Java

Mostrar mensagens com a etiqueta maria nikolaevna romanova. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta maria nikolaevna romanova. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Um Voo de Pombas - Os primeiros anos de Alexandre II - Primeira Parte

A imperatriz Alexandra Feodorovna com os seus dois filhos mais velhos: Maria e Alexandre
Em meados do século XIX, a ideia de um trono passar pacificamente de pai para filho era uma novidade na Rússia, onde, ao longo de duzentos anos, a sucessão tinha sido problemática e, muitas vezes, violenta. Alexandre I tornou-se czar após o assassinato do pai e muitos suspeitavam que ele tinha estado envolvido no mesmo; a sombra dessa dúvida nunca o abandonou. O seu irmão mais novo foi obrigado a subir ao trono que não queria devido à repressão violenta da Revolta Dezembrista. Por isso, quando Nicolau I morreu na sua cama e deixou um filho capaz, com experiência e pronto para assumir o governo do país, até os inimigos da dinastia estavam prontos para acreditar num futuro melhor. Mas este tipo de esperança já rodeava o czar desde o seu nascimento.

Alexandre II com a sua irmã Maria Nikolaevna
Os presságios favoráveis e ruinosos acompanham sempre os príncipes como uma sombra. Quando a criança que se tornaria no "Czar Libertador" da Rússia nasceu no Kremlin em Abril de 1818, todos os sinos de Moscovo estavam a tocar para celebrar a Páscoa. Diz-se que um bando de pombas brancas sobrevoou o telhado do Mosteiro Chudov, onde, tradicionalmente, os bebés imperiais eram baptizados. Muitas vezes repetida, esta história acabaria por simbolizar o pesado fardo de esperança e expectativa que Alexandre Nikolaevich sempre carregou consigo. Ao descrever o seu nascimento muitos anos depois, a sua mãe lembra-se de se ter sentido "um tanto solene e melancólica, ao pensar que aquele menino seria um dia o imperador". 

Alexandre Nikolaevich
Existem pequenos vislumbres da infância de Alexandre Nikolaevich nas cartas da sua avó, a imperatriz Maria Feodorovna. "O menino (...) muda todos os dias. É uma criança encantadora (...) sobe às árvores, mas acho que consegue livrar-se das situações mais perigosas. Baloiça-se nos ramos, salta por todo o lado (...) o Sasha é ágil como um macaquinho". Protegido por uma família anormalmente chegada e afectuosa, Alexandre não tinha noção da importância da sua posição. O seu pai, o grão-duque Nicolau Pavlovich, era severo, mas também sabia dar o braço a torcer e brincar com os filhos nas alturas certas e, muitas vezes, tinha um papel activo nos seus jogos. Quando Alexandre tinha seis anos de idade, o gentil capitão Karl Merder foi nomeado para substituir as suas amas e governantas, mas o padrão pacifico da sua vida não foi perturbado por esta mudança.


Alexandre com a sua irmã Maria Nikolaevna
Uma outra mudança que teve um impacto mais palpável aconteceu em 1825, quando o seu pai Nicolau subiu ao trono da Rússia num período de caos e violência. Quando os Dezembristas dispararam os primeiros tiros na Praça do Senado, a ideia de russos a derramar sangue uns dos outros parecia uma novidade assustadora, no entanto, com o passar do tempo, tornar-se-ia em algo demasiado familiar. O pequeno Alexandre não deve ter percebido o que estava a acontecer à sua volta. Durante alguns dias mais tensos, teve de sair de sua casa e foi colocado sob a protecção dos Guardas Finlandeses, no pátio iluminado a tochas do Palácio de Inverno, e ficou ao lado da sua mãe destroçada enquanto ela rezava pela protecção do marido. Foi uma apresentação assustadora ao mundo do poder político. Desde cedo que Alexandre começou a ser educado para levar a cabo as reformas que a Rússia tanto precisavam nas temia as forças que as reformas mal executadas poderiam libertar. A sombra daqueles dias de Dezembro nunca o abandonou. Mas nunca houve um príncipe melhor preparado do que ele: em 1826, Nicolau I ofereceu ao poeta Zhukovsky a posição de tutor do herdeiro, em parceria com Merder.

Alexandre Nikolaevich
Perante os acontecimentos, Zhukovsky parece ter sido uma escolha improvável. Filho ilegítimo de um proprietário das províncias, a sua mãe tinha sido uma refém adolescente, levada para a Rússia depois de uma das guerras do império contra a Turquia. O seu pai proporcionou-lhe uma boa educação, com o objectivo de o preparar para o serviço público, mas o jovem Zhukovsky nunca se sentiu atraído por essa área. Foi andando de emprego em emprego até que os seus poemas chamaram a atenção da imperatriz-viúva Maria Feodorovna. Foi na sua casa que Zhukovsky floresceu e, quando o seu filho Nicolau casou com a princesa de Berlim, o poeta foi o escolhido para lhe ensinar a língua russa. Seria Alexandra a pedir ao marido para nomear Zhukovsky para tutor do seu filho mais velho. O poeta mostrou ser imune às tentações da vida na corte. Honesto e idealista, dizia aquilo que pensava sem temer represálias e nunca se aproveitou da sua posição privilegiada junto dos imperadores. Acabaria por morrer relativamente pobre.

Vasily Zhukovsky, tutor de Alexandre.
Ainda antes de iniciar o seu trabalho, Zhukovsky emitiu um proteste veemente contra a introdução do czarevich de oito anos à vida militar. Tinha sido permitido ao rapaz andar de cavalo ao lado das tropas durante a parada da coroação do seu pai: as multidões adoraram o momento e Nicolau não conseguiu esconder o seu orgulho, mas Merder reparou que Alexandre ficou demasiado entusiasmado depois e não se conseguia concentrar nas suas lições. "Senhora, perdoe-me," escreveu Zhukovsky à czarina, "uma paixão demasiado desenvolvida pela arte da guerra - mesmo se encorajada durante uma parada - seria prejudicial para o corpo e para a mente (...) ele acabaria por ver o seu povo como um regimento gigantesco e o seu país como um quartel". Inicialmente, o czar ficou furioso, mas quando o tutor ameaçou demitir-se, acabou por ceder e ouviu as ideias do poeta.

Alexandre Nikolaevich
Zhukovsky definiu um programa de estudos de nove anos para o czarevich. Alexandre teria dois colegas com quem iria partilhar as suas lições, num ambiente escolar estruturado que não deveria ser interrompido por qualquer dever cerimonial. Os três iriam dormir, comer, trabalhar e brincar juntos: a competição entre eles eram mal vista, e os rapazes foram encorajados a discutir os livros que andavam a ler uns com os outros, assim como a escrever diários. As áreas mais importantes da sua formação foram história, línguas e uma temática religiosa. À medida que foram progredindo, os rapazes também começaram a aprender ciências, direito e filosofia. O bom-comportamento era recompensado com a oportunidade de colocar dinheiro na caixa para os pobres - algo que poderia ser uma receita para o desastre noutras salas-de-aula. O treino militar era uma parte secundária do programa, durante o qual aprendiam esgrima, ginástica e equitação. Aos domingos as aulas eram substituídas por trabalhos manuais e passeios.

Alexandre Nikolaevich
Quando estava bem-disposto, Alexandre era uma criança educada e honesta, era visivelmente inteligente e tinha uma natureza generosa. Ficava comovido com qualquer sinal de sofrimento e tristeza. Mas, apesar de tudo, não deixava de ser um rapaz normal que também tinha momentos de travessuras e preguiça, e os seus tutores repararam que tinha a tendência preocupante de transformar qualquer pequeno percalço numa crise. Chorava com demasiada facilidade e, muitas vezes, sem motivo. Com paciência e com o passar do tempo, Zhukovsky descobriu temia a sua herança, por ter ainda na memória a violência da Revolta Dezembrista, que associava à subida ao poder do pai. Alexandre tinha onze anos quando a sua mãe deu à luz um segundo filho varão. Alexandre terá dito: "Estou tão feliz. Assim o papá vai poder escolhê-lo a ele para herdeiro".

Nicolau I (centro) com Alexandre (esquerda), Constantino (direita), Nicolau e Miguel durante a Guerra da Crimeia.
Apesar de Zhukovsky ser gentil, o seu idealismo exacerbado também pode ter contribuído para os medos do seu aluno. Em certa ocasião, deu a Alexandre um ensaio no qual definia aquele que, do seu ponto de vista, era o governante ideal, e o futuro czar guardou-o consigo o resto da vida. "Respeita a lei," escreveu Zhukovsky, "uma lei que seja negligenciada pelo czar nunca será cumprida pelo povo (...). Respeita a opinião pública, pois esta ilumina muitas vezes o soberano (...). Governa pela ordem, não pelo poder (...). Ama o teu povo; a não ser que o czar ame o seu povo, o povo não pode amar o seu czar". O tutor também deixou a seguinte nota na secretária de Alexandre: "Serás tu a entrar na História um dia. Isso é inevitável pelo acaso do teu nascimento. A História irá julgar-te antes do resto do mundo e esse julgamento será para todo o sempre". Era uma perspectiva aterrorizante para um rapaz de onze anos.

Alexandre Nikolaevich
Nesse mesmo ano, em 1829, Alexandre participou em manobras militares pela primeira vez. O seu pai notou uma certa falta de entusiasmo, o que levou ao aumento das tensões entre o czar e os tutores do filho. Nicolau queria que se desse mais importância às ciências militares e ficou chocado quando Zhukovsky escolheu para tutor de História do filho o professor Arseniev, que tinha sido expulso da universidade onde dava aulas por ter atacado a corrupção do sistema judicial. Zhukovsky argumentou que Alexandre tinha de compreender em que estado se encontrava realmente o país. Um professor de religião de quem ele gostava particularmente foi dispensado devido às suas simpatias por dissidentes. À medida que as tensões entre a escola e a corte aumentavam, Alexandre começou a levar as aulas menos a sério e a discutir com os seus companheiros. Em 1832, Merder sofreu um pequeno ataque cardíaco. Arseniev culpou Alexandre pelo sucedido e ele desfez-se em lágrimas e prometeu que se iria portar melhor.


Alexandre Nikolaevich
Alexandre estava prestes a iniciar uma nova etapa da sua vida. Em 1834, quando fez dezasseis anos de idade, tornou-se no primeiro príncipe Romanov a fazer um juramento de lealdade ao czar - com o passar do tempo, este iria tornar-se num ritual de passagem importante para todos os homens da família imperial. As palavras e o cenário eram esmagadores: na capela do Palácio de Inverno, perante uma congregação de cortesãos, representantes do governo, convidados estrangeiros e do clero, o jovem prometeu obedecer ao pai "em tudo, sem poupar o meu corpo, até à minha última gota de sangue". "Pushkin recordou que todos os presentes "ficaram profundamente comovidos". Muitos não conseguiram segurar as lágrimas. Alexandre herdou a sua fortuna naquele dia e, por opção própria, ofereceu quantias de dinheiro generosas aos governadores-gerais de São Petersburgo e Moscovo para que eles as distribuíssem pelos pobres. Só muito mais tarde é que soube que Merder, que tinha ido para Itália para descansar e recuperar a saúde, tinha sofrido outro ataque cardíaco alguns dias antes da cerimónia e que a última palavra que tinha dito antes de morrer tinha sido o nome do seu aluno.


Alexandre Nikolaevich
O czarevich voltou para a sala de aulas com a determinação de ter sucesso. Sentia-se culpado e triste por Merder e a única forma que encontrou para se sentir melhor foi através do trabalho. Ainda faltavam três anos para concluir o sistema de nove criado por Zhukovsky e, no exame final, o jovem de dezanove anos mostrou que dominava várias áreas de conhecimento e que possuía uma compreensão profunda do mundo à sua volta. Mas, além das aulas, Alexandre também passou os seus três últimos anos de estudo a conhecer a sociedade. Todos os queriam ver e, para um rapaz habituado a camas de campanha e a salas-de-aula funcionais, esta nova vida deve ter parecido cheia de tentações. Inevitavelmente, começaram a surgir alguns rumores de que o czarevich estava apaixonado, mas nada escandaloso. Além do mais, Alexandre detestava lisonjas. Não demorou muito até toda a corte estar rendida ao seu futuro imperador.

Alexandre Nikolaevich
Com a sua educação formal concluída, Alexandre foi enviado para uma visita de sete meses pela Rússia, com uma agenda de visitas exigente elaborada pelo pai. Na companhia de Zhukovsky e do General Kavelin, o substituto de Merder, o herdeiro viajou por todo o país a uma velocidade estonteante. "Até quando estamos na cama à noite," queixou-se Zhukovsky à czarina, "sentimos que ainda estamos a galopar". As vilas que iam surgindo pelo caminho organizaram recepções civis, missas nas igrejas, banquetes e bailes, e os dignitários locais faziam fila para conhecer o seu futuro governante. Os camponeses faziam caminhadas de vários quilómetros só para ver a carruagem de Alexandre a passar. O grupo visitou escolas, hospitais, fábricas, instituições caritativas e igrejas; Alexandre observava e ouvia com interesse, mas sabia que ainda lhe faltava ver muita coisa.

Alexandre Nikolaevich
Alexandre começou a pedir para parar nas aldeias mais sujas e negligenciadas, nas quais saía da carruagem e caminhava, entrando nas cabanas dos camponeses como convidado. Não se importava que estas visitas não planeadas atrasassem a sua agenda. Para os camponeses devem ter parecido visitas fora deste mundo, mas se alguém se sentisse demasiado intimidado para falar, pelo menos Alexandre podia ver com os seus próprios olhos como viviam. O seu itinerário incluía uma visita à Sibéria, onde a família imperial nunca tinha estado. Enquanto lá esteve, decidiu ir visitar os campos de prisioneiros para falar com eles enquanto estes arrastavam as suas correntes. Em Tobolsk, fez um desvio especial para conhecer os Dezembristas exilados, responsáveis por uma rebelião da qual ele tinha as piores recordações. As condições do seu exílio deixaram-no de tal forma chocado que Alexandre escreveu uma carta arrebatadora ao pai a pedir-lhe clemência. O czar ouviu, mas não fez nada.

Nicolau I e Alexandre Nikolaevich
É fácil ver estas histórias com algum cinismo. Alexandre vinha do nível mais privilegiado da sociedade e quando a sua visita acabasse, ele podia regressar aos seus palácios. Mas os seus sentimentos eram genuínos e duradouros: ele insistiu em ver o verdadeiro estado em que se encontrava a Rússia, e não admira que tenha sido a fonte de grandes esperanças. O desafio seria quando o seu desejo de fazer o bem tivesse de ser traduzido em acções políticas duras. Nessa altura, as certezas dos ensinamentos de Zhukovsky, de que a opinião pública ficaria sempre do lado de um governante justo, e de que, se um governante que amasse o seu povo, este iria sempre amá-lo em troca, já não fariam tanto sentido.


Alexandre Alexandrovich
No entanto, por agora, tudo o que Alexandre fazia se transformava em ouro. A Rússia adorava-o e a sua missão seguinte seria uma digressão pela Europa pela qual os seus pais ansiavam com urgência uma vez que os rumores sobre as paixões de Alexandre se tinham transformado em realidade. Em inícios de 1838, Alexandre tinha-se apaixonado profundamente por uma dama-de-companhia polaca chamada Olga Kalinovskaya e, apesar de o czarevich saber que nunca se poderia casar com ela, os pensamentos de como poderia ser uma vida ao pé dela atormentavam-no. Alexandre iria apaixonar-se com demasiada facilidade e demasiado envolvimento o resto da vida. O seu pai compreendia-o e estava ansioso por o levar a conhecer o mundo, por o manter ocupado e por lhe encontrar uma esposa adequada. O czar planeou um calendário exaustivo para o filho que Alexandre seguiu com vontade, mas não demorou muito até o ritmo o começar a afectar. No início do verão de 1838, quando se encontrava em Copenhaga, Alexandre apanhou uma constipação que rapidamente se agravou e transformou numa bronquite que o obrigou a passar vários dias de cama. Finalmente a sua comitiva chegou até Ems, mas acabaram por ficar retidos na cidade durante três meses, devido aos ataques de tosse agoniantes e às febres que o czarevich não conseguia curar. Durante o resto da viagem, sofreu de asma.

Olga Kalinovskaya 

Texto retirado do livro "Romanov Autumn" de Charlotte Zeepvat

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

O outro Nicolau e a outra Alexandra - Nicolau I e Alexandra Feodorovna (Carlota da Prússia) - Primeira Parte


"Quando olhamos para trás, é assustador ver como o tempo passa depressa...". A Rússia estava no auge do seu poder quando Nicolau I escreveu estas palavras à sua irmã, ao recordar o dia em que, mais de trinta anos antes, quando tinha partido para a guerra com o irmão, o czar Alexandre I. Na altura, tinha apenas dezassete anos de idade e não fazia ideia que um dia iria suceder ao trono. Era feliz e, embora não o soubesse, estava prestes a conhecer a jovem com quem se viria a casar. Em Berlim, foi a filha do rei da Prússia, Carlota, que recebeu os visitantes. Tinha quinze anos, era alta, bonita e um tanto inocente. Nicolau também era bonito. Tinham os dois terminado a sua educação há pouco tempo e apaixonaram-se loucamente um pelo outro, apesar de as suas famílias insistirem que tinham de esperar um ano antes de sequer ficarem noivos. A derrota de Napoleão e a reorganização da Europa era muito mais importante do que as esperanças de dois adolescentes românticos - apesar de as suas famílias verem que o casamento iria reforçar a aliança política entre os dois países. Passaram três anos até Carlota se converter à Igreja Ortodoxa com o nome de Alexandra Feodorovna, que passaria a utilizar para o resto da vida. No dia em que completou dezanove anos, casou-se com Nicolau na capela do Palácio de Inverno. Corria o ano de 1817, cem anos antes do colapso da dinastia.

Alexandra Feodorovna (Carlota da Prússia)
Nicolau nasceu para ser soldado, e era essa a única vida que queria. Demasiado novo para sentir as tensões que levaram ao assassinato do seu pai, o czar Paulo I, era o produto de uma infância segura numa família extremamente unida. Quando nasceu, no Palácio de Catarina, em Czarskoe Selo, no verão de 1796, os seus irmãos Alexandre e Constantino eram quase adultos. Era mais chegado à sua irmã Ana, que era apenas um ano mais velha do que ele, e ao seu irmão mais novo, Miguel; mais tarde, os três decidiram apelidar-se de a "Triopatia" e passaram a usar anéis especiais gravados com o lema "Firmeza e Esperança". Ofereceram um anel semelhante à sua mãe, a czarina Maria Feodorovna, tornando-a assim um membro do seu circulo.

Ana Pavlovna (futura rainha dos Países Baixos), Nicolau Pavlovich (futuro czar Nicolau I) e Miguel Pavlovich por F. Ferriere em 1806
Maria Feodorovna era mulher forte e foi a sua vontade de ferro que tornou a sua grande família tão unida, sobrepondo-se às suas diferenças de idade e educações distintas. A czarina tinha sido obrigada a entregar os seus filhos mais velhos à sua sogra, a imperatriz Catarina, a Grande, o que serviu para reforçar ainda mais a sua vontade de educar os restantes filhos à sua maneira. Nicolau aprendeu a falar quatro línguas, e estudou os clássicos, economia, direito e ciência política. Tocava flauta e as suas pinturas podiam facilmente ser confundidas com o trabalho de um artista profissional, mas, por muito que a sua mãe o tentasse convencer, nunca o conseguiu tornar tão encantador e educado como queria. Tanto Nicolau como Miguel gostavam mais de paradas militares do que de salões de festas: "os teus irmãos parecem inválidos", queixou-se Maria Feodorovna numa carta à sua filha Ana, "e nunca dançam um passo que seja, escondem-se nos cantos e parecem estar sempre aborrecidos".

A czarina Maria Feodorovna, nascida princesa Sofia Doroteia de Wuttenberg
Alexandra Feodorovna recordava-se da falta de jeito do marido com humor num livro de memórias que escreveu sobre os seus primeiros anos de casamento com Nicolau. Dizia que, em privado, ele era uma pessoa completamente diferente e "tanto ele como eu só estávamos realmente felizes e satisfeitos quando ficávamos sozinhos nos nossos aposentos, comigo sentada no colo dele enquanto ele me cobria de amor e afecto".  A czarina-viúva adorava vê-los juntos: "O Nicky é um marido muito afectuoso. É impossível ser mais cuidadoso, mais atencioso do que ele é com a esposa (...) a esposa dele é encantadora e vive só para ele, adivinhando todos os seus desejos, todos os seus pensamentos; a fazer tudo o que pode para o agradar". Poucas semanas depois do casamento, Alexandra já estava grávida. Desmaiou durante a missa e, depois de a levar para o quarto, Nicolau foi a correr até um jovem pajem e anunciou que ia ser pai. O bebé, um menino, nasceu no Kremlin, o coração histórico da Rússia, rodeado de bons presságios: "na Semana Santa, num lindo dia de primavera, enquanto os sinos ainda tocavam em celebração pela grande festa da Ressurreição. (...) O Nicky beijou-se e desfez-se em lágrimas, e ambos agradecemos a Deus juntos."

Alexandra Feodorovna com os seus dois filhos mais velhos: Maria e Alexandre
Na verdade, o cenário do nascimento do pequeno Alexandre Nikolevich não teve nada de acidental. Tinha sido planeado pela czarina-viúva para chamar a atenção para a importância nacional da jovem família. Todos sabiam que, um dia, o trono iria passar para Nicolau e o nascimento de um filho confirmou a sua importância. Ele e Alexandra eram os únicos que se recusavam a lidar com o inevitável. O casamento de Alexandre I era vazio e as suas duas filhas tinham morrido ainda bebés. Constantino era divorciado. Em 1820, casou-se morganaticamente e disse à mãe que não queria nada a impedir a sucessão de Nicolau ao trono. Ainda assim, Nicolau não queria discutir a sucessão. Alexandre tentou falar sobre o assunto uma noite, depois de um jantar de família, mas Nicolau e Alexandra ficaram tão perturbados que o czar desistiu da ideia. Quando Constantino renunciou formalmente aos seus direitos em 1822, Alexandre manteve o documento em segredo.

Alexandre I
A felicidade do casal era um problema. Tudo o que queriam era estar juntos e aproveitar a sua vida familiar com os filhos. O segundo bebé foi uma menina a quem chamaram Maria; Nicolau rapidamente ultrapassou a sua desilusão inicial e as suas cartas começaram a encher-se de descrições de quanto adorava os seus filhos. A sua mãe concordava. "Fui abraçar os meus queridos netos, que são encantadores," escreveu a czarina-viúva em 1820, sete meses após o nascimento de Maria. "A menina está a ficar muito mais bonita e vai ser tão bonita como a mãe (...) já gosta muito do pai que lhe dá muita atenção e que se diverte muito com ela. Adora-a verdadeiramente. Quanto ao menino, é um anjo e a melhor criança que se possa imaginar".

Maria Nikolaevna
Alguns meses depois de estas palavras serem escritas, Alexandra deu à luz uma bebé que nasceu morta. Foi a sua terceira gravidez em três anos de casamento e a perda da bebé deixou-a profundamente deprimida. Nicolau dedicou toda a sua atenção e carinho à esposa, tendo tratado dela com as suas próprias mãos, embora a sua mãe tenha reparado que ele "distrai-se e esquecesse de manter a abstinência que devia estar a cumprir". Os médicos aconselharam umas férias e Nicolau levou a esposa para a sua terra natal: Berlim. Os dois gostaram tanto das férias que acabaram por regressar à Alemanha no ano seguinte e em 1824, numa altura em que já tinham três filhos para deixar com a czarina-viúva, e memórias dolorosas da perda de mais um bebé. Será que sonhavam em deixar a Rússia para sempre? Alexandre I temia que isso pudesse vir a acontecer, por isso, na primavera de 1825, mandou chamar o irmão e a cunhada, dizendo que precisava da companhia deles. Ofereceu terrenos a Alexandra em Peterhof, a propriedade imperial da qual ela tinha gostado mais quando tinha chegado à Rússia. Algumas semanas depois de receber este presente, teve mais uma filha, a grã-duquesa Alexandra.

A grã-duquesa Alexandra Nikolaevna
Quando Alexandre I pediu ao seu irmão para regressar à Rússia em 1825, estava a perder rapidamente o interesse pela vida. O czar estava cansado, e, por conselho médico, viajou com a esposa, que estava doente, para sul nesse outono, tendo nomeado Nicolau para regente. Ninguém estava à espera de receber a notícia de que Alexandre tinha morrido na distante cidade de Taganrog; foi um choque para toda a família. Nicolau ordenou a guarda imperial a jurar lealdade a Constantino, recusando-se a aceitar a renuncia do irmão ao trono porque nunca ninguém o tinha informado da mesma, nem mostrado os documentos. Em Varsóvia, onde vivia, Constantino jurou lealdade a Nicolau e este impasse durou quase três semanas, durante as quais cada um dos irmãos declarava lealdade ao outro e o grão-duque Miguel tinha de viajar de um lado para o outro entre eles. A situação até poderia ter sido divertida, se não fosse tão perigosa. Quando Nicolau soube que havia uma conspiração no exército, aceitou o inevitável e assumiu o trono a 13 de Dezembro de 1825.

Nicolau I
O ar na cidade estava tenso. Havia grupos de soldados nas ruas a gritar por Constantino. Os seus líderes eram, na sua maioria, jovens de famílias nobres que tinham visto como os seus pares viviam noutros países da Europa e tinham regressado à Rússia convencidos de que era necessária uma reforma liberal. Alguns eram republicanos, mas outros não; não tinham uma liderança coerente e Constantino não tinha qualquer interesse neles, mas, durante algumas horas, o perigo foi intenso. No pátio coberto de neve do Palácio de Inverno, à luz das tochas, Nicolau entregou o seu filho Alexandre à protecção dos Guardas Finlandeses, que lhe eram leais. Quando nasceu o dia, os rebeldes juntaram-se na Praça do Senado. Regimentos inteiros recusaram-se a jurar lealdade ao novo czar: quando o governador de São Petersburgo tentou explicar que Constantino tinha renunciado ao trono, foi morto a tiro. Antes do meio-dia, Nicolau foi até à praça de cavalo e as tropas que lhe eram leais acompanharam-no. Falou aos rebeldes e ofereceu um armistício, mas não conseguiu quaisquer avanços e, à medida que anoitecia, os seus generais pediram-lhe que disparasse sobre a multidão. Nicolau cedeu e a Revolta Dezembrista foi esmagada à força.

A Revolta Dezembrista - soldados reunidos na Praça do Senado em São Petersburgo
Ninguém duvidava da coragem que Nicolau mostrou naquele dia, mas muitos questionaram a sua humanidade. Os soldados comuns que se juntaram à revolta foram perdoados, mas cinco dos seus líderes foram condenados à morte, e quase trezentos foram exilados para a Sibéria. O novo czar tomou medidas firmes para o império, impondo restrições severas ao movimento e pensamento individual. Precisava de assumir o controlo rapidamente e de voltar a restaurar a ordem, mas o fardo pessoal era demasiado. Nicolau era completamente dedicado ao dever, e a sua mãe via com preocupação a saúde do filho, que se foi deteriorando perante o peso das suas novas responsabilidades. "Diz que o reinado só lhe trouxe problemas," escreveu ela, "está sobrecarregado com assuntos do estado, com trabalho. Nunca vai para a cama antes das duas ou três da manhã. Nem sequer tem tempo para jantar descansado. (...) Está mais magro, mais pálido, de uma forma assustadora."

Constantino Pavlovich, irmão mais velho de Nicolau que renunciou ao trono
Texto retirado do livro "Romanov Autumn" de Charlotte Zeepvat

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Os Ramos da Família Romanov: Os Leuchtenberg


Maria Nikolaevna com os filhos
Grã-duquesa Maria Nikolaevna com os seus filhos

Este ramo originou-se em 1839, aquando do casamento da Grã-duquesa Maria Nikolaevna, filha mais velha do czar Nicolau I, com o Príncipe Maximiano, Terceiro Duque de Leuchtenberg. Ao contrário de outros casamentos da época, este realizou-se por amor, mas trouxe consigo uma série de condições devido à posição do noivo ser mais baixa do que a da noiva. A primeira, e mais importante, foi a de que Maximiano se mudaria para São Petersburgo, uma vez que Nicolau I nunca permitiria que a sua filha saísse de perto de si. Maximiliano, dono de um ducado sem importância e, segundo relatos da época, extremamente apaixonado pela sua noiva, cedeu sem dificuldade.

Assim, pela primeira vez desde o casamento de Miguel Pavlovich com a Princesa Carlota de Württemberg, uma família paralela à do Imperador, crescia na Rússia Imperial.

O Casal


Maria conheceu o seu futuro marido quando este se encontrava em São Petersburgo para manobras militares em 1837. Um ano mais tarde, quando regressou, os dois apaixonaram-se. "Tornou-se bastante claro nos últimos quatro dias que o Max e a Maria foram feitos um para o outro!", escreveu a sua irmã Olga.

A união não era de todo desejável. Maximiano era apenas um Duque menor, pertencente à casa da Baviera, um título muito abaixo do de Maria, além disso era também católico e um familiar directo de Napoleão Bonaparte (o seu pai, Eugénio, era filho da Imperatriz Josefina), cujas memórias de guerra ainda estavam bem vivas nas memórias russas. Apesar de tudo a maior indignação veio por parte da mãe de Maximiano, a Princesa Augusta da Baviera, que mais tarde se recusaria a estar presente na união.

Apesar de todas as entraves, a cerimónia realizou-se no dia 2 de Julho de 1839, o mesmo dia em que o pai de Maria a presenteou com o seu próprio palácio: o Mariinsky, construído nas margens do rio Neva.

O Palácio Mariinsky, a casa de Maria e Maximiliano em São Petersburgo

Nos 12 anos que se seguiram, o casal teve sete filhos. Maximiano tornou-se um cientista de renome e Maria uma coleccionadora ávida de arte. O seu prestígio levou a que ele fosse nomeado Presidente da Academia das Artes de São Petersburgo em 1843. Após a morte do marido em 1852, Maria herdou a sua posição.

Grã-duquesa Maria Nikolaevna

Em 1854, Maria casou-se pela segunda vez, desta vez com o Conde Gregório Stroganov, uma união que gerou dois filhos.

Filhos


Princesa Maria von Leuchtenberg


Nascida no dia 16 de Outubro de 1841 em São Petersburgo. Casou-se com o Príncipe Luís Guilherme de Baden, filho de Leopoldo I de Baden e da Princesa Sofia Guilhermina da Suécia, no dia 11 de Fevereiro de 1863 em São Petersburgo. Morreu no dia 16 de Fevereiro de 1914 aos 72 anos. Os seus filhos foram:

  • Princesa Maria de Baden (1865 – 1939)
  • Príncipe Maximiano Alexandre Frederico Guilherme de Baden (1867 – 1929)

Nicolau, 4º Duque de Leuchtenberg
Nascido no dia 4 de Agosto de 1843 em Sergeievskoie. Casou-se com Nadezhda Annenkova em Outubro de 1868. Morreu no dia 6 de Janeiro de 1891, aos 47 anos, em Paris, França. Abdicou do seu título de Duque de Leuchtenberg para se casar com uma plebeia, passando a partir de então a ser um Príncipe Romanovsky. Os seus filhos foram:

  • Nicolau von Leuchtenberg (1868 – 1928)
  • Jorge von Leuchtenberg (1872 – 1929)

Eugénia von Leuchtenberg


Nascida no dia 1 de Abril de 1845 em São Petersburgo. Casou-se com o Duque Alexandre Frederico de Oldenburgo, filho do Duque Constantino de Oldenburgo e da Princesa Teresa de Nassau-Weilburg, no dia 19 de Janeiro de 1868 em São Petersburgo. Morreu no dia 4 de Maio de 1925, aos 80 anos, em Biarritz, na França.

Teve apenas um filho, Pedro de Oldenburgo (1868 – 1924), que se casou com a Grã-duquesa Olga Alexandrovna da Rússia.


Eugénio, 5º Duque de Leuchtenberg


Nascido no dia 8 de Fevereiro de 1847 em São Petersburgo. Casou-se primeiro com Daria Opotchinina, no dia 20 de Janeiro de 1869, perdendo o título de Duque de Leuchtenberg. Casou-se em segundo lugar com Zinaida Skobeleva no dia 14 de Julho de 1878 em Peterhof. Morreu no dia 31 de Agosto de 1901 aos 54 anos. A sua única filha, Daria von Leuchtenburg, nascida em 1870 do seu primeiro casamento, foi executada pelos bolcheviques em 1930, acusa de estar envolvida com um grupo terrorista alemão.

Sergei, 6º Duque de Leuchtenberg


Nascido no dia 20 de Dezembro de 1849 em São Petersburgo. Foi morto no dia 24 de Outubro de 1877 durante a Guerra Russo-Turca. Sem descentes.

Jorge, 6º Duque de Leuchtenberg

Nascido no dia 29 de Fevereiro de 1852 em São Petersburgo. Casou-se com a Duquesa Teresa de Oldenburgo, filha do Duque Constantino de Oldenburgo e da Princesa Teresa de Nassau-Weilburg, no dia 12 de Maio de 1879. Casou-se em segundo lugar com a Princesa Anastásia de Montenegro de quem se divorciou em 1906. Ela acabaria por se casar com o seu primo, o Grão-duque Nicolau Nikolaevich Jr, com quem manteve um caso enquanto estava ainda casada.

Do primeiro casamento teve um filho, Alexandre, 7º Duque de Leuchtenberg (1881 – 1942) e do segundo dois, Sergei (1890 – 1974) e Elena (1892 – 1971).

Grã-duquesa Maria Nikolaevna com o filho Jorge

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Czares da Rússia - Nicolau I e família


Nome: Nicolau Pavlovich Romanov (Nicolau I da Rússia)
Pais: Paulo I da Rússia e Maria Feodorovna (Sofia Doroteia de Württemberg).
Nascimento: 6 de Junho de 1796
Reinado: 1 de Dezembro de 1825 - 2 de Março de 1855


Principais Reformas:

  • Iniciando o seu reinado em plena Revolta Decembrista, Nicolau desde cedo assumiu o seu papel de autocrata, reprimindo todos os movimentos revolucionários e sociedades secretas que conseguiu.
  • Considerou a ideia de abolir a escravatura, mas temia a revolta dos senhorios, por isso limitou-se a melhorar as condições dos servos.
  • Apostou na cultura do país, iniciando a internacionalização dos artistas russos. Investiu também em melhorias tecnicas, sendo o primeiro czar a usar o telégrafo.
  • Ofereceu-se para ajudar a travar os movimentos revolucionários pela Europa, contribuindo com tropas russas. Mais tarde tentou reduzir as liberdades constitucionais e parlamentares na Polónia, o que lhe valeu o rebendar da Revolta de Novembro em 1831.
  • No final do seu reinado envolveu-se na Guerra da Crimeia que terminaria já depois da sua morte.

Família:

Consorte: Alexandra Feodorovna (Carlota da Prússia)




Ao contrário da maioria dos casais reais da época, Nicolau e Carlota partilhavam uma boa relação e eram realmente devotos um ao outro. Nicolau conheceu-a quando ele e o seu irmão mais novo, Miguel, fizeram uma visita oficial a Berlim em 1814. O casamento começou a ser imediatamente planeado entre as duas famílias embora os dois apenas se tivessem apaixonado no ano seguinte.

De acordo com relatos da época, Nicolau foi sempre fiel à sua esposa até os últimos anos de casamento quando arranjou uma amante devido aos conselhos do médico de Carlota para que ela não volasse a ter relações sexuais. Carlota mantinha uma boa relação com a amante do marido.

Juntos tiveram 10 filhos dos quais 7 sobreviveram até à idade adulta.

Nicolau I da Rússia com a sua esposa e filhos imitando uma gravura da idade média

Filhos:

Alexandre II da Rússia


Maria Nikolaevna Romanova

Nascida em 1819, Maria foi a primeira filha do casal. Foi desde sempre uma defensora das artes, chegando mesmo a presidir a Academia das Artes de São Petersburgo. Em 1839 casou-se com o Príncipe Maximiliano de Leuchtenberg, um neto da Imperatriz Josefina da França, de quem teve 7 filhos. Como ele era o filho mais novo numa casa real mínima europeia, o casal pôde ficar a viver em São Petersburgo, junto dos pais de Maria.

Olga Nikolaevna Romanova

Nascida em 1822 depois da sua mãe ter perdido um bebé dois anos antes. Tornou-se Rainha de Wütenburg através do seu casamento com o futuro rei Carlos I de Wüttenburg. Talvez devido à discutida homossexualidade do seu marido, Olga nunca teve filhos, dedicando a vida a obras de caridade no seu país adoptivo. Mais tarde receberia e cuidaria da sua sobrinha, a Grã-duquesa Vera Constantinovna da Rússia.

Alexandra Nikolaevna Romanova

Nascida em 1825, Alexandra era a filha preferida do pai que dizia ser ela a única a ter herdado o aspecto prussiano da mãe. Tinha uma personalidade amigável e uma relação próxima da sua irmã Olga. Em 1844, Alexandra casou-se com o Príncipe Frederico Guilherme de Hesse. Acabaria por morrer ao dar à luz o único filho do casal que morreu ainda antes da mãe. Tinha 21 anos.

Constantino Nikolaevich Romanov

Nascido em 1827, foi a mente por detrás de todas as reformas do seu irmão Alexandre II da Rússia. Casou-se com a Princesa Alexandra de Saxe-Altenburgo de quem teve seis filhos, iniciando o ramo "Constantinovich" da família Romanov. A sua filha, Olga Constantinovna tornar-se-ia rainha da Grécia.

Nicolau Nikolaevich Romanov

Nascido em 1833, era um apaixonado pela vida militar, ingressando no exercito através da sua posição como Grão-duque. As suas intervenções militares foram desastrosas, particularmente durante a Guerra Russo-Turca, o que levou ao seu afastamento das forças militares. Casou-se com a Princesa Alexandra de Oldenburgo de quem teria 2 filhos, o Grão-duque Pedro Nikolaevich e o Grão-duque Nicolau Nikolaevich (que seria mais tarde um importante general no reinado no Czar Nicolau II). Actualmente o seu bisneto, Príncipe Nicolau Romanovich, compete pela titularidade da Casa Real dos Romanov.

Miguel Nikolaevich Romanov

O filho mais novo do Czar nasceu em 1832. Extremamente devoto religiosamente e conservador, ao contrário dos seus irmãos. Casou-se com a Princesa Cecília de Baden de quem teve 7 filhos, formando o ramo "Mikhailovich" da família Romanov. Três dos seus filhos foram assassinados durante a Revolução Russa enquanto um deles, Alexandre, se casaria mais tarde com a Grã-duquesa Xenia Alexandrovna.

***

Causa de morte: Pensa-se que se terá envenenado a si próprio após a derrota russa na batalha de Eupatoria durante a Guerra da Criméia.