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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Biografia - Miguel Alexandrovich

O Grão-Duque Miguel Alexandrovich Romanov nasceu em São Petersburgo no dia 9 de Dezembro de 1878, sendo o quarto filho do Czarevich Alexandre Alexandrovich e da sua esposa, a antiga Princesa Dinamarquesa, conhecida na Rússia por Maria Feodorovna. Misha, como era conhecido pela sua família e amigos mais próximos, era, sem dúvida, o filho preferido dos seus pais. O seu pai subiria ao trono em 1881, após o assassinato do seu avô, Alexandre II.

Grão-Duque Miguel Alexandrovich durante a sua infância

A infância de Miguel foi passada sobretudo no Palácio de Gatchina, localizado nos arredores de São Petersburgo, antiga residência do seu trisavô Paulo I. Neste palácio vivia-se num ambiente relaxado de casa de campo e simplicidade sem grandes luxos. Enquanto Alexandre III era austero e dominador como Czar e com outros membros da família, com os seus filhos era um pai devoto e relaxado, especialmente com Miguel. Nicolau II era conhecido como uma criança tímida e insegura, mas, pelo contrário, Miguel era amistoso e mostrava bem a confiança interior de filho predilecto.

Miguel com o seu pai Alexandre III

Entre os seus irmãos, Miguel era mais próximo da sua irmã mais nova, Olga Alexandrovna que o tratava por “querido, querido Floppy”. Os dois irmãos viajavam bastante juntos e a primeira paixão de Miguel foi com uma das suas damas-de-companhia chamada Dina. Essa relação não foi considerada própria para um Grão-Duque e terminou graças aos esforços da sua mãe. Misha estava ao lado do seu adorado pai quando este morreu subitamente em 1894.

Miguel era muito mais alto que o seu irmão Nicolau e recebera a beleza da sua família, por isso causava muitas paixões por onde quer que passasse.

Miguel e Olga

Miguel (2º da esquerda) com o pai

Em 1899, quando Miguel tinha 20 anos, o seu irmão mais velho, Jorge morreu de tuberculose. Como Nicolau e Alexandra ainda não tinham um filho, Misha recebeu o título de czarevich até a Agosto de 1904 quando o seu sobrinho Alexis Nikolaevich nasceu. Quando Alexandra estava grávida de Anastasia, Nicolau esteve muito próximo da morte quando sofreu de febre tifóide. Foi só durante essa altura que Alexandra soube das leis paulistas que impediam as suas filhas de subir ao trono. Muitos dizem que foi então que começou a sua obsessão em ter um filho. Felizmente para todos, Nicolau sobreviveu e Miguel pôde regressar à sua rotina normal. O papel de um jovem adulto herdeiro ao trono na família Romanov era muito semelhante ao que hoje faz um Vice-Presidente nos Estados Unidos: participava em muitos casamentos e funerais. Miguel representou Nicolau tanto no funeral da Rainha Vitória em 1901 como no do Rei Eduardo VII do Reino Unido em 1909. A relutância do Czar em abandonar a sua jovem família fazia com que as viagens de Miguel aumentassem, tanto no seu país como no estrangeiro.

Miguel atrás de Alexandra e Nicolau

Como resultado das suas viagens, Miguel tornou-se numa espécie de cavalheiro britânico. Muitos dos seus gostos e preferências reflectiam os da aristocracia inglesa da altura. Era um brilhante cavaleiro, sabia conduzir na perfeição e adorava animais e estar no campo. Durante estes anos, quando estava na Rússia, vivia no seu palácio de infância, Gatchina.

Um dos seus outros deveres levou, indirectamente, ao seu casamento em 1912. Durante muitos anos, Miguel foi o comandante da Guarda Imperial que tinha o seu quartel-general em Gatchina. Foi aí que conheceu a esposa de um dos oficiais, Natalia Wulfert, em 1906. O escândalo causado por esta ligação foi o segundo do tipo na família. Antes o seu tio, o Grão-Duque Paulo, tinha casado com a estranha ex-mulher do adjunto de Vladimir Alexandrovich.

Miguel Alexandrovich e esposa em 1915

Natalia Wulfert era descrita pelos seus contemporâneos como uma bonita jovem de 18 anos e com um espírito independente quando conheceu Miguel em 1906. Filha de um advogado de Moscovo, casou-se pela primeira vez aos 16 anos com o director musical de Bolshoi Mamontv. Enquanto estava casada com Wulfer, conheceu Misha e, segundo relatos, houve uma atracção imediata de ambos os lados. Pouco tempo depois tornaram-se amantes e o Grão-Duque, seguindo a lei, escreveu ao seu irmão Nicolau para lhe pedir permissão para se casar com ela.

A família real britânica tinha o seu desdém por ver os seus membros casar com pessoas divorciadas, mas os princípios dos Romanov eram ainda mais complexos. De acordo com as leis Paulinas, os membros da Família Imperial estavam proibidos de contrair “matrimónios desiguais.” Assim, os membros da família eram obrigados a unir-se com outras famílias reais ou aristocráticas que fossem aprovadas pelo Czar. Durante o reinado de Nicolau II, a grande maioria dos casamentos “escandalosos” envolveram uniões entre membros da família com cidadãos russos fora da aristocracia. Por exemplo, a sua irmã mais nova, Olga Alexandrovna, casou-se com um coronel muito respeitável, mas sem qualquer ligação à aristocracia. Por isso a oposição da família ao casamento de Miguel com Natalia não se deveu tanto à sua falta de origens aristocráticas, mas sim ao facto de esta ser divorciada.

Nataslia e Miguel durante o exilio

Nicolau não aceitou o casamento e deixou-o bem claro quando enviou o seu irmão para um posto de comando afastado em Orel. Natalia foi enviada para umas longas “férias” pela Europa. Os amantes trocaram vários telegramas e cartas e, finalmente, não conseguiram manter-se afastados. Viveram juntos sem se casarem durante vários anos. Em 1910, Natalia deu à luz o único filho do casal, Jorge, que recebeu o nome em honra do irmão mais velho de Miguel. Apenas dois eventos interromperam o silêncio entre Nicolau e Miguel: a grave crise de hemofilia de Alexis na Polónia em 1912 e a Primeira Guerra Mundial.

Natalia e Miguel com o seu filho Jorge

Quando Miguel recebeu a notícia da gravidade do estado de saúde de Alexis na casa de férias da família em Spala, na Polónia, entrou em pânico. Ele e Natalia tinham vivido como vagabundos imperiais, viajando pela Europa com o seu filho bebé. Contudo, se Alexis morresse, Miguel tornar-se-ia novamente herdeiro ao trono e não queria sê-lo sem Natalia a seu lado como esposa legítima. Com a falta de saúde do sobrinho e o fim aparente de gestações de Alexandra, Miguel temia que o facto de ainda não ainda não se ter casado com Natalia fosse utilizado para o atirar para um casamento imperial com outra mulher, por isso, durante a crise, casou-se com a sua companheira em Viena, numa Igreja Ortodoxa Sérvia. Fê-lo para que o seu irmão Nicolau ou a Igreja Ortodoxa Russa não pudessem afastar Natalia que recebera agora o apelido de Romanov.


A atitude de desafio de Miguel em relação à sua família pode ser comparada ao que o seu primo Eduardo VIII faria anos mais tarde com Wallis Simpson, uma divorciada americana que o levaria a abdicar do trono de Inglaterra. Para os românticos o amor que unia Miguel e Natalia pode ser inspirador, mas para Nicolau II, este acto foi visto como traição que deixou o Czar zangado e devastado, principalmente devido ao facto de o irmão ter escolhido uma altura tão complicada como era a possível morte do herdeiro ao trono. A zanga entre os dois irmãos intensificou-se e não seria resolvida até ao rebentar da I Guerra Mundial dois anos mais tarde.

Miguel e Nicolau em 1903

Nicolau não pediu a ajuda de Miguel imediatamente após o rebentar do conflito em Agosto de 1914. Foi o melhor amigo de Miguel, o General Ivan Ivanovich, que se colocou entre os dois irmãos e intercedeu por Miguel, sugerindo que ele deveria ser nomeado comandante da “Divisão Selvagem.”

A “Divisão Selvagem” era uma unidade composta apenas por soldados voluntários, composta por seis regimentos de Muçulmanos provenientes da região do Cáucaso. Miguel era uma escolha popular entre os combatentes desta unidade onde quase todos guardavam uma fotografia do Grão-Duque no uniforme.

Miguel durante a I Guerra Mundial

Natalia fundou vários hospitais por toda a cidade de Petogrado (como era chamada São Petersburgo na altura) e até transformou o Palácio de Gatchina num pólo da Cruz Vermelha Dinamarquesa que também serviu de refúgio após a Revolução. Também durante a sua estadia na Rússia recebeu finalmente o título de Condensa Brassova, juntamente com o seu filho que recebeu o título de Conde Brassov.  Apesar de muitos dos membros da família a receberem, incluindo a mãe e irmãs de Miguel, a Condensa nunca foi convidada por Nicolau e Alexandra. Contudo, de acordo com os relatos da época, ela achava suficiente que a tratassem pela “mulher do Grão-Duque” e aceitava o desdém de outros membros dos Romanov com dignidade. Enquanto Misha estivesse vivo, ela estava feliz. Como anfitriã, entretinha frequentemente membros da Duma Imperial.

Natalia e Miguel durante a I Guerra Mundial

Miguel provou ser um corajoso comandante da sua “Divisão Selvagem”. É interessante que, enquanto grande parte do exército se tenha revoltado e dispersado após a Revolução, esta divisão manteve a sua disciplina e objectivo, sendo que apenas se separou em 1920 depois de ter combatido ao lado do Exercito Branco, altura em que foram evacuados para Constantinopla com o General Wrangel. Alguns dos seus descendentes podem muito bem ser rebeldes combatentes na Chechénia, uma vez que muitos dos membros da unidade provinham dessa região.

Não existem provas de que o Grão-Duque Miguel tenha participado em qualquer conspiração, nomeadamente as dos Grão-Duques entre 1916-1917 e acredita-se que, apesar de tudo, se manteve leal ao seu irmão até ao último momento. Ele foi apanhado de surpresa, tal como o resto do mundo, quando Nicolau abdicou por si e pelo seu filho no dia 3 de Março de 1917. A dinastia Romanov que começara em 1613 com o Czar Miguel, acabaria agora com Miguel Alexandrovich.

Miguel Alexandrovich em Gatchina

Alguns historiadores consideram Miguel o último Czar da Rússia. O que não deixa qualquer dúvida é que ele foi nomeado oficialmente como sucessor de Nicolau e, se as coisas tivessem sido diferentes, poderia mesmo ter chegado a Czar. Contudo, ele herdou uma situação que, a cada hora que passava, se ia descontrolando cada vez mais, fugindo ao seu controlo ou de alguém. Alexandre Kerensky e outros líderes da Duma deixaram bem claro que não poderiam garantir a sua segurança se ele decidisse assumir o poder. Seria um Czar sem corte nem apoiantes.

retrato oficial de Miguel Alexandrovich

O manifesto de Miguel, datado do dia 3 de Março de 1917, é um documento de grande importância devido à importância que teve para a família Romanov que, pela primeira vez, escolheu não usar violência para manter o seu poder. Miguel repudiava o uso da força para assegurar a coroa e esse filosofia mantêm-se até hoje entre os descendentes da família nomeadamente quanto a uma possível restauração da monarquis. O seu manifesto dizia:


 “Um pesado fardo foi-me entregue pela vontade do meu irmão que, numa altura de luta descontrolada e tumulto popular decidiu transferir-me o trono imperial da Rússia. Partilho com o povo a ideia de que o bem do país se deve elevar acima de qualquer outra coisa e decidi firmemente que apenas aceitarei o poder se essa for a vontade do nosso grande povo, que tem, através do sufrágio universal, de eleger os seus representantes para a Assembleia Constituinte, para assim determinar a forma de governo e as novas leis fundamentais da Rússia. Por isso, pedindo a bênção de Deus, peço a todos os cidadãos da Rússia que obedeçam ao Governo Provisório, que subiu ao poder e tem autoridade plena na iniciativa da Duma Imperial até que chegue a altura certa para uma Assembleia Constituinte, convocada o mais cedo possível e eleita de acordo com os princípios do sufrágio universal, directo, igual e secreto, para que se dê voz ao povo para escolher a sua forma de governo.  



Neste documento, Miguel nem aceita, nem rejeita a coroa. Claramente não se trata de uma abdicação, como alguns afirmaram. Em vez disso, Miguel inicia um novo rumo que defendia já antes da queda de Nicolau, para que se formasse um governo representativo. Ele governaria como um monarca constitucional, ou então, se o povo assim o decidisse, nem sequer subiria ao trono. Miguel manteria o contacto com Kerensky até à subida ao poder dos bolcheviques após a Revolução de Outubro de 1917. As eleições que Miguel convocara chegaram a realizar-se, mas a Assembleia Constituinte acabou por ser dissolvida pelos bolcheviques.
Miguel  era uma visita frequente do Palácio de Alexandre depois de regressar à Rússia. A sua última visita ocorreu no dia 31 de Julho de 1917 quando lhe foi dada permissão pelo líder do Governo Provisório, Alexandre Kerensky, para visitar o seu irmão mais velho, Nicolau II, antes de a Família Imperial ser enviada para o exílio em Tobolsk. Essa foi também a última vez que se viram.

Miguel Alexandrovich no Palácio de Alexandre em 1917

Miguel ajudou Kerensky a sair da Rússia após a Revolução de Outubro, obtendo um passaporte dinamarquês através das suas ligações familiares. Os Dinamarqueses ainda ocupavam Gatchina e ofereceram à família e amigos de Miguel uma pequena sensação de segurança. Kerensky conseguiu chegar ao Ocidente e viveu nos Estados Unidos até à sua morte em 1964.

Jorge, o filho de Miguel, também saiu da Rússia graças a um passaporte dinamarquês. Viveu em Paris até à sua morte aos 21 anos devido a um acidente de carro. Não tinha filhos, por isso hoje não existem descendentes directos de Miguel.

Natalia, a sua esposa, foi presa durante algum tempo depois da revolução com o seu marido Miguel. Boris Savinkov, o assassino que planeou o assassinato do Grão-Duque Sergei Alexandrovich em 1905, era o responsável pelo casal. Nicolau e Alexandra souberam da detenção de Miguel e Natalia quando estavam exilados em Tobolsk. Todos os preconceitos sobre o casamento impróprio de Misha tinham já desaparecido e Nicolau ficou terrivelmente preocupado com o seu irmão e cunhada.

Miguel e Natalia Romanov foram preses pelo governo de Lenine após a revolução de Outubro

Miguel, sempre um marido devote, ordenou que a sua mulher abandonasse a Rússia de qualquer forma possível depois de receber a ordem de exílio para os Montes Urais na Primavera de 1918. Assim que foi libertada, Natalia obedeceu ao marido e, tal como o seu filho, abandonou o país com um passaporte dinamarquês que a identificava como enfermeira da Cruz Vermelha. Viveu uma vida tranquila em Londres durante alguns anos. Em 1931 o seu filho Jorge morreu e, apenas em 1932, descobriu o que tinha acontecido ao seu marido em Junho de 1918. Nos seus últimos anos de vida, Natalia tinha perdido grande parte da sua fortuna e recebia ajudas financeiras dos Romanov e outras famílias reais. Curiosamente a única ajuda financeira que realmente a ajudava veio do seu primo por casamento, o Príncipe Felix Yussopov. A filha de Natalia do seu primeiro casamento também conseguiu fugir da Rússia, casou-se, e teve uma filha, Pauline Grey que escreveu o livro “The Grand Duke’s Woman.” Quando morreu, sozinha e esquecida em 1952, era esse o seu título preferido.


Muitos dos Romanov que permaneceram na Rússia, além dos que se refugiavam na Crimeia, foram enviados para os Montes Urais durante a Primavera de 1918. A todos eles foi assegurada segurança e liberdade pelos bolcheviques. Como a história já nos mostrou, os bolcheviques tinham uma ideia bastante curiosa sobre o que representava “segurança”. A Grã-Duquesa Ella foi dada como desaparecida pelo governo quando eles a tentavam enviar para um “local seguro” e disseram que Alexandra, Alexis e irmãs estavam num local seguro após o assassinato de Nicolau. Todos foram exterminados cruelmente.

Miguel gostou da relativa liberdade durante muitas semanas e sentia-se aliviado por Natalia e o filho terem escapado.

Miguel Alexandrovich em 1915

Na noite de 11 de Junho de 1918, um grupo de bolcheviques entrou de rompante no quarto de hotel de Miguel e ordenaram-lhe que se preparasse para ser transferido para um local seguro. Quando ele protestou e tentou telefonar ao líder do Partido Bolchevique local que lhe tinha prometido a sua liberdade as linhas foram cortadas. Ele vestiu-se, foi puxado pelo colarinho e atirado para dentro de um carro juntamente com o seu secretário, o britânico Brian Johnson.

Os dois homens conduziram-no para for a da cidade de Perm, onde tinha permanecido em exilio, até uma área de floresta. Ambos foram mortos a tiro pelo grupo. Um relatório indica que Miguel, depois de estar ferido, correu em direcção ao seu amigo com os braços abertos, apenas para ser morto com um tiro no peito. Um dos assassinos usou o relógio de Johnson durante vários anos como recordação.

Os corpos de Miguel Romanov e de Brian Johnson nunca foram encontrados. As suas mortes foram apenas o princípio de uma série de assassinatos de membros da família Romanov que aconteceu entre Junho de 1918 e Janeiro de 1919. Ao todo, 18 membros da família foram mortos durante este período.

Miguel foi assassinado com 39 anos de idade

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Pretendentes - Granny Alina


Existe pouca informação sobre esta pretendente conhecida como “Granny Alina”, no entanto é ela a mais famosa e credível (até certo ponto) que foi ligada à terceira filha do Czar, Maria Nikolaevna.

Aqui está um artigo publicado na revista "Monash" no Outono de 2000 sobre esta mulher:

É um dos maiores mistérios do mundo – será que algum dos filhos do Czar Nicolau II sobreviveu ao massacre da Família Imperial Russa em 1918?
Jovens mulheres por todo o mundo afirmaram ser a filha mais nova do Czar, a Grã-Duquesa Anastásia Romanov, cuja crença popular dizia ter escapado à morte e enviada para o exílio. Mas ninguém conseguiu provar o que dizia.

Entretanto, na África do Sul rural, uma mulher conhecida como Alina costumava ficar aterrorizada e escondia-se no seu quarto quando estranhos – principalmente da polícia – se aproximavam da sua casa. A sua família conta que ela lhes disse no maior dos segredos que era uma Grã-Duquesa da Rússia, sem revelar qual. Também lhes contou detalhes sobre o massacre da família Romanov, décadas antes desses pormenores se tornarem públicos.

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Maria em 1913

Alena morreu em 1969 e o seu neto, o senhor Loius Duval, residente na Austrália, abordou o cineasta de Perth, Mike Searle, e sugeriu que ele fizesse um documentário sobre a exumação e testes genéticos no corpo da sua avó para tentar descobrir se ela era Anastásia.

Em 1995, os ossos de Alena foram enviados para o Instituto de Medicina Forense na Universidade de Monash, onde o director, o Professor David Ranson, e os seus colegas tentaram extrair e testar ADN metódico que define as relações familiares através da linha materna. Infelizmente o Professor Ranson diz, “Naquela altura não foi possível extrair material útil das amostras que examinamos – O material que nos apresentaram estava vazio”. Um teste parecido foi realizado na Universidade de Oxford e revelou-se inconclusivo.


Maria em 1913

No entanto o documentário de Sarle intitulado “In Search of a Lost Princess” mostra como as comparações fotográficas e reconstruções faciais levaram os cientistas forenses a trabalhar independentemente nas Universidades de Sheffield e Manchester,  a uma conclusão definitiva, contudo, surpreendente – Alena revelou uma parecença não com Anastásia, mas sim com a sua irmã mais velha, Maria.
Depois, em 1998, quando os corpos encontrados dos Romanov são enterrados em São Petersburgo, o governo russo revela que uma grã-duquesa estava, de facto, desaparecida. Era a Maria.
Isto intriga o Professor Ranson. “Podiamos testar o ADN novamente, uma vez que as nossas técnicas de detecção e análise de material genético estão constantemente a melhorar.” E se isto provar que ela era, de facto, a Grã-Duquesa Maria da Rússia? “Isso,” diz ele, “seria fabuloso!”

Maria em 1915

A família de Alina tentou provar que ela era a Grã-Duquesa Maria, mas sem sucesso devido às sucessivas falhas na obtenção de ADN. Quando os dois últimos corpos da família imperial foram descobertos e identificados em 2008 provou-se que Maria tinha morrido juntamente com a sua família.

Notícia - Rússia Confirma Identidade dos Corpos (19/7/2008)

Maria e Alexei
EKATERINBURGO, Rússia – Milhares de crentes da Igreja Ortodoxa Russa estão a preparar-se para se reunir na Quarta-Feira para dar inicio às cerimónias que marcarão os 90 anos da execução do último czar da Rússia, Nicolau II.

Este evento acontece no momento em que testes de ADN confirmaram que os restos mortais encontrados na região dos Urais no Verão passado pertencem efectivamente a dois filhos assassinados do czar, Alexei e Maria.

Os resultados finais dos testes de AND confirmaram a hipótese de que a segunda sepultura continha os restos mortais da grã-duquesa Maria e do czarevich Alexis,” disse em declaração o procurador.

Estão agendadas várias orações ao longo do dia em vários locais de Ecaterimburgo nos Montes Urais, onde Nicolau e a sua família passaram os seus últimos meses de vida, disse o Arcebispo Vikenty de Ekaterinburgo.

As cerimónias culminarão com uma vigília que durará toda a noite na Igreja do Sangue Derramado, um templo construído no local onde se encontrava a casa onde a família passou os últimos meses antes de ser assassinada nas primeiras horas de 17 de Julho de 1918 por agentes bolcheviques.

Na Quinta-Feira de madrugada, os fiéis irão caminhar numa procissão solene até à mina destruída a 18 quilómetros de distância onde os corpos de Nicolau, da sua esposa, dos 5 filhos, do médico e de 3 servos foram inicialmente colocados.

A atitude russa relativamente ao assassinato dos Romanov transformou-se radicalmente desde o colapso da União Soviética em 1991.

A Igreja Ortodoxa é agora apoiada ao mais alto nível pelo estado e dedicou-se à preservação da memória da família, canonizando-os e erguendo a Igreja do Sangue Derramado em sua honra.

Com peregrinos a chegar de toda a Rússia, uma das presenças mais notadas das cerimónias será a descendente da família Romanov, a grã-duquesa Maria Vladimirovna que afirma ser a herdeira legitima de Nicolau. Ela deverá viajar da sua casa em Madrid, Espanha.

Reflectindo desentendimentos internos, outro ramo de descendentes Romanov deverá estar presente em São Petersburgo onde aqueles que se pensam ser os restos da restante família estão enterrados há dez anos.

O Presidente Dimitri Medvedev não é esperado em nenhuma das cerimónias devido a questões sensíveis relacionadas com o passado de Vladimir Putin na KGB.


Vladimirovna tem lutado sem sucesso uma campanha nos tribunais a favor da restauração de poderes de Nicolau e da sua família sem os quais, diz ela, os seus antecessores continuarão a ser considerados “inimigos do povo”.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Biografia - Alexei Nikolaevich




Alexei Romanov era o filho mais novo de Nicolau II e Alexandra da Rússia, nascido a 12 de Agosto de 1904 no Palácio de Peterhof.

Alexei nos braços da mãe em 1904
Depois de quatro grã-duquesas, a chegada do tão esperado herdeiro ao trono foi comemorada de forma grandiosa.

Alexei foi baptizado no dia 3 de Setembro de 1904, na capela do Palácio de Peterhof. Os seus padrinhos foram a sua avó paterna e o seu tio-avô, o grão-duque Alexei Alexandrovich. Outros padrinhos incluíam a sua irmã mais velha Olga, o seu bisavô, o rei Cristiano IX da Dinamarca, o rei Eduardo VII do Reino Unido, o príncipe de Gales e o imperador Alemão Guilherme II. Estando a Rússia no meio de uma guerra com o Japão, todos os oficiais e soldados do exército e marinha russos foram padrinhos honorários.

Alexei com as suas irmãs Maria, Tatiana, Olga e Anastásia
O baptizado do novo Czarevich foi também a primeira cerimónia oficial na qual participaram alguns membros mais novos da família imperial, incluindo os filhos mais novos do grão-duque Constantino Konstantinovich , as irmãs mais velhas de Alexei, Olga e Tatiana e a sua prima, a  princesa Irina Alexandrovna . Para esta ocasião, os rapazes usaram uniformes militares em miniatura e as raparigas usaram uma versão mais pequena do vestido da corte. O sermão foi lido por São João de Konstadt e o bebé foi levado até ao altar pela princesa de Galtizine. Como medida de precaução, foram colocadas solas de borracha nos seus sapatos para evitar que escorregasse neles.

Tatiana e Olga vestidas para o baptizado de Alexei
"O Alexei era o centro das atenções desta família unida, o centro de todas as esperanças e afectos," escreveu o tutor Pierre Gilliard. "As irmãs veneravam-no. Ele sempre foi o orgulho e alegria dos pais. Quando ele estava bem, o palácio transformava-se. Tudo e todos que lá estivessem pareciam mergulhados na luz do sol." O rapaz era muito parecido com a sua mãe, Alexandra, segundo Gilliard. Era alto para a sua idade, com "com um rosto bem definido, feições delicadas, cabelo castanho-claro com um brilho ruivo, e grandes olhos azuis acinzentados, como a mãe."

Alexis tinha poucos meses de vida quando, depois de um fio de sangue começar a escorrer do seu umbigo, se descobriu que sofria de hemofilia.

Alexei com cerca de nove meses de idade
A hemofilia é uma doença hereditária que impede o corpo de controlar hemorragias tanto externas como internas.  A Hemofilia impede a coagulação sanguínea, logo, quando um vaso sanguíneo é danificado, um coágulo não se forma e o vaso continua a sangrar por um período excessivo de tempo. A  hemorragia pode ser externa, se a pele for danificada por um corte ou abrasão, ou pode ser interna, em músculos, articulações ou órgãos. Qualquer queda pode dar inicio a uma hemorragia interna que, por sua vez, pode levar à morte.

O gene que provoca a doença é normalmente transmitido de mãe para filho, uma vez que a fêmea pode ser portadora deste, mas não pode sofrer da doença. Alexei foi afectado pela sua mãe, que recebeu o gene da sua mãe, a princesa Alice do Reino Unido, que por sua vez, o recebeu da sua mãe, a rainha Vitória. Vários membros de famílias reais por toda a Europa que tinham ligações com a de Alexandra sofriam também da doença.

Alexei com a mãe em 1906
Apesar de ser inteligente e afectuoso, a educação de Alexei era frequentemente interrompida por ataques de Hemofilia e ele era bastante mimado, uma vez que os seus pais não conseguiam discipliná-lo devido à doença. Foram contratados dois marinheiros da Marinha imperial, Nagorny e Derevenko, para tomarem conta dele e, acima de tudo,  certificarem-se de que ele não se magoava. Ele estava proibido de andar de bicicleta sozinho ou de brincar demasiado. Devido ao facto de o seu sangue não coagular normalmente, qualquer inchaço ou nódoa negra podiam matá-lo. Apesar das restrições à sua actividade, Alexei era activo e mal comportado por natureza. Recusava-se a falar outra língua que não o russo (os filhos de Alexandra falavam inglês com a mãe e russo com o pai) e gostava de usar trajes tipicamente russos. Quando era mais novo gostava de, ocasionalmente, pregar partidas aos convidados dos pais.

Alexei
Alexis costumava fazer troça de um dos marinheiros (Derevenko) que o protegiam e fazia questão de lhe lembrar que nem ele o conseguia manter quieto. "Olha para o gordo a correr!", gritava em público. Por vezes cumprimentava pessoas que lhe faziam vénia acertando-lhes com alguma coisa na cara ou pondo-lhes o nariz a sangrar. Os pais diziam às vítimas de Alexei que ele era "uma criança traquina". Com 7 anos envergonhou os pais durante um jantar de família. Provocou as pessoas que estavam na mesa, recusou-se a sentar na cadeira, não comeu a comida a lambeu o prato. O seu pai desviou o olhar e tentou ignorar o comportamento do filho. A sua mãe acabou por culpar a irmã Olga, que estava sentada ao pé dele, por não o ter controlado. Segundo o grão-duque Constantino Constantinovich , a reacção de Alexandra não fez sentido. "A Olga não consegue lidar com ele," escreveu no seu diário.

Alexei nos braços da irmã Olga, com Tatiana, Maria e o marinheiro Derevenko atrás
O tutor de Alexis, Pierre Gilliard, falou com os seus pais sobre o seu comportamento, acabando por os convencer de que a autonomia o ajudaria a desenvolver melhor o seu controlo. Com o tempo Alexei acabou por ganhar uma liberdade fora do comum e, associada à sua doença, acabaram por lhe dar mais consciência.

Alexei com a mãe
Durante as crises de Hemofilia, a sua única esperança era Gregório Rasputine, um monge da Sibéria que tinha o dom de, aparentemente, curar o Czaraevich. Com a sua presença, Alexis conseguia ter uma vida mais produtiva. Sempre que tinha uma crise, Rasputine era chamado ao palácio e curava-o. Quando tinha 8 anos, o herdeiro sofreu a sua pior crise de Hemofilia. Quando a família voltava a casa ainda no seu Iate Standart , após umas férias muito activas, Alexis magoou o joelho quando saltou para o barco depois de ir apanhar conchas. O médico da família, Botkin , estava com a família e examinou o rapaz. Tudo parecia normal e Alexis dizia que nada lhe doía. No entanto, apenas o terá dito para poder continuar a brincar com os amigos.

Alexei teve de ser levado ao colo durante as celebrações do Tricentenário dos Romanov em 1913 por estar ainda a recuperar do grave acidente que sofreu no ano anterior
Quando foi acordado na manhã seguinte por Derevenko, o marinheiro reparou que ele estava coberto de suor e parecia estar a sofrer. Quando Devenko lhe perguntou se estava a sentir alguma coisa, Alexis disse estar bem e então o marinheiro saiu do quarto. Cerca de 15 minutos mais tarde, o herdeiro saiu do quarto e a sua família já estava pronta para uma sessão fotográfica que tinha sido marcada para esse dia. Quando subiu ao convés, caminhava normalmente, apesar da dor.

Depois de tirar algumas fotografias no convés do barco, o fotografo sugeriu que a família se dirigisse à ponte para os fotografar lá. Nesta altura, Alexis começava a deixar de falar. Pierre Gilliard, que estava presente, reparou no inchaço na perna do aluno e associou-o a outros ataques de Hemofilia que tinha visto no herdeiro.

Enquanto os outros membros da família se dirigiam para a ponte, Alexei deixou-se ficar encostado à parede enquanto que a mãe lhe gritava para se despachar. Foi então que Gilliard pediu a Alexei para esperar, o que alertou Alexandra que foi ter com os dois. Receando ter de passar os dias que restavam do cruzeiro na cama, Alexei disse que estava bem e começou a correr até à ponte, no entanto a meio do caminho desmaiou e acabou por ferir também o cotovelo.

Alexei e Alexandra no dia em que Alexei sofreu uma das suas crises de Hemofilias mais graves
Nessa noite Alexis teve de ser atado à cama e amordaçado para que a tripulação do navio não ouvisse os seus gritos. Quando chegaram ao cais na Polónia, receberam imediatamente um telegrama de Rasputine e Gilliard foi o primeiro a lê-lo. O monge dizia que sabia que o herdeiro estava doente e alertou contra o uso de morfina (administrada para que Alexei não sentisse dor), uma vez que ele era alérgico à mesma. Gilliard correu até ao quarto de Alexei e leu-o a todos os presentes. No fim do telegrama, Rasputine também dizia que ele ficaria bem muito brevemente e que não era preciso haver preocupação. Na manhã seguinte, diz-se que Alexis estava bem. Esta história nunca foi confirmada.

Alexei com o tutor Pierre Gilliard
Em Setembro de 1912, após a celebração pública do centenário da derrota de Napoleão, houve uma gala em Bordino . Nesta festa estiveram presentes a família real, a corte principal (Gilliard , Botkin , Derevenko ...) e muitos dignitários estrangeiros. Durante a noite, Alexei e um amigo encontraram alguns copos cheios de vodka, então decidiram experimentá-los e poucos minutos mais tarde ficaram tocados pelo álcool. Pierre Gilliard falou com eles durante alguns momentos e percebeu o que tinha acontecido. Então dirigiu-se à mãe de Alexei e contou-lhe o que viu. Ela não acreditou nele, por isso o tutor apontou para o lugar onde eles estavam. Alexei e o amigo estavam a rir-se e a comportar-se de uma forma estranha. Alexandra foi ter com eles e levou-os para longe dos olhares dos convidados. Nada aconteceu devido a este incidente, mas tanto Alexei  como o amigo não conseguiram sair da cama no dia seguinte.

Alexei com a mãe Alexandra e a irmã Olga

A vida de Alexei seguiu calmamente nos dois anos seguintes. Aproveitava todos os momentos que tinha livres e tentava corresponder às expectativas que cada um tinha dele, mas também passou ainda por algumas crises de Hemofilia que ficaram cada vez mais raras à medida que crescia, dando esperança de que a previsão de Rasputine de que, se o herdeiro chegasse aos 17 anos, não sofreria mais crises, talvez se realizasse.

Durante estes dois anos ocorreram as celebrações do tricentenário da Dinastia Romanov que duraram meses, com festas sem fim e muitos eventos públicos nos quais a família tinha de participar. Também durante este período, Alexei juntou-se a uma organização de escuteiros americanos que operava na Rússia onde adquiriu pratica em liderança que precisava para ser czar.

Alexei Nikolaevich
Quando rebentou a Primeira Guerra Mundial, Alexei viveu durante algum tempo com o pai no Quartel-General do exército russo, o que herdeiro gostou imenso.

Em Dezembro de 1916, o General britânico John Hanbury Williams recebeu a notícia de que o seu filho tinha morrido ao combater com o exército britânico em França. Nicolau II mandou o seu filho de 12 anos sentar-se junto do General de luto. "O papa disse-me para me vir sentar consigo porque pensou que o senhor se podia sentir sozinho esta noite," disse Alexei ao general. Tal como todos os homens Romanov, Alexis cresceu a usar uniformes de marinheiro e a brincar às guerras desde que começou a dar os primeiros passos, O seu pai começou a prepará-lo para o seu futuro como czar, convidando-o a sentar-se ao pé de si em reuniões com os ministros.

Alexei com o pai durante a Primeira Guerra Mundial
O Coronel Mordinov, que conviveu bastante com Alexis durante a Primeira Guerra Mundial disse sobre o czarevich:

Ele tinha aquilo a que nós russos chamamos um 'coração dourado'. Ligava-se facilmente às pessoas, gostava delas e tentava fazer o seu melhor para as ajudar, principalmente quando, a seu ver, essa pessoa tinha sido magoada injustamente. O seu amor, tal como o dos seus pais, era muito piedoso. O czarevich Alexis Nikolaevich era um rapaz muito preguiçoso, mas com muitas capacidades (acho que era preguiçoso exactamente por conhecer as suas capacidades). Compreendia facilmente tudo, era pensativo e tinha uma maturidade muito superior à sua idade. Apesar do seu bom carácter, ele prometia vir a ser um Czar firme e independente.

Alexei (2º da direita) com o seu tutor e cadetes durante a Primeira Guerra Mundial
Numa ocasião, quando o navio onde ele e o pai seguiam estava a regressar ao porto, Nicolau e o Capitão foram até à costa para discutir estratégias com alguns generais. O navio deveria permanecer escondido. Estava a chover e a visibilidade era pouca. Com o Comandante e o czar em terra, Alexei foi o comandante do navio. Enquanto estava a brincar com os amigos na sala de reuniões, foi chamado à sala de comandos e informado de que um navio desconhecido se aproximava. Sabendo bem que a guerra continuava em força e que podiam estar em perigo, decidiu colocar a tripulação a interceptar o navio e a carregar as armas. Quando as armas estavam carregadas, não hesitou em ordenar a tripulação para dispararem. O navio inimigo foi atingido e então prepararam-se para responder ao ataque. Sabendo disto, Alexei ordenou manobras evasivas. O navio inimigo respondeu ao ataque, mas falhou o alvo. Quando o navio se aproximou, a tripulação apercebeu-se que se tratava do Polar Star (o navio da sua avó). Então Alexei ordenou que fosse hasteada a bandeira branca e que o seu navio se encostasse ao da avó para tratar dos feridos.

Este acidente foi muito divulgado, mas o herdeiro acabou por não ser castigado, uma vez que tinha feito o que qualquer um faria na sua situação.

Alexei em 1916
Alexei  acabou por regressar a casa depois de, durante uma visita a um hospital público, descobrir que pré-adolescentes e mesmo crianças estavam a lutar na guerra e teve uma longa discussão com o pai por causa disso. Então Nicolau achou melhor que ele não continuasse na frente.

Em Março de 1917 o seu pai abdicou do trono e a família foi exilada.

Alexis com a irmã Olga a bordo do navio "Rus" que os levou de Tobolsk para Ecaterimburgo. Esta é a última fotografia conhecida dos irmãos

Durante o exílio em Tobolsk , Alexei queixou-se no seu diário da monotonia da sua vida actual e pediu misericórdia de Deus. Tinha autorização para brincar ocasionalmente com Kolya, o filho de um dos seus médicos e com um ajudante de cozinha chamado Leonid Sednev (em quem se inspirou o livro The Kitchen Boy"). Quando foi crescendo, Alexei parecia magoar-se de propósito. Em Tobolsk deslizou com um trenó pelas escadas abaixo e feriu-se gravemente. Foi exactamente esse ferimento que impediu as suas irmãs Olga, Tatiana e Anastasia de acompanharem os pais e a irmã Maria quando estes foram enviados para Ecaterimburgo . Também devido a este ferimento, Alexei teve de ficar preso a uma cadeira-de-rodas durante as semanas que lhe restavam de vida.

Na noite de 17 de Julho de 1918, Alexis foi morto juntamente com o resto da sua família por bolcheviques.

Inverno de 1917

Embora poucos, apareceram alguns rumores sobre a sua possível sobrevivência e mesmo pessoas que se fizeram passar por ele.

Quando os corpos do resto da família foram encontrados, tanto a equipa de cientistas americanos como a russa concluíram que o seu corpo era um dos que faltava, juntamente com o da sua irmã Maria ou Anastasia.

Alexei de cadeira-de-rodas em 1917
Após a descoberta de restos mortais numa área próxima do local onde tinham sido descobertos os restantes corpos da família, no dia 27 de Agosto de 2007, duas equipas de investigadores (uma americana e outra russa), passaram 8 meses a analisá-los procurando provas para garantir que aqueles se tratavam dos restos mortais de Alexis e da sua irmã Maria.

A confirmação chegou durante uma conferência de imprensa no dia 30 de Abril de 2008 que deu como encerrado o mistério, provando que os dois últimos filhos de Nicolau II tinham, de facto morrido com a restante família.



Alexis morreu na madrugada de 18 de Julho de 1918, duas semanas antes de completar 14 anos.

Biografia - Anastasia Nikolaevna



Anastasia Romanov era a filha mais nova e de Nicolau II e Alexandra da Rússia, nascida a 18 de Junho de 1901 no Palácio de Peterhof.

Anastasia tornou-se conhecida após a sua morte devido às inúmeras mulheres que se fizeram passar por ela ao longo do século XX e também por se ter tornado um ícone da cultura popular por todo o mundo graças à numerosas adaptações cinematográficas e literárias que a sua vida inspirou.

Anastásia nos braços da mãe em 1901
A esperança no nascimento de um herdeiro para a dinastia Romanov foi novamente adiada com o nascimento de Anastasia  Nikolaevna em 1901. Quando recebeu a notícia de que tinha sido pai da quarta filha consecutiva, o czar Nicolau II foi dar um longo passeio sozinho para se acalmar antes de visitar Alexandra e a nova bebé.

Anastásia com os seus pais e irmãs em 1901
Um significado para o nome Anastasia é "aquela que se liberta das correntes". A quarta grã-duquesa recebeu o nome devido ao facto de, em honra do seu nascimento, o seu pai ter perdoado e colocado em liberdade estudantes que tinham sido presos por participarem em motins em São Petersburgo e Moscovo no Inverno anterior. Outro significado para o seu nome é "ela erguer-se-á", ligado à ressurreição, facto que foi muitas vezes repetido quando as histórias sobre a sua sobrevivência começaram a aparecer.

Anastásia em 1902
Anastasia tinha um aspecto e personalidade diferentes das suas femininas e bem-comportadas irmãs. Era descrita como uma “maria-rapaz” que gostava de subir às árvores e brincar com os rapazes. A dama-de-companhia da sua mãe, Shopie Buxhoeveden, escreveu o seguinte sobre Anastasia e a sua irmã Maria:

A Maria Nikolaevna era igual à Olga em cores e feições, mas com tudo mais acentuado e vivo. Tinha o mesmo sorriso encantador, os mesmos contornos do rosto, mas os olhos dela, 'as safiras da Maria', como eram conhecidos entre os seus primos, eram magníficos, de um azul profundo. O cabelo dela tinha madeixas douradas e, quando foi cortado depois da doença dela em 1917, encaracolou-se naturalmente em volta da cabeça. A Maria era inteiramente dominada pela sua irmã mais nova, Anastasia Nikolaevna, chamada de 'criança mal-comportada' pela sua mãe.


Talvez a Anastasia se tivesse tornado na mais bonita das irmãs se tivesse vivido mais tempo. As suas feições eram regulares e bem delineadas. Tinha um cabelo bonito, olhos bonitos e vivos como se tivessem sempre um sorriso brincalhão escondido nas suas profundidades, e sobrancelhas negras que quase se juntavam. Tudo isto combinado, fazia com que a grã-duquesa mais nova fosse diferente de todas as irmãs. Tinha um aspecto próprio e parecia-se mais com a família da mãe do que com a do pai. Era muito baixa, mesmo aos 17 anos e era, na altura, bastante gorda, mas era gordura da juventude. Ela teria-a ultrapassado como a sua irmã Maria.


No iate do pai

Anastasia era a origem de todo o mau-comportamento dos irmãos e era tão esperta e divertida quanto era preguiçosa nas suas lições. Era astuta e observadora, com um apurado sentido de humor, e era a única das irmãs que nunca soube o significado da palavra timidez. Mesmo muito nova, fazia rir até os velhos mais sisudos que se sentavam ao seu lado na mesa.

Anastásia por volta de 1906 (Анастасия Николаевна 

Anastasia cresceu espevitada e energética, descrita como sendo baixa e com tendência a engordar, com olhos azuis e cabelo loiro quase ruivo. Margaretta Eagar , a ama das quatro irmãs, comentou que alguém lhe tinha dito que Anastasia tinha a melhor personalidade que alguma visto numa criança. 

Embora muitos dissessem que Anastásia era dotada e brilhante, a verdade é que nunca se interessou pelas restrições da sala de aula, de acordo com os seus tutores Pierre Gilliard e Sydney Gibbes que, juntamente com o resto dos empregados da família, a descreveram como sendo energética, travessa, e uma actriz talentosa. Contudo a sua inteligência nem sempre era utilizada na melhor maneira.

Anastasia em 1906

A ousadia de Anastasia, excedia, por vezes, os limites do comportamento aceitável. "Sem dúvida nenhuma que bateu o recorde de castigos atribuídos na casa, uma vez que, aopregar partidas, era um verdadeiro génio," disse Gleb Botkin, filho do médico da corte, Yevgeny Botkin que viria a morrer com o resto da família em Ecaterimburgo.

Anastásia com a sua irmã Olga em 1906
Às vezes, Anastasia fazia rasteiras aos empregados e pregava partidas aos seus tutores. Quando era criança, subia às árvores e recusava-se a descer, sendo que o único que a conseguia convencer a fazê-lo era o seu pai, Nicolau II. Uma vez, durante uma luta de bolas de neve na propriedade polaca da família, Anastasia escondeu uma pedra com neve e atirou-a à sua irmã Tatiana, fazendo-a cair ao chão. Uma prima distante, a princesa Nina Georgievna recordou que "a Anastasia era uma má perdedora ao ponto de ser verdadeiramente maldosa," e fazia batota, dava pontapés e arranhava os seus adversários durante os jogos. Também se preocupava menos com a sua aparência do que as suas irmãs. Hallie Erminie Rives, uma escritora americana e esposa de um diplomata descreveu como Anastasia de dez anos comia chocolates sem se preocupar em tirar as suas luvas brancas enquanto assistia a um espectáculo na casa da ópera de São Petersburgo.

Anastásia por volta de 1910
Anastasia e a irmã mais velha Maria eram conhecidas como "o par pequeno" e partilhavam o mesmo quarto. Juntamente com as irmãs mais velhas, Olga e Tatiana, costumavam assinar as cartas com a alcunha OTMA que vem da primeira letra de cada um dos seus nomes. Para além de Maria e das irmãs, Anastasia era também muito próxima do seu irmão mais novo, Alexis e era ela que o costumava divertir quando ele sofria de ataques de hemofilia.

Anastásia e Alexei por volta de 1908
Apesar da sua energia, a saúde física de Anastasia era frca. A grã-duquesa sofria de joanetes que lhe afectavam os pés. Além disso tinha um musculo fraco nas costas que tinha de ser massajado duas vezes por semana. Normalmente escondia-se debaixo da cama ou no armário para evitar estas massagens.

Anastásia com a mãe e a irmã Maria. Na foto é possível verificar a má formação e joanetes que afectavam os dedos dos pés de Anastásia
A sua mãe, Alexandra, confiava nos conselhos de Gregório Rasputine, um camponês russo que se considerava um "homem santo" e usou as suas rezas para salvar Alexis em numerosas ocasiões. Anastasia, as irmãs e o irmão foram ensinadas a tratar Rasputine por "O Nosso Amigo" e a trocar confidências com ele. No Outono de 1907, a sua tia Olga Alexandrovna foi levada aos quartos das crianças pelo czar para conhecer Rasputine e deparou-se com as suas sobrinhas e sobrinho a usar as suas camisas de dormir.

Anastásia (esq.) com Rasputine, a mãe e a irmã Olga
Segundo relatos da época as crianças pareciam gostar dele e costumavam escrever-lhe frequentemente. Mais tarde seriam essas cartas que iriam incentivar os rumores de que o maléfico monge mantinha um romance tanto com Alexandra como com as suas filhas, particularmente devido a uma carta inocente, mas sugestiva que Anastasia lhe escreveu: "Meu querido, precioso e único amigo, quanto gostaria de te poder ver outra vez. Voltaste a aparecer-me num sonho. Estou sempre a perguntar à mamã quando vais voltar. Penso sempre em ti, meu querido, porque és tão bom para mim." Para além das cartas, circulavam também caricaturas pornográficas que mostravam a czarina e as filhas a terem relações com Rasputine .

Sem saber da doença de Alexis , tanto o povo russo como membros da família questionavam a presença do monge siberiano na corte. Mais tarde, Nicolau pediu-lhe que se ausentasse de São Petersburgo e ele foi para a Palestina, mas acabou por regressar e serviu sempre a família até ao seu assassinato em 1916.

Anastásia (dir.) com a tia Olga Alexandrovna e a irmã Tatiana
Durante a Primeira Guerra Mundial, Anastasia , juntamente com a irmã Maria, visitava soldados feridos num hospital privado em Tsarskoye Selo onde também trabalhavam a mãe e as irmãs mais velhas Olga e Tatiana. As duas adolescentes jogavam xadrex e bilhar com os soldados e tentavam animá-los. Felix Dassel, que foi tratado nesse hospital e conheceu Anastasia, contou que a grã-duquesa "ria como um esquilo e andava muito depressa, tropeçando várias vezes pelo caminho."

Maria e Anastásia durante uma visita a um hospital em 1915
Após a abdicação do pai a Março de 1917, Anastasia foi presa com o resto da família, primeiro em Czarskoe Selo, depois em Tobolsk e, finalmente, em Ecaterimburgo. O stress e a incerteza sobre o seu destino, afectaram tanto Anastasia como o resto da família.

Anastásia com o pai em 1916
"Adeus," escreveu ela a um amigo no Inverno de 1917. "Não te esqueças de nós." Em Tobolsk, escreveu uma canção para o seu tutor de Inglês, cheia de erros ortográficos sobre Evelyn Hope, um poema de Robert Browning que falava sobre uma jovem da idade de Anastasia: "Quando ela morreu tinha apenas 16 anos. Havia um homem que a amava, sem alguma vez a ter visto, mas conhecia-a muito bem. E ela também tinha ouvido falar dele. Ele nunca lhe conseguiu dizer que a amava, e agora ela estava morta. Mas mesmo assim ele pensou que quando ele e ela vivessem [a sua] próxima vida, quando isso acontecesse (...)"

Anastásia na primavera de 1917
Mesmo nos seus últimos meses de vida, Anastásia encontrou sempre maneiras de se divertir. Juntamente com outros membros do grupo de empregados que a família levou, frequentemente organizavam peças de teatro para entreter os pais e os outros habitantes da casa de Tobolsk , durante a Primavera de 1918. As representações de Anastasia faziam todos caírem ao chão de tanto rir, segundo o seu tutor Sydney Gibbes . No dia 7 de Maio de 1918, uma carta enviada para a sua irmã Maria que já se encontrava em Ecaterinburgo , descrevia um momento de alegria, apesar da tristeza, solidão e preocupação que Anastasia sentia pelo seu irmão Alexis : "Estivemos a brincar nos baloiços, e foi aí que eu me perdi de riso, a queda foi tão maravilhosa! Mesmo! Eu já a contei às nossas irmãs tantas vezes ontem que elas já estão fartas de me ouvir, mas eu podia continuar a contar a história muitas vezes... Que clima fantástico temos tido! Qualquer um podia gritar de alegria."

Anastásia e Alexei em 1915
Nas suas memórias, um dos guardas da "Casa Para Fins Especiais", Alexandre Strekotin , recordou Anastasia como sendo "muito amigável e divertida",  enquanto que outro disse que ela era "um diabo muito charmoso! Era traquinas e, pelo que vi, raramente se cansava. Era muito agitada, e gostava muito de pôr os cães a representar em comédias mímicas, como se fossem cães de circo." No entanto um outro guarda apelidou-a de "ofensiva e terrorista" e queixou-se de que, ocasionalmente, ela provocava tensões dentro da casa.

Anastásia (esq.) a espreitar de uma janela com as irmãs Maria e Tatiana, na casa do governador em Tobolsk

A lenda de Anastasia começou na noite de 17 de Julho de 1918. A grã-duquesa seguiu o resto da sua família, levando o seu cão Jimmy nos braços para a cave da Casa Ipatiev onde todos terão sido executados.

De acordo com o Relatório de Yurovsky, o homem que comandou o fuzilamento, após a primeira vaga de disparos, as balas fizeram ricochete nas jóias que as grã-duquesas tinham cosido nos seus corpetes. Pouco depois Olga e Tatiana terão sido esfaqueadas com as baionetas dos soldados, enquanto que as outras duas estavam encostadas à parede, aterrorizadas a tapar a cara até serem executadas com balas dos soldados.

Última imagem conhecida de Anastásia, a bordo do Rus, o barco que a levou a ela e aos irmãos para Ecaterimburgo.
No entanto há também relatos que contradizem o que foi escrito por parte dos próprios soldados que mataram a família. Um deles, Peter Ermakov , contou à mulher que Anastasia tinha sido esfaqueada e não morta por tiros. Outros dizem que já quando os corpos estavam a ser transportados para o camião, a filha do czar começou a chorar e foi morta com um golpe na cabeça.

Nos anos que se seguiram ao massacre da Casa Ipatiev pelo menos 10 mulheres garantiram ser a grã-duquesa , sendo a mais famosa Anna Anderson . Com cada nova mulher que aparecia, chegava também uma nova história sobre como Anastasia e até os seus irmãos teriam sobrevivido.

Anna Anderson, a mais conhecida pretendente que se fez passar por Anastásia ao longo de todo o século XX
Havia rumores de que Anastasia tinha sido salva por um dos guardas quando este reparou que ela estava viva, de que tanto ela como a irmã Maria tinham sido salvas por um padre em 1919 e que viveram como freiras num convento nos Montes Urais até à morte de ambas em 1964, os rumores chegaram também à Bulgaria onde um homem chamado Peter Zamiatkin que se dizia ser um guarda da família imperial, contou a um paciente de 16 anos de um hospital que tinha levado Anastasia e Alexis para Odessa e, mais tarde conseguiu escapar para Alexandria de navio. Os supostos filhos do czar teriam vivido com nomes búlgaros e morreram em 1954.

Anastásia em 1915
Os rumores da possível sobrevivência de Anastasia foram também alimentados pelos relatos de que comboios e casas estariam a ser revistados pela polícia secreta dos bolcheviques que procurava Anastasia Romanov. “No curto espaço de tempo em que esteve presa em Perm durante 1918, a  princesa Helena Petrovna , esposa do primo distante da grã-duquesa , principe João Constantinovich , contou que uma vez um guarda lhe trouxe uma rapariga que dizia ser Anastasia Romanova à sua cela e lhe perguntou se aquela era a filha do czar. Helena Petrovna disse que não a reconhecia e então a rapariga foi levada novamente. Na mesma cidade corriam rumores de que algumas pessoas tinham visto Alexandra e as filhas depois do assassinato, mas nunca se deu grande importância à história".

Anastásia em 1915
Uma outra história de que oito testemunhas tinham assistido à captura de uma jovem que, aparentemente, tentava fugir do país em Setembro de 1918. Algumas dessas testemunhas identificaram a jovem como sendo Anastasia quando lhes foram mostradas fotografias da grã-duquesa por soldados do Exercito Branco que ainda tinham esperança de encontrar a família real com vida. Uma das testemunhas (um médico) disse aos membros do Exercito Branco que tinha tratado daquela jovem e que ela lhe tinha dito que era a filha do czar, Anastasia e que lhe tinha passado uma receita com esse nome. Mais tarde o Exercito Branco encontrou registos dessa receita. Durante o mesmo período em meados de 1918 várias pessoas usaram a identidade da família para obter ajuda para abandonar o país ou obter dinheiro.


Embora a hipótese de que alguém tivesse conseguido escapar na noite de 17 de Julho nunca tivesse sido levada a sério, existem alguns relatos de que seria possível um ou mais membros da família fugir com vida. Yakov Yurovsky exigiu que os guardas fossem ao seu escritório e entregassem os objectos pessoais que tivessem roubado dos corpos da família depois do homicídio . Segundo alguns guardas houveram espaços de tempo em que os corpos foram deixados sozinhos, na cave, no corredor e, mais tarde, no camião que faria o seu transporte, o que daria espaço de manobra a guardas que não tivessem participado no assassínio e tivessem feito amizade com a família teriam a oportunidade de salvar alguém que não tivesse morrido durante o massacre.

Para além disso, falou-se também na hipótese de que houve bastante nervosismo na altura de esconder os corpos, uma vez que faltavam dois que supostamente tinham caído do camião durante o seu difícil percurso.

Anastásia em 1914
Quando o tumulo dos Romanov foi aberto em 1989, depressa se chegou à conclusão de que faltavam dois corpos.

Recorrendo às maiores tecnologias da altura, duas equipas de cientistas (uma russa e uma americana) começaram a analisar aos corpos.

Quando chegou a altura de apresentar as conclusões, as duas equipas mostraram-se em desacordo quanto aos corpos que faltavam. Os americanos diziam ser os de Alexis e Anastasia , enquanto que os russos afirmavam serem os de Alexis e Maria.

Sem que esta polémica fosse de facto resolvida, o corpo de uma das grã-duquesas foi enterrado sob o nome de Anastasia Romanov em 1991.

Anastásia e Maria em 1914
A 30 de Abril de 2008, após 8 meses de análise a dois corpos que tinham sido encontrados em Agosto do ano anterior perto do local onde os outros restos mortais da família tinham sido recuperados vinte anos antes, foi anunciado que todos os membros da família imperial tinham sido encontrados, colocando assim o que parecia ser um ponto final num mistério que se arrastava há mais de um século.

No entanto, a Igreja Ortodoxa Russa, apoiada por uma das actuais representantes da família Romanov, a grã-duquesa Maria Vladimirovna, nunca aceitou estes resultados, dificultando até hoje o enterro dos dois corpos recuperados em 2007. De modo a satisfazer todas as dúvidas e dar este triste episódio da história russa como encerrado, em Agosto de 2015, um grupo de trabalho liderado pelo antigo presidente russo, Dmitry Medvedev, ordenou a exumação dos corpos enterrados desde 1998, assim como de outros membros da família, nomeadamente o czar Alexandre III, de modo a repetir os exames forenses realizados ao longo da década de 1990. O grupo tem a expectativa de, recorrendo às novas tecnologias disponíveis neste ramo, poder dar as provas necessárias à Igreja Ortodoxa para que possam ser realizadas as cerimónias fúnebres dos dois últimos corpos da família.


Anastasia morreu aos 17 anos de idade