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terça-feira, 10 de março de 2015

Um Casamento Adequado - Segunda Parte


O irmão de Anastásia Mikhailovna, o grão-duque Alexandre Mikhailovich, com a grã-duquesa Xenia Alexandrovna. Este foi o primeiro casamento entre membros da família Romanov e apenas pôde ser celebrado porque os dois eram primos em segundo grau. Alexandre e Xenia conheceram-se porque faziam parte do mesmo grupo de primos e amigos que cresceu junto na década de 1880. Os dois começaram por ser amigos, apesar de ele ser mais velho nove anos do que a sua futura noiva e os seus sentimentos começaram a desenvolver-se quando Xenia estava a meio dos seus anos de adolescente. Alexandre III e Maria Feodorovna não estavam muito convencidos desta união, em parte porque Xenia era ainda muito nova e em parte porque não sabiam se podiam confiar no carácter de Alexandre. Mas a persistência acabaria por ser compensada e, em 1894, após a intervenção do grão-duque Miguel Nikolaevich, pai de Alexandre, o noivado foi anunciado. Mas mesmo assim houve percalços. A czarina não gostava da arrogância e falta de educação de Alexandre ao mesmo tempo que este se queixava que teria de esperar demasiado tempo entre o noivado e o casamento. A cerimónia celebrou-se em Peterhof a 6 de Agosto de 1894.


Alexandre e Xenia com a sua primeira filha, a princesa Irina Alexandrovna, por volta de 1896. Apesar de terem tido mais seis filhos, todos rapazes, a atracção romântica entre o casal não durou muito. O grão-duque não estava satisfeito com o rumo dos acontecimentos na Rússia e começou a ficar cada vez mais frustrado com a vida na corte. Ao fim de cerca de doze anos de casamento, tanto ele como Xenia começaram a passar longos períodos de tempo fora da Rússia. Ambos tiveram amantes com o total conhecimento do outro. No caso de Alexandre tratou-se de uma mulher identificada apenas como "Maria Ivanovna"; no caso de Xenia foi um inglês chamado Fane que ainda trocava correspondência com ela durante a Primeira Guerra Mundial. Apesar de tudo, Xenis e Alexandre continuaram casados em nome e estão enterrados ao lado um do outro.


A grã-duquesa Helena Vladimirovna com o seu noivo, o príncipe Max de Baden. O príncipe Max era neto da grã-duquesa Maria Nikolaevna da Rússia, duquesa de Leuchtenberg. Era um jovem atraente e rico e, por isso, não faltavam mães da realeza desejosas por ver as suas filhas casadas com ele. Em 1898, parecia que a grã-duquesa Maria Vladimirovna tinha ganho o grande prémio quando Max ficou noivo da sua filha Helena. Foram publicados os anúncios e tiradas as fotografias, mas o príncipe mudou de ideias. Os Vladimirovich ficaram furiosos e começaram a espalhar-se rumores de que Maria Vladimirovna estava a ficar desesperada para casar a sua filha. Em 1900, o nome de Helena foi sugerido para uma possível união com o rei da Bulgária, que tinha ficado viúvo pouco tempo antes. Nesse mesmo ano, o príncipe Nicolau da Grécia e Dinamarca, terceiro filho da rainha Olga da Grécia, pediu Helena em casamento, mas Maria Pavlovna repreendeu a filha por encorajar um homem sem perspectivas nem fortuna. Estava mais virada para o príncipe Alberto, futuro rei da Bélgica, mas ele recusou todos os seus convites para visitar a Rússia e acabaria por anunciar o seu noivado com a princesa Isabel da Baviera pouco tempo depois.

Helena Vladimirovna e Nicolau da Grécia e Dinamarca
Em Junho de 1902, Maria Pavlovna admitiu a derrota e deu permissão à filha para aceita o pedido de casamento do príncipe Nicolau da Grécia e Dinamarca. A tia dele, a czarina Maria Feodorovna, tinha as suas dúvidas: "A forma como foram criados e como vêm a coisas são tão diferentes e divergentes. Será necessária muita paciência de ambos os lados. É verdade que ela tem um tom brusco e arrogante que pode chocar as pessoas". Mas a rainha Olga, que estava afastada da velha rivalidade que sempre tinha colocado as duas Marias em campos opostos, tinha mais esperança na união e acabaria por ter razão. A ideia de superioridade que a mãe de Helena lhe tinha transmitido causou sempre problemas na família, mas eles dois, Helena e Nicolau foram sempre felizes e tiveram um longo casamento do qual resultaram três filhas.


A grã-duquesa Olga Alexandrovna com o seu marido, o duque Pedro de Oldemburgo, pouco depois do seu noivado na primavera de 1901. Quando era já idosa e estava a viver no Canadá, Olga recordou o seu primeiro casamento como uma fachada vazia. Sentia que tinha sido enganada ao aceitar a proposta de Pedro e o seu biografo, Ian Vorres, concluiu que a mãe dela teria arranjado a união para manter a sua filha por perto. No entanto, não foi esse o caso. Os documentos da época mostram que Maria Feodorovna ficou admirada e divertida com o facto de Olga ter aceite a proposta. Era um par improvável: Pedro tinha trinta-e-dois anos, enquanto Olga tinha apenas dezoito. O duque era tão adoentado e cansado como Olga era robusta e energética. Mas ela aceitou o pedido e, durante os primeiros anos de casamento, pelo menos ele estava muito apaixonado: "Minha queria e doce Olga (...) sinto muito a tua falta e a nossa casa parece morta sem ti. Fui até ao teu quarto e fiquei a pensar nos tempos que passamos aqui juntos e vieram-me as lágrimas aos olhos." Fazes-me feliz  porque sei que és feliz. Abraço-te com amor". O homem frio e desinteressado descrito nos relatos mais conhecidos não teria encontrado palavras para exprimir estes sentimentos. Talvez o problema fosse o facto de haver poucos sentimentos. Por razões ainda não completamente apuradas, o casamento desfez-se e Olga, ao recordá-lo da perspectiva de um segundo casamento feliz, apenas o conseguia recordar como uma falha.


Outro noivado recordado de uma perspectiva retorcida foi o da grã-duquesa Maria Pavlovna Júnior com o príncipe Guilherme da Suécia, arranjado pela tia de Maria, a grã-duquesa Isabel Feodorovna em 1907. Mais tarde, Maria culpou Isabel pela sua "pressa em casar-me e a total ausência de consideração pelo lado sentimental de tal pacto", embora admitisse ao mesmo tempo que gostou da atenção que recebeu na altura. "Ela era cheia de vida e muito alegre", recordou outra tia, a grã-duquesa Maria Georgievna, "mas tinha uma inclinação obstinada e egoísta que faziam com que fosse bastante difícil lidar com ela". Maria Pavlovna não falou nas memórias do desejo que tinha de fugir da disciplina da infância: "Depois vamos poder viajar juntos", escreveu Maria a Guilherme durante o seu noivado, "e viver como queremos. Estou ansiosa como começar uma vida maravilhosa - uma vida cheia de amor e felicidade, como disseste nas tuas últimas cartas."


Cinco gerações, com Maria Pavlovna, atrás, a segurar uma fotografia da sua falecida mãe, a grã-duquesa Alexandra Georgievna. A sua avó, a rainha Olga da Grécia, surge na direita, a sua bisavó, a grã-duquesa Alexandra Iosifovna, está à direita e o bebé é o filho de Maria, o príncipe Lennart da Suécia, nascido em Estocolmo a 8 de Maio de 1909. Maria acabaria por não encontrar a felicidade que esperava na Suécia. Sendo um oficial da marinha no activo, Guilherme passava muito tempo fora e a vida na corte tinha tantas limitações como aquela que tinha deixado na Rússia. Maria sentia-se frustrada e sozinha. Ficou tão doente que, em 1913, a sua família tomou a iniciativa de a levar de volta para a Rússia e dar início às negociações para o divórcio. Maria abandonou o filho que seria criado na Suécia pelo pai.


Em Maio de 1911, a princesa Tatiana Constantinovna ficou noiva do príncipe Constantino Bagration-Mukhransky. Esta união foi um sinal de que os tempos estavam a mudar. Com tantos membros da família a chegar à idade de casar, havia poucas hipóteses de encontrar parceiros do mesmo estatuto social. Além do mais, a maioria dos jovens Romanov queria ficar na Rússia. Por isso, Nicolau II deu o seu consentimento para o casamento de Tatiana e, em Agosto de 1911, formalizou uma nova lei que limitava a regra do mesmo estatuto social aos grão-duques e grã-duquesas que fossem filhos e netos de czares pela linha masculina. Os membros mais antigos da família olharam para esta nova lei com desconfiança. "Sabias que a filha do tio Kostia [Constantino Constantinovich] está noiva de um príncipe Bagration do Cáucaso?" escreveu a grã-duquesa Maria Alexandrovna à sua filha. "É o primeiro casamento morganático de uma mulher na nossa família. Ela estava ansiosa e a sofrer por causa deste amor morganático e agora foi sancionado. É um precedente perigoso para a nossa família e o início de uma nova era social." O casamento, que na verdade não era morganático, celebrou-se a 6 de Setembro  em Pavlovsk.


A princesa Irina Alexandrovna, única filha do grão-duque Alexandre Mikhailovich e da grã-duquesa Xenia Alexandrovna, e o príncipe Félix Yussupov. Irina foi o segundo membro da família imperial a beneficiar da alteração da lei do casamento. O príncipe Félix Yussupov, conde Sumarakov-Elston, era o único filho ainda vivo de um dos casais mais ricos da Rússia - dizia-se que eram até mais ricos que o czar - mas não era um príncipe real. Irina aceitou a sua proposta de casamento em inícios de 1913 e os seus pais deram o seu consentimento em principio, mas não se fez qualquer anúncio.  A família tinha muitas dúvidas acerca desta união, uma vez que Félix tinha má reputação. O anúncio foi adiado o mais possível para que houvesse tempo de avaliar atempadamente o carácter do noivo.


Nessa primavera, surgiu um segundo candidato à mão de Irina. O grão-duque Dmitri Pavlovich (acima) disse a Félix que estava apaixonado por Irina e pretendia pedi-la em casamento. Passou a aproveitar todos os momentos que tinha para estar com ela encorajado, pelo menos assim acreditava a mãe de Félix, a princesa Zinaida Yusupova, pela avó de Irina, a czarina Maria Feodorovna. Numa carta ao filho datada de 10 de Junho de 1913, a princesa Zinaida disse-lhe: "Meu querido menino (...) a mãe dela não nega que a avó é a favor do Dmitri, mas diz que, por ela, não teria nada contra ti se for isso que a Irina quiser". E foi isso mesmo que aconteceu. A decisão de Irina já estava tomada e, em Setembro, o noivado foi anunciado. Os dois casaram-se no Palácio de Anichkov, casa da avó de Irina.

Texto retirado do livro "The Camera and the Tsars" de Charlotte Zeepvat

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Filme - Rasputin (2013)


Este filme pouco conhecido foi uma produção conjunta entre a França e a Rússia. Falado em russo, é mais uma versão cinematográfica da vida de Rasputine que, como não podia deixar de ser, inclui várias dramatizações da vida da última família imperial russa. O filme destaca-se principalmente por dois grandes nomes do cinema francês que participaram neste projecto: Gérard Depardieu no papel de Rasputine e Fanny Ardant no papel de Alexandra.

É também de destacar o facto de muitas das cenas terem sido filmadas no Palácio de Alexandre e outros locais frequentados pela família imperial que são retratados de forma extremamente fiel.

O filme é falado em russo. 

Imagens do Filme:



O grão-duque Nicolau Nikolaevich


O escritório de Nicolau II no Palácio de Alexandre




Nicolau II e Maria Feodorovna



Anna Vyrubova

Felix Yussupov

Irina Alexandrovna

Dmitri Pavlovich

Yakov Yurovsky


Filme completo:


sábado, 12 de março de 2011

Félix Yussupov Sobre a Coroação do czar Nicolau II em 1896

Príncipe Félix Yussupov
Em 1896, quando o imperador Nicolau II chegou ao trono, fomos até Arkhangelskoye em inicios de Maio para receber os numerosos convidados que iriam participar nas festividades da coroação. Entre estes encontravam-se o príncipe-herdeiro da Roménia e a sua esposa, a princesa Maria. Em sua honra, os meus pais contrataram uma orquestra romena que na altura era muito conhecida em Moscovo. Um dos músicos era um certo Stefanesco, um grande tocador de pratos que se viria a tornar num dos meus amigos mais íntimos. Acompanhava-me frequentemente em viagens. Gostava muito de o ouvir tocar, algo que ele fazia frequentemente só para mim durante noites inteiras. 

O grão-duque Sérgio e a grã-duquesa Isabel também tinham convidado um grande número de amigos e parentes para visitarem Elinskoie, a sua propriedade em Moscovo, que ficava a cerca de quatro quilómetros da nossa. Por isso o casal e os seus convidados eram uma presença assídua nas festas em Arkhangelskoye. O imperador e a imperatriz também vieram a estas festas que eram quase tão magnificas como os bailes da corte.

O príncipe-herdeiro Fernando da Roménia com a sua esposa, a princesa Maria
Abrimos o nosso teatro privado para estas festividades. Os meus pais mandaram vir a Ópera Italiana de São Petersburgo com Mazzani, Madame Arnoldson e a companhia de ballet. Uma noite, antes de cortina subir no Fausto, disseram à minha mãe que a Mme. Arnoldson se recusava a cantar porque, na cena do jardim, os canteiros estavam cheios de flores verdadeiras e o seu cheiro deixava-a enjoada. As flores tiveram de ser substituídas por arbustos para que ela prosseguisse. Nunca me irei esquecer de outra actuação no nosso teatro: todos os convidados estavam sentados nos seus camarins, os estábulos foram desmontados e, no sitio deles, foi plantado um jardim de rosas cuja fragrância enchia o ar.

No fim do espectáculo, toda a gente se encontrou no terraço onde foi servida a ceia em mesas iluminadas por castiçais altos. No final houve fogo-de-artificio, uma visão encantadora tão deslumbrante para mim quando era pequeno que tinha a esperança de que ninguém me mandasse para a cama.

Félix Yussupov (em pé, à direita) com os pais e o irmão mais velho
Os meus pais e os seus convidados foram ainda passar alguns dias a Moscovo antes da coroação para participarem noutra vaga de festas. A nossa casa em Moscovo, que antes tinha sido uma espécie de chalé de caça de Ivan, o Terrível, mantinha os traços do século XVI: grandes salas abobadas, mobília medieval, ouro ricamente talhado e baixelas de prata. Todo este esplendor oriental era um cenário perfeito para as festas dadas pelos meus pais. Os príncipes estrangeiros que participavam nelas diziam que nunca tinham visto nada igual.

O meu irmão e eu ficamos em Arkhangelskoye, uma vez que éramos considerados demasiado novos para participar nestes eventos. Mas tivemos autorização para ir a Moscovo para ver a coroação. Só tenho de fechar os olhos neste momento para ver mais uma vez o Kremlin iluminado com os seus telhados vermelhos e verdes e cúpulas douradas.

Félix (direita) com o irmão Nicolau
Na manhã da coroação vimos a procissão sair do Palácio Imperial e ir na direcção da Catedral de Ouspensky. Depois da cerimónia, o czar e as duas czarinas, vestidos com as suas roupas da coroação e com as coroas na cabeça, seguidos da família imperial e dos príncipes estrangeiros, deixaram a catedral para regressar ao palácio. O sol estava particularmente brilhante nesse dia e fazia brilhar o ouro e as pedras preciosas das roupas. Uma visão destas só podia acontecer na Rússia. Quando o czar e as duas czarinas apareceram perante o seu povo, eram verdadeiramente os escolhidos pelo Senhor. Quem poderia adivinhar que vinte e dois anos depois nada ficaria desta majestade e esplendor?

Diz-se que enquanto as damas-de-companhia vestiam a czarina para a cerimónia, uma delas picou o dedo no broche do manto imperial e que uma gota de sangue caiu no arminho...

Coroação de Nicolau II em Moscovo, 1896
Três dias depois, aconteceu a terrível tragédia de Khodinka que pôs toda a Rússia de luto. Muitos viram-na como um mau agouro para o reinado. A grande maioria das festas que tinham sido planeadas para depois da coroação foram canceladas. Contudo, seguindo o mau conselho de alguns dos seus conselheiros, Nicolau II decidiu estar presente num baile dado na embaixada francesa. Houve uma grande divergência entre os grão-duques. Os três irmãos do grão-duque Sérgio, na altura governador-geral de Moscovo, queriam minimizar a importância da catastrofe pela qual o grão-duque Sérgio era em parte responsável. Diziam que o programa de festejos da coroação devia prosseguir como estava programado. Os quatro Mikhailovichi (o meu futuro sogro, o grão-duque Alexandre, e os seus irmãos) opuseram-se firmemente a este ponto de vista e, por isso, foram acusados de estarem a conspirar contra os mais velhos.

Grão-duque Alexandre Mikhailovich
Depois da coroação, os meus pais regressaram a Arkhangelskoye com os seus convidados, incluindo o príncipe Fernando da Roménia e a princesa Maria. O príncipe Fernando era sobrinho do rei Carlos I da Roménia. Lembro-me perfeitamente do rei Carlos, uma vez que ele visitava a minha mãe com frequência. Era bonito e tinha um olhar majestoso, com o cabelo a ficar grisalho e as feições de uma águia. Dizia-se que o rei apenas se interessava por política e dinheiro, dando pouca atenção à sua esposa, a princesa de Wied, que era muito conhecida na altura como escritora com o pseudónimo de Carmen Sylva. Uma vez que eles não tinham filhos, o príncipe Fernando era herdeiro do trono. Era um homem atraente, mas não tinha personalidade, era extremamente tímido e indeciso tanto em público como em privado. Até seria um homem bonito se as suas orelhas não se destacassem tanto, algo que estragava o seu aspecto. Tinha-se casado com a princesa Maria do Reino Unido, a filha mais velha da duquesa de Saxe-Coburgo-Gota, irmã do imperador Alexandre III.

Carlos I da Roménia com a esposa Isabel de Wied e a única filha do casal, Maria, que morreu aos 3 anos de idade
A princesa Maria já era conhecida pela sua beleza: tinha olhos maravilhosos de um azul-acinzentado raro e impossíveis de esquecer. Era alta e magra quando era mais nova e enfeitiçou-me tão completamente que eu andava atrás dela como uma sombra. Passava noites inteiras acordado a lembrar-me do seu lindo rosto. Uma vez ela deu-me um beijo. Fiquei tão feliz que não deixei que me lavassem a cara nessa noite. Ela achou a história tão divertida que quando a voltei a encontrar muitos anos depois num jantar dado na embaixada austríaca em Londres, lembrou-me do incidente. 

Maria da Roménia
Foi na altura da coroação que testemunhei uma cena que marcou particularmente a minha infância. Um dia, quando estavamos sentados à mesa, ouvimos um barulho na sala ao lado. A porta abriu-se e um jovem muito bonito entrou a cavalo. Trazia consigo um ramo de rosas que atirou aos pés da minha mãe. Era o príncipe Gritzko Wittgenstein, um oficial da guarda do czar, um homem muito atraente, conhecido pelas suas extravagâncias e que gostava de todas as mulheres, velhas e novas. O meu pai ficou furioso com a audácia do jovem oficial e proibiu-o de voltar a entrar na casa dele outra vez.

Não consegui compreender a fúria do meu pai. Fiquei indignado por ele ter insultado um homem que, a meu ver, era um herói, a reencarnação dos cavaleiros de Yore, um cavalheiro que declarava o seu amor sem medo através de um gesto tão nobre!

Zenaida, mãe de Félix
Este texto foi retirado do livro "Lost Splendor" escrito pelo príncipe Félix Yussupov

Félix Yussupov

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Livro - "A Paixão do Príncipe Yussupov" de José Maria Alvarez




«A Paixão do Príncipe Yussupov», que originalmente se chamou «A Caça à Raposa», é, tal como o próprio desporto, uma história de amor, perseguição, violência, elegância e desespero.

1934, uma a uma, as potências europeias caem nas mães de sistemas totalitários fascistas. O príncipe Felix Felixovich Yussupov, Conde Sumarokov-Elston, passa um Verão de tédio em Biarritz, dedicando-se a recordar o passado glorioso da belle époque. Ele é um dos assassinos do detestável monge Rasputin e familiar dos czares depostos, é admirado por todos os seus companheiros de exílio… Mas, secretamente, anseia por algo diferente, escandaloso até!

Michèle é prostituta num bordel de segunda categoria e, apesar de ainda ser muito nova, a sua vida já é marcada pelo abuso, pela pobreza e pela imperiosa necessidade de fazer tudo para sobreviver. A mulher anseia apenas encontrar um cliente suficientemente rico e ingénuo para a sustentar… então conhece Yussupov e o encontro dos dois mundos terá consequências verdadeiramente revolucionárias.

O príncipe Félix Yussupov com a esposa Irina
Este livro pode ser inserido no género erótico, com descrições bastante gráficas de alguns actos menos próprios. A única semelhança histórica entre o livro e o príncipe Félix Yussupov é mesmo o nome.