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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Biografia - Maria Nikolaevna


Maria Nikolaevna Romanova foi a terceira filha de Nicolau II e Alexandra Feodorovna, nascida a 26 de Junho de 1899, no Palácio de Petehof. Desde 1991 que se questiona se ela terá sobrevivido ao massacre que vitimou toda a sua família na noite de 17 de Julho de 1918, uma vez que alguns cientistas russos defenderam que era o seu corpo (e não o de Anastásia ) que faltava quando os corpos dos Romanov foram encontrados.


Maria nos braços da mãe com poucos meses de idade

Quando Maria nasceu, o seu pai, o czar Nicolau II, escreveu no seu diário:

Um dia feliz: o Senhor enviou-nos uma terceira filha – Maria, que nasceu em segurança às 12:10! A Alix mal dormiu durante a noite, e de manhã as dores aumentaram. Graças a Deus que tudo acabou depressa! A minha querida sentiu-se bem durante todo o dia e alimentou ela própria a bebé… a tarde foi maravilhosa.”


Embora fosse bem recebida pela sua família, o nascimento de Maria acabou por se tornar também numa desilusão, uma vez que era a terceira rapariga que nascia e não o tão desejado herdeiro, tal como a sua tia Xenia escreveu no seu diário:

Que alegria que tudo tenha acabado bem, e a ansiedade da espera tenha, finalmente, acabado! Mas foi uma desilusão não ser um filho. Coitada da Alix! Nós, claro, estamos encantados de qualquer maneira – quer seja um filho ou uma filha!

Maria com as irmãs em 1901

Os seus contemporâneos descreveram Maria como uma bonita e sedutora menina, bem constituída, com cabelo castanho claro e grandes olhos azuis que eram conhecidos na família como "as safiras da Maria". O seu tutor francês, Pierre Gilliard , disse que Maria era alta, bonita , com bochechas rosadas. Tatiana Botkina achava que a expressão dos olhos de Maria era "calma e gentil". Quando era criança era comparada aos anjos de Botticelli. O Grande Duque Vladimir Alexandrovich apelidou-a de "o bebé amável " devido à sua simpatia.

Maria em 1902

Quando aprendeu a andar, a pequena Maria escapou da sua banheira e começou a correr pelo corredor do palácio nua, enquanto a sua ama, Margaretta Eagar , que adorava politica, estava a discutir o caso de Dreyfus com um amigo. "Felizmente eu tinha acabado de chegar, peguei nela e levei-a de volta para a Miss Eagar que ainda estava a falar sobre Dreyfus," recordou a sua tia, a grã-duquesa Olga Alexandrovna da Rússia.


As suas irmãs mais velhas não gostavam de a incluir nas suas brincadeiras, chegando mesmo a chamá-la "meia-irmã" por ser tão boa e nunca se meter em confusões, recordou Margaretta Eagar nas suas memórias. Contudo, em certas ocasiões, a menina querida podia tornar-se bastante malévola. Uma vez Maria roubou algumas bolachas da mesa de chá da mãe. Como castigo pelo seu comportamento surpreendente, a ama e Alexandra sugeriram enviá-la para a cama sem comer, contudo Nicolau não concordou. "Sempre tive medo das asas que lhe estavam a crescer. Estou satisfeito por ver que ela é apenas humana." disse ele.

Olga e  Tatiana "brincam" com a irmã

Maria tinha uma admiração especial pelo seu pai e era frequente fugir do quarto de brincar para "ir ter com o papá". Quando ele ficou doente com Febre tifóide na Crimeia, em 1901, a pequena grã-duquesa ficou desgostosa e tentava todas as oportunidades para fugir do quarto-de-brincar para ir ter com Nicolau II. Eventualmente a sua governanta teve de passar a fechar a porta à chave para que ela não fugisse, mas mesmo assim, sempre que ouvia algum som saído do quarto do doente, esticava os braços e começava a chamar pelo pai. Na primeira noite após ter sido feito o diagnóstico ao czar, a czarina foi ter com as suas filhas e, por acaso, estava a usar uma miniatura de São Nicolau ao pescoço. As pequenas crianças desde cedo tinham começado a sua educação religiosa e aquele era o santo da família. Além do mais, Maria sabia que ele partilhava o nome com o seu pai. Entre soluços e lágrimas, Maria trepou o joelho da sua mãe e cobriu a miniatura de beijos. A partir de então não houve nenhuma noite durante a sua doença em que ela fosse para a cama sem a beijar.

Maria com o pai em 1901

Maria e a sua irmã mais nova, Anastasia, eram conhecidas na família pelo "Par Pequeno" por serem as irmãs mais novas. Tal como as irmãs mais velhas, Olga e Tatiana, as duas partilhavam o quarto e passavam grande parte do tempo juntas.

Maria e Anastasia eram vestidas de forma semelhante em ocasiões especiais quando usavam variações do mesmo vestido. Maria era muitas vezes dominada pela sua entusiástica e energética irmã mais nova. Quando Anastasia fazia rasteiras a pessoas que passavam por elas, troçava de outros ou tinha um ataque de raiva, Maria tentava sempre pedir desculpa, apesar de nunca ter conseguido parar a irmã mais nova.

Maria e Anastásia
Maria tinha gostos simples e era tão bondosa que, às vezes, as irmãs aproveitavam-se disso e chamavam-na de "chorona baixinha e gorda". Em 1910, a sua irmã Olga de catorza anos convenceu Maria de dez a escrever uma carta à sua mãe onde lhe pedia que desse a Olga um quarto só para ela e que ela devia ter autorização para usar os seus vestidos. Mais tarde Maria tentou convencer a mãe de que a carta tinha sido ideia sua. A amiga da mãe, Lili Dehn, disse que ela não era tão espevitada como as irmãs, mas que tinha a sua própria opinião.


Maria e Tatiana em 1907

A sua ama relembrou uma história que mostra a bondade quase inocente da pequena Maria:

Quando regressamos a Czarskoe Selo, a Imperatriz mostrou sintomas de tosse compulsiva. A tosse espalhou-se rapidamente às suas quatro filhas. A ama russa e eu também a apanhámos. Eu tinha dito às crianças para que tivessem muito cuidado para não tossir para cima de ninguém, ou então essa pessoa poderia contrair a doença. Elas foram muito obedientes. Um dia a pequena grã-duquesa Anastasia estava a tossir e espirrar muito, quando a grã-duquesa Maria foi ter com ela e, pondo a sua cara perto da dela, disse-lhe, 'Bebé, querida, tosse para cima de mim.' Espantada com esta atitude, perguntei-lhe o que queria ela dizer e a criança disse, 'Tenho tanta pena de ver a minha irmã mais nova tão doente. Pensei que se pudesse ficar com tosse ela pudesse melhorar.'

Maria com o pai em 1910

Quando Maria tinha oito anos, teve o seu primeiro contacto com a morte quando a sua prima Isabel de Hesse não resistir a um ataque de febre tifóide quando se encontrava de férias com os Romanov na Polónia. Maria falava pouco desse episódio, mas, numa ocasião mostrou lidar bem com o assunto:

Um dia a Maria estava a ver uma imagem de Nydia, a rapariga cega de Pompeia e perguntou-me por que razão era ela cega. Eu respondi que Deus, às vezes, põe as pessoas cegas e ninguém sabe porquê. Então ela disse, 'Eu conheço alguém que sabe.' Eu disse, 'Não, querida, acho que não. Ninguém sabe.' 'A prima Ella (Isabel de Hesse) sabe,' respondeu ela, 'ela está no céu a falar com Deus e Ele está-lhe a dizer como é que Ele o fez e porquê.'”


Maria tinha talento para desenhar e fazer caricaturas e usava sempre a mão esquerda, mas, no geral, não se interessava pela escola. Era muito forte e, às vezes, divertia-se a montrar como conseguia levantar os seus tutores do chão. Apesar de ser quase sempre simpática e gentil, havia alturas em que ela se tornava teimosa e, ocasionalmente, preguiçosa. A sua mãe queixou-se numa carta de que Maria estava "de mau humor" e estava "sempre a gritar" com as pessoas que a irritavam. Normalmente este mau humor coincidia com o seu período menstrual que era conhecido pela czarina e pelas filhas como "uma visita da Madame Becker".

Maria a desenhar por volta de 1910
A jovem Maria tinha inúmeras paixonetas por jovens soldados com quem se encontrava no palácio e durante as férias de família. Ela adorava crianças e, se não fosse uma grã-duquesa, o seu maior sonho era casar-se com um soldado russo e ter uma grande família. Segundo Margaretta Eagar, a sua paixão por soldados começou desde muito cedo:

"Um dia a pequena grã-duquesa Maria estava a olhar pela janela para um regimento de soldados que marchavam por perto e exclamou: 'Adoro estes soldados queridos; Quem me dera poder beijá-los a todos!' Eu disse: 'Maria, as meninas bem comportadas não beijam soldados.' Alguns dias mais tarde, houve uma festa para crianças e os filhos do grão-duque Constantino estavam entre os convidados. Um deles tinha já doze anos, tinha entrado para os cadetes e veio com o seu uniforme. Ele queria cumprimentar a pequena prima com um beijo, mas ela cobriu a boca com a mão e afastou-se e disse com grande dignidade: 'Vai-te embora soldado! Eu não beijo soldados.' O rapaz ficou satisfeito por ser confundido com um soldado de verdade."



As cartas de Alexandra revelavam que a filha do meio da família, sentia-se, por vezes, insegura e excluída pelas suas irmãs mais velhas e temia que não fosse tão amada pelos pais como as outras. Alexandra assegurou-lhe de que todos a adoravam tanto como adoravam as irmãs e o irmão Alexis. Com onze anos há relatos de que Maria desenvolveu uma dolorosa paixão por um jovem que tinha conhecido.

"Tenta não deixar os teus pensamentos prenderem-se nele,  foi isso o que o Nosso Amigo (Rasputin) disse," escreveu-lhe Alexandra no dia 6 de Dezembro de 1910. A sua mãe aconselhou-a a manter os seus sentimentos escondidos porque outras pessoas podiam dizer coisas pouco simpáticas sobre a sua paixoneta. "Não devemos deixar os outros ver o que sentimos por dentro, quando eles sabem que não é considerado próprio. Eu sei que ele gosta de ti como uma irmã e ajudar-te-ia a não te importares demais, porque ele sabe que tu, uma pequena grã-duquesa, não lhe deves dar grande importância.


Maria com um grupo de soldados
Maria e as suas três irmãs eram, tal como a sua mãe, potenciais portadoras do gene da hemofilia. Um dos irmãos e dois sobrinhos de Alexandra, tal como dos seus tios maternos e muitos outros membros da sua família, eram já hemofílicos antes de a doença ser diagnosticada a Alexis, irmão mais novo de Maria. Ela própria teve uma grave hemorragia em Dezembro de 1914 durante uma operação para remover as amígdalas, de acordo com a sua tia, a grã-duquesa Olga Alexandrovna da Rússia, que foi entrevistada mais tarde na sua vida. O médico que fez a cirurgia ficou tão enervado que teve de receber ordens para continuar por parte da mãe de Maria, Alexandra. Olga Alexandrovna acreditava que todas as quatro sobrinhas sangravam mais do que o normal e que eram portadoras do mesmo gene de hemofilia que a mãe.

Maria com o irmão Alexis em 1916
Por serem demasiado novas para serem enfermeiras quando começou a Primeira Guerra Mundial, Maria e Anastasia limitaram-se a visitar soldados feridos no hospital onde trabalhavam as irmãs e a mãe. As duas adolescentes jogavam xadrez e bilhar com os soldados e tentavam animá-los. Um soldado ferido chamado Dmitri assinou o bloco de notas de Maria tratando-a pela sua alcunha.

Maria e Anastásia com um grupo de soldados em 1915

Durante a guerra, Maria e Anastasia também visitavam a escola de enfermagem e ajudavam a cuidar das crianças. Quando queriam fazer uma pausa durante a guerra, Maria, as irmãs e a mãe visitavam às vezes o pai e o irmão Alexis quando eles estavam no quartel general em Mogilev. Durante estas visitas, Maria começou a sentir-se atraída por Nikolai Dmitrievich Demenkov, um oficial do quartel general. Quando voltavam a Tsarskoye Selo era frequente que ela pedisse ao pai para mandar cumprimentos seus a Demenkov e até chegava a assinar as cartas que enviava ao czar como "Senhora Demenkov".

 
Maria em 1914

A Revolução rebentou em São Petersburgo na Primavera de 1917. No pico do caos, as irmãs de Maria e irmão Alexis adoeceram com sarampo. A czarina hesitou em enviar os filhos para a sua residência segura em Gatchina, mesmo tendo sido aconselhada para o fazer. Maria foi a última dos cinco irmãos a adoecer e, enquanto esteve saudável, era a maior fonte de apoio da sua mãe. Maria foi rezar com os soldados que ainda se mantinham leais ao czar, com a mãe na noite de 13 de Março de 1917. Pouco depois, a adolescente de 17 anos adoeceu com sarampo ao qual se seguiu uma violenta pneumonia. Ao longo dos dias o seu estado de saúde complicou-se mais do que o esperado e chegou a ser necessário a ajuda artificial para respirar por ter os pulmões bloqueados. Durante a sua doença, Maria costumava ter pesadelos onde soldados desconhecidos matavam a sua mãe. Foi devido ao seu grave estado de saúde que o Governo Provisório não insistiu para que, pelo menos os filhos, abandonassem rapidamente o país.

Maria a recuperar da sua doença com o pai na primavera de 1917
O seu médico chegou mesmo a afirmar que não havia esperança de que a terceira grã-duquesa conseguisse sobreviver mais uma noite e pediu à dama-de-companhia da czarina que a preparasse para a morte da filha, mas esta recusou-se afirmando que Alexandra tinha já muito com que se preocupar depois da abdicação do czar e sabia perfeitamente da gravidade do estado de saúde da filha. Eventualmente, contra todas as probabilidades, Maria conseguiu passar a noite e começou a recuperar nos dias que se seguiram. Foi apenas quando estava quase completamente recuperada que recebeu a notícia da abdicação do pai. Nesta altura, o Governo Provisório começava já a perder a sua influência para os bolcheviques e era tarde demais para a família deixar o país.
Maria na primavera de 1917
A família foi capturada e presa, primeiro na sua casa em Czarskoe Selo e mais tarde em residenciais de Tobolsk e Ecaterimburgo, na Sibéria. Maria tentou ser amável com os guardas em ambos os locais e aprendeu depressa os seus nomes e detalhes sobre as suas mulheres e filhos. Inconsciente do perigo a que estava sujeita, comentou em Tobolsk de que seria feliz se vivesse lá para sempre se a deixassem passear pelo jardim sem ser acompanhada pelos guardas continuamente. Maria e a irmã Anastasia queimaram as suas cartas e diários em Abril de 1918 por temerem que as suas coisas fossem revistadas.

Maria  com  Anastasia  e  Tatiana  em  Tobolsk  (1917)

A czarina Alexandra escolheu Maria para a acompanhar a si e a Nicolau II quando receberam ordens para serem transferidos para Ekaterinburgo e a família ficou separada durante um mês em Abril de 1918. De acordo com Sophie Buxhoevden, uma empregada que acompanhou a família, Maria tinha crescido muito durante os meses em que esteve presa com a família e a czarina sentia que podia confiar na sua terceira filha para a ajudar, uma vez que já não podia contar com a deprimida Olga nem com Anastasia que continuava a ser uma criança. Tatiana ficou para tomar conta do irmão Alexis.

Nas cartas que enviou às irmãs nesta nova fase, Maria descreveu a sua preocupação para com as novas restrições a que a família foi sujeita. Ela e os pais foram revistados pelos guardas da Casa Ipatiev e avisados de que novas inspecções iriam surgir enquanto lá estivessem. Foi também construída uma vedação que limitava a vista para a rua. "Que complicado é tudo agora," escreveu ela no dia 2 de Maio de 1918. "Vivemos tão pacificamente durante 8 meses e agora começou tudo de novo."

Maria (2ª da  direita)  e  os  irmãos  após   perderem  o  cabelo  após  ganharem  sarampo

Maria ocupou o tempo tentando fazer novas amizades com os guardas da "Casa Para Fins Especiais". Mostrou-lhes fotografias do seu álbum e conversou com eles sobre as suas famílias e as suas próprias esperanças para a nova vida em Inglaterra se fosse libertada. Alexander Strkotin, um dos guardas, recordou com apreço a sua beleza vigorosa e disse que ela nunca mostrou nenhum ar de grandeza.

Um antigo sentinela recordou que Maria era frequentemente levada pela sua mãe com "murmúrios severos e zangados", aparentemente por ser demasiado simpática com os guardas. Strekotin escreveu que as suas conversas começavam sempre com uma das raparigas a dizer: "Estamos tão aborrecidas! Em Tobolsk tinhamos sempre alguma coisa para fazer. Já sei! Tentem adivinhar o nome deste cão!" As adolescentes passavam pelos sentinelas a sussurrar e a  rir de uma forma que eles consideravam "sedutora".


Maria por volta de 1915
Quando um dia um dos guardas contou uma anedota obscena às filhas do czar, deixando Tatiana bastante perturbada, Maria olhou-o nos olhos e disse, "Não se sentem envergonhados quando usam essas palavras obsenas? Não imaginam que podem ofender uma mulher bem nascida com elas e pô-la contra vocês? Tenham mais respeito e então nós podemos dar-nos todos bem." Ivan Kleschev, um guarda de vinte-e-um anos, declarou que tinha intenções de casar com uma das grã-duquesas e, se os pais dela recusassem, ele a salvaria da Casa Ipatiev.

Ilustração da chegada de Maria com os pais a Ecaterimburgo

Ivan Skorokhodov, um outro guarda da casa, conseguiu trazer um bolo de aniversário para comemorar os dezanove anos de Maria no dia 26 de Junho de 1918. Maria afastou-se com ele do grupo para um momento privado e foram descobertos por dois dos seus superiores que resolveram fazer uma inspecção surpresa à família. Skorokhodov foi removido da sua posição pouco depois e por manter amizade com uma prisioneira. Nas suas memórias, vários guardas afirmaram que tanto a czarina como a sua irmã Olga pareceram zangadas com Maria nos dias que se seguiram ao incidente e Olga evitava mesmo a sua companhia.


Maria em 1915

Na noite de 17 de Julho de 1918, toda a família foi executada na cave da Casa Ipatiev, no entanto o que verdadeiramente terá acontecido a Maria e à sua irmã Anastasia permaneceu um dos maiores mistérios do século XX que muitos consideram estar ainda por desvendar.

Maria  e  Anastásia  em 1912

De acordo com o relato de um dos assassinos, Maria terá conseguido fugir e chegou até a um armazém onde bateu à porta, desesperada, pedindo ajuda. Mais tarde terá sido atingida por um tiro do Comissário Peter Emakov, que também a terá tentado esfaquear com a baioneta da arma e depois lhe deu um tiro na cabeça, mas pode ter falhado o alvo. Também se diz que ela poderá ter desmaiado e que conseguiu permanecer viva até que os corpos foram inspeccionados para que se tivesse a certeza de que toda a família estava morta. Maria terá gritado, o que fez com que fosse esfaqueada novamente. Quando a nova tentativa também falhou, diz-se que Emakov a terá agredido até ela se calar. Até hoje, mesmo tendo-se encontrado todos os corpos a sua causa de morte continua a ser desconhecida.

Maria a segurar um animal em 1916
A suspeita de que Maria teria sobrevivido ao massacre voltou a ser considerada quando os corpos da família e empregados que os acompanhavam foram descobertos e analisados em 1991. Logo no dia em que se procedeu à abertura da sepultura, se chegou à conclusão de que faltavam dois corpos.

Após a análise dos corpos com a mais alta tecnologia da altura houve um dilema entre a equipa de cientistas americana e a russa, uma vez que os primeiros afirmavam que os corpos que faltavam eram os de Alexis e Anastasia e os outros diziam ter a certeza de que se tratava de Alexis e Maria.

Maria  em 1913

O assunto da possível sobrevivência de Maria é mesmo retratado de uma forma fantasiada no livro "The Kitchen Boy - Os últimos dias dos Romanov " de Robert Alexander que conta a história de um suposto ajudante de cozinha que viveu com a família real os dias de exílio na Casa Ipatiev e acaba por salvar a grã-duquesa .

Anastasia, Alexis, Alexandra e Maria em 1910

No dia 23 de Agosto de 2007, um arqueólogo russo anunciou que tinha descoberto partes de dois esqueletos queimados perto do local onde foram encontrados os restantes Romanov. Após 8 meses de exames intensivos complicados por diversas vezes devido ao avançado estado de deterioração dos restos mortais, no dia 30 de Abril de 2008, foi anunciado durante uma conferência de imprensa que os corpos pertenciam a Alexis e Maria, parecendo terminar assim um dos maiores mistérios do século XX.

Maria e Alexei em 1916
Os preparativos para o enterro de Maria e Alexei foram interrompidos quando a Igreja Ortodoxa Russa, apoiada por uma das actuais representantes da família Romanov, a grã-duquesa Maria Vladimirovna, levantou dúvidas relativamente à autenticidade tanto dos restos mortais encontrados em 2007 como os que tinham sido já enterrados em 1998. De modo a terminar com qualquer dúvida relativamente à identidade dos corpos, em Setembro de 2015, um grupo de trabalho liderado pelo antigo presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, procedeu à exumação dos corpos enterrados na Fortaleza Pedro e Paulo desde 1998, assim como de outros membros da família Romanov, nomeadamente o czar Alexandre III. O objectivo é recorrer às mais recentes inovações na área da ciência forense para confirmar, sem margem para dúvida, de que os corpos pertencem aos Romanov e poder assim dar seguimento ao enterro de Maria e Alexei.



Maria foi assasinada na noite de 17 de Julho de 1918, menos de um mês depois de completar 19 anos


4 comentários:

  1. Wonderful post about the beautiful Maria! Thank you!

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  2. María es una Santa, una Mártir , víctima del bolchevismo . Para los que creemos en la Grandeza y la Santidad de Rusia, vemos en ella no solo a una joven hermosa, una princesa sino una mujer que sufrio el odio de los enemigos de Dios juntocon su familia.
    Para los que luchan aun " Pro Aris et Focis" Santa Maria Romanova es una gran aliada, una oracion nunca esta demas

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  3. Não sei que mistério é esse que envolve a morte de Maria e Alexei. Toda a família foi levada até a cave. Jamais os assassinos deixariam alguém de fora da chacina. Eles estavam ali para isso e eram muitos. A família praticamente ficou acuada e não teria como fugir.

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  4. COMUNISTAS SÃO ANIMAIS, LENIN ERA UM BASTARDO FILHO DA PUTA E NÓS VAMOS FAZER O SOCIALISMO DO NOSSO PAÍS

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