. Tinha uma beleza cativante, "era uma cópia viva da sua linda mãe", com um olhar naturalmente imperial, realçado pela sua excelente estrutura óssea e olhos 'orientais'. À primeira vista, parecia ser uma menina muito confiante, mas, na verdade, era muito reservada e cautelosa com as suas emoções, tal como a mãe. 

Tatiana, por volta de 1910

Nunca se deixou dominar pelo seu temperamento, como Olga e, ao contrário da irmã mais velha - que teve uma relação volátil com a mãe à medida que foi crescendo - não havia dúvidas de que Tatiana lhe era completamente dedicada; era sempre em ela que Alexandra confiava e se abria. Era sempre a mais educada e atenciosa à mesa e acabaria por se tornar numa organizadora nata com uma mentalidade metódica e uma conduta humilde que as suas irmãs nunca conseguiram igualar. Não é de admirar que as suas irmãs a apelidassem de "a governanta". 

Tatiana com a mãe

Enquanto Olga tinha um ouvido para a música e tocava muito bem piano, Tatiana tinha grande talento para trabalhos com agulhas, como a mãe. Era também muito altruísta e sensível ao que os outros faziam por ela. Quando descobriu que a sua ama e Margaretta Eagar eram pagas pelos seus serviços porque não tinham  dinheiro próprio e precisavam de ter uma profissão para o ganhar, Tatiana dirigiu-se até à cama de Eager na manhã seguinte, enfiou-se debaixo dos cobertores e abraçou-a, dizendo: "Seja como for, não é paga para fazer isto".

Tatiana, a bordo do Standard com um oficial

Texto retirado do livro "Four Sisters - The Lost Lives of the Romanov Grand Duchesses" de Helen Rappaport

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Olga Nikolaevna por Helen Rappaport

Olga Nikolaevna, por volta de 1905

Em 1905 e quase a completar dez anos de idade, Olga estava já ciente da sua posição como filha mais velha e adorava dar saudações militares aos soldados que estavam em guarda enquanto ela passava. Até ao nascimento de Alexei, algumas pessoas tinham o hábito de a chamar a sua "pequena imperatriz" e Alexandra acentuou esse facto, pedindo às suas damas-de-companhia que beijassem a mão de Olga em vez de expressarem o seu afecto de formas mais "efusivas". Apesar de, por vezes, ser rude com as irmãs, Olga já mostrava um lado mais sério. Possuía um certo carácter honesto e íntegro que lhe teria sido muito útil se alguma vez tivesse chegado a ser czarina. Desde cedo, Alexandra colocou em Olga um certo nível de responsabilidade que lhe relembrava constantemente em pequenas notas: "A mama dá um beijo muito carinhoso à sua menininha e pede a Deus para que a ajude a ser sempre uma criança cristã bondosa e amorosa. Sê simpática para todos, sê gentil e amorosa e todos vão gostar de ti", escreveu em 1905.

Olga com a mãe, Alexandra.

Margaretta Eagar viu desde cedo que Olga tinha herdado o espírito altruísta da mãe e da avó Alice. Era muito sensível aos problemas dos mais infelizes. Certo dia, quando passeava de carruagem por São Petersburgo, viu um polícia a prender uma mulher por embriaguez e desacatos e implorou a Margaretta que a soltassem. Quando viu os camponeses pobres a cair de joelhos na berma da estrada na Polónia enquanto a família imperial passava, também ficou perturbada e pediu a Margaretta que lhes dissesse para 'não fazer aquilo'. Pouco depois do Natal certo ano, quando estava a passear pela cidade, viu uma menina a chorar na estrada. 'Veja,' exclamou ela, muito exaltada, 'o Pai Natal não devia saber onde ela morava' e atirou imediatamente a sua boneca que tinha consigo pela carruagem fora, gritando: 'Não chores, menina, toma uma boneca'".

Olga, por volta de 1904,1905

Olga era curiosa e tinha muitas perguntas. Uma vez, quando uma ama a repreendeu por estar mal-disposta, dizendo que ela 'tinha saído da cama com o pé errado', na manhã seguinte, Olga perguntou de forma pertinente qual era o pé certo para sair da cama para que 'o pé errado não me faça portar mal hoje'. Conseguia ser irritável, desdenhosa e difícil e os seus ataques de raiva revelavam um lado negro que, por vezes, era difícil de controlar, mas Olga também era uma sonhadora. Em certa ocasião, quando estava a brincar aos espiões com as filhas, Alexandra reparou que 'a Olga lembra-se sempre do sol, das nuvens, no céu, na chuva ou algo relacionado com o paraíso e explica-me que fica muito feliz quando pensa nestas coisas'". Em 1903, com oito anos de idade, confessou-se pela primeira vez e, pouco tempo depois da morte trágica da sua prima [Isabel de Hesse] nesse mesmo ano, começou a fascinar-se com o paraíso e a vida depois da morte. "A prima Ella já sabe, já está no paraíso, sentada a falar com Deus e Ele está a explicar-lhe como e porque fez isto", disse Olga a Margaretta Eager quando as duas conversavam sobre o sofrimento de uma mulher cega.


Olga com a sua prima Isabel, o tio Ernesto Luís de Hesse e o pai, Nicolau II.

Texto retirado do livro "Four Sisters - The Lost Lives of the Romanov Grand Duchesses" de Helen Rappaport

segunda-feira, 31 de março de 2014

Four Sisters - The Lost Lives of the Grand Duchesses de Helen Rappaport


No dia 27 de Março foi publicado no Reino Unido um novo livro sobre as quatro filhas do czar Nicolau II da Rússia. "Four Sisters" foi escrito por Helen Rappaport, que tinha já escrito sobre este tema no seu livro "Ekaterinburg: The Last Days of the Romanovs".

O livro tem sido bem recebido por críticos e seguidores da família imperial e é o mais vendido na categoria de política russa no site Amazon.co.uk.

Actualmente pode ser adquirido a partir de £9.33 + portes de envio através do seguinte link:http://www.amazon.co.uk/gp/product/0230768172/ref=ox_sc_act_title_1?ie=UTF8&psc=1&smid=A3P5ROKL5A1OLE.