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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

8 Curiosidades sobre Catarina, a Grande


Catarina II da Rússia (1729-1796) foi uma das governantes mais improváveis da História. Depois de se casar e entrar para a família Romanov na Rússia, viu-se no centro de um golpe de estado para retirar o seu marido do trono e coloca-la a ela no seu lugar. As conquistas conseguidas durante o seu reinado, que durou trinta-e-quatro anos, são muitas vezes ofuscadas pela sua vida pessoal que é vista como uma das mais escandalosas da sua e de outras épocas. No entanto, por detrás dos rumores e dos mexericos, encontra-se uma das governantes mais astutas e capazes da longa e turbulenta História da Rússia. Agora, 250 anos depois de ter subido ao trono a 9 de Julho de 1762, fique a saber algumas curiosidades sobre Catarina, a Grande.


1. O nome de Catarina, a Grande não era Catarina e ela nem sequer era russa.

A mulher que ficaria para a História como Catarina, a Grande, a mulher que durante mais tempo governou na Rússia, era na verdade a filha mais velha de um príncipe prussiano que estava na miséria. Nascida em 1729, Sofia de Anhalt-Zerbst recebeu várias propostas de casamento graças às origens nobres da sua mãe. Em 1744, quando tinha quinze anos de idade, Sofia recebeu um convite da czarina Isabel, filha do czar Pedro, o Grande da Rússia, que tinha subido ao trono três anos antes graças a um golpe de estado, para a visitar na Rússia. Isabel, que era solteira e não tinha filhos, tinha escolhido o seu sobrinho Pedro como herdeiro e estava agora à procura de uma noiva para ele. Sofia, que recebeu uma educação excelente da sua mãe e estava ansiosa por agradar os seus anfitriões, causou imediatamente um grande impacto em Isabel, mas não no seu futuro marido. O casamento realizou-se a 21 de Agosto de 1745 e a noiva teve de se converter à Igreja Ortodoxa Russa, mudando de nome para Ekaterina, ou Catarina.

Catarina com o seu marido, o futuro czar Pedro III
2. É provável que o filho mais velho – e herdeiro – de Catarina fosse ilegítimo

Catarina e o seu novo marido tiveram um casamento conturbado desde o início. Apesar de a jovem princesa prussiana ter sido importada para dar à luz um herdeiro, passaram oito anos sem que o casal tivesse filhos. Alguns historiadores acreditam que Pedro não conseguiu consumar o casamento enquanto outros defendem que era infértil. Profundamente infelizes na sua vida conjugal, Pedro e Catarina começaram a ter casos amorosos com outras pessoas, ela com Sergei Saltykov, um oficial do exército russo. Quando Catarina deu à luz um filho, Paulo, em 1754, surgiram rumores de que o pai da criança era Saltykov e não Pedro. Nas suas memórias, Catarina deu crédito a este rumor, chegando mesmo a afirmar que a imperatriz Isabel a tinha ajudado a encontrar-se com Saltykov. Embora hoje em dia os historiadores sejam da opinião que as afirmações de Catarina tinham como único objectivo descredibilizar Pedro e que ele era realmente o pai biológico de Paulo, existem poucas dúvidas relativamente aos restantes três filhos de Catarina: acredita-se que nenhum deles era filho de Pedro.


3. Catarina chegou ao poder num golpe de estado sem derramamento de sangue que, mais tarde, se tornou mortal

Isabel morreu em Janeiro de 1762 e o seu sobrinho sucedeu-a como Pedro III, tendo Catarina como consorte. Ansioso por deixar a sua marca na nação, terminou imediatamente a guerra que a Rússia estava a travar contra a Prússia, uma decisão que foi muito mal recebida pela classe militar do país. O seu plano de implementar um programa de reformas internas liberais que tinha como objectivo melhorar a qualidade de vida das classes mais baixas da Rússia também prejudicava membros da baixa nobreza. À medida que as tensões iam aumentando, surgiu o plano de tirar Pedro do poder. Quando a conspiração foi descoberta em Julho de 1762, Catarina movimentou-se rapidamente, conquistando o apoio do regimento militar mais poderoso do país que conseguiu fazer com que o seu marido fosse preso. A 9 de Julho, apenas seis meses depois de se tornar czar, Pedro abdicou e Catarina foi proclamada governante única. No entanto, aquele que tinha sido um golpe de estado sem derramamento de sangue não demorou a causar vítimas. A 17 de Julho, Pedro foi assassinado por Alexei Orlov, irmão do amante de Catarina, Gregory. Apesar de não existirem provas de que Catarina soubesse do assassinato antes deste acontecer, o acontecimento ensombrou o início do seu reinado.


4. Catarina enfrentou mais de doze revoltas durante o seu reinado.

Entre as muitas revoltas que ameaçaram o reinado de Catarina, a mais perigosa foi a que sucedeu em 1773, quando um grupo de cossacos e camponeses armados liderados por Emelyan Pugachev se revoltaram contra as condições sociais e económicas difíceis que viviam a classe mais pobre da sociedade russa, os servos. Tal como aconteceu com muitas das outras revoltas que Catarina enfrentou, a Revolta de Pugachev questionou a validade do seu reinado. Pugachev, um antigo oficial do exército, dizia ser o deposto Pedro III, que todos acreditavam estar morto, e, por isso, era ele o herdeiro legítimo do trono. Um ano depois de dar início à sua campanha, Pugachev já tinha conseguido juntar milhares de apoiantes e conquistado uma parque significativa do território, incluindo a cidade de Kazan. Inicialmente, Catarina preocupou-se com a revolta, mas não demorou a responder com força. Enfrentados pelo grande exército da Rússia, os apoiantes de Pugachev acabariam por abandoná-lo e ele acabaria preso e executado em público em Janeiro de 1775.


5. Ser amante de Catarina dava grandes lucros.

É conhecida a fama de Catarina ser fiel aos seus amantes, tanto durante a sua relação como depois de esta terminar. Normalmente, Catarina terminava as suas relações nos melhores termos com os seus parceiros, dando-lhes títulos, terras, palácios e até pessoas – chegou a presentear um antigo amante com mais de 1000 servos, ou escravos. Mas talvez aquele que mais lucrou tenha sido Estanislau Poniatowski, um dos seus primeiros amantes e pai de um dos seus filhos. Membro da nobreza polaca, Poniatowski envolveu-se com Catarina (que ainda não tinha chegado ao trono) quando foi enviado para a embaixada britânica em São Petersburgo. Mesmo quando um escândalo provocado em parte pela sua relação o obrigou a deixar a corte russa, os dois continuaram próximos. Em 1763, muito depois do final da sua relação e um ano depois de Catarina chegar ao trono, a imperatriz apoiou Poniatowski financeira e militarmente no seu esforço para se tornar rei da Polónia, o que acabaria por acontecer. No entanto, assim que chegou ao trono, o novo rei, que Catarina e outros achava que seria um mero fantoche para servir os interesses da Rússia, deu início a uma série de reformas para fortalecer a independência do seu país. Aquela que foi outrora uma ligação forte entre dois antigos amantes não demorou a azedar e Catarina obrigou Estanislau a abdicar, sendo a Rússia o país que mais forçou a dissolução da recém-criada República das Duas Nações.



6. Catarina via-se como uma governante iluminada

O reinado de Catarina ficou marcado pela sua vasta expansão territorial, algo que contribuiu muito para os cofres da Rússia, mas que aliviou pouco o sofrimento do seu povo. Até as suas tentativas para implementar reformas governamentais eram muitas vezes vetadas pela vasta aristocracia russa. No entanto, Catarina considerava-se uma das governantes mais iluminadas da Europa e muitos historiadores concordam. Escreveu vários livros, panfletos e materiais educativos que tinham como objectivo melhorar o sistema educativo na Rússia. Apoiava as artes, tendo mantido durante toda a vida correspondência com Voltaire e outros filósofos proeminentes da época e criou uma das colecções mais impressionantes de arte do mundo no Palácio de Inverno, em São Petersburgo (agora inserida no famoso Museu Hermitrage) e até tentou compor uma ópera. 



7. Ao contrário do mito popular, Catarina teve uma morte bastante normal e nada de especial aconteceu.

Tendo em conta a reputação chocante da imperatriz, talvez não seja de admirar que houvesse sempre rumores sobre ela, mesmo depois de morta. Quando morreu a 17 de Novembro de 1796, os seus inimigos na corte começaram imediatamente a espalhar vários rumores sobre os últimos dias da imperatriz. Alguns diziam que a governante toda poderosa tinha morrido na casa-de-banho. Outros levaram os rumores ainda mais longe e criaram um mito que ainda se prolonga até aos dias de hoje: que Catarina, cuja vida luxuriosa era um segredo aberto, tinha morrido enquanto praticava relações sexuais com um animal que muitos acreditam ter sido um cavalo. Obviamente este rumor não tem qualquer fundo de verdade. Apesar de os seus inimigos terem esperado por um fim escandaloso, a verdade é que Catarina simplesmente sofreu uma apoplexia e morreu calmamente na sua cama no dia seguinte.

Catarina, a Grande com a sua nora Maria Feodorovna e o filho, o futuro czar Paulo I
8. O filho mais velho de Catarina teve o mesmo destino macabro que o pai.

Era conhecida a relação conturbada de Catarina com o seu filho mais velho, Paulo. O menino tinha sido retirado à mãe pouco depois de nascer e foi criado em grande parte pela antiga czarina Isabel e uma série de tutores. Depois de ter subido ao trono, Catarina, temendo que o seu filho se vingasse dela pela deposição e morte do seu pai, manteve-o afastado dos assuntos de estado, o que o tornou ainda mais isolado. A relação entre eles era tão má que, às vezes, Paulo se mostrava convencido de que a sua mãe o planeava matar. Embora Catarina nunca tivesse tido tais planos, era verdade que temia que Paulo se tornasse um governante incompetente e procurou outras alternativas para a linha de sucessão. Tal como a imperatriz Isabel tinha feito antes de si, Catarina controlou a educação dos filhos mais velhos de Paulo e havia vários rumores que diziam que era sua intenção nomear os seus netos herdeiros, passando Paulo à frente na sucessão. De facto, acredita-se que Catarina pretendia tornar esta decisão oficial em finais de 1796, mas morreu antes de o fazer. Temendo que o testamento da mãe incluísse clausulas para tornar esse plano possível, Paulo confiscou o documento antes deste se tornar público. Alexandre, o filho mais velho de Paulo, sabia dos planos da avó, mas cedeu à pressão e não enfrentou o seu pai. Paulo tornou-se czar, mas não demorou a tornar-se tão imprevisível e pouco popular como a sua mãe tinha temido. Após cinco anos de reinado, acabaria por ser assassinado e o seu filho, Alexandre, de vinte-e-três anos, subiu ao trono como Alexandre I. 

Tradução do artigo "8 Things You Didn't Know About Catherine the Great", escrito por Barbara Maranzani para o site do Canal História e publicado a 9 de Julho de 2012.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Filme - "Catherine, the Great" (1995)



Produzido em 1995, este filme conta a história dos primeiros anos de Catarina, a Grande, na Rússia, começando no seu casamento com o Grão-duque Pedro em 1745 e avança até aos seus primeiros anos como Imperatriz, seguindo todas as intrigas, romances e traições da Corte da Imperatriz Isabel I da Rússia.

Imagens

Elenco

Catherine Zeta-Jones - Catarina
Paul McGann - Potemkin
Ian Richardson - Vorontzov
Brian Blessed - Bestuzhev
John Rhys-Davies- Pugachev
Craig McLachlan - Saltykov
Hannes Jaenick - Pedro III
Mark McGann - Orlov
Jeanne Moreau - Imperatriz Isabel
Omar Sharif - Razumovsky
Horst Frank - Schwerin
Christoph Waltz - Mirovich

Czares da Rússia - Pedro III da Rússia


Pedro III da Rússia

Nome: Pedro Feodorovich Romanov (Carlos Pedro Ulrich de Holstein-Gottorp)
Pais: Carlos Frederico, Duque de Holstein-Gottorp e Anna Petrovna da Rússia (filha do czar Pedro, o Grande).
Nascimento: 21 de Fevereiro de 1728
Reinado: 5 de Janeiro de 1762 - 9 de Julho de 1762



Reformas:

Apesar de estar pouco tempo no poder, Pedro teve ainda tempo de realizar algumas reformas durante o seu reinado. A primeira foi decretar o regresso de todas as figuras que tinham sido exiladas pela sua tia Isabel Petrovna. Nascido e criado na Prússia, o czar nutria uma grande admiração pelo país e pelo seu rei, Frederico, o Grande. Isto levou a que retirasse a Rússia da Guerra dos Sete Anos sem qualquer benificio para o país pelo simples facto de querer agradar a Frederico, visto que a Rússia tinha causado grandes perdas na frente prussiana. No mesmo sentido de promover a imagem russa em terras germânicas, Pedro começou a planear uma guerra contra a Dinamarca com o objectivo reclamar o ducado de Schleswig para a Prússia.

Internamente, no entanto, as políticas de Pedro tiveram mais sucesso. Foi o primeiro monarca a introduzir noções de capitalismo e mercantilismo no país contra as formas de produção tradicionais que ainda dominavam e proibiu a importação de açucar com o objectivo de promover o consumo interno. No entanto, Pedro era um grande defensor do direito divino da nobreza que floresceu e ganhou mais poder durante estes curtos meses. Primeiro os servos deixaram de ser mercadoria livre e a sua compra passou a ser exlusivamente um previlégio da nobreza, depois extinguiu uma antiga lei introduzida por Pedro, o Grande que obrigava nobres masculinos a participar no exercito, dando-lhes livre arbitrio para o fazerem ou não. Na igreja começou por obrigar os padres ortodoxos a tomar atitudes mais luteranas.

Pedro III da Rússia 
Queda:

Temendo que Pedro se divorciasse dela para se casar com a sua amante, Isabel Vorontsova, Catarina, a Grande planeou um golpe de estado juntamente com o seu amante, Gregório Orlov para depôr o czar. Auxiliados pela guarda Leib para quem Pedro planeava duras reformas, o seu golpe foi bem-sucedido e Pedro forçado a abdicar em favor da sua esposa. Os poucos dias que lhe restaram foram passados na prisão.

Pedro III da Rússia

Família

Carlos Frederico, Duque de Holstein-Gottorp


O pai de Pedro III nasceu em Estocolmo, na Suécia, sendo filho de Hedvig Sofia, uma filha do rei Carlos XI da Suécia. Após a morte do seu avô, Carlos foi apontado como o provável sucessor ao trono sueco, mas a sua tia Ulrika chegou primeiro e baniu o jovem para a Rússia onde ele conheceria a Grã-Duquesa Ana Petrovna.

Ana Petrovna Romanova



Filha mais velha do casamento de Pedro, o Grande com a camponesa Marta Skowronska (mais tarde Catarina I da Rússia), nascida ainda bastarda e depois legitimizada em 1712. Foi sugerida como possível noiva de Louis d'Órleans, um neto de Luís XIV de França e futuro regente de Luís XV, mas acabou por se casar com Carlos Frederico de Holstein-Gottorp para assegurar o apoio russo à conquista do condado de Schleswig pela Alemanha.

Para informação sobre a esposa e os filhos de Pedro clique aqui.


Curiosidade: Pedro não nasceu nem como Ortodoxo nem como russo. Era o filho de um Duque Alemão, descendente de monarcas suecos e por isso Luterano. Foi obrigado a converter-se apenas em 1742, quando tinha 14 anos por ordem da sua tia Isabel I da Rússia que o escolheu como seu sucessor após chegar à conclusão de que não teria filhos legitimos. Se a rainha Ulrika Leonor da Suécia nunca tivesse ascendido ao trono, era provavel que Pedro se tornasse rei da Suécia.

Causa de morte: Pedro foi assassinado na prisão por um grupo de soldados. Até hoje existe a dúvida se a ordem partiu de Catarina II ou do seu amante Orlov. Os seus assassinos nunca foram punidos.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Czares da Rússia - Catarina, a Grande


Nome: Sofia Frederica de Anhalt-Zerbst-Dornburg (Catarina II da Rússia)
Pais: Cristiano Augusto, Príncipe de Anhalt-Zerbst e Joana Isabel de Holstein-Gottorp.
Nascimento: 2 de Maio de 1729
Reinado: (como consorte) 25 de Dezembro de 1761 - 28 de Junho de 1762
                    (como reinante) 28 de Junho de 1762 - 17 de Novembro de 1796


Cronologia da sua vida:

1743 – Sofia Frederica, na altura com 14 anos, é chamada à Rússia pela Imperatriz Isabel I da Rússia.
1744 – Sofia e a sua mãe, Joana Isabel de Holstein, chegam a Moscovo para conhecer a Imperatriz Isabel no dia 9 de Fevereiro. Pouco depois a jovem princesa de 15 anos converte-se à Religião Ortodoxa e muda de nome para Catarina Alexeievna.
1745 – Catarina casa-se em São Petersburgo com Pedro Feodorovich, Grão-duque de Holstein e herdeiro do trono russo.
1747 – O pai de Catarina, Cristiano Augusto de Anhalt-Zerbst, morre.
1752 – Catarina tem o seu primeiro amante conhecido, Serge Saltykov, um oficial russo.
1754 – Catarina dá à luz o seu primeiro filho, Paulo, future Imperador da Rússia. Muitos acreditam que o seu pai era Serge Saltykov e não Pedro III.
1757 – A Rússia vence a Prússia na Guerra.
1760 – Catarina começa uma relação com um novo amante, Gregório Orlov. No mesmo ano morre a sua mãe.
1761 – A Imperatriz Isabel I da Rússia morre no dia 25 de Dezembro e o marido de Catarina é coroado Czar, passando a ser conhecido por Pedro III da Rússia.
1762 – Pedro III assina um tratado com a Prússia a 24 de Abril, fomentando a fúria entre a Nobreza russa. Catarina, apoiada pela Guarda Imperial, retira Pedro do trono e torna-se Imperatriz da Rússia. Pedro III acaba por morrer enquanto prisioneiro dos Orlovs. Catarina nega qualquer tipo de cumplicidade.


1763 – Catarina confirma o privilégio da Nobreza. Começa a coleccionar Arte proveniente de toda a Europa e expõe-la no novo museu Hermitrage. A Rússia invade a Lituânia.
1764 – O Conde Betskov é contratado para organizar novos planos para a educação de rapazes e raparigas, iniciando a reforma de Catarina para um ensino de estilo europeu na Rússia. Novas escolas e Universidades são abertas durante o seu reinado, incluindo o Instituto Smolny Para Raparigas em São Petersburgo.
1766 – Catarina escreve o “Nakaz” (Instruções) e reforma a administração local criando a posição de gorodskoi golova (Presidente da Câmara). É assinado o Tratado de Amizade com a Inglaterra.
1767 – Influenciada pelo Iluminismo francês, Catarina cria uma comissão para a reforma judicial.
1768 – A Rússia declara guerra à Turquia.


1771 – A Rússia conquista a Crimeia.
1772 – Organizam-se encontros com a Prússia e a Áustria com o objectivo de dividir a Polónia. É assinado o Armistício com a Turquia.
1773 – Catarina persuade o escritor francês Denis Diderot a entrar na Corte Russa. O Cossaco Yemelyan Pugachov lidera uma revolta de camponeses no Rio Volga. Orlov perde a sua influência.
1774 – Potemkin torna-se o novo amante de Catarina. A Imperatriz lidera a criação de um “Magistrat” (concelho municipal) que se torna na Duma da cidade em 1786. A guerra com a Turquia termina com a assinatura do Tratado de Kuchuk Kainardji.
1775 – Julgamento e execução de Pugachev. Catarina reforma as administrações provinciais e urbanas.
1777 – Aliança com a Prússia. Problemas na Crimeia.
1778 – Catarina adquire a biblioteca complete de Voltaire após a morte dele.


1781 – Aliança entre a Rússia e a Áustria.
1783 – Potemkin anexa a Crimeia à Rússia, retirando-a à Turquia.
1787 – Catarina faz uma digressão pela Crimeira. A Turquia declara guerra à Rússia.
1788 – Catarina impõe a anexação da Polónia. Guerra com a Suécia.
1789 – Temendo que a Revolução Francesa se espalhasse à Rússia, Catarina desfaz muitas das suas reformas liberais.


1790 – Paz com a Suécia.
1791 – Morte de Potemkin. Tratado de Jassy, assinado entre a Turquia e a Rússia.
1793 – A Polónia volta a separar-se da Rússia.
1794 – Insurreições na Polónia. Terceira separação da Polónia.
1796 – Catarina morre.



Família

Consorte:

Pedro III da Rússia

A família da mãe de Catarina (ainda conhecida pelo seu nome de nascimento, Sofia) estava intimamente ligada com a família imperial russa. O seu tio materno, Carlos Augusto de Holnstein, tinha sido um dos pretendentes a casar-se com a Imperatriz Isabel I, mas morreu de sarampo antes do casamento acontecer. Durante a sua procura de noivas para o seu sobrinho Pedro, Isabel interessou-se por Sofia e convocou-a a São Petersburgo.


A família deixou Zerbst no dia 10 de Janeiro de 1744. Alguns dias mais tarde, Sofia despediu-se do seu pai em Schwedt, nas margens do rio Oder, e continuou a viagem com a sua mãe. Realizada a meio do Inverno, a viagem foi longa e extenuante. Quando atravessaram a fronteira russa, mãe e filha encontraram trenós, enviados pela Imperatriz Isabel. O resto da viagem foi luxuosa, no entanto, ao chegar triunfantemente a São Petersburgo, foram informadas de que a Corte se encontrava em Moscovo na altura. Por isso, após um breve período de descanso, elas voltaram a fazer-se à estrada, uma vez que queriam chegar à segunda cidade mais importante do Império a tempo do aniversário do Grão-duque Pedro que se realizaria a 10 de Fevereiro. Segundo relatos da época, a Imperatriz gostou imediatamente de Sofia. O Grão-duque ficou contente por vê-las, já que a mãe de Sofia era prima directa do seu pai. A futura noiva notou imediatamente uma certa fragilidade em Pedro, uma analise acertada, visto que ele sofria de todo o tipo de doenças. Ele era atrasado, tanto física como emocionalmente, tendo crescido sem uma mãe presente e um pai que não gostava de passar tempo com ele. Ele era uma criança que nunca tinha conhecido amor ou afecto. Sofia também reparou que ele se ocupava com jogos infantis, que era muito caseiro, mas, acima de tudo, que odiava profundamente o país que estava destinado a reinar. Pedro era um crente firme da fé Luterana e adorava tudo que fosse prussiano. O rei Frederico era o seu herói.


Sofia começou a aprender russo e a estudar a Religião Ortodoxa, o que agradou à Imperatriz Isabel. No dia 28 de Junho, Sofia converteu-se numa grande cerimónia. No dia seguinte aconteceu o noivado e a Princesa Sofia de Anhalt-Zerbst tornou-se na Grã-duquesa Catarina Alexeyevna da Rússia e passou a ser a segunda mulher mais importante do país.

Pouco tempo depois, Pedro contraiu Sarampo e depois começou a mostrar sintomas de Varicela. Foi a própria Imperatriz que cuidou dele durante a doença, que o deixou com o rosto desfigurado e com muito pouco cabelo. Ele sabia como a doença o tinha deixado ainda menos atraente, o que destruiu a pouca confiança que lhe restava. Catarina achava-o uma criatura penosa e olhava para o casamento com muito pouco entusiasmo. Na altura Pedro tinha começado a beber em excesso e o seu comportamento tornou-se cruel. A corte regressou a São Petersburgo e, após vários adiamentos, o casamento aconteceu no dia 21 de Agosto de 1745 na Catedral de Kasan.

Acredita-se que o casamento não terá sido consumado, uma vez que o corpo de Pedro não se tinha desenvolvido devido às suas muitas doenças. Foi nesta altura que Catarina, sentindo-se mais isolada do que nunca, escreveu: “Devia ter amado o meu novo marido, se ele, pelo menos, tivesse sido minimamente amável. Mas nos primeiros dias do meu casamento, fiz algumas refleções cruéis sobre ele. Estou sempre a dizer-me a mim mesma: ‘Se amares este homem, vais ser a criatura mais miserável à face da Terra. Tem cuidado no que toca ao afecto por este homem, pensa em ti, Madame.”

O jovem casal habituou-se um ao outro, mas o casamento foi um erro miserável. A mãe de Catarina acabou por regressar a casa e a futura Imperatriz ocupou-se lendo tudo o que lhe viesse parar às mãos. Acabou por descobrir satisfação quando avançou dos trabalhos de Platão para os de Voltaire. O seu interesse pelo intelectual causou uma separação ainda maior entre ela e o marido, que a começou a evitar. Ele sentia prazer em dizer-lhe o quanto gostava de outras mulheres. Catarina começou a ficar satisfeita com as ocupações infantis dele. Os anos foram passando e não havia nenhum herdeiro à vista, irritando profundamente a Imperatriz que culpava Catarina por não se conseguir tornar atraente aos olhos do marido. O facto de ela ter arranjado um amante, é pouco surpreendente no meio de toda a pressão a que estava sujeita. Menos de dois anos depois, ela finalmente deu à luz um filho, Paulo, que foi imediatamente levado para os aposentos da Imperatriz onde ficaria até à morte dela.


Filhos:

Paulo I da Rússia

Alexei Bobrinsky
Alexei foi o filho nascido da relação de Catarina com o Conde Gregório Orlov, nascido a 11 de Abril de 1762. O seu apelido foi escolhido como uma derivação do nome da casa onde a sua família vivia, Brobrinskoe. Tinha 19 anos quando a Imperatriz lhe revelou que era sua mãe através de uma carta. Casou-se com a Baronesa Ana Doroteia von Ungern-Sternberg de quem teve descendência que sobrevive até hoje. O seu meio-irmão Paulo I criou-o Conde durante o seu curto reinado.

Isabel Grigoryevna Temkina

Isabel foi a filha de Catarina com o Príncipe Potemkin-Tauria. Nasceu em segredo, em Moscovo, durante as comemorações do final da Guerra Russo-Turca, a 13 de Julho de 17775. Foi criada pela irmã do pai, Maria Alexandrovna Samoilova. Casou-se com o Major Ivan Hristoforovicha Kalageorgi, de quem teve 10 filhos. Quando tinha 22 anos de idade, Isabel posou para o artista Vladimir Borovikovsky como Deusa Diana, nua, sendo o quadro vendido por 6 milhões de rublos. Hoje ele pode ser visto na Galeria do Estado Tretyakov.

***


Causa de morte: Catarina, a Grande sofreu um ataque cardiaco no dia 16 de Novembro de 1796 que a deixou inconsciente. Morreu poucas horas depois, sem recuperar os sentidos. Tinha 67 anos.